Pré-festa

A banda Canal Raja em luau no Espigão Costeiro da Ponta d'Areia. Foto: Diego Chaves
A banda Canal Raja em luau no Espigão Costeiro da Ponta d’Areia. Foto: Diego Chaves

 

Semana que vem o BR 135 e sua programação paralela de debates e formação, o Conecta Música, ocupam diversos espaços da Praia Grande, no quinto ano do Festival que já consolidou seu lugar no calendário cultural do Maranhão.

Este ano, entre diversas outras atrações, estão confirmados shows com Liniker, Di Melo e Nação Zumbi, além do maranhense radicado em São Paulo Bruno BatistaHomem de vícios antigos voltará à programação em momento oportuno.

Hoje (17), às 20h30, no Bangalô Gastrolouco (Av. Litorânea, Calhau), acontece o lançamento oficial do festival, com as bandas Canal Raja e Telúricos (ambas participaram da edição do BR 135 ano passado), Forró Pé de Serra de Seu Raimundinho e discotecagem de Jards Zue.

“Além da música, nesta edição outras linguagens estarão nos palcos e na rua em um amplo painel de formas de expressão. Nossa ideia é mostrar que a estrada do festival está aberta para os artistas que resistem fora da indústria cultural tradicional”, explica Luciana Simões, realizadora do evento ao lado de Alê Muniz, com quem forma o duo Criolina – que lança disco novo ainda este ano.

Este blogueiro mediará um debate na próxima sexta-feira (25), às 16h30, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). A mesa, “Jornalismo cultural além da “grande mídia””, terá Marcelo Costa (blogue Scream&Yell), Roberta Martinelli (TV Cultura e Rádio Eldorado, leia-se, Cultura Livre e Som a Pino) e Alexandre Matias (blogue Trabalho Sujo e Ecossistema da Música).

Skarnaval

A OBMJ na capital brasileira do reggae. Foto: Projeto BR135
A OBMJ na capital brasileira do reggae. Foto: Projeto BR135

 

Na mesa de que tive a honra de participar na programação do Conecta Música – evento de formação paralelo ao Festival BR135 – Roberta Martinelli, comentando sua trajetória e os embates constantes pela manutenção do que idealizou para seu programa Cultura Livre, lembrou a resposta que deu a um “você nunca traz uma banda grande” que ouviu de alguém. “Trago sim, já trouxe a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, a Filarmônica de Pasárgada, o Bixiga 70”, enumerou, bem humorada.

A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana – ou simplesmente OBMJ para os íntimos – aterrissou no palco da Praça Nauro Machado, ontem (11), trazendo ao público ludovicense sua adaptação de repertório brasileiríssimo a ritmos como reggae, ska e rocksteady.

Martinelli está certa: é uma grande banda e uma banda grande. São nove músicos, o naipe de metais tem cinco sopros. Elegantemente trajados, uns de terno, outros de boina, todos de gravata, dançavam em engraçadas coreografias. Em determinado momento me peguei pensando se eles nunca erraram e o trombonista acertou um companheiro do lado – ontem, não.

Entre versões instrumentais e cantadas, clássicos da música brasileira vertidos à Jamaica: Pagode russo (Luiz Gonzaga), Carinhoso (Pixinguinha/ João de Barro), Águas de março (Tom Jobim), Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu), Sítio do pica-pau amarelo (Gilberto Gil), Trem das onze (Adoniran Barbosa), País tropical (Jorge Ben) e Deixa a gira girar (Mateus Aleluia/ Dadinho), sucesso dos Tincoãs regravado por eles e uma pá de gente da mpb.

Hugo Hori (sax e flauta), ex-Karnak e com longa folha de serviços prestados à música brasileira, substituiu um membro que não pode vir à São Luís. A interação com os colegas de banda e público foi tão perfeita que nem parecia tratar-se de um “reserva” – ainda que da categoria “amuleto”, qual um Tupãzinho no Corinthians do início dos anos 1990.

O final foi apoteótico, um “skarnaval”, como anunciou Sérgio Soffiatti (voz e guitarra), antes de emendarem um medley com Aurora (Mário Lago/ Roberto Roberti), Chiquita bacana (João de Barro/ Alberto Ribeiro), O teu cabelo não nega (Lamartine Babo/ João Victor Valença/ José Raul Valença) e Frevo mulher (Zé Ramalho). Quem foi ao show dançou; quem não foi, “dançou”.