Aperitivo

Single Os antidepressivos vão parar de funcionar. Capa. Reprodução

 

O cantor e compositor Kleber Albuquerque disponibilizou nas principais plataformas de streaming o single Os antidepressivos vão parar de funcionar, música de sua autoria que dá título ao seu próximo disco, o 10º. de sua carreira, se incluídos o artesanal 5 coisas que eu podia dizer no lugar de eu te amo [2013] e Contraveneno [2017], dividido com o cantor Rubi, um dos principais intérpretes de sua obra.

Os antidepressivos vão parar de funcionar, título retirado de uma pichação num muro paulistano, deve ser lançado em formato físico em março de 2019, pelo selo Sete Sóis, do poeta e parceiro Flávvio Alves, e até lá Kleber Albuquerque disponibilizará na rede uma faixa por mês, antecipando ao fã clube mais ou menos a metade do novo álbum, gravado em São Paulo, no estúdio Parede-Meia (título de música de Kleber gravada também por Ceumar e Rubi).

O artista revelou a Homem de vícios antigos que a temática do novo álbum “girará por este caminho”: “são, de certa forma, crônicas musicais sobre coisas do dia a dia”.

O blogue também teve acesso à segunda faixa do disco, outra composição solitária de Kleber Albuquerque, intitulada Meu perfil no face. “Meu perfil no face mente sobre mim/ o meu sorriso mente/ o meu olhar contente mente/ e quando acordo meu espelho mente/ deslavadamente sobre mim”, começa a letra, pontuada, qual a faixa-título, pela singeleza melódica alinhavada pelo próprio Kleber Albuquerque (guitarra, assobio, voz) e Rovilson Pascoal (guitarra, ukulele, cavaco e teclados).

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Logo mais às 12h25 (após a transmissão da propaganda eleitoral gratuita), na Rádio Timbira AM (1290KHz, ouça ao vivo), o Balaio Cultural, com Gisa Franco e este blogueiro, tocará o single. Leia a letra:

Os antidepressivos vão parar de funcionar (Kleber Albuquerque)

Cuidado, menina, menino, cidadão, cuidado!
Olhe bem para os dois lados antes de atravessar
Sorria, menino, menina, você está sendo filmado
Consulte seus advogados
Unânimes vão lhe afirmar

Que os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Tecle dois se quiser aguardar
Tecle três para ouvir a musiquinha tocar
Tecle seis para dizer até logo
Ou espere para falar com o atendente
E então siga em frente
E enfrente a fila dos inconformados
Mas se quer um conselho, espere sentado
Porque vai demorar

E os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Cuidado, menino, menina
Mil olhos tem a cidade
Finja naturalidade
Ou todos podem suspeitar
Que na calada da noite
Calado você também sabe
Que os antidepressivos vão parar de funcionar

Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Alexandra Nicolas lança Coco Fulero, primeiro single de seu novo disco, Feita na Pimenta

[release]

Foto: Veruska Oliveira

Em seu disco de estreia, Festejos [Acari Records, 2013], completamente dedicado ao samba e ao elogio do universo feminino, a cantora maranhense Alexandra Nicolas já fazia esvoaçar a saia rodada, deixando à mostra a ponta dos pés e um desses pés já se voltava ao Nordeste.

Em Feita na Pimenta [2018], ela entra com os dois no terreiro, em cofo em que cabe de tudo o que se abriga sob o que costumeiramente chamamos forró – xote, baião etc. –, além de tambor de crioula e coco.

O disco equilibra-se entre temas caros ao forrobodó: amor e chamego, jocosidade e duplo sentido, com muita malícia e bom humor.

O primeiro single é Coco Fulero (João Lyra e Zeh Rocha), que não foge aos acalorados debates do momento: em ano eleitoral, Alexandra Nicolas dialoga com o noticiário político, em faixa recheada de referências atuais. “É uma música bem humorada, longe de pregar a alienação ou o voto nulo. Há um componente político forte, sem destoar de todo o conjunto do disco, que tem a festa como tema central, mesmo quando fala de amor – porque o amor é festa”, resume Alexandra.

“O título do disco brinca com a pluralidade feminina. É a mulher moleca, que arde em brasa na festa e no amor, no ‘chamego bom’, de que fala uma das letras, a mulher que é pura doçura, mas também a mulher que quando se zanga, sai de perto [risos]. E o Coco Fulero tem essa carga de revolta contra essa sacanagem, esse absurdo por que passa o Brasil”, continua.

Coco Fulero, que fecha o disco Feita na Pimenta, ganhou lyric vídeo, com produção e animação de Cristiano Pepi e direção de Cristiano Pepi e Alexandra Nicolas. A cantora é acompanhada por João Lyra (arranjos, violão e guitarra), Adelson Viana (sanfona), Durval Pereira (zabumba e pandeiros), Zé Leal (pandeiro e triângulo) e Ana Zinger, Jamil Filho, Marcio Lott e Viviane Godoy (coro). A música está disponível no iTunes, Apple Music, Deezer, Spotify, Google Play, Amazon MP3, Napster, Rádio Uol, YouTube, Vevo, Soundcloud e em outras mais de 100 plataformas digitais.

Brincar com as palavras e dizer as coisas de modo inteligente para fugir aos censores de outrora também sempre foi algo que o forró – e grande parte da dita música popular brasileira – soube fazer com maestria. Nos tristes tempos que o Brasil atravessa, parece mesmo que só o humor salva, e nisto também Alexandra Nicolas não é de meias palavras.

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Veja o lyric video de Coco fulero (João Lyra e Zeh Rocha):