Secma exclui sumariamente artistas do carnaval

Artistas foram comunicados via ofício enviado por e-mail. Detalhe: nenhum deles havia requerido inscrição para participar da programação e inexiste edital ou chamada pública para tal

Datado de 26 de fevereiro de 2015 (sic) e subscrito pela Coordenação Geral do Carnaval 2015 o ofício circular nº. 005/2015-GS-SECMA, tem o seguinte teor:

Estamos iniciando uma nova gestão e, com ela, estamos organizando a estrutura de eventos da Secretaria de Cultura, pautada na justiça social, na democracia cultural e na organização dos recursos disponibilizados pelo campo cultural. Deste modo, tivemos que fazer uma série de adequações no projeto Carnaval 2015 para torná-lo mais popular e mais próximo ao orçamento deste ano que foi cortado em mais de 30 por cento. Por isso, embora reconhecendo o seu trabalho na área da música popular maranhense teremos que dispensar a sua participação na programação deste ano.

Entretanto, logo após o carnaval, é nosso interesse realizar um seminário temático para discutir uma política pública voltada especificamente para este setor que é uma das prioridades da SECMA. Espero que o senhor/senhora compreenda o momento e participe do seminário que resultará em um evento a ser realizado ainda este semestre pela SECMA.

O texto foi enviado por e-mail a diversos artistas e a lista de destinatários a que o blogue teve acesso não fazia distinção entre eleitores do governador Flávio Dino (PCdoB) ou de Lobão Filho (PMDB), o segundo mais votado no pleito de outubro passado.

Tendo em vista a inexistência de um edital, chamada pública ou algo que o valha, o documento, no fim das contas, impede qualquer tentativa de participação dos artistas que porventura estejam na citada lista. Mais arbitrário, impossível.

O cantor e compositor Nosly afirma: “Não tomamos conhecimento de nenhum edital e mesmo formalizar [uma solicitação de inclusão na programação] através de ofício não nos dá nenhuma garantia de participação no Carnaval ou no São João. Os critérios de escolha ninguém sabe .É vergonhoso um artista com mais de 25 anos de carreira ter sempre que mostrar que existe”. Indagado se a medida havia soado autoritária ele declarou: “não se pode cobrar autoritarismo sobre algo que nunca foi realmente democrático”.

A notícia foi recebida com tranquilidade pelo cantor e compositor Chico Saldanha: “Já havia decidido, desde o ano passado, não mais participar do carnaval no esquema como era realizado. Primeiro porque parecia um mero favor a escalação dos artistas para as apresentações. Depois a precariedade das condições estruturais da Jardineira, onde trabalhei, o que exigia verdadeiros malabarismos para o cantor se posicionar em 30 cm quadrados sem poder tirar o pé do lugar, durante duas horas, sem contar com três instrumentos de sopro, bateria, percussão etc., etc. a um metro do seu ouvido  e um calor infernal de um gerador em suas costas. A idade não mais me permite tais artes”, declarou.

Pelas redes sociais, houve quem se lamentasse, sentindo-se “traído”, justamente por isso. Caso do cantor e compositor Luis Carlos Dias, que expressou seu descontentamento em seu perfil em uma rede social: “eu ajudei a eleger pessoas para me perseguir também (…), estou decepcionado”, afirmou, após lembrar seu apoio às candidaturas de Flávio Dino (2008) e Edivaldo Holanda Junior (2012) a prefeito de São Luís, e do primeiro a governador do Maranhão (2014).

Não devem ser o voto ou a participação em uma campanha eleitoral os elementos definidores de inclusão ou exclusão de uma programação – seja ela de Carnaval, São João ou qualquer outra. A questão, no entanto, é: que critérios foram utilizados para a escolha dos nomes que comporão a programação carnavalesca promovida pelo governo do Estado do Maranhão? Ou – no fim das contas, dá no mesmo – de quem foi “eliminado” por antecipação, numa espécie de WO cultural.

O discurso da “mudança” deu o tom da campanha do então candidato Flávio Dino, que chega ao poder repetindo, neste aspecto, o modus operandi roseanista. Insistimos: por que não realizar um edital ou chamada pública em vez de escolher determinados artistas a seu bel-prazer? “Esse que seria o governo da renovação, não renova”, criticou o cantor e compositor Carlos Berg.

O presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís Marlon Botão, em entrevista ao jornal O Imparcial de domingo (25/1), afirma o reforço da cervejaria Ambev, com o aporte de R$ 1,3 milhão, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O recurso soma-se aos R$ 3 milhões destinados à folia pela Prefeitura de São Luís. A esfera estadual preferiu a cômoda posição de contentar-se com o anunciado corte de 30% e a consequente dispensa de artistas da programação – em vez de opções como a diminuição da festa, do número de apresentações e/ou até mesmo do valor dos cachês.

Na mesma entrevista Marlon Botão vai além e diz que “acabou essa história de dizer é carnaval de São Luís, carnaval do Governo do Estado. Não. É carnaval do Maranhão. Hoje a parceria está efetivada entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís”. O gesto do governo do Estado aponta uma desarmonia entre o discurso e a prática.

O cantor e compositor Tutuca, produtor do Lençóis Jazz e Blues Festival, pode dizer estar acostumado a vetos a seu nome: quando Bulcão assumiu a Secma, após Roseana tomar o poder de Jackson Lago via golpe judiciário, em abril de 2009, assim o secretário se referiu ao artista, em entrevista a um blogue do Sistema Mirante: “o Tutuca na minha gestão não vai levar nada”. Eleitor declarado de Flávio Dino, Tutuca foi novamente cortado em 2015. Ao blogue ele declarou-se surpreso e frustrado com o e-mail/ofício. Indaguei-lhe se compareceria ao evento pós-carnaval, citado no documento. “Acho ridícula essa proposta de mais um seminário. Pra quê? Temos um plano de cultura para 10 anos, do qual inclusive a atual secretária foi relatora. Não vou participar”, declarou, enfático. Para o músico, o problema, no entanto, não está em Ester Marques: “O problema é que o Governo usou uma Secretaria tão importante como barganha política com um bloco evangélico, que não tem nenhum interesse em cultura. Pra mim esse foi o grande erro. Você pode colocar na Secma hoje até o Juca Ferreira [ministro da Cultura]: se for mandado pela Elisiane [Gama (PPS), deputada federal, responsável pela indicação de Ester Marques para a Secma – em nota o partido já se desresponsabilizou pelas ações da gestora], vai dar nisso mesmo que estamos vendo”, disparou.

O sambista Adão Camilo concorda com Tutuca, em relação à proposta de seminário: “esse lance de seminário, palestras, bate-papo, são coisas que dificilmente levam a algum lugar. Vejo muitos discursos cheios de boa vontade, cheio de fórmula mágica para o sucesso, no entanto, a prática é totalmente diferente”. Artistas excluídos da programação via ofício, como ele e Coqueiro da Ilha, apontam Ester Marques como uma escolha acertada para a Secma, o que demonstra que a discussão não está sendo tratada unicamente pelo viés da política partidária. Chico Saldanha revela não levar muito em consideração de onde parte a indicação. “Indicações fazem parte da prática política. Se derem os instrumentos políticos necessários à secretária e ela escolher pessoas que tenham compromissos com a cultura, pode perfeitamente fazer uma boa administração”, acredita.

Do episódio e sua repercussão, uma coisa é evidente: a urgente necessidade de mudanças no modelo de financiamento público à cultura popular. O atual, insustentável, é herança do mandonismo da ex-governadora Roseana Sarney, que a partir de 1995 incrementou as verbas culturais, sobretudo em anos eleitorais, tornando-se a “dona” do carnaval – e dos festejos juninos – da capital, desresponsabilizando quase completamente a gestão municipal e a iniciativa privada, na contramão de cidades-modelo quando o assunto é folia, casos de Recife e Salvador, para ficarmos em poucos exemplos.

Procurada pelo blogue, a secretária Ester Marques não se manifestou até o fechamento desta matéria.

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Emenda: a Secma anunciou que dialogará hoje (3) com os artistas excluídos.

Protesto por transparência ocupa Secma; secretária se esconde

No estado com o menor número de policiais por habitante, a governadora Roseana Sarney destacou cinco viaturas e duas motos para conter cerca de 20 manifestantes do Bloco da Lagosta, que ocuparam parte do térreo da Secretaria de Estado de Cultura do Maranhão (Secma), ontem (24), no finzinho da tarde.

A secretária Olga Simão, que responde pela pasta, mentiu: mandou algum moleque de recados seu informar aos manifestantes que não estava e fugiu não se sabe por onde. O superintendente de ação e difusão cultural Wellington Reis fez uma cara de “o que é que eu tou fazendo aqui?” e o secretário adjunto Israel Ferreira desceu e fez o que faria qualquer um que fala do que não entende: não disse coisa com coisa nem convenceu quem estava ali buscando apenas o que deveria ser condição sine qua non de qualquer jeito de governar, isto é, transparência no trato com a coisa pública.

Em resumo, os manifestantes querem saber que critérios foram adotados para selecionar uns artistas maranhenses outros não para compor a programação carnavalesca oficial do Governo do Maranhão, se houve licitação para a contratação do Marafolia para a organização da festa e quanto se está gastando na “palhaçada”, digo, “brincadeira” toda. Questões que deveriam ter respostas antes mesmo das perguntas, que há muito já deveriam ter sido feitas pela Assembleia Legislativa e por meios de comunicação.

No fim de semana Olga Simão deu entrevista ao jornal O Estado do Maranhão, de propriedade de seus patrões. Entre um monte de chavões e lugares comuns, destaco o trecho que segue, da última resposta da secretária ao repórter: “A grande meta deste ano é a inclusão do estado no Sistema Nacional de Cultura (modelo de gestão que visa ao fortalecimento institucional das políticas culturais no Brasil)” [O Estado do Maranhão, Geral, p. 8, domingo, 23/2/2014, link para assinantes com senha]. Uma pergunta lógica viria a seguir, mas todos sabemos por que não foi feita: como integrar um Sistema Nacional de Cultura sem respeitar princípios básicos de democracia e transparência como um simples edital público para a composição de uma programação oficial?

O Vias de Fato, “o jornal que não foge da raia”, como reza um de seus slogans, foi o único a se fazer presente ao protesto de ontem. O texto foi postado no perfil do veículo no facebook. Continue Lendo “Protesto por transparência ocupa Secma; secretária se esconde”

Samba de protesto

Os “excluídos” em ação em Diverdade, show de 14/12/2013

Não sou contra a vinda de artistas de outros estados para o que quer que seja no Maranhão. Ser contra seria bairrismo, embora a vinda de artistas de fora para eventos como o carnaval e os festejos juninos por aqui não cumpra o papel que deveria, de intercâmbio cultural. Tampouco artistas nossos são enviados a outros estados com essa intenção (Barrica e Bicho Terra pra gringo ver não contam).

Para o carnaval deste ano o Governo do Maranhão anunciou uma vasta programação com nomes pagos a peso de ouro. Gente do quilate de Daniela Mercury, Diogo Nogueira, Elba Ramalho, Monobloco e o onipresente (local) Bicho Terra, entre outros – confesso que senti falta da Alcione no Bloco dos Apaniguados.

O compositor Cesar Teixeira está fora da programação carnavalesca, sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), pasta comandada por Olga Simão. Não é a primeira vez que o artista é excluído de programações do tipo, sem justificativas, num gesto de retaliação política – o autor de Oração Latina é reconhecidamente uma histórica voz de resistência à oligarquia Sarney.

Notem os poucos mas fiéis leitores: o problema não é ele estar fora da programação carnavalesca. É saber que critério o excluiu. “É inadmissível que um órgão cultural do governo, na ausência de editais, se aproprie do erário público para decidir quem deve ou não participar de programações culturais públicas, exercendo uma espécie de censura institucional àqueles artistas que não rezam na cartilha do governo Roseana Sarney”, declarou em uma rede social Irinete Chaves, esposa e produtora do compositor.

No Maranhão há muitos artistas frutas de estação, isto é, aqueles que se adequam aos períodos carnavalesco e junino – muitas vezes utilizando-se inclusive do vasto repertório de Cesar Teixeira, autor de clássicos tocados à exaustão em ambos os períodos, mas não só – e depois somem, para reaparecer na próxima… estação.

Não é o caso de Cesar Teixeira, cuja obra, reconhecida nacionalmente nas mais diversas vozes, tem importância, riqueza e variedade, e deveria ser valorizada pelos gestores de cultura de nosso estado, provavelmente o último da nação que ainda não adota o princípio republicano dos editais para a convocação de artistas para compor suas programações oficiais, na contramão do que indica, por exemplo, o Ministério da Cultura.

Festival – Sábado passado (15), em um festival de música carnavalesca organizado pelo Sistema Mirante de Comunicação – de propriedade da família da governadora Roseana Sarney –, uma música de Cesar Teixeira, Dias felizes, defendida pelo grupo Lamparina, sagrou-se vice-campeã, surpreendendo a muita gente, este blogueiro inclusive. Isto é, em terreno hostil, a marcha-rancho conseguiu comprovar o talento de seu autor.

Silêncio constrangedor – Através da assessoria de comunicação, este blogue indagou à secretária Olga Simão que critérios haviam norteado a exclusão de Cesar Teixeira da programação do carnaval maranhense. Até o fechamento da matéria, a Secma não se pronunciou – como o fez também quando o compositor foi deixado de fora da temporada junina do ano passado.

Maranhão, outro excluído – Pouco antes do fechamento deste texto, através do blogue da jornalista Vanessa Serra, ficamos sabendo que Chico Maranhão, outro importante artista maranhense de reconhecimento nacional, também foi excluído da programação carnavalesca oficial.

Grupos folclóricos serão categorizados pela Secma

É o que leio na manchete da capa do Alternativo (link para assinantes com senha), nO Estado do Maranhão de hoje. Tipo, os grupos de bumba meu boi serão classificados em categorias, A, B, C etc., como as divisões num campeonato de futebol, por exemplo.

Uns argumentarão: “ah, mas no carnaval já é assim”. O carnaval de passarela é competitivo. Nunca vi um bumba meu boi aqui ser campeão de São João, a não ser os autoproclamados, numa estratégia de marketing. Opinião do blogue: o Maranhão, de novo, vai na contramão da história.

Nem dá mais pra falar que na contramão das políticas públicas de cultura do governo federal, por que com a Ana de Hollanda lá, parece que a turma daqui sintonizou: Secma e MinC andam pra trás. Folclóricos não são os grupos de cultura popular que a Secma pretende categorizar: folclórica é esta gestão!

Carlos Junot, coordenador do Núcleo de Observação e Relatório de Eventos da Secma, setor que eu sequer sabia existir, afirma na matéria: “Alguns [grupos] se sentiam prejudicados, já que muitos requeriam apresentações nos arraiais apoiados pelo governo, não compareciam e, mesmo assim, recebiam seus cachês”. Opinião do blogue: aí não é a categorização que resolve, mas a fiscalização.

Mais na frente o mesmo servidor afirma que “queremos privilegiar aqueles que fazem um bom trabalho”. Ao dicionário: Privilégio: direito ou vantagem concedido a alguém, com exclusão de outros; Direito: o que pode ser exigido em conformidade com as leis ou a justiça. Isto para trazermos apenas uma acepção de cada verbete. Opinião do blogue: não tem que privilegiar ninguém. Tem que garantir a participação, isto é, o direito, dos que fazem um bom trabalho e punir os que recebem recursos públicos e não dão as caras nos arraiais.

Paulo de Aruanda, presidente da Federação das Entidades Folclóricas e Culturais do Estado do Maranhão, também foi ouvido pela reportagem de O Estado. Ele sugere a categorização por sotaque, mas isso já é feito de forma até natural. Ou o grupo é de um sotaque ou é de outro e mesmo grupos como Barrica e Boizinho Incantado são classificados de alternativos. Interessante na fala dele é a lembrança dos chamados bois de promessa: “Não podemos esquecer os aspectos religiosos, econômicos, sociais e de tradição destes grupos. Um exemplo são os bois de promessa, que não têm caráter econômico e que, portanto, não podem ser comparados com os que têm esta finalidade”, ou seja, o mercado, de certa forma, já categoriza os bois que a Secma quer, digamos, recategorizar, porém, provavelmente, usando os mesmos critérios do mercado. E devo dizer que isto é mero chute do blogue, já que os critérios de categorização não estão claros e é a própria federação supracitada quem reclama da falta de transparência na matéria.

Uma última provocação: a federação, dados da matéria, “congrega 700 grupos de bumba meu boi provenientes de todo o Maranhão”. Como sabemos, a capital São Luís é “privilegiada” no período junino, abarcando a grande maioria dos recursos da pasta da cultura destinada aos festejos. O que explica, por exemplo, termos 700 grupos, isso contando apenas os filiados à federação, fora os que não, e vermos, São João após São João, sempre os mesmos menos de 10% destes grupos nas programações oficiais? Isto já não é um exemplo de categorização e manutenção de “privilégios”?

Só me tornei editor porque não arrumei um!

Obra publicada em edição da revista Pitomba

Ficaria feliz em ter alguém que cuidasse de toda a parte chata do trabalho. Sobraria mais tempo pra escrever e terceirizaria o custo do material todo, que lucro mesmo eu nunca esperei. Grifes também fariam bem ao espírito, se calhasse.

Mas não calhou.

Tenho aqui tantas cartas de recusa de originais, que dava pra escrever um romance nas costas delas. Um dia uso pra alguma coisa, existe estilo, humor e sarcasmos deliciosos nelas.

A ideia da editora foi a de criar uma falácia. E se eu não fosse eu? Se me institucionalizasse? Criasse um nome de fantasia? O de batismo tinha falhado de todas as maneiras.

Meses depois, transformei o incômodo num pequeno texto chamado Manifesto Pitomba, no qual tentava enumerar problemas e soluções, mas que acabou brutalmente censurado pelo Reuben [da Cunha Rocha] e pelo Celso [Borges] — que têm mais senso do ridículo que eu — mas que insisto em colar, pequenininho, nos meus próprios livros. É no ridículo que opero.

Mas vamos lá. Ao problema.

Nossas possibilidades de edição se resumem a duas secretarias de cultura que valem menos que a merda do pombo da cumeeira do Oscar Frota. Os editais são escritos por um paquiderme, executados por um protozoário e resultam em livros tão feios que, ao longo dos anos, recusei-me a ler vários por não suportar o contato com o objeto.

Os caras não se importam com algo com o qual eu me importo muitíssimo, e isso me emputecia! Me inscrevi nesses editais por anos e anos, ganhei algumas vezes, mas nunca saía nada! É preciso que vocês entendam que um dia eu levei esse povo muito a sério. Eu até lia os poemas, porra!

Com o tempo, passou a me incomodar mais a atitude dos autores, que se sujeitam ao [Concurso Literário e Artístico] Cidade de São Luís todos os anos, sabendo do embuste, como se sujeitam aos editais da Secma (quando esta os faz). O trabalho deles ficava, ao logo dos anos, tão medíocre quanto o esquema todo. Parecia que os editais, antes de promover o tal fomento à produção, a viciava. Há de se tirar o chapéu ao funcionismo, conseguir travar gerações inteiras com uma estratégia de edição tosca e migalhenta como esta é um lance de gênio. Gente que, anos antes, tava amolando as pontas das facas aos murros.

A Pitomba é uma forma positiva de recusa à calhordice geral, ao amadorismo da oficialidade, devolvendo a ofensa na forma de livros ofensivos, porque ousamos achar que o livro é um troço importante, bonito, tesudo e tal. Também é uma maneira de existir, e qualquer existência fora das paredes das repartições, no Maranhão, é transgressora.

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Texto de Bruno Azevêdo, dono da Pitomba Livros e Discos, que publica as coisas dele [Breganejo Blues e O Monstro Souza, entre outros] e publicou, com o Vias de Fato, o Guerrilhas, do Flávio Reis. O reclame foi publicado no Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, do Jornal Pequeno, sábado passado (30/6).

A Pitomba edita também a Pitomba. Digo, o selo/editora publica a revista, editada por Bruno com os citados Celso e Reuben, que também publicaram textos sobre a Pitomba, a revista, no Guesa. O do último tá no blogue dele (donde roubei a ilustração do post). O do remanescente da Guarnicê, se ele me mandar, que ver mesmo o Jornal Pequeno de sábado, eu não vi, eu penduro cá no blogue.

Secma: s de silêncio

Mesmo contra a vontade da Secretaria de Estado da Cultura, sociedade civil tem se mobilizado para participar dos Fóruns Regionais de Cultura, etapas prévias ao Fórum Estadual

Numa clara tentativa de desmobilizar e desarticular a participação da sociedade civil, a Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma) pouco tem divulgado a realização de Fóruns Regionais de Cultura como etapas preparatórias à realização do Fórum Estadual de Cultura, previsto para os próximos dias 20 e 21 de setembro, em São Luís, ocasião em que será eleito o Conselho Estadual de Cultura (Consec).

Três fóruns regionais já aconteceram: em Balsas, dia 9 de agosto, em Buriticupu, dia 11, e em Itapecuru, dia 23 – lá, para se ter uma ideia, apenas três pessoas da sociedade civil da cidade anfitriã participaram, tendo São Luís a maior delegação, com 20 representantes, esforço explicado pela atriz, gestora e produtora cultural Elizandra Rocha: “A participação tem sido importante para derrubarmos as tentativas de manipulação na eleição do Consec. Em Itapecuru conseguimos derrubar algumas propostas no regimento”, afirma. Entre elas, a manutenção de privilégios ao ex-presidente do Consec: ele, conforme o regimento, membro da Comissão Eleitoral Estadual, poderia ser votado para o cargo de conselheiro e/ou delegado.

A capital São Luís, que concentra o maior número de agentes culturais no Maranhão, por exemplo, não contou, no calendário e geografia da Secma, com a realização de uma etapa prévia à estadual. Hoje (25) acontece a edição de Codó. Além de pouco divulgados, os fóruns foram ainda reduzidos: em vez dos cinco originalmente anunciados nesta notícia publicada pela assessoria de comunicação da Secma – numa das raras que encontramos “dando um Google” no assunto –, acontecerão apenas quatro fóruns regionais prévios ao estadual. O de hoje junta as mesorregiões Leste e Centro do Maranhão – com outro fórum, previsto para o município de Presidente Dutra, simplesmente deixando de acontecer e, idem, contribuindo para o esvaziamento da participação da sociedade civil no processo.

Por um motivo – a falta de divulgação e, portanto, de transparência – ou por outro – a pressa com que o processo se dá e a concentração geográfica – o “toque de caixa” da Secma talvez “se justifique” pelo seguinte: o Consec está com mandato vencido desde o ano passado.

Procurados pela reportagem para falar sobre o assunto, o ex-presidente do Consec Armando Nobre, o secretário de Estado de Cultura Luiz Bulcão e sua assessoria não se manifestaram até o fechamento da matéria.