O novo som de Brasília

Foto: BR 135/Divulgação

 

A Muntchako não entrega o ouro ao bandido de cara: a princípio o show lembra uma espécie de Buena Vista Social Cover, trocadilho infame, o que não seria pouco. No palco, o trio só evoluiu ao longo de sua apresentação, ontem (2), na última noite do Festival BR 135. Não demorou para o público estar completamente entregue, dançando, aplaudindo, erguendo os braços.

Os teclados de Samuel Mota (guitarra, banjo, programação e synths) evocam bandoneons e logo um tango argentino me vai bem melhor que uma cumbia. Com Rodrigo Barata (bateria e samplers) e Macaxeira Acioli (percussão, samplers e voz), ele assina todas as faixas do álbum de estreia do grupo [2017], um caprichado vinil com sete faixas e produção musical de Curumin, mago cujo toque de Midas é uma espécie de certificado de qualidade – o álbum está disponível para audição e download gratuito e legal no site do Muntchako. A capa é desenhada pelo paraibano Shiko e evoca o Edy Star glam de Sweet Edy [1974], com o personagem mascarado que a estampa usando um botton com a inscrição “Temer jamais”. Não à toa o disco abre com Golpe.

Não há fronteiras ou quaisquer limites para a sonoridade do trio, convergência de experiências distintas. São três cabeças, mas a lista de instrumentos usados no disco e no palco é enorme. Na apresentação de ontem, destaque para o sample da voz da funkeira carioca Deize Tigrona, trazida virtualmente à ilha em Cardume de volume, faixa de que participa no disco – sem ela a festa não estaria completa.

Brasília não é berço apenas de escândalos políticos nem estacionou no rock brazuca oitentista.

Fusão de Criolinas em Brasília

Hoje (12), em Brasília/DF, às 21h, no Bar do Calaf, os maranhenses do Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões) encontram os brasilienses do Criolina (um coletivo de djs formado por Barata, Oops e Pezão).

Abaixo, duas amostras do que os primeiros são capazes: Veneno (Alê Muniz e Luciana Simões), de seu primeiro disco, homônimo, e São Luís-Havana (Alê Muniz, Luciana Simões e Celso Borges), de seu segundo disco, Cine Tropical, melhor álbum no Prêmio da Música Brasileira; a faixa levou o troféu de melhor música na edição 2010 do Prêmio Universidade FM. Os vídeos foram feitos pela Adriana de Andrade durante a apresentação de sábado (10), no Balaio Café e enviados por e-mail pela queridamiga Micaela Vermelho.

A banda que os acompanhou sábado é a mesma que subirá ao palco hoje: Luciana Simões (voz), Alê Muniz (guitarra e voz), Vavá Afiouni (contrabaixo), Rodrigo Barata (bateria) e Assis Medeiros (guitarra).