Aventuras e descobertas

Spinning. Capa. Reprodução
Spinning. Capa. Reprodução

 

“Eu sou o tipo de criadora feliz por fazer um livro sem ter todas as respostas. Não preciso entender todo o meu passado para desenhar quadrinhos sobre isso. E, agora que este é um livro que outras pessoas vão ler, sinto que não sou eu quem deve responder a essa questão”, afirma Tillie Walden na Nota da autora, posfácio à hq Spinning (Editora Veneta, 2019, 396 p.; R$ 84,90; tradução: Gabriela Franco), título que a transformou na mais jovem vencedora do Eisner, aos 22 anos.

Coragem e ousadia são qualidades da narrativa de Walden. Por trás do traço aparentemente simples de coloração roxa (e eventualmente amarela), a jovem quadrinista divide com seus leitores as angústias e mudanças da adolescência, entre as incertezas entre que rumo seguir quando chegar a hora do vestibular ou assumir-se lésbica para a família e os amigos.

Os ringues de patinação no gelo, de onde vem a expressão que dá título ao trabalho, algo como “girando”, são o cenário destas angústias, descobertas e transformações. Passado nos Estados Unidos, a história de Walden poderia ter como protagonista qualquer adolescente, entre o sofrimento com o bullying e o primeiro amor, o que acaba criando uma espécie de cumplicidade entre autora e leitores, independentemente da idade destes.

Spinning. Reprodução
Spinning. Reprodução

A ousadia de Walden está também em retratar o quão opressivo pode ser o ambiente de um esporte, ainda que tipicamente feminino, algo de que ela acaba tentando se descolar, seja ao assumir-se homossexual, seja ao romper com o esporte que praticou por 12 anos, tendo viajado boa parte do país participando de competições.

Ainda bastante jovem, Walden tem outros seis livros publicados e além do Eisner, venceu também o Ignatz, o Broken Frontier e o Los Angeles Times Book Prize.