O Santos é o novo campeão

Não à toa um verso do hino do Santos batiza este post. Não sou santista, mas isso não me impediu de vibrar e torcer pelo alvinegro da Vila Belmiro na noite de ontem, quando o time brasileiro derrotou os uruguaios do Peñarol por 2×1, conquistando seu terceiro título na Libertadores da América, o 15º. título brasileiro no certame, desde sua existência, iniciada em 1960 – o negro dourado do Uruguai, aliás, seu maior vencedor. Triste, triste foi a pancadaria que sobrou, comportamento típico do Peñarol, típico de quem não sabe perder. O Santos foi superior na bola, dentro das quatro linhas, e fora delas, ao esquivar-se, na medida do possível – verás que um filho teu não foge à luta – do cenário grotesco de incivilidade generalizada, da parte deles, que serviu apenas para enfeiar o espetáculo que teve direito até mesmo a Pelé correr pelo gramado puxando o técnico Muricy Ramalho pelo braço.

Torci pelo Santos não por ser “o Brasil na Libertadores”. Bobagem! Sorte a nossa: não era o Galvão narrando ou teríamos ouvido essa frase sabe-se lá quantas vezes. Há times pelos quais você não torceria mesmo que ele pusesse o uniforme da seleção e fosse disputar a Copa do Mundo. Torcer pelo Santos é ler poesia escrita com os pés e com a cabeça – e, por que não dizer, com o coração.

Neymar e Ganso, membros da Academia Brasileira de Passes de Letra

Ver Ganso, Neymar, Elano, Arouca e cia. jogando, é ter de volta o prazer do futebol-arte, há tanto tempo esquecido em nome do futebol de resultados – joga-se feio, mas faz-se gol, é o que importa para os burocratas do ludopédio. O Santos mostra que as coisas podem caminhar juntas, que uma não anula a outra, que uma não é oposição a outra.

Depois de um 0x0 na casa do adversário, uma vitória em casa para selar bonito um feito que levou 48 anos para se repetir – o último título santista no torneio sul-americano foi em 1963, quando o Santos sagrou-se bicampeão, algo até então inédito na recém-inaugurada Libertadores, com Pelé ainda jogando.

Não que não dê saudades o Santos de Pelé que nem vi jogar – saudades de um tempo que não vivi e não vi mais que flashes em programas como o Gol – O Grande Momento do Futebol e breves coletâneas montadas em programas outros de esporte. Mas os gritos de gol e de campeão desentalados das gargantas dos santistas espalhados pelo mundo – muitos torcendo pelo Peixe justo por terem visto ou sabido de Pelé jogando – hoje nos permitem falar, em vez de no Santos do Rei do Futebol, no Santos de Neymar, no Santos de Ganso, no Santos de cada um que levou o time ao merecido posto de melhor time das Américas – azar das que não participam da Libertadores.

Torcedores mais otimistas previam, exibindo em faixas ontem no Pacaembu, o tetracampeonato já ano que vem. Eu, que não sou torcedor do Santos, repito, já previa o título do campeonato brasileiro, coroando o Santos definitivamente como a grande equipe brasileira em 2011 – lembremos que este ano o time já foi campeão paulista –, apesar dos tropeços do time no início da disputa nacional, frutos da prioridade dada à Libertadores.

Pena não poder manter o chute: o anúncio da saída de Neymar e a não pouco provável de Ganso parecem ser o início de um desmonte do escrete. O futebol-arte pode voltar a perder este status na Vila Belmiro. Uma pena não só para torcedores do Santos.

Resta-nos torcer pelo núcleo santista que vai à Argentina para a Copa América. Os garotos trocam agora o preto-e-branco pelo amarelo da seleção canarinha. Que venham uruguaios, argentinos, venezuelanos, colombianos, chilenos, peruanos ou quaisquer hermanos e quem mais ousar tirar nossos pés da bola e nossas mãos da taça.