Estreia solo de Silvério Pontes atesta sua grande qualidade como compositor

Reencontros. Capa. Reprodução
Reencontros. Capa. Reprodução

 

O trompetista Silvério Pontes é nome por demais conhecido no cenário da música instrumental brasileira, particularmente no universo do choro. Já se vão mais de 30 anos que seu nome é imediatamente ligado ao de Zé da Velha, trombonista com que integra o duo que é conhecido pela honrosa alcunha de “a menor big band do mundo”.

Além da longeva parceria, seu trompete e flugelhorn já apareceram também em fichas técnicas de discos e shows de nomes como Beth Carvalho, Cidade Negra, Dona Ivone Lara, Ed Motta, Luiz Melodia, Mário Sève, Pedro Miranda, Tim Maia e Yamandú Costa, para citar apenas alguns.

Silvério Pontes já declarou ter como uma de suas referências Chet Baker, nome fundamental de seu instrumento e do jazz. Reencontro [2016] soa exatamente como se o norte-americano encontrasse os ritmos do Brasil, sobretudo quando o brasileiro faz uso da surdina.

Mas enganam-se os que pensam em encontrar longas improvisações ou o desfile do virtuosismo de Silvério Pontes, que assina todo o repertório, mostrando-se competente em mais esta vertente – a de instrumentista já estava mais que provada, em discos como os dos artistas citados e na parceria consolidada com Zé da Velha, a quem dedica Tema pro Zé da Velha, em parceria com o trombonista Fabiano Segalote. O instrumentista é generoso e há espaço para que todos os músicos, a serviço do conjunto, apareçam, sem transformar qualquer faixa em guerra de egos ou coisa que o valha.

Estão lá, entre outros, Alessandro Cardozo (cavaquinho em Hoje tem marmelada), Bebê Kramer (sanfona em De Niterói à Vacaria, parceria com Kramer), Dudu Oliveira (flauta e flautim), Guto Wirtti (contrabaixo), João Rebouças (piano em Suntuosa, parceria com Leandro Saramago), Marcelo Caldi (sanfona em Piazzolla no choro, parceria com Caldi), Rogério Caetano (violão sete cordas em Polca da praia, que abre o disco, e As três meninas, ambas em parceria com Saramago) e Zé da Velha (trombone em Polca da praia) – ele e Guinga endossam o disco, em textos na embalagem.

Há faixas acentuadamente jazzy, como Amor eterno, que ele dedica a Deus. Mas Reencontro é uma lufada de brasilidade, mesmo em momentos em que ele brinca, por exemplo, com o tango argentino, caso de Piazzolla no choro, que evoca o Libertango do homenageado.

A faixa-título é delicioso bolero. Hoje tem marmelada é uma homenagem ao saudoso Palhaço Carequinha, cujos discos até hoje fazem sucesso entre a criançada (mas não só) e cuja bandinha era liderada por ninguém menos que Altamiro Carrilho, isto é, música infantil de forte acento chorístico.

Verão majestoso fecha Reencontro unindo as pontas. Silvério Pontes confessa a influência de outros trompetistas. “Não só pelo som, mas por sua história de vida, Louis Armstrong com a música de New Orleans ganha destaque. Essa música, composta sob o tapete do verão carioca, é inspiração desta influência americana”, encerra o trompetista em texto no encarte.

Barulhinho Bom: palco de reencontros

Os músicos durante a turnê pelos CCBNBs

O guitarrista Chiquinho França esteve recentemente representando o Maranhão no VIII Festival da Música Instrumental, realizado nos Centros Culturais do Banco do Nordeste em Fortaleza e Juazeiro do Norte, no Ceará, e Sousa, na Paraíba.

Nas ocasiões, o músico tocou acompanhado de Luiz Jr. (violão) e Carlos Pial (percussão), este atualmente radicado em Brasília/DF.

O público ludovicense, que, se muito, só ficou sabendo das apresentações pelos jornais e redes sociais, terá a oportunidade de conferir uma única apresentação do trio, amanhã (16), às 21h, no Barulhinho Bom (Lagoa).

Sob o sugestivo título de Reencontro, o espetáculo terá, no repertório, clássicos do choro e da música brasileira e mundial, de compositores como Armandinho, Ernesto Nazareth, Vitorio Monte e Waldir Azevedo, para citar alguns.

Reencontro terá ainda participações especiais de Aquiles Andrade e Milla Camões. Os ingressos custam R$ 15,00 e podem ser adquiridos no local.

OUTRO REENCONTRO – Outro reencontro musical que acontece no palco do Barulhinho Bom é o do cantor e compositor Djalma Lúcio (que assina os desenhos deste e-flyer) com o DJ Franklin. Eles já tocaram juntos em 2010.

No show, que acontece sexta-feira (17), às 21h, Djalma Lúcio passeia pelo repertório de seu EP solo Conforme prometi no réveillon, mostra músicas inéditas e alguns covers afetivos, acompanhado de Rodrigo Smith (guitarra), Sandoval Filho (baixo) e Thierry Castelli (bateria).

DJ Franklin tira exclusivamente de vinis  samba, reggae, hip hop, drum’n bassmanguebeat e house: é a Radiola Muderna, que conquista mais e mais apreciadores a cada giro do vinil n’agulha. Os ingressos também custam R$ 15,00, à venda no local.