Chorinhos, chorões e bandeiras de aço

Era a primeira vez que o mestre ia ao programa, que já conta mais de duas décadas no ar. Eu, modéstia à parte, já sou figurinha carimbada por ali, “aparecendo” vez por outra.

Ricarte Almeida Santos e este que vos perturba entrevistamos Cesar Teixeira em Chorinhos e Chorões gravado sexta-feira passada (15). Calma! Você não perdeu nada: o programa vai ao ar domingo (24), no horário de sempre: às 9h, na Rádio Universidade FM (106,9MHz).

Além de ditadura militar, censura, Laborarte e a definição de uma estética musical do Maranhão, Bandeira de aço (o disco lançado por Papete em 1978, com três composições suas, entre as quais a faixa-título), o compositor conversou ainda sobre Bandeira de aço, show que apresenta dia 30 (sábado), uma espécie de “saideira das férias”, às 21h, no Circo da Cidade, com produção de Ópera Night e todo o entusiasmo da turma boa do Vias de Fato, que caiu em campo (e ainda está) atrás dos recursos para viabilizar esta empreitada cultural. Pra quem não tá ligado, Cesar Teixeira é também jornalista e coordenador editorial do jornal mensal, de que muito me orgulho estar ocupando as páginas de cultura.

Músicas interpretadas pelo próprio Cesar além de alguns de seus importantes intérpretes estão no roteiro do programa: Flanelinha de avião, Dolores (Flávia Bittencourt), Ray ban (em duas versões: a do compositor e, antes, a de Cláudio Lima), Vestindo a zebra, Lápis de cor (Célia Maria), Botequim (Lena Machado) e Das cinzas à paixão, entre outros clássicos que todo mundo assovia e cantarola aqui e acolá.

Abaixo, dois flagrantes da tarde risonha. Agora é esperar por domingo. E mais, pelo sábado do show. Que venham!

Cesar Teixeira e Ricarte Almeida Santos durante gravação do Chorinhos e Chorões
Os risonhos Ricarte Almeida Santos, Cesar Teixeira e o blogueiro

Música brasileira: terra fértil

Pitanga em pé de amora, bela estreia de quinteto paulista em disco homônimo

Tão fértil é a música brasileira que até Pitanga em pé de amora (2011) é capaz de nascer. Com formação mais ou menos chorística, o quinteto não se prende, no entanto, a um único gênero. Passeia com desenvoltura por diversas brasilidades, a partir da urbaníssima São Paulo.

Angelo Ursini (clarinete, flauta, saxofone), Daniel Altman (voz, violão sete cordas), Diego Casas (voz, violão), Flora Poppovic (voz, percussão) e Gabriel Setúbal (trompete) – com todos se revezando, aqui e ali, nas percussões – vão de choro, xote, frevo e mais, às vezes com o devido gênero batizando a faixa a ele dedicada. Recém-adultos, os moços e a moça do quinteto esbanjam talento e versatilidade. Se é moderno pé de amora dar pitangas, amoreiras e pitangueiras têm raízes e dessas o quinteto não abre mão.

O disco homônimo de estreia do grupo está disponível na íntegra para download em seu site – lá é possível baixar também algumas faixas gravadas ao vivo. Amostra grátis, vale a pena ouvir antes e comprar depois, belo projeto gráfico embalando as composições do Pitanga em pé de amora, todas autorais – Diego Casas assina todas as faixas sempre em parceria com alguém do grupo, só Flora Poppovic não compõe, e nem precisa, cantando como canta.

Pitanga em pé de amora é grupo que já nasce maduro, pronto para a fruição. Ouvidos de bom gosto, brindai! Tenham pressa, embora não haja risco nenhum destes frutos apodrecerem.

Chorinhos e chorões – Edito agora (15h20min) o post para trazer para cá um aviso deixado por Ricarte Almeida Santos na caixa de comentários deste modesto blogue: em seu Chorinhos e Chorões de domingo (5), às 9h, o sociólogo-radialista apresentará aos ouvintes o disco sobre o que acabamos de escrever um pouco aos poucos mas fieis leitores deste humilde blogue.