Meia dúzia de videoclipes maranhenses

 

Quando ouvi os primeiros segundos de Como me sinto tive a certeza de um hit instantâneo. Com Gisa Franco, entrevistei-o no Balaio Cultural (Rádio Timbira AM) sobre o EP que lançou antes de rumar para São Paulo. Garoto prodígio, Dhean começou a cantar aos três anos na igreja evangélica que sua família frequentava. A música é, por assim dizer, o carro-chefe do trabalho, que traz quatro faixas autorais e uma releitura inspirada de Demais (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), sucesso de Maysa.

 

 

Em 17 de maio passado, sob direção de Marcelo Flecha, Cláudio Lima subiu ao palco da Pequena Companhia de Teatro, em São Luís, onde apresentou o show Com a lira, marcando posição no Dia Internacional de Combate à Homofobia. Desfilou um repertório de temática homoafetiva e/ou assinado por compositores e compositoras idem. O show acabou merecendo bis e o cantor ganhou de presente de Zeca Baleiro a canção Qualhira, para a qual o próprio Cláudio Lima, designer de profissão, realizou o videoclipe de animação. Contra a força bruta, delicadeza e beleza.

 

 

Enquanto uns fecham os olhos e assim legitimam e autorizam o extermínio de indígenas, o duo Yamí celebra os povos originários. Marco Lobo (percussão e eletrônica) e Federico Puppi (violoncelo e eletrônica) se unem a Rita Benneditto (voz e percussão) num canto que celebra a conexão do humano/indígena com o divino/natureza. A música une o candomblé ao bumba meu boi, utilizando instrumentos de percussão típicos da manifestação legitimamente maranhense, como o pandeirão e o tambor-onça.

 

 

O registro ao vivo dá ideia do que foi o show de lançamento de Elementos e hortelã na terra dos eucaliptos, segundo disco do cantor e compositor Vinaa, realizado no último dia 1º/11, na Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen). O álbum está disponível nas principais plataformas digitais e tem também edição física.

 

 

Zeca Baleiro já lançou outro disco, O amor no caos – volume 2, mas soltou recentemente o lyric vídeo de Mais leve, gravada pelo cantor e compositor com a adesão de sua parceira na autoria da faixa Cynthia Luz no volume 1. Ambos os álbuns estão disponíveis em cd e nas plataformas digitais.

 

 

Jornalista de formação, a compositora e cantora Valéria Sotão assina direção e edição de vídeo em Desmanchem, single que acaba de disponibilizar no youtube. Antenada com os novos tempos e as mudanças na forma de consumir música, ela tem lançado faixas de modo esparso e anuncia para breve o lançamento de novo single.

EP Descostura marca estreia de Valéria Sotão

Artista disponibilizou três faixas, antecipando o álbum que gravará em 2016. Também já está no ar o videoclipe de Chocolate meio amargo, uma das faixas de Descostura

 

Este é o videoclipe de Chocolate meio amargo, uma das três faixas de Descostura, EP que Valéria Sotão acaba de disponibilizar na internet. Compositora e cantora – é ela quem prefere ser chamada nesta ordem – que acrescenta um “de voz miúda” ao se apresentar nas redes sociais.

Descostura. Capa. Reprodução
Descostura. Capa. Reprodução

Chocolate meio amargo tem direção de Emilio Andrade e atuação de Luciano Teixeira e Larissa Ferreira. Descostura, o EP, está disponível para audição no soundcloud da artista, que promete para ano que vem o álbum completo de estreia. Apesar de jovem, Valéria já deu algumas guinadas na vida.

Primeiro, abandonou o jornalismo. “Fiz jornalismo porque queria mudar o mundo, mas aprendi logo a falta de autonomia na área. Sempre quis música; mas minha família queria uma garantia, então fiz faculdade e adiei a música”, conta. Dedicou-se por algum tempo à fotografia, profissionalmente. Com Descostura alça, agora, voo musical.

“Acho que o jornalismo me trouxe uma bagagem cultural única, que posso usar na música, e a fotografia é uma arte e todas as artes são relacionadas”, afirma, costurando suas áreas de atuação.

Valéria Sotão, compositora e cantora "de voz miúda". Foto: divulgação
Valéria Sotão, compositora e cantora “de voz miúda”. Foto: divulgação

Ela compõe desde os 15 anos, mas só recentemente fez sua estreia num palco, durante o evento Lição de moda, no recém-inaugurado Shopping Passeio, no Cohatrac. “O produtor do evento me chamou sem nunca ter me ouvido, pois disse que confiava no meu bom gosto. Moda é arte, forma de expressão assim como a música”, acredita.

Descostura tem uma pegada pop, cujas influências, ela mesmo confessa, são Caetano Veloso, Rita Lee, Secos & Molhados, Placebo e David Bowie. Ela, no entanto, não renega a cultura popular – o clipe de Chocolate meio amargo tem trechos rodados num de seus principais palcos no Maranhão, a Praia Grande. “Eu adoro a cultura popular maranhense. Já vivi muitas coisas na Praia Grande, já fiz faculdade de música – que não terminei – por ali… Adoro bumba meu boi”, revela.

Raflea (nome artístico de Rafael Cunha França, integrantes de bandas como Torre de Papel e Casaloca), um exército de um homem só, tocou todos os instrumentos do disco, exceto a bateria, assinada por Carlos Silva, e o violão da faixa-título, tocado pela própria Valéria. A capa do EP é um desenho de Ksyfux (nome artístico de Agnaldo da Silva Jr.).

As três faixas são ótimo aperitivo. É esperar, em 2016, pelo início da gravação do álbum completo, que incluirá as faixas de Descostura e outras inéditas e, após isso, por shows de lançamento.