RicoChoro ComVida na Praça estreia nova temporada com choro e guitarrada

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Mestre Solano é o convidado da primeira edição do projeto este ano; apresentações acontecem até novembro em diversas praças de São Luís

A estreia da quarta temporada de RicoChoro ComVida na Praça acontecerá dia 20 de julho (sábado), às 19h, na Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande). O projeto, idealizado e produzido por Ricarte Almeida Santos, segue firme no propósito de estimular o encontro entre diversas linguagens musicais brasileiras, entre o instrumental e o cantado. Este ano abre espaço também para a poesia.

O projeto é uma realização de Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais, com patrocínio de TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. Em 2019 RicoChoro ComVida na Praça terá cinco edições e acontece até novembro. Toda a programação (veja completa ao fim do post) é gratuita.

Outra novidade nesta temporada de RicoChoro ComVida na Praça é a parceria com a Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo. Às vésperas das apresentações de convidados nacionais, haverá rodas de conversa com os artistas, que serão realizadas nas dependências da Emem. “Para nós é uma alegria estabelecer essa parceria. A Emem é um símbolo de qualidade na formação sólida de diversos talentos nossos. Por exemplo, os integrantes do Caçoeira, todos foram alunos da Escola de Música”, celebra Ricarte.

Em caricatura de Nuna Neto, o homenageado da temporada, o compositor Joãozinho Ribeiro
Em caricatura de Nuna Neto, o homenageado da temporada, o compositor Joãozinho Ribeiro

Ano Joãozinho – A partir deste ano, RicoChoro ComVida na Praça passa também a homenagear uma personalidade do Choro no Maranhão. Em 2019 o escolhido é o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, que celebra 40 anos de carreira. Samba e choro são dois gêneros de destaque no repertório do artista, que, nos moldes do projeto, percorreu diversas comunidades da ilha de São Luís entre os anos de 2002 e 2003 com o projeto “Samba da Minha Terra”.

O requisitado e talentoso DJ Franklin. Foto: divulgação
O requisitado e talentoso DJ Franklin. Foto: divulgação
O mímico Gilson César inaugurará as performances poéticas na temporada. Foto: divulgação
O mímico Gilson César inaugurará as performances poéticas na temporada. Foto: divulgação

A primeira edição terá como convidados o DJ Franklin, desde sempre um dos mais requisitados da Ilha, e performance poética com o mímico Gilson César. “Eles ajudam a criar uma ambiência, um clima, mas são parte do espetáculo. Queremos que as pessoas curtam música, poesia, num exercício de vivência comum, ocupando espaços públicos, dando nossa modesta contribuição para os esforços de revitalização da cidade que têm sido anunciados”, comenta Ricarte.

O Regional Caçoeira: rede de pescar ritmos. Foto: divulgação
O Regional Caçoeira: rede de pescar ritmos. Foto: divulgação

O grupo anfitrião da noite será o Regional Caçoeira, formado por João Eudes (violão sete cordas), Lee Fan (flauta e saxofone), Wanderson Silva (percussão) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho), jovens virtuoses que há algum tempo ganharam notoriedade na cena musical da cidade, figuras fáceis em fichas técnicas de shows e discos de diversos artistas maranhenses.

A rede de pesca que empresta nome ao grupo alude ao passeio por diversos gêneros que o quarteto faz a cada apresentação, sobretudo mesclando o Choro a ritmos da cultura popular do Maranhão. Um balanço – para novamente lembrar do mar, do Maranhão – inigualável.

Mestre Solano, o rei da guitarrada, com mais de 60 anos de carreira. Foto: divulgação
Mestre Solano, o rei da guitarrada, com mais de 60 anos de carreira. Foto: divulgação

Choro e guitarrada – O grande convidado do sarau de estreia é Mestre Solano, o rei da guitarrada, direto do Pará. Ele lançou em setembro passado o cd “As guitarradas de um mestre”, em que, além do gênero que lhe dá título, passeia por cumbia, merengue, calipso, carimbó e bolero, entre outros. Aos 63 anos de carreira, com 17 álbuns lançados, o artista promete uma noite dançante.

“Americana” (Frank Carlos), também já gravada por nomes como Alípio Martins e Arnaldo Antunes, é seu maior hit, gravado por ele na década de 1980, na formação Solano e Seu Conjunto, e regravado no novo disco.

Mestre Solano nasceu em Abaetetuba – “terra morena de garotas de valor”, como canta o conterrâneo Pinduca –, onde ainda na infância começou a “arranhar” um banjo. Depois mudou-se para a capital Belém, onde ingressou no Corpo de Bombeiros, tendo sido músico da corporação militar.

Acessibilidade — Todas as edições de RicoChoro ComVida na Praça garantem a presença confortável de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O projeto garante banheiros acessíveis, assentos preferenciais com sinalização, audiodescrição e tradução simultânea em libras.

Serviço

Sarau

O quê: estreia da temporada 2019 de RicoChoro ComVida na Praça
Quando: dia 20 de julho (sábado), às 19h
Onde: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)
Quem: Gilson César, DJ Franklin, Regional Caçoeira e Mestre Solano (Pará)
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Roda de conversa

O quê: Roda de conversa
Quando: dia 19 de julho (sexta-feira), às 16h
Onde: Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Rua da Estrela, 363, Praia Grande)
Quem: Mestre Solano e Ricarte Almeida Santos
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Programação completa (sempre às 19h)

20 de julho

Local: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)
Grupo anfitrião: Regional Caçoeira
Artista convidado: Mestre Solano (Pará)
Dj: Franklin
Poesia: Gilson César

24 de agosto

Local: Praça do Letrado (Vinhais)
Grupo anfitrião: Mano’s Trio
Artista convidado: Chiquinho França
Dj: Pedro Dread Lock
Poesia: Mano Magrão

21 de setembro

Local: Praça Carlos de Lima (Lagoa da Jansen)
Grupo anfitrião: Quarteto Buriti
Artistas convidados: Paulão e Mila Camões
Dj: Victor Hugo
Poesia: Áurea Maria

19 de outubro

Local: Largo da Igreja do Desterro
Grupo anfitrião: Trítono Trio
Artistas convidados: Cláudio Lima e Célia Maria
Dj: Vanessa Serra
Poesia: Rosa Ewerton

9 de novembro

Local: Praça Gonçalves Dias (Centro)
Grupo anfitrião: Quarteto Crivador
Artista convidado: Messias Britto (Bahia)
Participação especial: Joãozinho Ribeiro (homenageado da temporada)
Dj: Joaquim Zion
Poesia: Celso Borges

Silvério Pontes promete grande roda de choro durante palestra com Zé da Velha

Encontro da dupla com músicos e estudantes acontece hoje (19) na UFMA

Zé da Velha e Silvério Pontes voltam à São Luís para a edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça. Foto: divulgação
Zé da Velha e Silvério Pontes voltam à São Luís para a edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça. Foto: divulgação

O projeto RicoChoro ComVida na Praça terá sua edição inaugural realizada amanhã (20), às 19h, de graça, na Praça Gonçalves Dias (Largo dos Amores, Centro), tendo como atrações o DJ Franklin, Instrumental Pixinguinha e a dupla carioca Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete), com a participação especial da cantora Flávia Bittencourt.

Mas o projeto começou antes. Além dos preparativos óbvios, desde a aprovação na Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, o que permitiu seu patrocínio pela TVN, viabilizando a realização de nove saraus em praças públicas de São Luís, teve seu lançamento oficial na noite de terça-feira passada (16) na Quitanda do Chef (antigo Restaurante Barulhinho Bom, Rua da Palma, nº. 217, Praia Grande).

E a programação segue, antes da estreia. “Um projeto como esse envolve diferentes vertentes, para além da fruição musical, que é também muito importante. Mas traremos, a cada sarau, professores e estudantes da rede pública para presenciar espetáculos que se preocupam também com a formação de plateia. E aproveitaremos a vinda de nomes do cenário nacional para intercâmbio com músicos e estudantes locais e interessados em geral”, promete Ricarte Almeida Santos, produtor da empreitada.

Ele refere-se, por exemplo, à oficina que Zé da Velha e Silvério Pontes irão ministrar hoje (19), às 15h, no Anfiteatro de Comunicação, na Cidade Universitária Dom Delgado (Bacanga, ao lado da Rádio Universidade FM), gratuita. Originalmente uma palestra com o tema “O trombone e o trompete no choro”, Silvério Pontes promete extrapolar o formato.

“Nesta oficina, vamos abordar o tema de como se pratica a música instrumental, como se vive, como se elabora, vamos lembrar os nossos 30 anos de parceria, eu e Zé da Velha. Levaremos alguns choros escritos, e peço que todos os músicos levem seus instrumentos, pois faremos uma grande roda para exemplificar a maneira que pode ser tocado o choro, didaticamente e com o coração, misturando a música, mostrando como a coisa funciona, elaborando da maneira que nós tocamos e da maneira que as coisas são feitas”, adianta.

Silvério Pontes comentou ainda a importância e o sentimento de participar da edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça, e destacou também a importância de Ricarte Almeida Santos e seu programa dominical na Rádio Universidade FM, o Chorinhos e Chorões, para a articulação da cena choro no Maranhão.

“É uma maravilha poder participar. Ricarte é um guerreiro, um lutador por essa música. Há anos tem um programa de rádio que batalha pela boa música na ilha e é um cara que divulga todos os músicos, sejam novos, de meia idade, ou velhos chorões, ele valoriza igualmente. Ele tem essa preocupação em preservar um gênero que existe há mais de 150 anos, e preservar de uma maneira linda. Todo domingo ele divulga, corre atrás. A gente tem o maior prazer em poder participar desse projeto, que deveria acontecer todo ano, por que são Luís é um celeiro de bons músicos, uma cidade que respira música, não só o choro, mas todos os gêneros, tambor de crioula, bumba meu boi, música de sopro, enfim, é uma cidade rica musicalmente, em compositores, artistas, a cidade respira isso. Pra gente é uma honra abrir esse projeto, que é o RicoChoro ComVida na Praça, ainda mais sendo conduzidos por um cara que tem esse preocupação com essa música”, afirma.

[Zé da Velha e Silvério Pontes já estão em São Luís. Ontem, a caminho do aeroporto, falei ao telefone com o trompetista e escrevi o texto acima, distribuído aos meios de comunicação da ilha]

A poesia cortante de Celso Borges

Fazia tempos eu não experimentava a sempre deliciosa porção de paçoca e creme de macaxeira preparada por dona Antonia, ela uma das vendedoras de comida daquelas barracas ali por perto do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande. A terceira opção, para quem prefere, é o arroz de maria isabel. Meu pratinho foi acompanhado por um copo “considerado” de suco de abricó. Uma delícia!

Apesar do coquetel servido – e disputado – ao final, foi a fome quem me fez deixar o recinto apressado, na noite da última terça-feira (10), ocasião em que, no citado centro, o poeta Celso Borges apresentou seu Sarau Cerol, acompanhado por Beto Ehongue (trilhas e efeitos eletrônicos no laptop), Alê Muniz (guitarra) e Luiz Cláudio (percussão) – anunciados como participações especiais, os dois últimos tocaram o show inteiro. Se na barraca de dona Antonia eu saciava minha fome de comida, antes eu já havia me embriagado de poesia da melhor qualidade.

Da esquerda para a direita, Alê Muniz, Celso Borges, Luiz Cláudio e Beto Ehongue

A apresentação aconteceu numa Galeria Valdelino Cécio absolutamente lotada. Celso Borges leva ao palco sua experiência de misturar poesia e música, sobretudo a comprovada em seus livros-discos XXI (2000), Música (2006) e Belle Époque (2010), onde a palavra de papel vira a palavra de ruído e este/esta é música. Qual Cacaso, Chacal e Leminski, para citar apenas três poetas que admira, ele, também letrista de música popular, parceiro de gente que sai pelo ladrão, incluindo os integrantes de seu power-trio aquela noite.

Uma São Luís surreal, de propósito ou por acaso, sabe-se lá, lhe servia de fundo de palco, perfeito contraste para um poeta que tira sarro do cânone, da oficialidade em torno dos controversos 400 anos de sua cidade natal e até mesmo dos “turistas de pacote” com seus “boizinhos de butique”.

“O futuro tem o coração antigo”: Celso Borges, quase 53, talvez por isso não tenha saudades do passado. Copia a frase do escritor italiano Carlo Levi – que já usara de epígrafe em XXI – para colar no título de seu próximo livro, a ser publicado ainda em 2012. “Antigamente era antigamente e era muito pior”, reza noutro poema, A saudade tem seus dias contados, de Belle Époque.

De uma forma ou outra, ninguém sai intacto, imune, impune de uma apresentação de Celso Borges – e aí caberiam palavras como show, espetáculo e quetais: quem já gosta(va) de poesia sai gostando ainda mais, quem não gosta(va), passa a gostar, nem que seja um tiquinho, todos contentes com as possibilidades que a poesia pode oferecer, para além de saraus modorrentos, monótonos, mofados, enfadonhos.

Sarau, a palavra em si, geralmente assustadora, lembrando professoras de literatura velhas, chatas e de óculos fundo de garrafa, recitando de cor e por força nos querendo obrigar a decorar sonetos do século retrasado.

“Serol foi feito pra cortar”, já havia escrito, com s, em Pedra de cantarei, poema de Persona non grata (1990) que virou música, um tambor de mina em parceria com Zeca Baleiro (em XXI). Para cortar de vez clichês e sustos, o poeta unta com cerol a linha do sarau.

Por que poesia pode e deve pulsar e fazer pulsar. Como ele diria em A serpente (Outra lenda), outra parceria com Zeca Baleiro, além do saudoso Ramiro Musotto: “eu quero ver a serpente acordar/ pra nunca mais a cidade dormir”.