Para analfabetos políticos e cinéfilos em geral

Num clássico poema de sua lavra, o alemão Bertolt Brecht cravava: “o pior analfabeto é o analfabeto político”. Arrisco dizer, décadas depois: o pior analfabeto político é o que pede a volta da ditadura militar, tendo ou não passado pelo regime de trevas que subjugou o Brasil entre 1964 e 85.

A este tipo de analfabeto, literalmente jogando luz sobre o período, o Cine Praia Grande oferece, a partir deste domingo (27), a mostra Golpe nunca mais, fruto de parceria do cinema com a Cantaria Filmes, Petrini Filmes e Cineclub Amarcord. A partir de domingo, sempre às 18h, com entrada franca, quatro filmes sobre o citado período.

De resto, segue a programação normal da sala de cinema do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande), com Malala [EUA, documentário, classificação indicativa: 10 anos, 88 minutos, direção: David Guggenheim], sessões às 15h e 16h30, e Chico – artista brasileiro [Brasil, documentário, classificação indicativa: 10 anos, 115 minutos, direção: Miguel Faria Jr.], sessões às 20h (exceto terça-feira). Os ingressos custam R$ 14,00 (meia para casos previstos em lei). Às segundas-feiras, meia para todos. Alunos de cursos do CCOCf pagam R$ 5,00.

Útil para analfabetos políticos, Golpe nunca mais é aberta a qualquer apreciador/a de cinema nacional de qualidade que queira ver ou rever os títulos da mostra, de graça.

Mostra Golpe nunca mais – Programação

Domingo, 27

Batismo de sangue [de Helvécio Ratton. Brasil, drama, 2006, 110 minutos] São Paulo, fim dos anos 60. O convento dos frades dominicanos torna-se uma trincheira de resistência à ditadura militar que governa o Brasil. Movidos por ideais cristãos, os freis Tito (Caio Blat), Betto (Daniel de Oliveira), Oswaldo (Ângelo Antônio), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves) passam a apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional (ALN), comandado por Carlos Marighella (Marku Ribas). Eles logo passam a ser vigiados pela polícia e posteriormente são presos, passando por terríveis torturas.

Segunda, 28

Cabra marcado para morrer. Cartaz. Reprodução
Cabra marcado para morrer. Cartaz. Reprodução

Cabra marcado para morrer [de Eduardo Coutinho. Brasil, documentário, 1984, 119 minutos. Narração: Ferreira Gullar] Início da década de 1960. Um líder camponês, João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. 17 anos depois, o diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus 10 filhos, espalhados pela onda de repressão que seguiu ao episódio do assassinato. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.

Terça, 29

O que é isso, companheiro? Cartaz. Reprodução
O que é isso, companheiro? Capa. Reprodução

O que é isso, companheiro? [de Bruno Barreto. Brasil/EUA, drama, 1997, 110 minutos] O jornalista Fernando (Pedro Cardoso) e seu amigo César (Selton Mello) abraçam a luta armada contra a ditadura militar no final da década de 1960. Os dois se alistam num grupo guerrilheiro de esquerda. Em uma das ações do grupo militante, César é ferido e capturado pelos militares. Fernando então planeja o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick (Alan Arkin), para negociar a liberdade de César e de outros companheiros presos.

Quarta, 30

Retratos de identificação [de Anita Leandro. Brasil, documentário, 2014, 71 minutos] Na época da ditadura militar, os presos políticos eram fotografados em diferentes situações: desde investigações e prisões até em torturas, exames de corpo de delito e necropsias. Hoje, dois sobreviventes à tortura veem, pela primeira vez, as fotografias relativas às suas prisões. Antônio Roberto Espinosa, o então comandante da organização VAR-Palmares, testemunha sobre o assassinato de Chael Schreier, com quem conviveu na prisão. Já Reinaldo Guarany, do grupo tático armado ALN, relembra sua saída do país em 1971, em troca da vida do embaixador suíço Giovanni Bucher. Ele conta como foi sua vida no exílio e fala sobre o suicídio de Maria Auxiliadora Lara Barcellos, com quem vivia em Berlim. Com essas revelações e testemunhos, segredos de um passado obscuro do país voltam à tona.

Cinemulher

De hoje (3) até a próxima quarta-feira (9), o Cine Praia Grande promove a segunda edição da mostra Cinema por Elas. Em alusão ao Dia Internacional da Mulher (8), uma semana inteira com filmes realizados por mulheres. Sessões sempre às 18h e ingressos a preços promocionais: R$ 5,00 para todos/as.

Fora da mostra, segue também a programação ordinária, com O abraço da serpente (sessões às 16h) e Chico – Artista brasileiro (sessões às 20h, exceto segunda e terça).

Confira a programação da mostra Cinema por Elas.

Hoje (3)

O piano. [Nova Zelândia, Austrália, França, 122 min, 16 anos. Drama. De Jane Campion. Elenco: Holly Hunter, Sam Neil, Harvey Keitel, Anna Paquin]. Em meados do século XIX, Ada é uma mulher muda que tem uma filha – Flora. Para um casamento arranjado ela deixa sua terra natal, a Escócia, acompanhada de sua filha e seu amado piano. A vida nas florestas densas de uma ilha ao sul da Nova Zelândia e o relacionamento com seu marido Stewart não são o que ela esperava. Quando ele vende o piano para seu vizinho, George, Ada sofre muito. George diz que pode lhe devolver o piano se ela o ensinar a tocar. A princípio Ada ignora George, mas lentamente o relacionamento deles se transforma, levando-os a uma situação perigosa.

Amanhã (4)

Maria Antonieta. [França, Eua, Japão, 123 min, 12 anos. Drama. De Sofia Coppola. Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Rip Torn]. A princesa austríaca Maria Antonieta (Kirsten Dunst) é enviada ainda adolescente à França para se casar com o príncipe Luís XVI (Jason Schwartzman), como parte de um acordo entre os países. Na corte de Versalles ela é envolvida em rígidas regras de etiqueta, ferrenhas disputas familiares e fofocas insuportáveis, mundo em que nunca se sentiu confortável. Praticamente exilada, decide criar um universo à parte dentro daquela corte, no qual pode se divertir e aproveitar sua juventude. Só que, fora das paredes do palácio, a revolução não pode mais esperar para explodir.

Sábado (5)

Coco antes de Chanel. [França, 110 min, 14 anos. Drama biográfico. De Anne Fontaine. Elenco: Audrey Tautou, Marie Gillain, Alessandro Nivola]. Quando criança, Gabrielle (Audrey Tautou) é deixada, junto com a irmã Adrienne (Marie Gillain), em um orfanato. Ao crescer ela divide seu tempo como cantora de cabaré e costureira, fazendo bainha nos fundos da alfaiataria de uma pequena cidade. Até que ela recebe o apoio de Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que passa a ser seu protetor. Recusando-se a ser a esposa de alguém, até mesmo de seu amado Arthur Capel (Alessandro Nivola), ela revoluciona a moda ao passar a se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época.

Domingo (6)

Cléo das 5 às 7. [França, 90 min, 12 anos. Drama. De Agnès Varda. Elenco: Corinne Marchand, Antoine Bourseiller]. Cléo (Corinne Marchand) é uma cantora francesa que vive um momento de angústia, enquanto espera o resultado de um exame. O teste pode apontar se ela tem ou não um câncer de estômago. Sem saber o que fazer, Cléo perambula pela cidade de Paris. Ela passa uma hora e meia fazendo coisas banais, à procura de distração, até que conhece um soldado que está prestes a ir para a guerra na Argélia.

Go Fish. Capa. Reprodução
Go Fish. Capa. Reprodução

Segunda (7)

Go Fish: o par perfeito. [Estados Unidos, 90 min, 14 anos. Romance. De Rose Troche. Elenco: Guinevere Turner, V. S. Brodie]. Max (Guinevere Turner) é uma linda jovem lésbica que está tendo dificuldades para encontrar um amor. Um amigo a apresenta a Ely (V. S. Brodie). Max gosta de Ely, mas ela é deselegante, caseira e mais velha, não tendo muito em comum.

Frida. Capa. Reprodução
Frida. Capa. Reprodução

Terça (8)

Frida. [Estados Unidos, Canadá, México, 120 min, 14 anos. Drama Biográfico. De Julie Taymor. Elenco: Salma Haiek, Alfred Molina, Geoffrey Rush]. Frida Kahlo (Salma Hayek) foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ele teve um agitado casamento aberto com Diego Rivera (Alfred Molina), seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky (Geoffrey Rush), além de várias outras mulheres.

Quarta (9)

Baise-moi. [França, 80 min, 18 anos. Drama Erótico. De Virginie Despentes. Elenco: Raffaela Anderson, Karen Bach]. Manu e Nadine são duas jovens mulheres, que após passarem por situações traumáticas, são marginalizadas pela sociedade ao embarcarem em uma jornada destrutiva de sexo e violência. Quebrando normas e matando homens, elas provocam controversas cenas pela estrada da França.

Bem-vind@s ao século XXY!

Começa hoje no Cine Praia Grande a II Mostra de Cinema Trans; veja programação completa e leia entrevista exclusiva com a ativista transfeminista Hailey Kaas

XXY. Capa. Reprodução

 

A literatura e o cinema argentinos não poupam suas personagens. Tudo é cru, quase cruel – mas antes de tudo, verdadeiro. Em XXY [2007, Argentina/França/Espanha, drama, 90 min., direção: Lucia Puenzo], Alex enfrenta o drama de ter nascido com características de ambos os sexos e a consequente – pois naturalizada, infelizmente – vontade de parte da sociedade e de sua própria família mudá-la/o – e grafo ambos os gêneros para falar da escolha que ela/e (não necessariamente) terá que fazer, sem querer soar spoiler.

O cinema argentino não poupa sequer a própria Argentina: os pais de Alex (Inês Efron), de 15 anos, mudam-se para o Uruguai tentando fugir da arrogância de gente que acha que sabe de tudo – como dizem as personagens –, para os quais a/o menina/o seria uma aberração que deve ser corrigida a qualquer custo. Caso do cirurgião Ramiro (Germán Palacios), durante cuja visita à família se desenrola este comovente drama.

Durante a visita, Alex e Alvaro (Martín Piroyansky), 16, este, filho do cirurgião, sentem-se ambiguamente atraídos. São momentos de descobertas e revelações cruas e, talvez por isso mesmo, poéticas. O pai de Alex, o biólogo Kraken, interpretado por Ricardo Darin, merecidamente um dos melhores e mais conhecidos atores argentinos em todos os tempos, até então desconhecia as reais intenções de seus visitantes, chegados a convite de sua esposa (Suli, interpretada por Valeria Bertuccelli), o que tornará mais forte a ligação entre pai e filha/o, na altura em que a vida lhes dá novas lentes para enxergar o que é “normal”.

O filme é baseado em um conto de Sergio Bizzio, que assina o roteiro com a diretora, filha de Luis Puenzo, cujo A história oficial, de 1985, foi o primeiro filme latino-americano a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro – curiosamente, o segundo (e são os únicos até aqui) seria o também argentino O segredo de seus olhos (2010), de Juan José Campanella.

XXY integra a programação da II Mostra de Cinema Trans, organizada pelo Fórum de Mulheres Maranhenses, que será aberta hoje (22), às 19h, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Os ingressos, a preços promocionais, custam R$ 5,00, à venda no local, e a atividade integra o mês da Campanha Internacional pela Despatologização das Pessoas Trans. A programação acontece até sábado (24, veja completa ao final do post).

O blogue conversou com exclusividade com a ativista transfeminista Hailey Kaas. Após a sessão inaugural da mostra, ela participa de debate com a ativista trans Andressa Sheron. Além da exibição do filme Teste da vida real, a noite contará ainda com performance de Andrezza Maranhão.

Hailey Kaas, que também é tradutora, está em São Luís desde a tarde de ontem (22), quando participou de reunião do Fórum Maranhense de Mulheres. Indaguei-lhe o porquê de ela sempre grafar um asterisco após usar a palavra trans e tive este link recomendado. Leia a conversa.

A ativista trans Hailey Kaas, em foto de seu perfil no facebook
A ativista trans Hailey Kaas, em foto de seu perfil no facebook

 

ENTREVISTA: HAYLEY KAAS

O que é transfeminismo?
Resumidamente, transfeminismo é uma corrente feminista orientada para as questões das pessoas trans*. Ele nasce da necessidade das pessoas trans* para se organizar em torno de pautas feministas, assim como para demandar inclusão e participação e no feminismo mainstream que historicamente só representou e representa um único tipo de mulher considerado universal, a mulher branca, heterossexual, magro, de classe média, cisgênera. Percebemos que havia necessidade de nos organizarmos em uma corrente separada que desse conta de discutir nossas questões específicas ao mesmo tempo que seríamos aliadas das pautas hegemônicas do feminismo, que, inclusive, ressoam muito com as nossas próprias, como direito ao próprio corpo, igualdade de gênero, combate ao machismo e ao binarismo de gênero etc.

O conceito é recente e você uma das primeiras teóricas do assunto. Isso torna tudo mais difícil?
É difícil na medida em que você se vê sozinha lutando contra uma grande resistência dentro e fora da academia e dos espaços militantes que acreditam que o transfeminismo é desnecessário ou separatista. Além disso, é sempre mais difícil falar de algo que ninguém nunca ouviu falar e que consequentemente não consegue perceber ou entender como necessário.

O que é mais difícil: lutar contra o machismo generalizado ou contra a transfobia partindo de feministas?
Eu poderia dizer que é igualmente difícil lutar contra o machismo dentro da esquerda, por exemplo. Temos uma tendência a pensar os movimentos sociais e a esquerda como isentas de homofobia, bifobia, lesbofobia, transfobia, machismo, racismo etc., quando na realidade, como parte da sociedade, também somos influenciados ideologicamente para todos esses comportamentos e pensamentos preconceituosos. Parte da esquerda se acha eticamente infalível e impassível de reproduzir preconceitos. O mesmo vale para certos setores do feminismo que são não somente transfóbicos, mas também racistas, homofóbicos, bifóbicos, lesbofóbicos etc. O problema está em não discutirmos isso achando que o “inimigo” está só “lá fora”, na bancada evangélica, por exemplo. Na realidade, quando discutimos e problematizamos esse tipo de coisa na esquerda só temos a ganhar e a aperfeiçoar a forma como militamos e como compreendemos os outros. Por outro lado, estar em espaços teoricamente seguros e da militância onde eu sei que serei hostilizada simplesmente por ser trans* por algumas feministas é de fato bastante desempoderador.

Em que medida o “cross-dressing” da cartunista Laerte contribui com a luta trans no Brasil? O que você acha da postura dela?
Acho que Laerte não pode ser regra e nem exemplo, afinal ela parte de uma posição que de longe não é o padrão da população trans*: branca e classe média. Por outro lado, sempre ganhamos quando temos representações de pessoas trans* que são mais críticas em relação às questões de gênero na mídia. Laerte tem mais bagagem feminista e de gênero porque também tem fortalecimento e estrutura econômica para tal. Isso não é errado ou uma crítica, apenas uma constatação de que a situação corrente das pessoas trans* é bem diferente da de Laerte.

O escritor João Paulo Cuenca em artigo na Folha de S. Paulo defende o “outing” de usuários de drogas e compara: “Ativistas costumam justificar a evasão da privacidade alheia por combater a hipocrisia num mundo onde gays são alvo de preconceito e violência”. Na sua opinião, pessoas famosas, sobretudo artistas e políticos, declarando publicamente sua orientação sexual ajudaria a combater o preconceito? Você concorda com o escritor neste aspecto?
Acho representatividade importante. Para as minorias marginalizadas é muito fortalecedor ver que existem pessoas como você lá fora, ganhando a vida sem estar nos empregos precarizados que a sociedade nos reserva. Por outro lado, representatividade não deve e nem pode ser o objetivo da militância, afinal temos uma presidenta e pouco se avançou nas questões feministas nesses últimos anos; ao contrário, há enormes retrocessos com a anuência do governo, inclusive.

A Lei Maria da Penha é um avanço na proteção à mulher, mas muitas vezes, mulheres sequer conseguem registrar queixas em delegacias, por conta do péssimo atendimento e da revitimização – em casos de estupro, por exemplo, é comum, infelizmente, a culpabilização da vítima. Em que medida essa legislação específica é importante no combate à transfobia e ao feminicídio?
As legislações são importantes, a meu ver, mais ou menos como a questão da representatividade: são importantes como marcos, como elemento de fortalecimento, de reconhecimento, mas são inócuas sem uma estrutura por trás e sem trabalho de base nas escolas e nos espaços de formação dos sujeitos. O machismo não é uma doença que acomete o sujeito, mas sim um projeto social ensinado às pessoas em todos os espaços de convivência e de formação.

Qual a sua opinião sobre a recente fusão dos ministérios de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Mulheres em uma única pasta no âmbito do governo federal?
Sem dúvida alguma um retrocesso, fruto de um governo traidor de classe que governa com o capital. Os bancos continuam lucrando com recordes trimestrais e, no entanto, as medidas que atacam os trabalhadores e a austeridade vieram com força no primeiro ano do governo que havia prometido exatamente o contrário. Acredito que isso só vem provar que, de fato, não se pode ter um governo conciliador de classes porque no fim somente a classe dominante rica é privilegiada. Sou socialista e bastante crítica ao atual governo Dilma e aos movimentos que a defendem. Não podemos continuar a defender uma militância LGBT, feminista, antirracista ou o que quer que seja, senão por uma perspectiva socialista, uma vez que, dentro do capitalismo, estaramos sempre sujeitos a sermos “rifados” em prol do “bem maior”: o capital e seus mantenedores.

Outubro é o mês da Campanha Internacional pela Despatologização das Pessoas Trans. Em que consiste a campanha? Poderia falar um pouco sobre ela?
A campanha existe faz alguns anos e veio para divulgar o assunto e combater a patologização das identidades trans* materializada principalmente pela revisão do DSM que estava prevista para 2012. O DSM é um documento da Associação de Psiquiatria Americana (APA), que classifica e patologiza os comportamentos, incluindo a transexualidade. Esse documento tem uma força regulatória quase sempre soberana sobre as políticas de atendimento à saúde de pessoas trans*.

Você participa da Mostra de Cinema Trans em São Luís. Após a sessão de abertura, com a exibição de Teste da Vida Real, você debate o filme. Poderia falar um pouco sobre ele?
O filme é muito importante para ilustrar o impacto da patologização sobre nossas vidas. Ele traz uma abordagem bastante empírica de como os estereótipos trans* e o estigma que recaem sobre nós atrapalham nossas vidas, nos desumanizam e previnem nosso acesso aos espaços e principalmente ao sistema de saúde. Também mostra como os profissionais psi desconhecem completamente a questão da transexualidade e se guiam por estereótipos pré-estabelecidos sobre o que é ser homem ou mulher socialmente.

Programação

Hoje (22)
19h: Exibição do documentário Teste da vida real, de Florencia P. Marano | Performance de Andrezza Maranhão | Debate com Hailey Kaas (ativista e teórica transfeminista) e Andressa Sheron (ativista trans)

Sexta (23)

9h: Minha vida em cor de rosa (exibição para alunos de escolas públicas), de Alain Berliner
14h: Minha vida em cor de rosa

18h30: XXY, de Lucia Puenzo

20h: Hedwig – rock, amor e traição, de John Cameron Mitchell

Sábado (24)

18h30: Meninos não choram, de Kimberly Peirce

20h: Para Wong Foo, obrigada por tudo! Julie Newmar, de Beeban Kidron

Laborarte comemora 43 anos com vasta programação

Trupe do Laborarte em foto de data e autoria não identificadas. Da esquerda para a direita: Claudio Ribeiro, Zeca Baleiro, Joãozinho Ribeiro e Jorge "Cara de Borracha"; abaixo: Jorge do Rosário, Rosa Reis, Paulinho Oliveira e Saci Teleleu
Trupe do Laborarte em foto de data e autoria não identificadas. Da esquerda para a direita: Claudio Ribeiro, Zeca Baleiro, Joãozinho Ribeiro e Jorge “Cara de Borracha”; abaixo: Jorge do Rosário, Rosa Reis, Paulinho Oliveira e Saci Teleleu

 

Diversos movimentos convergiram para o nascente Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão, o Laborarte, fundado em 11 de outubro de 1972. Música, teatro, artes plásticas, fotografia, cultura popular: para tudo havia espaço em seus departamentos, ocupados por nomes que fariam história neste estado, como Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Sérgio Habibe, Murilo Santos, Wilson Martins, Regina Telles, Tácito Borralho, Rosa Reis, Nelson Brito, Mestre Patinho, Dona Teté e Joãozinho Ribeiro, entre outros, em diferentes épocas.

O Labô, como é comumente chamado pelos mais íntimos, completa 43 anos domingo (11) e preparou vasta programação, inteiramente gratuita, para comemorar. Ano que vem, o casarão 42 da Rua Jansen Müller (Centro) será enredo da Escola de Samba Flor do Samba no carnaval.

Ao longo da programação (veja completa ao final do post), uma videoinstalação apresentará documentários, espetáculos e outros acervos históricos do Laborarte, acumulados ao longo de mais de quatro décadas de atividades ininterruptas.

Entre as montagens iniciais merecem destaque Espectrofúria [1972], recentemente reencenada, sobre texto de Eduardo Lucena, que recebeu o prêmio de Melhor Plasticidade no Festival Nacional de Teatro Jovem em Niterói/RJ, Os Sete Encontros do Aventureiro Corre-Terra ou O Cavaleiro do Destino, de Josias Sobrinho e Tácito Borralho [prêmio Mambembe de 1978], Agonia do Homem [1972], poemas de Nauro Machado adaptados por Otto Prado, Mártir do Calvário [1973], em que Ubiratan Teixeira interpretou Pilatos, e Marémemória [1974], baseado no livro-poema homônimo de José Chagas, cuja foto de Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazendo um par de violeiros encabeça este blogue.

De 30 anos de Laborarte, reportagem do último, aliás, cato informações para este texto. O do compositor-fundador foi publicado em 19 de outubro de 2002 no Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, do Jornal Pequeno, e está também na coletânea Maranhão Reportagem [Clara Editora, 2002], organizada por Félix Alberto Lima.

Entre os destaques da programação de aniversário, acontece hoje (9) a noite de autógrafos dos livros Cantigas Divinas, em que Camila Reis, com transcrições de Gustavo S. Correia e ilustrações de Layo Bulhão, transpõe para partituras, cantos entoados nos festejos do Divino e na dança do Cacuriá, e Vem cá curiar o cacuriá, de Inara Rodrigues, sobre a dança em que ambas as autoras dão – ou já deram – passos. O primeiro tem patrocínio da Fundação Cultural Palmares e Ministério da Cultura; o segundo foi premiado no Concurso Literário Cidade de São Luís.

Moda, dança e poesia dão o tom da noite de amanhã (10). A partir das 20h Tieta Macau, Deuzima Serra, Moisés Nobre e Raimunda Frazão – uma das homenageadas da 9ª. Feira do Livro de São Luís – apresentam performances nas áreas.

Na sequência, Joãozinho Ribeiro atrela à programação de aniversário do Laborarte o show que tem apresentado ao longo deste ano, lançando seu disco de estreia, Milhões de uns – vol. 1. Nesta ocasião, a apresentação terá as participações especiais de Josias Sobrinho e Rosa Reis.

“Para mim é uma honra e um prazer fazer valer o dito popular, “o bom filho à casa torna”. Minhas relações com o Labô têm tempo e história”, declarou o compositor, autor da maioria das músicas do espetáculo carnavalesco-teatral Te gruda no meu fofão. “Alegria maior ainda é poder dividir o palco com Josias Sobrinho e Rosa Reis, nomes de importância fundamental, em diferentes épocas, para o surgimento e a continuação do Laborarte nas trincheiras em prol de nossa cultura popular”, continuou. “Darei um presente ao Laborarte, o público pode esperar uma surpresa”, prometeu, deixando o mistério no ar.

A noite de sábado guarda espaço ainda para show das Afrôs e a programação se encerra no domingo de aniversário (11), com um cortejo do Cacuriá de Dona Teté na Feira do Livro (Praia Grande), às 17h30, cujo encerramento também acontece na data.

Como afirmou Cesar Teixeira em seu texto de há 13 anos, “nomes de pessoas e considerações sobre o trabalho do Laborarte não caberiam nesta página – dariam um livro”. Faça parte dessa história!

Programação

Hoje (9), a partir das 20h

Receba! – Dança, Negritude, Pertencimento, com Luana Reis
Noite de autógrafos dos livros Cantigas Divinas, de Camila Reis, e Vem Cá Curiar o Cacuriá, de Inara Rodrigues
Instalação fotográfica Chuseto, de Jesús Pérez
Videoinstalação – documentários, espetáculos e outros acervos históricos do Laborarte
Roda de Capoeira Angola com os mestres Nelsinho, Patinho e convidados
Shows de Rosa Reis e Camila Reis
Palco livre

Amanhã (10), a partir das 20h

Exibição de vídeo de Moda e intervenção Beltranesca, com Tieta Macau
Solo de dança popular com Deuzima Serra
Performance Poéticas, com Moisés Nobre, Raimunda Frazão e convidados
Show de Joãozinho Ribeiro – Lançamento do cd Milhões de uns, com participação especial de Josias Sobrinho e Rosa Reis
Cânticos aos 43 anos de Laborarte
Show das Afrôs

Domingo (11), às 17h30

Cortejo do Cacuriá de Dona Teté na 9ª. Feira do Livro de São Luís (Praia Grande)

Festival de cinema francês ganha mais uma semana em São Luís

Charlotte Gainsbourg e Omar Sy em cena de "Samba", um dos destaques da programação. Reprodução
Charlotte Gainsbourg e Omar Sy em cena de “Samba”, um dos destaques da programação. Reprodução

 

O gerente do Cine Lume (Edifício Office Tower, Renascença) já havia anunciado a possibilidade de prorrogar a programação do Festival Varilux de Cinema Francês em São Luís. A chance tornou-se realidade e a partir de hoje (18), às 14h, quem não viu, ou quer rever os filmes exibidos, ganha novas oportunidades.

Confira a seguir, a programação.

Hoje (18)
14h: Na próxima, eu acerto no coração
16h: O diário de uma camareira
17h50: Sobre amigos, amor e vinho
19h50: De cabeça erguida
22h: Hipócrates

Amanhã (19)
14h: Os olhos amarelos dos crocodilos
16h15: Hipócrates
18h10: O que as mulheres querem
20h20: Papa ou maman
22h: O preço da fama

Sábado (20)
14h: Asterix e o domínio dos deuses
15h40: Beijei uma garota
17h30: Que mal eu fiz a Deus?
19h20: Sobre amigos, amor e vinho
21h20: Na próxima, eu acerto no coração

Domingo (21)
14h: Papa ou maman
15h40: Asterix e o domínio dos deuses
17h30: De cabeça erguida
19h50: Samba
22h: Sexo, amor e terapia

Segunda (22)
14h: O preço da fama
16h05: Sexo, amor e terapia
17h45: Beijei uma garota
19h30: Gemma Bovery – a vida imita a arte
21h20: Os olhos amarelos dos crocodilos

Terça (23)
14h: O diário de uma camareira
15h50: Samba
18h05: Sobre amigos, amor e vinho
20h: Que mal eu fiz a Deus?
21h55: Hipócrates

Quarta (24)
14h: De cabeça erguida
16h15: Que mal eu fiz a Deus?
18h10: Gemma Bovery – a vida imita a arte
20h: O que as mulheres querem
22h: Samba

Fichas técnicas, sinopses e trailers, aqui. Os ingressos custam R$ 20,00 (meia entrada para os casos previstos em lei).

Este blogueiro na Feira do Livro

Começa sexta que vem (27), a 7ª. Feira do Livro de São Luís. Os poucos mas fiéis leitores deste blogue já podem ler e baixar a programação completa e escolher o que mais lhes interessa durante os 10 dias de evento. A aba #7felis, aberta aí em cima, trará novidades, matérias, links e, na medida do possível, a cobertura própria deste blogue para o maior acontecimento literário do Maranhão.

Há muita coisa bacana na programação e foi uma honra (e um prazer e uma correria e uma canseira, as dores e as delícias de que fala o poeta) integrar a equipe de curadoria que auxiliou Celso Borges, o homem-poesia, na montagem deste imenso quebra cabeça literário.

Como ele mesmo disse, em matéria que escrevi para O Imparcial, “trata-se de uma feira de retomada. Foi visível o abandono do evento em suas últimas edições”. Não há como discordar.

De outros assuntos falaremos depois. Por enquanto deixo a quem interessar possa, minha agenda na programação da 7ª. FeliS, muy bien acompanhado.

Poeta, jornalista e editor da Coyote, Ademir Assunção virá pela primeira vez à São Luís

Dia 28/9 (sábado), às 18h, no auditório da Associação Comercial do Maranhão (Praça Benedito Leite), eu medeio papo com Ademir Assunção: A farsa da big mídia e as revistas fora do centro: uma outra história.

O jornalista Xico Sá, candidato a galã da 7ª. FeliS

2 de outubro (quarta-feira), no mesmo horário, medeio prosa com Xico Sá, sobre Jornalismo, literatura e futebol, no Teatro João do Vale (Rua da Estrela, Praia Grande).

Nem preciso dizer da imensa honra e responsa em dividir os microfones com estes cabras, importantíssimos em minha formação, a quem só tenho a agradecer o carinho, a paciência e os diálogos de sempre.

Encontro lembra 10 anos do falecimento de Caldeira

Tem início hoje, às 16h, no Auditório Mário Meireles (CCH/UFMA) o encontro Pensando na fronteira: leituras cruzadas de Ribamar Caldeira, organizado por amigos, ex-alunos, admiradores, gente enfim que, de uma forma ou outra, foi por ele influenciado.

“Ele está completando 10 anos [de falecimento] e um grupo de amigos, ex-alunos, gente que gostava de Caldeira, que tiveram nele uma força propulsora, provocadora, de áreas diferentes, resolveu lembrar seu pensamento, sua influência, neste encontro. De dentro da UFMA tem gente de uns quatro ou cinco departamentos, gente de fora da UFMA e gente que não tem muito a ver com a Universidade. Ali são vários tentáculos. O encontro tenta abordar algumas das áreas por onde ele transitou, com ênfase nas Ciências Sociais, na História, Economia Regional, já que no momento da tese dele ele está muito voltado pra isso, é sobre a formação do parque fabril aqui [Origens das indústrias no sistema agroexportador maranhense (1875-1895). Estudo micro-sociológico da instalação de um parque fabril em região do nordeste brasileiro no final do século XIX, orientado pela Dra. Maria Isaura Pereira de Queiroz. USP, 1989], e a Política, que foram os primeiros escritos dele, ainda da década de 70, analisando eleições locais. O Mestrado foi em Ciência Política falando das interventorias aqui após a revolução de 30″, explica, em depoimento exclusivo a este blogue, o professor Flávio Reis (do departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA), um de seus ex-alunos, que coordena a mesa de abertura, “Ciência e provocação: lembranças de Caldeira”, cujo expositor será o professor Flávio Soares (História/UFMA).

José de Ribamar Chaves Caldeira nasceu em Pedreiras/MA em 21 de julho de 1940. “Foi um pioneiro dos estudos de Sociologia e Ciência Política no Maranhão, desenvolvendo, ao longo de décadas, trabalhos variados, enfocando problemas de nossa formação histórica. Professor sui generis, seu conhecimento vasto e diversificado, avesso às especializações estéreis, levou a um estímulo constante ao trabalho interdisciplinar, na contracorrente dos inúmeros nichos de saber que começavam a dar o tom da produção intelectual da universidade brasileira, a partir dos anos 1980”, conforme material de divulgação do encontro.

À “caldeira” sempre fervilhante de ideias que já trazia no nome, Flávio Reis chama de vulcão: “Um cara que era imbatível na conversa. Era um vulcão ambulante ali pela UFMA naquele tempo. Encontrá-lo era uma tremedeira: “éguas, Caldeira! O quê que pode vir?” Invariavelmente, se estivesse rolando uma discussão ele ia logo discordar. O papo de Caldeira era provocar o raciocínio, ainda no final do regime militar. Você tava dizendo uma coisa que parecia óbvia e ele dizia “não, isso aqui não é assim”, e dali gerava toda uma discussão. Isso, pra ele, é que era o exercício do magistério. Ao mesmo tempo ele era o cara que não tinha nada a ver com esse negócio de aula, compromisso burocrático, programação, nota. Ele era de uma irresponsabilidade absurda! Não faltava aula. Era quase o único que vivia exclusivamente para a atividade intelectual. Ao mesmo tempo o sujeito que era o protótipo do camarada que não tinha muito compromisso com a burocracia institucional tinha tudo a ver com a alma da atividade. O que orgulhava Caldeira era, além da família, a biblioteca [particular]”, lembra.

“Caldeira é um professor que exerceu o magistério de uma forma extremamente original e que teve uma influência em muita gente aqui, em gerações. Era um cara que tava no início dessa tentativa de formar um raciocínio daqui que fosse pautado nas ciências sociais tal qual ela estava se desenvolvendo principalmente por São Paulo, que era por onde ele tinha muita atração e por onde o pensamento dele muito caminhou. Ele tem uma referência forte inicial de Sociologia, Formação Econômica do Brasil, da Política. Mas conhecia também muita etnologia. Transitava por áreas. Foi uma das primeiras coisas diferenciais aqui. Imagina, início da década de 1980, encontrar um sujeito que tinha mais de cinco mil livros. Hoje até não é uma coisa de espantar, mas no final da década de 70? O encontro com Caldeira, pra muitos de nós ali na universidade, no início da década de 80, significava sair da infância, de um tipo de estudo que ainda tinha no ensino médio uma referência forte. Ele era quem jogava [o conteúdo] de uma maneira a aproximar dos autores, ele falava como se os autores estivessem próximos, e com o tempo a gente ia pegando também. Então era [os sociólogos] Florestan [Fernandes], Fernando Henrique [Cardoso], Otávio Ianni, Maria Isaura [Pereira de Queiroz], Celso Furtado. Era uma salada de doido”, continua, entusiasmado.

O professor Caldeira chegou a ocupar a cadeira nº. 8 da Academia Maranhense de Letras, cujo patrono é Gomes de Sousa, o que a muitos pode parecer uma contradição “Infamado, muitas vezes tomado pela chama que a paixão do saber é capaz de proporcionar, defendia hoje com ardor o que recusaria com veemência amanhã”, voltamos ao material de divulgação. “Foi num momento em que já não estávamos mais tão próximos. Nunca tivemos nenhum tipo de briga, mas meu tempo de maior proximidade com Caldeira foi até o início dos anos 90. De qualquer maneira nos causou uma estranheza, pois nós fomos formados ali, e um dos alvos era o tipo de reflexão sobre o Maranhão que saía de dentro da Academia”, conta Flávio Reis.

Pergunto se visionário era uma palavra que bem traduziria o saudoso professor. “Até certo ponto. Um cara como Caldeira conseguia perceber na frente uma pasmaceira como a que aconteceu na universidade. Isso ele dizia com todas as letras, que a universidade tava caminhando pra um tipo de exaltação dessa formação burocrática, e que a jogada não era essa. A jogada era, como ele dizia, viver na fronteira, misturando coisas de um lugar, de outro. Não foi esse tipo de pensamento que vigorou aí”.

Confira a programação do encontro.

PENSANDO NA FRONTEIRA: LEITURAS CRUZADAS DE RIBAMAR CALDEIRA

Auditório Mário Meireles (CCH/UFMA), 17 a 19 de junho de 2013

17, 16h: Ciência e provocação: lembranças de Caldeira
Expositor: Flávio Soares (departamento de história/ UFMA)
Coordenador: Flávio Reis (departamento de sociologia e antropologia/ UFMA)

18, 16h: Ciências Sociais e História: duas paixões
Expositores: Claudio Zannoni (departamento de sociologia e antropologia/ UFMA), Mirtes Santos Barros (departamento de artes visuais/ UFMA) e Manoel Barros Martins (departamento de história/ UFMA)
Coordenadora: Sandra Nascimento (departamento de sociologia e antropologia/ UFMA)

18, 18h: Oligarquias e sistemas políticos
Expositores: Flávio Reis (departamento de sociologia e antropologia/ UFMA) e Paulo Rios (Faculdade São Luís)
Coordenadora: Ilse Gomes (departamento de sociologia e antropologia/ UFMA)

19, 16h: Economia regional e mudança social
Expositores: Saturnino Moreira (economista, professor aposentado da UEMA) e Moacir Feitosa (departamento de economia/ UFMA)
Coordenador: Marcelo Carneiro (departamento de sociologia e antropologia/ UFMA)

19, 18h: O professor e o acadêmico
Expositores: José Ferreira (departamento de comunicação social/ UFMA) e Benedito Buzar (jornalista e historiador, presidente da Academia Maranhense de Letras)
Coordenador: José Reinaldo Ribeiro Barros Júnior (economista, IBGE)

Tati por inteiro será aberta hoje no Praia Grande

O cineasta francês Jacques Tati terá sua trajetória lembrada na mostra Tati por inteiro, que começa hoje, às 19h, no Cine Praia Grande. Abre o post trailer de As férias do sr. Hulot, filme que integra a programação. A promoção é do SESC, em parceria com a Embaixada da França e Cultures France, e as exibições têm entrada franca. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do cinema com meia hora de antecedência a cada sessão.

O filme de hoje é Carrossel da esperança (1949). A sessão tem início às 20h.

A mostra segue até sábado e inclui ainda uma palestra/diálogo (“Jacques Tati: seguindo os passos do Sr. Hulot”, com Davi Coelho e Stella Aranha, sábado, 25, às 19h) e um workshop (“Adaptações criativas para o cinema: da literatura e HQ à linguagem cinematográfica”, ministrada por Alexandre Bruno Gouveia, de 22 a 24 de maio, das 15h às 17h30min, com inscrições pelo telefone (98) 3216-3830 e/ou e-mail galeriadeartesescma@gmail.com), também gratuitos.

O blogue voltará ao assunto ao longo da semana, divulgando a programação diária de Tati por inteiro.

Programação de hoje (28) da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Cena de “Vestido de Laerte”

13hDisque Quilombola (David Reeks, Brasil, 14 min., 2012, documentário) > Vestido de Laerte (Claudia Priscilla/ Pedro Marques, Brasil, 13 min., 2012, ficção) > A Galinha que Burlou o Sistema (Quico Meirelles, Brasil, 15 min., 2012, documentário/ficção) > O Veneno Está na Mesa (Silvio Tendler, Brasil, 50 min., 2011, documentário)

15hPorcos Raivosos (Isabel Penoni/ Leonardo Sette, Brasil, 10 min., 2012, ficção) > O Cadeado (Leon Sampaio, Brasil, 12 min., 2012, ficção) > Dez Vezes Venceremos (Cristian Jure, Argentina, 75 min., 2011, documentário)

17hJuanita (Andrea Ferraz, Brasil, 8 min., 2011, documentário) > O Dia que Durou 21 Anos (Camilo Tavares, Brasil, 77 min., 2012, documentário)

19hEstruturas Metálicas (Cristián Vidal L., Chile, 47 min., 2011, documentário) > Saia se puder (Mariano Luque, Argentina, 66 min., 2012, ficção)

Para informações sobre ficha técnica, sinopse e classificação indicativa, clique sobre os títulos.

Lembrete: hoje, no intervalo entre a sessão das 17h e 19h, haverá apresentação do experimento teatral Negro Cosme em movimento, do grupo Cena Aberta.

A 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul acontece no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Toda a programação é gratuita. Recomenda-se chegar entre meia hora e 15 minutos antes das sessões para a retirada dos ingressos na bilheteria.

Semana Joãozinho Ribeiro 5

PEQUENO DANADO, SIÔ!

POR JOSIAS SOBRINHO*

Já faz um tempão que conheço o João, Batista Ribeiro Filho.

Se bem que, talvez, desde sempre…

…. me alembro bem de um dia na casa de Óder, na companhia luxuosa de Paquinha e sua viola espertíssima, num domingo de feijoada regada a garrafões de sangue de boá, como diz Bertinho, meu querido bróder, quando lhe ouvi versos inquietos querendo galgar o mundo.

E não foi de outra forma.

… ou no Corre Beirada, de tão nobre memória, onde mambembes cruzávamos
a cidade, seja lá como fosse, carregados de arte e com vontades de ver o circo
pegando fogo,

…. e, tínhamos Paulinho bicho do mato, Omar tiro de misericórdia, Zezé rabo
de vaca e tais e tantos,

…. como bendiz Mestre Vieira, que nem é rasta, mas como quem sabe arrasta:
… a pedra rolou…

Rolou pra nós nas trincheiras que ao longo dos dias fomos incrustando em
nossas carnes, cheios de esperança de ter vez e dar voz ao fado, de silenciar o
enfado.

Ora, ora…

Pois sim, pois não! Alguns companheiros de viagem vão pouco a pouco se
tornando permanentes em nossas cruzadas, como Neymar, que nem Pelé ou o
Santo Ofício, ou a Sharon Stone, pela vida se rebobinando vão. Milhões de uns
raimundosgeraldosfranciscas um dia nos chegam iluminando caminhos,
derrubando porteiras; aquém nós, nos vamos segurando, à borda, dando tempo
ao tempo de dar pé, até podermos mergulhar profundamente ao mais longínquo
profundo, por âncoras seguras, seguros de nós.

O João que conheço é um desses cabras danados de grandes, cheios de olhos
perscrutando tudo, que tudo que vêem, que tudo sentem. Que o absoluto
pressentem e apoderados das coisas que acreditam, dão sentido e são
significados por uns milhões de unsoutros. Das amálias aos capirotos.
Amealhando parcerias a torto e a direito, as trilhas dos poetas são cheias de
revolteios e, belas como pindobas aos ventos de maio numas manhãs quaisquer
de uns barros vermelhos de um dia, iluminando tudo em volta como se a
totalidade coubesse no pio de um coroca ou no dorso de uma égua resoluta
pastando na calmaria de um vasto campo à beira do Aquirí.

Cheio de planos, não somente urbanos, acima de tudo humanos, meu querido
little John, as coisas de Deus lhe acompanham.

No espetáculo da vida, tu e tua trupe de bardos e bardas, esse cangaço da
gente a volta da mesa reunido, rapaziando o pão, e o vinho!!! reclama, esse terreiro de ninguém onde seu Ninga vende uma erva na santa esquina da solidão da palavra passamento, enquanto um derradeiro trem matraca matreiro sobre minha cidade, cidadela sitiada, na beira duma praia absurdamente voltada pro mar.

*O compositor Josias Sobrinho participa do show Milhões de uns na noite de hoje (27). Veja abaixo a programação das duas noites de espetáculo, sempre com início às 21h, no Teatro Arthur Azevedo.

27

1. Cidade Minha (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João
2. Coisas que Acredito (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
3. Estrela (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
4. Tire as Mãos do Meu Pandeiro (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
5. Terreiro de Ninguém (Joãozinho Ribeiro) – Josias Sobrinho
6. Pegando Fogo (Joãozinho Ribeiro) – Rosa Reis
7. Amália (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
8. Te Gruda no Meu Fofão (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
9. Gaiola (Joãozinho Ribeiro / Escrete) – Lena Machado
10. Planos Urbanos (Joãozinho Ribeiro / Alê Muniz) – Alê Muniz
11. Coisa de Deus (Joãozinho Ribeiro / Beto Pereira) – Milla Camões
12. Passamento (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
13. Palavra (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
14. Derradeiro Trem (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
15. Milhões de Uns (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro e Coral São João
16. Tá Chegando a Hora (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João + Todos

28

1. Cidade Minha (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João
2. Coisas que Acredito (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
3. Tire as Mãos do Meu Pandeiro (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
4. Matraca Matreira (Joãozinho Ribeiro) – Chico Saldanha
5. Pegando Fogo (Joãozinho Ribeiro) – Rosa Reis
6. Amália (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
7. Te Gruda no Meu Fofão (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
8. Azulejo (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
9. Saiba Rapaz (Joãozinho Ribeiro) – Célia Maria
10. Rua Grande (Joãozinho Ribeiro / Zezé Alves) – Lena Machado
11. Samba do Capiroto (Joãozinho Ribeiro / Cesar Teixeira) – Cesar Teixeira e
Joãozinho Ribeiro
12. Esquina da Solidão (Joãozinho Ribeiro) – Cesar Teixeira
13. Erva Santa (Joãozinho Ribeiro) – Chico César
14. Saracuramirá (Joãozinho Ribeiro) – Chico César
15. Passamento (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
16. Palavra (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
17. Derradeiro Trem (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
18. Milhões de Uns (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro e Coral São João
19. Tá Chegando a Hora (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João +
Todos

Para além do cinema

A programação da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em São Luís vai além das sessões de exibição dos 40 filmes que a compõem. A abertura, domingo passado (25), contou com a apresentação do Coral do Presídio Feminino. Nesta quarta-feira (28), o grupo teatral Cena Aberta apresentará fragmentos do experimento Negro Cosme em Movimento.

Cena de “Negro Cosme em movimento”

A apresentação se dará no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), que abriga a Mostra, no intervalo entre o fim da sessão das 17h e o início da sessão das 19h e qual toda a sua programação será gratuita. No mesmo dia, na sequência, o grupo se apresenta na abertura do seminário Reinvenção da Política: Contribuições da Educação, no jardim interno da entrada principal do Centro de Ciências Humanas da UFMA.

O work in progress faz parte do projeto Caras Pretas em Movimento, cujas experimentações continuarão pelos próximos dois anos. A pesquisa aborda questões afrodescendentes, com foco nas estações da Balaiada.

“A proposta da encenação é penetrar nas camadas obscuras da história e levantar hipóteses sobre a veracidade da historiografia oficial que não dá conta do fato como todo, e muitas vezes deixa em aberto ou esconde outras possibilidades de interpretar a nossa história (do Maranhão e do Brasil) . A manipulação da memória coletiva faz parte da estratégia do poder, que mantém a opinião pública na unilateralidade da reflexão, direcionado o foco para os heróis que na verdade massacraram os ideais de liberdade e justiça de nosso povo”, afirma o ator Wagner Heineck, da Cena Aberta.

“Se eu definisse o documentário, não fazia. Por isso não o defino.”

“O desejo não acaba nunca, né? E  teu problema é desejar que você tenha saúde física e espiritual, o que é complicado, pra poder fazer mais uns anos de cinema, o que é cada vez mais complicado.

Eu imagino que daqui a pouco, se eu tiver vivo, e as coisas se passam de repente, eu vou fazer documentário num palco em cadeira de rodas, aí eu vou ter que chamar os atores, então eu me vejo terminando feliz até de poder fazer um filme nem que seja em um estúdio de teatro chamando as pessoas, e fazer um filme de conversas, mesmo que seja em cadeira de rodas. Eu espero demorar pra chegar lá, mas pelo menos estarei trabalhando.

Agora crítica, não existe isso, cada filme é um filme, não tem filme da minha vida, e vai se somando um ao outro, eu fiz o Cabra [marcado pra morrer, 1984; o filme integra a programação da Mostra] porque tinha que fazer, passei quinze anos sem fazer nada e depois fiz Santo forte [1999; idem] e pude recomeçar uma carreira que tava jogada fora. E aí cada filme é igual e diferente do outro, sempre. Eu quero apenas fazer mais filmes, enquanto puder, do jeito que eu gosto de fazer, com uma certa liberdade, não de orçamento, mas pelo menos de escolher, de decisão final sobre um filme. E daí, quando somar tudo, alguém vai dizer o que presta e o que não presta, isso fica pra história. Mas pra mim, outras experiências fazendo o mesmo filme, que não é nunca o mesmo filme.”

Eduardo Coutinho em entrevista a Alcimeire Piana e Daniele Nantes, publicada em 2005 na revista Intermídias. A entrevista está coletada no volume da coleção Encontros [Azougue, 2009] dedicado ao documentarista, homenageado da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, cuja etapa São Luís tem início hoje, às 19h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).

PROGRAMAÇÃO (DE HOJE)

19h > Sessão de abertura: O cadeado (Leon Sampaio, Brasil, 12 min., 2012, ficção) > A galinha que burlou o sistema (Quico Meirelles, Brasil, 15 min., 2012, documentário/ficção) > Menino do cinco (Marcelo Matos de Oliveira/ Wallace Nogueira, Brasil, 20 min., 2012, ficção) > A fábrica (Aly Muritiba, Brasil, 16 min., 2011, ficção). A sessão tem classificação indicativa de 12 anos.

Veja o trailer de A fábrica:

O blogue voltará a noticiar a etapa São Luís da Mostra. Todas as sessões são gratuitas e serão divulgadas aqui. Na de hoje recomenda-se chegar um pouco mais cedo: por ordem de chegada e respeitando o limite da sala (265 lugares mais três espaços reservados para cadeirantes) haverá distribuição de kits (sacola, camisa, catálogo, bloco, lápis, caneta). A sessão de abertura contará ainda com apresentação do Coral do Presídio Feminino.

Cinema e Direitos Humanos: Mostra homenageia Eduardo Coutinho

O cineasta Eduardo Coutinho é o homenageado da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, cuja etapa ludovicense acontece entre os dias 25 e 30 de novembro, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Os documentários Santo forte, Cabra marcado para morrer e O fio da memória, de Coutinho, integram a programação, completamente gratuita, que circula por todas as capitais brasileiras. Em São Luís a produção local é de Francisco Colombo. Agende-se: programação completa para a ilha.

Cinemuseu

Entre os próximos dias 16 a 20 de maio acontece simultaneamente em todo o Brasil a 10ª. Semana Nacional de Museus. Em todo o Brasil é modo de falar: só acontece, obviamente, onde tem museu. E museu, a exemplo de biblioteca, teatro e cinema, tem em pouco lugar.

Esta 10ª. edição da semana tem como tema Museus em um mundo em transformação: novos desafios, novas inspirações. Na capital maranhense tem como subtema São Luís 400 anos: História, memória e cultura.

Por aqui a programação é de responsabilidade do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Rua do Sol, 302, Centro), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão, acéfala há algum tempo, desde a saída de Bulcão, chefe da pasta. Quer dizer…

A programação completa tá aqui. Completa é modo de dizer. Francisco Colombo assina a curadoria da mostra de curtas e médias metragens maranhenses. Como pela programação disponibilizada no site do MHAM não se sabe que filmes o diretor de No fiel da balança irá exibir, este blogue avisa:

dia 18 > A solidão de Dom Quixote (direção: Vinícius Vasconcelos e Márcio Vasconcelos, 15 min.), Athenas Brasileira (direção: João Paulo Furtado, 18 min.), O destruidor de ilhas (direção: Denis Carlos, 15 min.) e Infernos (direção: Frederico Machado, 13 min.).

19 > Fronteiras de imagens (direção: Murilo Santos, 22 min.) e Aperreio (direção: Doty Luz e Humberto Capucci, 20 min.).

20 > Tambor de crioula (direção: Murilo Santos, 16 min.) e Em busca da imagem perdida (direção: Beto Matuck, 26 min.).

Toda a programação da semana é gratuita.