Música doce

Vai sobrar doçura hoje (16), no palco do Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro). Às 20h, com abertura do maranhense Sfânio, apresentam-se os curitibanos Ana Larousse e Leo Fressato.

Ele, mais vinculado à MPB, ela, ao rock, mas ambos transitando um no universo do outro. O encontro potencializa elementos cênicos de sua música, que ecoa contemporâneos do naipe de Mallu Magalhães, Los Hermanos, Vanguart e Tiê, entre outros.

Tudo começou aqui, disco de estreia de Larousse, foi lançado em 2013. No ano seguinte Fressato lançou Canções para o inverno passar depressa, seu álbum inaugural. Os dois trabalhos formam a base do repertório que o par apresentará hoje à noite na ilha.

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro da Cidade, por R$ 50,00 (meia para estudantes e demais casos previstos em lei).

Assista Leo Fressato em Enquanto eu não (Leo Fressato):

E Ana Larousse em Vai, menina (Ana Larousse):

Comédia musical piauiense tem duas apresentações gratuitas em São Luís

Cena de A república dos desvalidos. Foto: Margareth Leite
Cena de A república dos desvalidos. Foto: Margareth Leite

 

Hoje (4) e amanhã, às 19h30, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro), o Grupo de Teatro Pesquisa (Gutepe), fundado em 1976 em Teresina/PI, apresenta a comédia musical A república dos desvalidos. A peça é uma homenagem a José da Providência, um dos diretores do grupo, já falecido. O espetáculo circula com apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Piauí.

A trama se passa no sertão nordestino, em um conjunto habitacional chamado Itararé que, de acordo com o texto da peça, “é só um nome que poderia ser de milhões: existem centenas de Itararés pelo Brasil”, e aborda o inchaço das periferias e a decadência de famílias tradicionais.

A brincadeira – séria, como adverte a trupe – mescla comédia, tragédia, drama, melodrama e revista, em linguagem popular e humor jocoso, tirando onda da hipocrisia religiosa, da política e de si própria.

A montagem é de 1983 e converteu-se num clássico da companhia. A música, de Aurélio Melo mistura choro, rock e tango, entre outros gêneros.

A apresentação é gratuita e os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro.

Veja a ficha técnica do espetáculo:

Texto: Afonso Lima
Música: Aurélio Melo
Direção: Arimatan Martins
Elenco: Fábio Costa, Lari Sales, Vera Leite, Eliomar Carvalho, Bid Lima, Marcel Julian e Edith Rosa
Músicos: Aurélio Melo, Paulo Aquino, Wilker Marques, Gustavo Baião e Gilson Fernandes
Figurinos: Bid Lima
Cenários: Manu
Programação Visual: Paulo Moura
Fotografia: Margareth Leite
Camareira: Rosa Costa
Operador de som: Júnior e Jocione Borges
Operador de luz: Assai Campelo
Produção: Afonso Lima, Maicon Fernandes e Adélia Lima
Maquiagem: Wilson Costa
Trabalho de Corpo: Fernando Freitas
Trabalho de Voz: Gisleine Daniele
Produção Local: Carol Marques
Classificação indicativa: 12 anos

Serviço

O quê: Comédia musical A república dos desvalidos
Onde: Teatro da Cidade
Quando: 4 e 5 de março, às 19h30
Entrada gratuita. Retirada de ingressos com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro.

Festival Avanca-São Luís acontece amanhã e depois no Teatro da Cidade

Produção local é de Francisco Colombo, que selecionou filmes do Festival de Avanca, Portugal, para exibição na capital maranhense. Mostra chegará também à Imperatriz, nos próximos dias 9 e 10 de setembro

Francisco Colombo (E) dirige Beto Ehongue durante a filmagem de seu novo curta-metragem. Foto: Evandro Filho
Francisco Colombo (E) dirige Beto Ehongue durante a filmagem de seu novo curta-metragem. Foto: Evandro Filho

 

A paixão por cinema é combustível vital para o cineasta e professor universitário Francisco Colombo. De férias em São Luís, após uma temporada de um ano em Aveiro, Portugal – para onde retorna no próximo dia 6 –, onde está cursando o Mestrado em Comunicação, ele aproveitou a vinda à cidade natal para visitar parentes e amigos, mas nem tudo foi descanso.

Em menos de um mês em São Luís, Colombo aproveitou para rodar seu novo curta-metragem, e realizará amanhã (2) e quinta-feira (3), no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro), a mostra de cinema Avanca-São Luís, com sessões gratuitas às 17h e 19h, em ambas as datas.

A seleção de filmes também poderá ser vista em Imperatriz – dias 9 e 10 de setembro, nos mesmos horários –, onde terá produção local do professor Marcos Fábio Belo Matos, do campus da UFMA naquela cidade. A mostra Avanca-Imperatriz, também com entrada gratuita, acontecerá no auditório da UFMA (Centro).

O novo filme de Colombo aborda, mais uma vez, a questão da violência, a exemplo de Reverso, curta-metragem que amealhou vários prêmios em diversos festivais. Ainda sem título, foi rodado domingo passado, com roteiro e direção de Colombo, fotografia e câmera de Paulo Malheiros, som direto de Marcos Belfort e atuações de Beto Ehongue, Gil Maranhão e Daniel San – todos estreantes.

A curadoria da mostra que o cineasta traz à São Luís (e Imperatriz) é do professor e cineasta Antonio Valente, diretor do Festival de Avanca. Em julho passado, Colombo foi jurado de algumas categorias no certame português e realizou por lá uma mostra de filmes maranhenses, exibidos em Ovar e Avanca, apresentando um pequeno panorama da produção local.

Entre os critérios para a seleção dos filmes que serão exibidos em São Luís Colombo destaca a qualidade e a dispensa de legendas. “Alguns destes filmes dificilmente entrarão em cartaz no Brasil, mesmo em salas fora do circuito comercial, mais voltadas ao chamado cinema de arte. Assim este festival se torna uma chance única de vê-los. Na Europa quase todo mundo é bilíngue, então escolhemos filmes ou em português – embora a língua falada aqui difira bastante da de lá – ou animações que dispensam texto. Há filmes muito bonitos e de procedência diversa, de países a que não estamos acostumados a ouvir falar enquanto polos produtores de cinema, como Jordânia, Chipre, Taiwan, Cazaquistão e até mesmo Portugal”, afirmou.

Um detalhe: Colombo não está recebendo dinheiro pela produção da mostra. “Não estou recebendo pagamento de ninguém. Apenas imaginei que seria uma boa trazer esses filmes pro Maranhão. Embora muita gente não acredite, ainda penso que podemos devolver um pouco à sociedade daquilo que ganhamos”, afirma, referindo-se ao fato de ter estudado em escolas e universidades públicas e à liberação, pelo Ministério Público Estadual, de onde é funcionário, para o Mestrado em Portugal.

Conheça a programação e as sinopses (mantidas expressões usadas em Portugal, conforme recebidas da produção):

2 de setembro (quarta-feira), 17h

Acabo de ter um sonho [Acabo de tener un sueño, ficção, 7’25’’, Espanha, direção: Javi Navarro]
Sinopse: Irene tem oito anos a acabou de acordar de um sonho horrível.

Deus providenciará [Ficção, 14’58’’, Portugal, direção: Luís Porto]
Maria vive sozinha no interior do país numa aldeia recôndita. É uma mulher de fortes convicções morais e religiosas. Sozinha e isolada não tem como justificar uma gravidez súbita e indesejada. À saída do hospital, onde lhe foi confirmada a gravidez, Maria não sabe o que fazer. “Como conciliar a exigência da religião com a sua vontade?” Mas um acidente pode ser a solução – basta que permaneça quieta! Ninguém a poderia culpar por um acidente, pois não? Maria está sozinha. Na igreja, Maria encontra o seu consolo e combate a solidão, mas o seu refúgio é agora o seu calvário. O que falará mais alto: o medo da ostracização e do julgamento popular, o amor a Deus ou… o temor a Deus?

Tons de cinzento [Оттенки серого, animação, 6’, Rússia, diretor: Alexandra Averyanova]
Início do século XX. São Petersburgo. Um rapaz e uma rapariga conhecem-se na estação de comboios de Tsarskoselsky, mas são separados momentos depois. À medida que vão crescendo, os dois caminham nas mesmas ruas de Petersburgo. No entanto, só 20 anos depois, a mística ligação que emergiu entre eles durante as suas infâncias, trouxe estes dois jovens de volta ao sítio em que se encontraram pela primeira vez.

Rapaz de olhos azuis [Cheshm Aabi, ficção, 18’06’’, Irã, diretor: Amir Masoud Soheili]
Um rapaz, com uma cor incomum de cegueira, causa vergonha aos seus pais ao matar, acidentalmente, algum gado da aldeia. Como consequência, seus pais procuram tratamento médico para o rapaz, mas quando os médicos não conseguem ajudar, eles levam-no a um xamã local para o tratar.

Foi o fio [Animação, 5’, Portugal, diretor: Patrícia Figueiredo]
Uma mulher novelo, uma velha mulher que passa os dias a olhar pela janela e uma vendedora de roupa caída dos estendais estão unidas por um fio. As três conduzem as acções de outras personagens e o inevitável destino de uma mulher com o marido às costas.

Ele e ela [He and She, experimental, 6’, Cazaquistão, diretor: Gaziza Malayeva]
Eles encontraram-se. Ele e ela. Ele olhou para ela, ela olhou para ele. Um, dois, três… Depois de três segundos, o seu coração irá pertencer a este estranho, e há muito decidi por mim mesmo dar o meu coração à primeira pessoa que chegasse, muitos se passaram desde então, como ela nunca, muito se passou desde então, como ela não era amada…

Caçador de borboletas [Bu die ren, animação, 18’, Taiwan, diretor: Min-Yu Chen]
É uma tradição de família, dos caçadores de borboletas, acabar as suas próprias imagens deste insecto. No entanto, à medida que o tempo passa, o meio-ambiente altera-se bastante e as florestas começam a desaparecer rapidamente, provocando consequentemente a extinção deste ser vivo. Como podem estes caçadores de borboletas realizarem os seus próprios trabalhos para cumprir a tradição?

2 de setembro (quarta-feira), 19h

Miragem [Ficção, 10’, Portugal, diretor: Joaquim Pavão]
Miragem, imagem ou imagens com insinuados desvios em relação às recordações que se viveu. Somos bisnetos, netos, filhos e mais tarde pais. Do que se guarda deixo aqui, frases soltas do que também se é.

O imortalizador [The immortalizer, ficção, 22’30’’, Chipre, diretor: Marios Piperides]
Em 1870 Otomano governou o Chipre, uma época de intensa disparidade religiosa e de classes. Um homem que chora o destino fatal da sua jovem filha, viaja durante a noite em busca da pessoa que ele acredita que será capaz de mantê-la viva.

Depois da guerra… antes da guerra… [После войны… до войны…, ficção, 45’, República Checa, diretores: Igor Korablev, Kristina Cevich e Galina Krsnoborova]
28 de dezembro de 2012, no Dia dos Santos Inocentes de Belém, Putin, o Presidente da Rússia, assinou a lei №272-FZ que efectivamente proibia famílias americanas e/ou estrangeiras a adoptar órfãos russos. A lei de “Herodes, o assassino de bebés”, como é denominada na Rússia, conduziu a um crescente valor de suicídios entre as crianças órfãs. A lei condenou um número incontável de órfãos a viverem em orfanatos, pelo país. A lei matou um bebé com deficiência que estava prestes a ser adoptado por cidadãos americanos. Mas esta história não é sobre política. Esta história é sobre alguns órfãos russos no Dia de Ano Novo no campo. Algumas mulheres bondosas encontram crianças que têm sido abandonadas pelos pais. Uma destas mulheres escreve cartas às crianças, fazendo de conta que vêm dos seus pais. É tudo o que ela consegue fazer para as ajudar.

3 de setembro (quinta-feira), 17h

Noturna [Ficção, 5’, Portugal, diretor: Pedro Farate]
No fim de contas, todos procuramos algo que receamos e que está no fundo do nosso ser, cabendo-nos a nós enfrentar os próprios medos.

O homem que não sabia muito [L’homme que en connaisait un rayon, ficção, 20’, França, diretora: Alice Vial]
O senhor Beranger trabalha na Paradesign, uma grande loja de móveis, onde os funcionários vivem dia e noite nos cenários. Beranger vive na sua casa de cartão e destaca a promoção do seu apoio para os pés. A sua vida parece perfeitamente estabelecida, até ele ser promovido para o misterioso 13º andar.

Ar [Aire, experimental, 4’, México, diretora: Romina Quiroz]
Giuliano e Paola dormem profundamente no quarto. De repente, uma suave brisa entra pela janela, desenhando delicadamente numa das paredes do quarto; a brisa torna-se gradualmente uma explosão violenta que perturba o sono de Giuliano, que persegue a sensação do vento até que ele ficar preso dentro.

Artista de rua [The street artist, animação, 7’, Jordânia, diretor: Mahmoud Hindawi]
A história de um velho artista que, apesar do seu incrível talento, está desiludido e precisa de inspiração.

Stavanger [Ficção, 38’, Alemanha, diretor: Arto Sebastian]
A história da agricultora Marta, que após a morte súbita de seu marido, é sugada numa mistura de tristezas, solidão e supressão. Incapaz de reconhecer sua perda, ela está em negação com a realidade e agarra o que resta de seu marido: seu amor.

3 de setembro (quinta-feira), 19h

Pecado Fatal [Ficção, 90’, Portugal, diretor: Luís Diogo]
Lila, uma rapariga de 20 anos, regressa a Paços de Ferreira, para tentar descobrir quem são os seus pais e porque é que estes a abandonaram no contentor do lixo no dia em que nasceu. Aluga um quarto a Nuno, um jovem divorciado. Em pouco tempo apaixonam-se. Mas ela está longe de imaginar que, na noite em que se conheceram, Nuno cometeu um Pecado Fatal que pode comprometer para sempre a sua bela história de amor.

Para ouvidos, mentes e corações abertos

[Sobre Hein?, show de Bruno Batista e Claudio Lima, Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), 27/11]

Foto: Aparecida Batista
Foto: Djalma Raposo

 

Hein? não é para surdos. É para ouvidos atentos, ávidos. Não é para quem está acostumado a mesmice. Ou é, se se quiser sair desta zona de conforto.

É um show em que Bruno Batista e Claudio Lima divertem-se no palco e nós nos embevecemos na plateia. Em determinada altura, ao agradecer carinhosamente a presença de todo mundo, o segundo comenta a importância do público: “sem vocês nós não estaríamos aqui cantando, fazendo música. Estaríamos em casa, estudando”.

Parece simples a ideia de reunir um amontoado de canções, subir no palco e cantar. Pode até parecer, mas está longe disso. Há uma preocupação em reinventar, em recriar, em recompor.

Claudio Lima está cantando cada vez melhor, no palco sua entrega é total, seus elegantes suspensórios não contêm o talento que lhe cabe. Bruno Batista, a despeito de ainda bastante jovem, já é um senhor compositor, sua boina deve ser a primeira a saber das ideias musicais originais que estão sempre a fervilhar sua cabeça.

A poesia forte de Gonzaguinha é recitada ao final de Comportamento geral, que abre o show. Uma música forte, que parece dizer que, apesar de estarem se/nos divertindo e deliciando, a dupla não está para brincadeira.

Noturno (Graco/ Caio Silvio), sucesso de Fagner, ganha clima jazzy na interpretação límpida de Claudio Lima. Sozinho, acompanhando-se com um maracá, canta Kaô (Gilberto Gil/ Rodolfo Stroeter), o risco e a experimentação marcas deste inspirado artista.

Zanza (Carlinhos Brown) ganha grand finale de boi de zabumba, no arranjo inspirado acompanhado pela banda, enxuta e competente: Rui Mário (teclado e sanfona), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas e viola) e João Simas (guitarras).

Antes de cantarem Guaraná Jesus (versão de Carlos Careqa para Chocolate Jesus, de Tom Waits) Bruno Batista contou a história de como chegou à música, de como chapou com À espera de Tom, o disco em que Carlos Careqa canta apenas versões de Tom Waits, ele “fãzaço” declarado de ambos.

Claudio Lima brinca com a voz e torna sublime o fecho de Menina amanhã de manhã (Tom Zé), cantada por ambos e acompanhada por Bruno Batista ao violão – o que ele faz em boa parte do show.

Vê se me esquece (Itamar Assumpção/ Alice Ruiz) é uma música que Bruno Batista escolheu para chamar de sua. Ciranda para Janaína (Kiko Dinucci/ Jonathan Silva) demonstra sua inserção na cena paulistana, onde reside.

“A culpa é dele”, Claudio Lima acusa Bruno Batista ao interpretar Teu corpo (parceria de Bruno com Paulo Monarco e Dandara Modesto), uma das inéditas da ótima safra recente do compositor. Também foram reveladas Madrigal (também parceria de Bruno com Monarco e Dandara) Senhora da alegria – cantada como se rezassem, linda oração que a música é –, O queixo, um tango engraçado, e Caixa preta. Coisas lindas que eu espero que eles gravem logo nos discos prometidos em entrevista, pois não é justo ficarmos reféns de apresentações que não acontecem com tanta regularidade – infelizmente.

O show foi fechado com Hein? (Tom Zé/ Vicente Barreto), que batiza o show. Bruno Batista e Claudio Lima apresentaram a banda e agradeceram novamente aos patrocinadores e apoiadores e a presença do público. Voltaram para o bis: Rosa dos ventos, com que venceram um festival há dois anos, em São Luís, se juntou a Tarantino, meu amor, únicas autorais já gravadas pelo compositor.

Esqueceram-se de comentar o belo cenário, assinado por Claudio Lima: formado por espelhos, um ponto de interrogação em forma de orelha – ou vice-versa –, espécie de logomarca de Hein?, usada também na divulgação do espetáculo desde sua primeira edição, em 2008.

Que venham temporada e turnê, como também prometido em entrevista. Mais gente precisa ouvir e conhecer Bruno Batista e Claudio Lima, dentro e fora do Maranhão.

p.s. (como na música de Itamar e Alice): houve certo exagero no uso de gelo seco, às vezes mais de um jato por música. A máquina faz muito barulho.

Seis anos depois, Bruno Batista e Claudio Lima reapresentam Hein?

Blogue conversou com os artistas sobre o show, parceria, amizade, projetos e discos futuros

Foto: Vivian Pereira
Foto: Vivian Pereira

 

Quando me abriram a porta do Estúdio Sonora, do músico Luiz Jr., ele (violão sete cordas), João Simas (guitarra) e Rui Mário (teclado) acompanhavam Bruno Batista (voz e violão) e Claudio Lima (voz) em Zanza (Carlinhos Brown).

Passaram a música várias vezes, com Rui Mário chegando a trocar o teclado pela sanfona, para ver o que soava melhor no arranjo. Estavam arredondando-a para o espetáculo Hein?, sucesso de público e crítica que depois de seis anos volta a ser apresentado hoje (27), às 20h30, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro; ingressos: R$ 30,00, à venda na bilheteria do Teatro).

Bruno Batista e Claudio Lima são dois dos mais interessantes artistas da música produzida no Brasil atualmente. O primeiro tem três discos gravados: o homônimo Bruno Batista (2004), Eu não sei sofrer em inglês (2010) e (2014). Claudio Lima estreou antes, com um disco que levava seu nome (2001), e depois lançou Cada mesa é um palco (2006), dividido com o pianista Rubens Salles.

Responsável pelos belos projetos gráficos de seus dois discos, Claudio Lima assinou também o do segundo de Bruno Batista. Atualmente está gravando seu terceiro disco, ainda sem título.

Quando apresentaram a primeira edição de Hein?, em 2008, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho), ninguém – nem eles mesmos – entendeu o porquê de o show não ter ganhado uma temporada ou turnê – promessa que já fazem para a edição de agora.

Depois de Zanza, o grupo deu um break para café e cigarros. Este blogue aproveitou para conversar com Bruno Batista e Claudio Lima, que além de Hein?, falaram de amizade, parceria, projetos e discos futuros. Depois da conversa o blogue ainda ouviu Menina amanhã de manhã, outra de outro baiano, Tom Zé, que comparece ao repertório do show, batizado por uma parceria dele com Vicente Barreto.

Claudio sempre me parece mais tímido fora do palco. No palco ele cresce…
Bruno Batista – [risos] Agora… por que no palco, antes, era a mesma coisa.
Claudio Lima – A mão no bolso [risos].

Eu li que Guaraná Jesus [Chocolate Jesus, de Tom Waits, versão de Carlos Careqa] está no repertório do show.
Bruno –Eu sou fãzaço do Tom Waits. Quando Careqa fez aquele disco de versões [À espera de Tom, 2008], eu falei “pô, que massa!”. E quando chegou em Guaraná Jesus eu fiquei puto: “quem era pra ter feito isso era eu!” [risos]. Tinha que ter tido essa ideia, sensacional a sacada dele. Aí a gente resolveu colocar no show, eu trouxe pra Claudio, ele se amarrou também, tá legal pra caramba.

Seis anos depois vocês voltam com Hein? O show na época foi sucesso de público e crítica e havia uma cobrança. Por que a demora? E o que significa essa volta?
Claudio – Foi até uma surpresa na época.
Bruno – Ambos tínhamos lançado apenas um disco [nota do blogue: Claudio Lima já havia lançado Cada mesa é um palco, de 2006]. Claudio Lima tinha o Claudio Lima, que foi um disco arrebatador, todo mundo falava. Eu lancei o meu [Bruno Batista, de 2004] dois ou três anos depois, e quando eu lancei o meu a gente se conheceu. Eu já o conhecia através do trabalho do disco dele, ele conheceu o meu, a gente se aproximou através de amigos em comum, e já rolou aquela energia boa, a gente se gostou de cara.
Claudio – Acho que a primeira vez que a gente sentou, na casa de Alex [Palhano, jornalista], tu me mostrou “hoje eu quero solidão” [cantarola o verso inicial de Despedida, de Bruno Batista], eu falei: “eu quero!”.
Bruno – Exatamente! Na verdade, foi na audição do disco. Eu tava com o disco pronto, fui fazer uma audição e tu tava lá. Nesse mesmo dia tu gostou de Despedida e de Eu não ouvi todos os discos, quis gravar e tal. Afinou, pessoalmente, musicalmente, fizemos o primeiro Hein? O show foi um sucesso. A gente cometeu um erro, na época, de não ter feito uma temporada do show.

Por que não ter repetido antes?
Claudio – Eu provoquei bruno no face [a rede social facebook]: “vamos ressuscitar o Hein??” Foi só um comentariozinho.
Bruno – Exatamente!
Claudio – Eu tou vendo que a cena aqui tá bem legal.

Quando foi essa provocação?
Claudio – Foi esse ano, começo desse ano.
Bruno – A provocação para refazer o Hein? foi esse ano, mas a gente já tinha um projeto de fazer um disco juntos. E como a gente ainda não conseguiu fazer isso, bom, tá demorando demais, talvez por causa do disco que venha a ideia de refazer o Hein?

Mas vão conseguir fazer o disco juntos, não é?
Bruno – [enfático:] Vamos! É um projeto pessoal nosso, meu e dele. Agora não vai dar, ele vai lançar o disco dele proximamente. Não vai demorar, né?
Claudio – [irônico] Não, não vai demorar. Depende só de… grana [risos].

Como está essa feitura de teu disco novo, o terceiro disco?
Claudio – A pré-produção tá pronta, com as bases de Eduardo Patrício [músico maranhense radicado em Curitiba, assinou as bases eletrônicas de Cada mesa é um palco]. Eu fiz um show, Rosa dos ventos [título de uma música de Bruno Batista, vencedora do Festival Viva 400 anos, que celebrou o aniversário de fundação da capital maranhense], eu estava excitado com as bases do Eduardo e chamei Luiz Jr., briguei com Luiz Jr. para ele tocar em cima das bases [risos].

Há um momento muito bonito de Rosa dos ventos [o show aconteceu dia 21 de fevereiro de 2014, no Teatro da Cidade de São Luís], que está no youtube, que é Salomé, de Fabreu [o poeta Fernando Abreu] e Magah [o cantor e compositor Marcos Magah]. Ela está no teu disco novo?
Claudio – Não sei. Não sei, mas eu acho que sim.
Bruno – É linda aquela música!
Claudio – Por que o que acontece: eu tou com essas bases, aí vou chamar músicos, começar a gravar, alguma coisa pode acontecer. Essa é uma. Tem outra do Magah que eu também tou com vontade, dele e de Acsa [Serafim, cantora e compositora], nunca foi tocada.

E o que tem no repertório desse novo Hein??
Bruno – O repertório é todo diferente. A gente pensou em fazer umas canções de que a gente gostava, começou com isso. A gente não sabia muito bem o que fazer e começamos apanhando algumas canções de que a gente gostava pessoalmente. No meio do processo eu senti Claudio cutucando ali, mas não falava direito o que era. Aí ele falou: “Bruno, eu tou sentindo falta de inéditas”. Aí eu achei que isso seria o grande lance. Eu tinha acabado de lançar um disco [Lá, 2014], no começo desse ano, e quando você lança um disco você acaba com seu estoque, as que eu tinha eu gravei [risos]. Como o disco saiu em março, eu já vinha compondo algumas coisas, comecei a apresentar uma série de canções pra ele.
Claudio – Começou a vasculhar as gavetas, os sentimentos.
Bruno – Tanto que tem música que ainda não estava pronta, que está sendo terminada agora, terminando a letra agora, eram só embriões. Mas o repertório do show, basicamente é esse: canções que a gente gosta de cantar, que a gente tem afinidade.
Claudio – Mas a gente manteve um formato, intuitivamente, um formato que foi o primeiro Hein?. Tipo colocar uma música muito conhecida, colocar inéditas. Por que quando eu cantei Rosa dos ventos no primeiro Hein? – eu cantei Rosa dos ventos –, era inédita. Foi a primeira vez que a música foi cantada. Teve mais inéditas?
BrunoHilda Regina [faixa de Eu não sei sofrer em inglês, de 2010] era inédita, eu fui gravar depois. Mas eu acho que esse show tem mais inéditas que o anterior, tem quatro ou cinco. Por que se depender da gente, a gente bota só as coisas que são meio lado b, então a gente tenta dosar um pouquinho.

Então Hein? mescla um pouco de um tributo a artistas que acabaram colaborando por moldar vocês enquanto artistas, quer dizer, referências – Tom Zé, Tom Waits – a um repertório inédito teu. Tudo que é inédito é teu ou há inéditas de outros artistas?
Bruno – Não. Até poderia ter tido. Calhou de ser. A gente não pensou isso: “vamos botar inéditas minhas”. Acabou acontecendo. Comecei a mostrar algumas coisas e elas preencheram o show e a gente não foi atrás [de repertório inédito de outros compositores]. Basicamente é isso: inéditas minhas e um tributo a artistas que nos formaram musicalmente.

Estou sentindo uma timidez de vocês em não entregar o ouro [risos]: Tom Zé eu sei que tem por conta da faixa-título, Tom Waits por que eu li na matéria [#hein? A volta, de Patrícia Cunha, nO Imparcial de 23 de novembro de 2014], Carlinhos Brown por que ouvi vocês cantando. O quê mais?
Bruno – Fagner. Roque Ferreira, que é um cara que cada vez que passa, desde que eu descobri a obra dele, me apaixonei, a gente vai botar uma música dele. Carlinhos Brown, Tom Waits, Carlos Careqa, Tom Zé. É o seguinte: se fôssemos pegar os formadores mesmo, teria que botar Elomar, Chico Buarque. O repertório é de coisas que a gente está ouvindo e gosta de cantar e de alguma forma influenciam no que a gente faz.
Claudio – Tem [Gilberto] Gil também.
Bruno – Sim, Gil, um dos grandes mestres nossos.

E vocês, fora de Hein?, têm se encontrado de vez em quando, às vezes não no palco. Teve Rosa dos ventos, com que vocês ganharam o festival, um compondo, outro cantando. Estão sempre em contato.
Claudio – Que pagou a pré-produção de meu disco.
Bruno – Sempre. Sempre que eu venho à São Luís a gente se encontra. Nós, além de parceiros musicais, somos amigos. As primeiras audições de meu disco, eu sempre mando pra Claudio, música nova. Tem uma música que vai entrar no Hein?, chamada Senhora da alegria, que, assim que eu fiz, mandei pra Claudio. A gente se conhece, sabe que o outro vai gostar de ouvir. A gente está sempre em contato, é amigo.

E teu disco novo? Por que você mostrou muita coisa inédita lá na Ponta do Bonfim [Bruno Batista cantou na edição do evento que trouxe Danilo Caymmi à São Luís].
Bruno – Mostrei. Mas esse disco não vai ser para agora. Eu lancei o em março de 2014. Esse ano foi atípico para a produção no Brasil. Todo mundo lamentou não ter circulado, Copa do Mundo no Brasil, eleições, o dinheiro ficou apertado para todo mundo, não tinha verba de incentivo. Eu ainda não consegui fazer esse disco andar da maneira que eu gostaria. O ano que vem vai ser dedicado a tentar andar com , colocar ele na roda, então meu próximo disco vai ficar provavelmente para 2016. Mas a criação, a composição ela não para. Ainda bem.

Claudio, você está trabalhando no terceiro disco e já comentaram o projeto de gravar um disco em conjunto. Algum sonho de fazer um disco teu cantando só músicas de Bruno?
Claudio – [gargalhadas]. Eu faria um disco só com músicas de Bruno.
Bruno – É. Tem dois discos para fazer: o nosso e esse, que eu farei com o maior prazer do mundo.

E você está envolvido com o de Naeno [compositor piauiense, tio de Bruno], não é?
Bruno – O disco de Naeno é um disco que me deu um superprazer. Além de ser meu tio é um compositor que eu acho maravilhoso. Inclusive, agora que tu falou, me deu uma pena de não ter colocado uma música de tio Naeno nesse show, cara.

Ainda dá tempo!
Bruno – [gargalhadas] O disco de Naeno eu fiz a produção artística, chamei Swami Jr. [violonista] e Guilherme Kastrup [percussionista] para a produção musical, tem participações especiais de Monica Salmaso, Chico César, Zeca Baleiro. Eu peguei o repertório dele todo, selecionamos 13 faixas, algumas já gravadas, outras completamente inéditas. Eu queria fazer um panorama da obra dele. Era a primeira vez que ele ia fazer um disco fora, com esse tipo de músico, esse tipo de produção, achei que merecia isso. Tá lindo, tá muito bonito, está sendo prensado agora, até o Natal deve estar pronto, e a gente deve lançar ano que vem. Esse disco tem uma curiosidade: o Dominguinhos ia participar dele. Eu liguei para Dominguinhos, ele estava saindo de Recife para Fortaleza, e falou “olha, chegando em Fortaleza daqui a uma semana”, ele só andava de carro, “e lá eu vou gravar a participação no disco de Naeno. Nesse meio tempo ele adoeceu terminalmente e a gente não teve a oportunidade de ter Dominguinhos no disco, que é uma grande referência pra meu tio. Nossa, seria pra gente uma honra imensa. Mas apesar disso o disco está maravilhoso.

Apesar de uma banda enxuta estão escudados pelo que há de melhor, em termos de instrumentistas, em São Luís, no Maranhão. Como é que foi a escolha dessa banda, o entrosamento de vocês?
Claudio – A gente já trabalha com Luiz Jr., eu, Bruno separadamente. Você já fez um show com essa formação, né?
Bruno – Só Jr. e Rui Mário.
Claudio – E deu vontade de chamar alguém da nova geração pra dar uma provocada. A gente chamou o Simas.
Bruno – Pra misturar as linguagens.
Claudio – E tirá-los de uma zona de conforto. Eu adoro estranhamento, adoro botar músico pra brigar [gargalhadas]. Meu primeiro disco foi um dj [Eduardo Corelli], não é músico, tem uma cultura musical maravilhosa. Na época ele se travestia, tu imagina o cara vir de São Paulo e chegar lá no estúdio de Henrique Duailibe [gargalhadas]. No primeiro momento já teve aquele [gesticula e imita sons de objetos se quebrando]. E ele não sabia da linguagem musical, andamento, tom. E me perguntavam: “como é que tu quer, Claudio?” “Eu não sei, resolvam!”. Foi assim que surgiu o primeiro disco.
Bruno – É isso! A gente queria misturar linguagens. Tem o Jr. e o Rui, que a gente toca há muito tempo, eu sou fãzaço dos dois, e a gente queria fazer um show acústico. Eu sou compositor, por excelência. Claudio é intérprete, adora canção, adora letra, aquele universo da canção. A gente pensou numa formação mais acústica, menor, onde a canção fosse a vedete e as letras fossem bem ditas, bem compreendidas, e nisso, querendo misturar linguagens, a gente optou por essa formação, que tá dando o maior pé, da maneira como a gente pensava ser. Vai ficar foda!

Há perspectiva de temporada, turnê?
Bruno – [enfático] Tem! Eu não vou ter medo de falar isso em entrevista, é até uma forma de a gente se cobrar depois.

Edvaldo Santana apresenta Jataí em São Luís

[No melhor esquema “do it yourself”, a velha máxima punk, topei de bom grado produzir este show, do querido Edvaldo Santana. O artista meteu o pé na estrada, “like a rolling stone”, e pediu pouca coisa para vir à São Luís pela primeira vez: apenas um lugar para tocar. Seu cachê dependerá inteiramente da bilheteria, já que não há patrocínio por trás. Quero ver o Teatro da Cidade de São Luís, o antigo Cine Roxy, entupido de amigos apreciando a arte desse craque de nossa música. Obrigado, de já, aos que tem colaborado ou ainda vão, de alguma forma, para que tudo aconteça e dê certo.]

Turnê de lançamento do novo álbum do artista visitará outras cidades do Nordeste

O artista clicado por Edson Kumasaka
O artista clicado por Edson Kumasaka

 

Cantor, compositor e violonista, Edvaldo Santana se apresenta pela primeira vez em São Luís. O músico paulista conta 40 anos de carreira, iniciada na banda Matéria Prima. Parceiro de nomes como Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção e Tom Zé, em seu caldeirão sonoro se misturam a urbanidade de São Paulo à poesia do Nordeste, onde afloram as influências negras de ritmos internacionalmente consagrados, como reggae, salsa, blues, rock e jazz, que se fundem aos brasileiríssimos samba, xote, coco, choro e baião, entre outros.

Seu mais recente disco, Jataí, lançado em 2013, dá continuidade a uma obra que, ainda que pouco conhecida, correndo por fora do mercado convencional, prima pela qualidade e verdade. Sentimento seria uma boa palavra para defini-los – Edvaldo Santana, o disco, sua trajetória.

Jataí, disponível para download no site do artista, é o sétimo álbum solo da carreira de Edvaldo Santana. Seu repertório é totalmente inédito e autoral. Quando Deus quer até o Diabo ajuda, faixa que abre o disco, ajuda a explicar o modus operandi da turnê com que o artista visitará, além de São Luís, outras cidades nordestinas: Juazeiro/BA (24/10), São Raimundo Nonato/PI (27 e 29/10), Teresina/PI (31/10), Fortaleza/CE (9/11), João Pessoa/PB (14/11) e Natal/RN (16/11). Explique-se: o músico botou literalmente a viola no saco e está rodando o Nordeste na cara e na coragem.

A faixa-título, aliás, é um passeio pelo Brasil, citando inclusive a capital maranhense e seu tambor de crioula. Merecem destaque ainda faixas como A poda da rosa, Nada no mundo é igual e Amor é graça, entre outras. No repertório do show, Edvaldo Santana passeará ainda por músicas de outros discos, como Lobo solitário, O jogador, Choro de outono e Reserva de alegria, entre outras.

Jataí, o show, acontece dia 7 de novembro (sexta-feira), às 20h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Os ingressos estarão à venda na bilheteria do teatro a partir de 3 de novembro (segunda-feira). A produção é de Zema Ribeiro.

Confiram Edvaldo Santana em A poda da Rosa:

Serviço

O quê: show Jataí – voz e violão.
Quem: Edvaldo Santana.
Onde: Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro).
Quando: 7 de novembro (sexta-feira), às 20h.
Quanto: R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes com carteira e demais casos previstos em lei).
Maiores informações: zemaribeiro@gmail.com, (98) 8122-0009.

Sonora Brasil continua até domingo (28)

Fotosca: Zema Ribeiro
Fotosca: Zema Ribeiro

A etapa Maranhão do circuito Sonora Brasil, do Sesc, continua até domingo (28). Ontem (24), no Teatro João do Vale, o Quarteto Belmonte (foto), formado exclusivamente para o circuito, fez um belo espetáculo,o repertório fruto de uma pesquisa pelas Bienais de Música Brasileira Contemporânea, tema central desta edição do Sonora Brasil, que homenageia o maestro Edino Krieger (autor de todos os temas que ilustram este post), que por motivos de força maior não pode vir à São Luís como previsto.

Veja a programação:

Quinteto Brasília (DF), hoje (25), 19h, no Teatro João do Vale.

Duo Cancionâncias (RS/MS), 27 (sábado), às 19h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).

Octeto do Polyphonia Khoros (SC), 28 (domingo), às 19h, no Teatro João do Vale.

Todos os espetáculos são gratuitos, devendo os interessados retirar os ingressos nas bilheterias do teatro com uma hora de antecedência aos espetáculos.

Teatro da Cidade será palco de curso sobre produção de shows

Divulgação

No próximo dia 23 de maio, o Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy) recebe o curso Como organizar um show, ministrado pelo professor Alexandre Barreto, com larga experiência em produção de eventos, incluindo festivais e espetáculos nacionais e internacionais, além da assessoria de artistas.

Ótima oportunidade para quem quer se arriscar ou se aprimorar no assunto. Como jornalista, atuando na cobertura cultural ou como assessor de comunicação de artistas e/ou eventos, ao longo dos anos, tenho percebido certa deficiência em produções locais. Exceções há, não se pode negar, mas não é raro ouvir artistas se queixando de problemas estruturais os mais diversos, da falta de profissionalismo de alguns produtores e prestadores de serviço. Sem falar na falta de sensibilidade da iniciativa privada e dos poderes públicos do Maranhão. Como organizar um show pode ser um passo importante na superação de alguns dos desafios impostos pela nossa realidade. Certamente não resolverá todos os nossos problemas, mas ajudará, é um passo.

O curso custa R$ 100,00 (este blogue não leva nada pelo serviço), incluindo cafés e material didático, além de um exemplar do livro homônimo ao curso, de autoria do ministrante.

Maiores informações no Valberlúcio.

Sutileza no Dia da Poesia

Hoje, Dia da Poesia, o Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), volta a ter em seu palco um importante acontecimento da música pop produzida no Maranhão.

Trata-se de Sutileza, título que faz jus ao show, que reúne no mesmo palco Marcos Lamy (ex-Nova Bossa) e Israel Costa (ex-Haudiok). Wilka Sales assina a produção, ela responsável por devolver Claudio Lima ao palco (no mesmo teatro) recentemente.

O repertório do show será um passeio por suas obras – os meninos são novos mas já têm estrada: o repertório do CD Eu tô é tu, do primeiro, o EP Suave Dança, do segundo, além de inéditas e surpresas.

Música na bandeja, um presente aos poucos mas fiéis leitores

Salomé, minha dor, linda parceria de Fernando Abreu e Marcos Magah, magistralmente interpretada por Claudio Lima, em show que ele fez mês passado no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).

Por que hoje é aniversário do primeiro, mas feito aqueles comerciais piegas, neste blogue quem ganha o presente é você!

A boa música apontando em todas as direções

Já se vão mais de 10 anos da primeira vez que ouvi Claudio Lima. Foi na Rádio Universidade FM, sua gravação de Ray ban em arranjo blues, o choro que seu autor, Cesar Teixeira, só viria a gravar depois.

Era seu disco de estreia, de 2001, batizado com o nome do cantor, uma das melhores vozes de nossa música. Passeava por clássicos da música popular produzida no Maranhão e fora dele, além de standard de jazz. Estavam lá compositores como Antonio Vieira, Chico Buarque, Gilberto Gil e Josias Sobrinho, entre outros.

De outra música de Cesar Teixeira, Bis, Claudio Lima tirou o título de seu segundo disco: Cada mesa é um palco, lançado em 2006, dividido com o pianista baiano radicado nos Estados Unidos Rubens Salles. Neste apareciam, recriados, que Claudio Lima nunca simplesmente regrava algo, Luiz Gonzaga, Tom Zé, Herivelto Martins e Bruno Batista.

Deste último, com quem já dividiu o palco em Hein?, ele toma emprestado a Rosa dos ventos, música com que venceram um festival de música popular em São Luís, ano passado, para dar nome ao show que apresenta hoje (21), às 20h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).

No repertório músicas de seus dois primeiros discos, além de inéditas de, entre outros, Bruno Batista e Marcos Magah. Oportunidade rara, como o talento do protagonista, de conferir o que ele anda preparando para o próximo disco. Já é hora!

Tribo musical em palco da cidade

Conheci Ronaldo Rodrigues há mais de 10 anos, envergando uma guitarra numa das formações que teve o Som do Mangue, que depois se tornaria a Negoka’apor – já sem ele entre os membros.

Em minha memória o nome não se apagou, mesmo o músico tendo morado um tempo em Londres, voltado, e ido embora para o Rio de Janeiro: vez por outra eu ouvia demos da Som do Mangue a que tive acesso. Lá estava sua guitarra. No entanto, somente numa tarde quente de um sábado em agosto do ano passado nossos caminhos de talentoso instrumentista e ouvinte curioso, ele e eu, respectivamente, tornariam a se cruzar.

Os irmãos Almeida Santos, Ricarte e Rivânio, e este que vos perturba fomos entrevistá-lo na Barraca Paradise (Av. Litorânea). Na ocasião tocaria ali o Regional Tira-Teima, integrado por Francisco Solano (violão sete cordas), tio do entrevistado. Ronaldo já havia trocado a guitarra pelo bandolim e o rock e o blues pelo choro. Trocar é força de expressão, que vez ou outra ele volta a um e outro ou, melhor ainda, mistura tudo duma vez. A entrevista, para a série Chorografia do Maranhão, foi publicada nO Imparcial em 1º. de setembro de 2013.

Integrante do Novos Chorões, o moço começou bem na terra de Noel, referendado por Ricardo Cravo Albin, o homem-dicionário musical. Entre o bacharelado no instrumento de Jacob na UFRJ e o grupo, ainda arranja tempo para a Tribo de Jorge Amorim, baterista consagrado que já acompanhou nomes como Archie Shepp, Baden Powell, Dom Um Romão, Graham Haynes e Sivuca, entre outros.

Jorge Amorim e Tribo é um grupo formado pelo baterista, percussionista e compositor com Ronaldo Rodrigues (bandolim e guitarra), Bruno Makenzie (saxofones e flauta), Régis Alves (contrabaixo) e Wiliam Belle (guitarra). Em São Luís os dois primeiros tocarão acompanhados por Sávio Araújo (saxofone), Davi Oliveira (contrabaixo) e Tony Araújo (percussão). O show acontece nesta terça-feira (28), às 19h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e custam R$ 20,00.

Sobre o repertório, autoral, Jorge Amorim afirma, em vídeo de divulgação do grupo: “É samba, forró, xote, xaxado, jazz, fusion, hard. A música orgânica sempre estará presente!”. No show o público ouvirá músicas dos dois discos do grupo, além de inéditas que estarão no terceiro, que já está sendo gravado.

Versátil e incansável, Ronaldo Rodrigues tocará antes do grupo: entre o choro e o jazz, fará um show de abertura, entre bandolim solo, e duos com Francisco Solano e Morais (violão).

A palavra acesa e celebrada de José Chagas

CAPA_CD

Em primeira mão, a capa de A palavra acesa de José Chagas, disco em que a poesia do mais maranhense de todos os paraibanos é tornada música. A maioria é inédita, mas estão lá Palavra acesa e Palafita, já gravadas pelo Quinteto Violado, a primeira, tema da novela Renascer, da Rede Globo. Um de nossos maiores versejadores, José Chagas completa 90 anos em 2014.

Participam do disco este timaço de feras listado na capa. A produção é de Celso Borges e Zeca Baleiro. Os desenhos são de Paullo César e o projeto gráfico é de Andréa Pedro.

O lançamento acontece na próxima quinta-feira (5), às 21h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Haverá uma sessão de audição do disco e a exibição de um vídeo, realizado especialmente para o projeto.

O blogue voltará ao assunto.

Em tempo (já falei sobre, mas não custa repetir): a foto do cabeçalho deste blogue, clicada por Murilo Santos, mostra Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazendo um par de violeiros na peça Marémemória, baseada no livro-poema homônimo de José Chagas. O livro é de 1973, a peça, do ano seguinte.

50 anos com os Beatles

Na ficção autobiográfica Big Jato, seu livro mais recente, Xico Sá cravou que “todo mundo tem um tio doidão beatlemaníaco”. Foi através de um tio, nem tão doidão assim, que conheci os “cabelim pastinha”, os quatro moços de Liverpool. Salvo melhor juízo era uma coletânea, um vinil em que os rostos dos rapazes apareciam junto à bandeira inglesa.

Eu entendia ainda menos do que hoje as letras, monoglota que permaneço. Mas aquilo ali bateu forte. Era início de minha adolescência, tornei-me um beatlemaníaco tardio, quando a beatlemania já estava há muito fora de moda, desde menino eu um homem de vícios antigos.

A televisão brasileira exibiu em cinco capítulos um longo documentário produzido pela BBC. O título agora me foge à memória – The Beatles Anthology? – e não enganarei os leitores com uma googlada. O mote era a descoberta de uma gravação inédita deixada por John Lennon, Free as a bird, o ano era 1994, também se não me falha a memória, os outros três Beatles puseram carne sonora ao esqueleto musical deixado pelo autor de Imagine.

Com um vídeo cassete de última, oito cabeças, tio Silvio gravou em VHS quatro capítulos do documentário. No primeiro se atrapalhou com a nova tecnologia recém-adquirida e ao rebobinar a fita para ver o resultado, nada feito.

Vi e revi o documentário muitas vezes, a histeria de fãs lotando os espaços em que os Beatles tocavam, as participações no Ed Sullivan Show, a fase indiana em que produziram Rubber Soul – um de meus discos favoritos de sua curta carreira. Muito do meu conhecimento de almanaque sobre o quarteto inglês vem daí, dessas lembranças de alguém que havia recentemente deixado a infância.

Mais ou menos por essa época eu iniciava minhas aventuras de rato de sebo, vício de que jamais me livrei. Algumas das minhas primeiras aquisições no Papiros do Egito de Moema – que conheci na Rua dos Afogados, no tempo em que morei na Santaninha –, foram alguns discos dos Beatles, vinis de Rubber Soul e Abbey Road.

Os Beatles estrearam no mercado fonográfico em 22 de março de 1963, com o lançamento de Please please me, cujas 12 faixas foram gravadas em um único dia. Na última, Twist and shout, é possível ouvir a rouquidão de John Lennon, a autenticidade do bom e velho rock’n roll, num fecho antológico de um disco idem, que com 50 anos permanece jovem.

O meio século da estreia dos ingleses na Parlophone foi lembrado em São Luís pela banda LiverPaul – cover que já começa bem pelo nome: se Beatles era um nome inventado, trocadilho de batida e besouro, os maranhenses trocadilham a cidade natal do quarteto, o exercício de tocar ao vivo e um de seus integrantes ainda na ativa, Paul McCartney.

O repertório de Please please me foi executado na íntegra, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), na data exata de aniversário da bolacha de estreia.

Lucas Sobrinho (guitarra e violão), Paulo Silva (contrabaixo), Lima Jr. (guitarra e violão), Fernanda Sombra (vocal e percussão) e Daniel Aranha (bateria) voltam ao mesmo palco, desta vez para celebrar With the Beatles, segundo disco da banda, cujo repertório será tocado na íntegra e na ordem – It won’t be long, All I’ve got to do, All my loving (Feche os olhos, na versão brasileira de Renato Barros, sucesso do grupo Renato e seus Blue Caps), Don’t bother me, Little Child, Till there was you (Quando te vi, na versão brasileira de Beto Guedes), Please Mr. Postman, Roll over Beethoven, Hold me tight, You really got a hold on me, I wanna be your man, Devil in her heart, Not a second time e Money – além dos singles lançados à época, This boy e I want to hold your hand.

O espetáculo de releitura de With the Beatles acontece amanhã (22), às 20h. Os ingressos custam R$ 15,00 e estão à venda na bilheteria do teatro.