Um sebo novo na ilha. Alvíssaras!

Os sócios Riba e Natan. Foto: Zema Ribeiro

 

Há mais de 10 anos entrevistei a saudosa Moema de Castro Alvim, então proprietária do sebo Papiros do Egito, para um trabalho de faculdade – o resultado viria a ser publicado depois, no Overmundo.

Naquela conversa – uma das muitas que tivemos ao longo de mais de 20 anos de amizade – ela alertou para uma equação que não fechava: enquanto faculdades particulares eram abertas, livrarias e sebos se fechavam.

A pulga atrás da orelha me acompanha até hoje.

São Luís é uma cidade que convive com vários títulos – ou apelidos, como queiram. Uns se justificam por si só. Outros acabam ganhando status de verdade de tanto se repetirem, na perspectiva de Goebells, ministro da propaganda nazista.

Um bom exemplo é a rixa entre os atenienses e jamaicanos locais. A meu ver a questão se encerra facilmente: enquanto quase ninguém lê, os clubes de reggae estão lotados – e não, a meu ver, uma coisa não inviabiliza a outra.

Acompanho há algum tempo o trabalho do professor Natan Máximo, que já teve sebo fixo no Centro da cidade (na Rua das Flores), mas que ultimamente tem literalmente montado a barraca em eventos culturais como o projeto RicoChoro ComVida na Praça, de que acompanhou boa parte das edições: enquanto o público prestigiava a boa música no palco, podia também adquirir livros, cds e vinis usados.

A barraca de Natan, com seu caráter agregador e a presença do sócio Riba (outro, não o do Poeme-se), acabou por ganhar o nome de Feira da Tralha, exibido na faixa na fachada do sebo – fixo – que ele e Riba (ambos na foto que abre este post) inauguram hoje, às 18h, no térreo do Edifício Colonial (sala 8, esquina das ruas Godofredo Viana com Sol, Centro).

A inauguração terá apresentação do Regional Deu Branco, formado por Cleiton Canhoto (violão sete cordas), Erivan Neri (flauta), Jamil Cartágenes (cavaquinho), Kleiton Groove (trombone) e Valdico Monteiro (pandeiro). O grupo terá as participações especiais de Joãozinho Ribeiro e Rosa Reis. Na ocasião serão vendidos caldo de sururu e cerveja.

É outra coisa de que há tempos me ressinto: não há um bar nas proximidades do Teatro Arthur Azevedo, para o caso de uma resenha regada a chope e bom papo, após este ou aquele espetáculo. A Feira da Tralha é um sebo, não um bar, mas poderá em parte preencher essa lacuna. Tomara!

De um modo ou de outro, é sempre motivo de comemoração a inauguração de um sebo, uma livraria, uma loja de discos, uma banca de revistas e estes estabelecimentos em extinção – ou melhor, na contramão.

Divulgação

Choro em dose dupla para celebrar aniversário de Pixinguinha

Celebração do Dia Nacional do Choro acontece na véspera, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). Divulgação
Celebração do Dia Nacional do Choro acontece na véspera, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). Divulgação
"Jornada Chorística do Maranhão" acontece em dois tempos no São Luís Shopping. Divulgação
“Jornada Chorística do Maranhão” acontece em dois tempos no São Luís Shopping. Divulgação

Como já é tradição nos calendários musical e cultural de São Luís, será comemorado o Dia Nacional do Choro, homenagem ao nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (23/4/1897-17/2/1973), um dos mais importantes nomes do gênero e da música brasileira.

A data é celebrada a cada 23 de abril. A novidade em 2016 é que haverá duas festas: uma, a oficial, promovida pela Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Emem), cujos corredores, tendo professores e alunos em várias formações, foram berço de diversos grupamentos. A segunda festa acontecerá na nova praça de alimentação do São Luís Shopping. Nesta, os músicos abriram mão de seus cachês, em favor do livro Chorografia do Maranhão, a ser lançado em breve. Ambos os acontecimentos são gratuitos e abertos ao público.

“Parte dos recursos para fazer o livro estão garantidos por edital da Fapema [a Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Científico do Maranhão], outra parte foi arrecadada através de campanha de financiamento coletivo na internet, mais um pedaço está vindo da solidariedade dos músicos que se apresentarão no São Luís Shopping e há, ainda, promessas de empresas privadas. Ficamos muito felizes com a iniciativa do shopping e o gesto dos músicos. De pedacinho em pedacinho, a gente vai conseguindo contar estes importantes capítulos da história do choro e da música do Maranhão”, comenta Ricarte Almeida Santos, autor do livro, com este que vos perturba e o fotógrafo Rivanio Almeida Santos.

A programação da Emem acontece dia 22 (sexta-feira), às 18h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). Como em anos anteriores, a iniciativa homenageará um chorão local. Este ano será o bandolinista e cavaquinhista Roquinho, que curiosamente não está entre os 52 entrevistados pela Chorografia do Maranhão: o músico simplesmente negou-se a atender todos os insistentes pedidos de entrevista dos chororrepórteres – o que não lhe diminui o brilho, o talento e a importância para a cena choro local. O convite anuncia a “participação de instrumentistas, grupos de choro da cidade e artistas convidados”, destacando os grupos Instrumental Pixinguinha, Regional Tira-Teima, Chorando Callado e Os Cinco Companheiros.

No São Luís Shopping a comemoração acontece sábado (23), em dois turnos. A “Jornada Chorística do Maranhão”, como foi batizado o evento, terá o primeiro tempo ao meio dia, com Trio Feitiço da Ilha e Chico Nô, Suellen Almeida (flauta), Regional Deu Branco, Urubu Malandro e Instrumental Pixinguinha. O segundo tempo, que começa às 18h, contará com Os Cinco Companheiros, Quinteto Bom Tom e Anna Cláudia, Regional Camisa de Bolso, Trítono Trio, Danuzio Lima (flauta) e Regional Tira-Teima.

Do quintal ao municipal, como no título do livro de Henrique Cazes, e agora à praça de alimentação, o choro se renova e conquista novos espaços e público. Vida longa, com as bênçãos de São Pixinguinha.

Confira o encontro do Instrumental Pixinguinha com o Regional Tira-Teima em Cochichando [Pixinguinha/ João de Barro/ Alberto Ribeiro], durante a 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes em 2013.

Joãozinho Ribeiro encerra temporada na Feira da Tralha

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Apresentação do compositor marca encerramento da temporada Milhões de Uns, de lançamento do cd homônimo

Joãozinho Ribeiro durante apresentação da temporada Milhões de Uns. Foto: Ton Bezerra
Joãozinho Ribeiro durante apresentação da temporada Milhões de Uns. Foto: Ton Bezerra

 

O compositor Joãozinho Ribeiro encerra a temporada Milhões de Uns, de lançamento de seu disco de estreia, homônimo, com show amanhã (27), às 19h30min, na Praça dos Catraieiros (Praia Grande). A apresentação integra a programação cultural da Feira da Tralha, evento organizado pelos Sebos Nas Canelas e Educare. A entrada é franca.

A ocupação cultural da praça ao lado da Casa do Maranhão tem como objetivos, segundo seus organizadores, contribuir para a revitalização da Praia Grande, prolongar a vida útil de uma série de objetos, gerar trabalho e renda para trabalhadores do segmento da economia criativa, além do comércio em si, de cds, dvds, vinis, livros usados, objetos de antiquário, artesanato, artigos de coleções, instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos, entre outros.

A Feira da Tralha acontece todas as quintas e sextas, das 16h às 21h. As sextas, conta com a apresentação do Regional Deu Branco, um dos mais jovens grupamentos de choro de São Luís, formado por Bernardino Júnior (bandolim), Cleiton Canhoto (violão sete cordas), Dudu Lima (cavaquinho solo), Erivan Nery (flauta), Jamil Cartágenes (cavaquinho centro) e Valderson de Abreu (percussão).

Nesta sexta (27), o grupo abrirá o show Milhões de Uns, de Joãozinho Ribeiro, com a participação especial do duo Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões). Ele e os convidados serão acompanhados por Arlindo Carvalho (percussão), Arlindo Pipiu (contrabaixo), Danilo Santos (saxofone e flauta), Hugo Carafunim (trompete e flugel), Luiz Jr. (violão sete cordas), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Wanderson (percussão).

“É um prazer e um luxo poder contar com a participação do Criolina. Alê Muniz é um parceiro de longa data, e ao lado da Luciana forma um dos maiores acontecimentos da música produzida no Maranhão recentemente. Interessante também é poder contar com a presença da rapaziada do Deu Branco, valorosos garotos levando adiante o estandarte do choro”, afirmou o compositor.

Ele antecipa um balanço de 2015 e alguns projetos para 2016. “Este ano busquei conciliar a agenda de trabalho profissional com a profissão de fé da criação artística, dedicando-o a diversas apresentações, em vários palcos da cidade, ao lançamento do cd, registro que já era bastante cobrado por amigos e admiradores de nosso trabalho. Para ano que vem pretendo trabalhar no lançamento do segundo volume, além de lançar um segundo livro”, afirmou Joãozinho, que é funcionário público federal e professor universitário.

Autor de mais de 100 músicas, Joãozinho Ribeiro é um dos compositores mais gravados do Maranhão, tendo o nome em discos de artistas como Alê Muniz, Anna Cláudia, Célia Maria, Glad, Josias Sobrinho, Lena Machado e Rosa Reis. Em 2006 publicou Paisagem feita de tempo, livro-poema escrito em 1985. Milhões de Uns – vol. 1 é seu primeiro disco. Gravado ao vivo em duas noites no Teatro Arthur Azevedo, conta com as participações especiais de Alê Muniz, Célia Maria, Chico César, Chico Saldanha, Lena Machado, Milla Camões e Zeca Baleiro. Para o volume, Elba Ramalho gravou Asas da paixão em estúdio.