Não por acaso Angeli é anagrama de genial

Ele, na Folha de S. Paulo de ontem (3), resumindo bem o futuro (ao menos por um ano) que parece descortinar-se para a atuação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Sobre a questão, meu amigo Rogério Tomaz Jr. escreveu tópicos fundamentais e esclarecedores aqui.

Meu personagem da semana: Fluminense

“Não se diga, porém, que faltou alegria à nossa franciscana vitória de domingo. E pelo contrário: houve alegria até demais. Quando acabou o jogo, a torcida invadiu o campo. Vi garotos, de lábio trêmulo e olho rútilo, apalpando um Pinheiro, ou um Waldo, como se um ou outro fosse um César conquistador. Era a vitória que nos subia à cabeça e nos transfigurava. Dir-se-ia uma euforia de campeonato do mundo. E já que um feito tão humilde nos parecia tão deslumbrante, eu me convenci, de vez, que o Fluminense era, de fato, o coitadinho do ano”.

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Nelson Rodrigues em crônica de 11 de outubro de 1958 (o título é o que roubo ao post). Está no calhamaço O berro impresso nas manchetes (Agir, 2007).

Copio o trecho final da crônica, que falando de outra coisa, começa assim: “Um amigo meu, “pó-de-arroz” doente, faz o exagero melancólico”. Abaixo, um amigo meu, “pó-de-arroz” doente, num exagero captado até pelas câmeras da Rede Globo:

Rogério Tomaz Jr. conta os títulos brasileiros de seu tricolor carioca

A ele, que engraçadamente ilustra o post, e a outros ilustricolores, Cinthia Urbano, Gisele Brasil, João Pedro Borges, Luís Antônio Câmara Pedrosa e Márcio Jerry, dedicamos o Nelson Rodrigues acima, com os parabéns pelo título, nada melancólico, nada coitadinho. Fred explica!

A partir de sexta, no Praia Grande

Não lembro a primeira vez que ouvi falar em Intocáveis, filme que estreia sexta-feira (19), no Cine Praia Grande. Mas lembro que desde já fiquei com vontade de vê-lo, o que só aumentou com este texto do Rogério sobre. Sessões 16h, 18h e 20h.

22 de setembro

DIA SEM CARRO

Os ecologistas e outros irresponsáveis propõem que por um dia, o dia de hoje, os automóveis desapareçam do mundo.

Um dia sem carros? E se esse exemplo se contagia e passa a ser todos os dias?

Deus não queira e o Diabo tampouco.

Os hospitais e cemitérios perderiam sua mais numerosa clientela.

As ruas se encheriam de ridículos ciclistas e patéticos pedestres.

Os pulmões já não poderiam respirar o mais saboroso dos venenos.

As pernas, que se esqueceram de caminhar, tropeçariam em qualquer pedrinha.

O silêncio aturdiria os ouvidos.

As rodovias seriam deprimentes desertos.

As rádios, as televisões, as revistas e os jornais perderiam os seus mais generosos anunciantes.

Os países petroleiros ficariam condenados à miséria.

O milho, a cana de açúcar, agora convertidos em comida de carros, regressariam ao humilde prato humano.

Tradução de Rogério Tomaz Jr. para um dos 366 textos de Os filhos dos dias (Los hijos de los dias), novo livro de Eduardo Galeano, que chega ao Brasil em breve, traduzido por Eric Nepomuceno (nestes links, outros textos traduzidos pelo queridamigo Rojão e pelo apresentador de Sangue Latino). Grande notícia!

Criança indígena assassinada: mais um crime que ficará impune?

O blogue volta ao retrato, sinal de que nada mudou...
Em agosto do ano passado publiquei a foto acima em um post intitulado De como Roseana Sarney gosta de preto e de índio.

Lembrei da foto por ocasião da vinda à tona do caso da morte de uma criança indígena, sobre o que tem-se poucas informações dado o isolamento do povo Awa-Guajá, etnia do assassinado – consta que tinha oito anos e foi queimada viva por madeireiros na terra indígena Araribóia, em Arame/MA.

O caso não teve a devida repercussão à época do ocorrido por uma série de fatores, inclusive as mui prováveis ligações de madeireiros com as autoridades “competentes”.

O jornal Vias de Fato publicou algo a respeito no apagar das luzes de 2011. E recentemente o jornalista Rogério Tomaz Jr. reacendeu as discussões sobre o caso com este post, seguido do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que se manifestou em texto devidamente reproduzido pelo blogueiro. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) também publicou este texto. E enquanto eu finalizava este post, o site do Vias de Fato voltou ao ar, trazendo novas informações sobre o caso.

Independentemente de há quanto tempo aconteceu o caso, o mesmo deve ser investigado, com as devidas punições aos responsáveis.

Uns, numa caixa de comentários do blogue de Rogério Tomaz Jr., cobram-lhe fontes, provas, o escambau. Ora, o jornalista bloga de Brasília/DF, onde vive, e ainda que vivesse aqui teria dificuldades em apurar o caso, principalmente por conta do isolamento em que vivem os Awá (ainda assim, à distância, supera enorme parte dos colegas e veículos sediados acá). Mais um motivo para cobrarmos das autoridades que cumpram seu papel: têm poder e recursos para fazê-lo, basta querer. O que não pode é a impunidade continuar reinante por estas plagas.

O jornal O Estado do Maranhão publicou hoje (6) matéria sobre o assunto [Polícia, p. 8]. O acesso é exclusivo para assinantes com senha. A quem interessar possa.

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