Santo de Casa lança três inéditas de Chico Saldanha

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

O compositor Chico Saldanha, 70, anunciou para ainda este ano o lançamento de Plano B, seu quarto disco. O aguardado sucessor de Emaranhado (2007) está praticamente pronto.

“Quando voltar de uma viagem vou colocar as últimas vozes, Zeca [Baleiro] gravará sua participação e vamos para as fases de mixagem, masterização e prensagem”, anunciou Saldanha, com exclusividade, ao blogue. Ele irá à Suíça, acompanhar o nascimento de uma neta.

Um disco novo de Chico Saldanha é sempre um acontecimento. O intervalo entre um e outro ajuda a explicar o esmero com que cada álbum é feito. Intitulado Chico Saldanha, seu vinil de estreia, gravado em São Paulo, quando o artista morou lá, foi lançado em 1988, e emplacou ao menos um hit: Itamirim, interpretada por Tião Carvalho.

Aquele álbum trazia também Linha puída, sua canção mais regravada. O segundo disco, Celebração, foi lançado 10 anos depois. O álbum começa com uma homenagem à sua cidade natal, Parabéns, Rosário (Ribamar Marques), que remonta às origens do sotaque de orquestra do bumba meu boi.

Em Emaranhado ele contou com as participações especiais de Zeca Baleiro, Josias Sobrinho, Gerude, Inaldo Bartolomeu e Lenita Pinheiro. Este terceiro disco transita por uma veia pop, sem tirar o pé do brega (Mara), passando por bolero (Babalu), bumba meu boi (a faixa título), blues (Cover de blues) e choro (Branco).

Hoje (23), amanhã (24) e segunda-feira (27) o programa Santo de Casa, na rádio Universidade FM (106,9MHz) apresentará em primeira mão três faixas de Plano B, todas de autoria de Saldanha: Afeganistão, carinhosa e divertidíssima homenagem a um saudoso bar da Madre Deus, bastante frequentado por ele, este blogueiro e outros bambas, Ella, homenagem a Ella Fitzgerald, diva do jazz, e Buriti, em que homenageia os “geniais artífices” do interior do Maranhão que transformam a fibra dessa palmeira em obras de arte. A faixa tem participação especial da cantora Lena Machado.

As três faixas enviadas pelo artista à rádio têm execução de Luiz Jr. (violão, guitarra e arranjos), Mauro (contrabaixo), Rui Mário (sanfona e teclados) e Wanderson (percussão). Afeganistão tem sopros de Daniel Miranda, Daniel Cavalcanti e Elton Nascimento.

O Santo de Casa vai ao ar de segunda a sexta às 11h, com produção de Paula Brito e apresentação de Gisa Franco.

Obituário: Marco Cruz

Foto: Fernando Motta (facebook)
Foto: Fernando Motta (facebook)

Faleceu ontem (10), vítima de um câncer no estômago, o compositor Marco Cruz. Soube ao ligar o rádio para ouvir o Santo de Casa, na Universidade FM (106,9MHz). Não entendi direito – ou não quis acreditar – e liguei para a produção perguntando.

Tocaram duas músicas suas, em sequência: Bangladesh, em que ele divide os vocais com Mano Borges na faixa-título do disco que este lançou há aproximadamente 20 anos – justamente a primeira vez que ouvi sua bela voz e falar em Marco Cruz – e a toada Moderna Mocidade, do Boi da Mocidade de Rosário, grupo para o qual forneceu outras crias para o repertório.

As últimas menções ao nome de Marco Cruz em minha memória estão ligadas aos shows de gravação – de que integrei a equipe de assessoria de comunicação – e lançamento do disco ao vivo Milhões de uns, estreia de Joãozinho Ribeiro no mercado fonográfico. Este resgatou do cofo de parcerias Cidade minha, que interpretou junto com o Coral São João, e Tá chegando a hora, marchinha carnavalesca que encerra o disco fruto dos shows, em que, com todos os convidados, Joãozinho canta: “tá chegando a hora/ de anunciar a despedida”.

Há algum tempo não surgiam notícias que relacionassem o recém-falecido compositor, também técnico em informática, à música. No entanto, o também parceiro Zé Lopes anunciou que Marco Cruz deixa inacabado um disco em que estava gravando Salmos que havia musicado.

Blogosfera no dial

Acervo Rádio Universidade FM

Ontem participei, com o camarada Alberto Jr. (como eu gostaria que ele tivesse um blogue para linkar no nome dele), do quadro Roda de Conversa, no Santo de Casa, na Rádio Universidade FM (106,9MHz), capitaneado por Gisa Franco.

O tema era “a importância dos blogues na difusão da música maranhense”, mas creio que fomos além.

Comentamos de nossas experiências como blogueiros, citamos blogues importantes, fiz cobranças públicas a quem já teve blogues e precisa voltar a ter e a quem nunca teve mas tem muito o que dizer, rimos um bocado e aproveitei para fazer o meu comercial, divulgando a 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes (termina hoje, 30) e shows de Chiquinho França (hoje, 30), Edvaldo Santana (7/11) e Patativa (19/11).

Quem perdeu no rádio pode ouvir o papo aqui, agora. Mais uma vez agradeço a atenção e paciência dos/as ouvintes e o carinho dos/as que fazem a Rádio Universidade FM.

O rádio, Parafuso e eu

Começo de setembro passado, a trabalho em Brasília/DF, meu celular toca. Era Valéria Santos, produtora da Rádio Universidade FM. Disse-me rapidamente que estavam produzindo um Janela Cultural em homenagem ao mestre José de Ribamar Elvas Ribeiro, mais conhecido como Parafuso. De cara topei dar um depoimento e ela gravou na hora, pelo telefone. Ela tornaria a ligar, já que as operadoras de telefonia não ajudam e a ligação caiu.

No dia em que o programa foi ao ar, eu estava novamente viajando. Hoje, com o amigo Alberto Jr., fui ao Santo de Casa, na mesma Universidade FM, falar com Gisa Franco no quadro Roda de Conversa sobre a relação entre a blogosfera e a difusão da música do Maranhão. O papo rolou agradabilíssimo. Reencontrei amigos e amigas e conheci Valéria pessoalmente. Ela me avisou que o programa dedicado a Parafuso estava disponível, na íntegra, no youtube.

Lembro que o lendário sonoplasta havia lançado recentemente, em concorrida noite de autógrafos no Bar do Léo, o livro Memórias de um Parafuso, de título autoexplicativo.

A quem interessar possa, aí está o programa:

Música maranhense: silêncio da/na Rádio Universidade FM

Quando li este texto no blogue do jornalista Henrique Bóis, fui tomado de imediato por um misto de raiva e nojo. Imediatamente resolvi reagir e vomitei alguns parágrafos em que me mostrava indignado com a transformação, de uns tempos pra cá, da Rádio Universidade FM em apenas mais uma rádio comercial entre as outras do dial. Que a Radiun, como é carinhosamente chamada pelos que a fazem, deveria ter um papel de laboratório, de vanguarda, sem preocupações primordiais com lucros etc. Que seria contraditório o confinamento da música maranhense aos horários do diário Santo de Casa (apresentado por Gisa Franco, de segunda a sexta, das 11h ao meio dia) e do semanal Chorinhos e Chorões (aos domingos, das 9h às 10h, por RicarteAlmeida Santos), cujo apresentador cheguei a ouvir para escrever um texto cujo rascunho, jogado direto no wordpress e não esboçado em word, como de costume, não foi salvo. Por que liguei para Paulo Pellegrini e este negou a veracidade das afirmações de Bóis e as aspas de suas falas no texto, embora o tenha feito de maneira muito tranquila, em minha opinião.

Cheguei ao texto de Bóis através do compartilhamento do mesmo pelo cineastamigo Murilo Santos, em seu perfil no Facebook. Em resposta, nos comentários, marquei Murilo, Paulo Pellegrini e Henrique Bóis, após o telefonema ao segundo. Só o primeiro respondeu, dizendo aguardar um pronunciamento oficial da Rádio Universidade FM.

Ontem (só li hoje) recebi por e-mail o texto abaixo, do compositor e jornalista Cesar Teixeira, sobre o mesmo fato.

Este blogue continua aguardando manifestação da Rádio Universidade FM sobre o assunto.

SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRE

CESAR TEIXEIRA

Fiz parte de uma geração de estudantes e professores que lutou pela criação de uma gráfica e uma rádio dentro da UFMA, no início dos anos 80. Exatamente para implodir o modelo autoritário que impedia a universidade de cumprir o seu papel social, interagindo e contribuindo com a comunidade para garantir a cidadania e o direito constitucional à informação.

É triste hoje constatar que a Rádio Universidade FM, gerenciada pela Fundação Souzândrade, está querendo jogar fora o seu script ético, passando a discriminar os artistas maranhenses que mais têm contribuído para o sucesso da nossa música. Isso outros canais de comunicação já fazem no Maranhão. Será que o jabá ideológico também se apropriou da emissora?

Tive informação de que ingressos oferecidos pela produtora de um show do compositor Josias Sobrinho não poderiam ser divulgados nos programas jovens da emissora, conforme teria determinado o coordenador geral, Paulo Pellegrini, ficando limitados aos programas Santo de Casa e Chorinhos e Chorões.

Não deixa de ser esquisito excluir os jovens, excluindo o artista. Pior ainda. Segundo o blog do jornalista Henrique Bóis, o diretor afirma que se o público da rádio “acaso fosse a um show de músico maranhense teria uma péssima impressão, principalmente de alguns (…) compositores que se aventuram a cantar”.

Que público será esse que teria má impressão da nossa música, que a própria rádio tanto se empenhava em divulgar? Não faz sentido. Parece até uma tentativa de ressuscitar a antiga censura prévia em uma emissora pública, cujos projetos também dependem de empresas como a Vale e a Alumar, de interesses culturais duvidosos.

Como lembra o jornalista, eles utilizam “a mesma música que rejeitam para convencer os patrocinadores” do Prêmio Universidade FM, que distribui anualmente troféus para artistas e produções culturais que mais se destacaram.

A verdade é que Santo de Casa não faz milagre. Ou faz?

Para todos os efeitos, é lamentável que a direção da rádio tenha transformado a música maranhense em merda, e agora esteja pisando nela.