Quando a praça é palco e plateia todos festejam

A cantora em sua entrada triunfal, inusitada e colorida

A lua cheia já enfeitava o céu quando a cantora surgiu ao longe, sentada numa carroça, batizada de Mironga de Madá (alusão a Mironga, de Paulo César Pinheiro, e Bisavó Madalena, parceria dele com Wilson das Neves, músicas do repertório do disco de estreia). O condutor do veículo, que percorreu a lateral da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, guiava o jumento a pé. Dali ela acenava aos fãs, que aguardavam sua subida ao palco após a apresentação do Cantinho do Choro, misto de grupo e projeto que vem ocupando já há algum tempo a praça Gonçalves Dias nos fins de tarde de sábado.

Por detrás do palco, todo enfeitado e florido como a carroça, a bela paisagem da Ponte do São Francisco por sobre a maré cheia e o outro lado da capital, a São Luís vertical, a cidade nova. Um amigo me perguntou quem estava bancando a festa. A vontade de fazer música, de formar plateias, de fazer a arte circular. Em termos de patrocínio, respondi-lhe, os bolsos da cantora e do marido, que assinava a direção geral do espetáculo.

Festejos na Praça, o show, ficou no fogo cruzado entre um evento gospel realizado na praça vizinha, a Maria Aragão, e os olhares enfezados dos convidados de um casamento que teria lugar dali a pouco na Igreja defronte – talvez reclamassem da falta de vagas no estacionamento, já que o espetáculo musical em si não atrapalharia padre, noivos e convidados.

Uma plateia expressiva formou-se para ver o espetáculo. Sem um centavo de patrocínio, seja do poder público ou da iniciativa privada, penso que os objetivos foram alcançados e era possível ver a alegria estampada nos rostos dos que deixavam a praça após conferir o resultado.

A cantora já havia afirmado que o lugar de seu show é na rua, é na praça. “Eu ficava incomodada, no Teatro [Arthur Azevedo, onde lançou o disco Festejos em shows 7 e 8 de março passado], de dançar sozinha, vendo as pessoas ali sentadinhas. Eu quero ver o povo dançando junto”, declarou. E viu. E gostou. E vai repetir a dose. Outras praças serão ocupadas ao longo de 2014, antes de ela partir para a turnê nacional, que incluirá o Rio de Janeiro em que o disco foi gravado e outras capitais.

Nas próximas paradas de Festejos na Praça espera-se que o poder público dialogue melhor, entre si e com a Igreja, quando necessário: em logradouros vizinhos não deve haver competição entre eventos, nem para que um atrapalhe o outro, nem para que os frequentadores de outro achem o seu mais importante que o um. Assim se constrói a tal diversidade cultural que adoramos arrotar por aí ao salientar as belezas e vantagens de nossa terra.

O show? Crianças e senhoras se divertiram dançando em frente ao palco, Alexandra Nicolas, escoltada por uma superbanda, mesclou músicas de seu disco de estreia a experimentos, coisas que gosta de ouvir e cantar, talvez (certamente?) já testando repertório para seu próximo disco. Destaque para a participação especial da filha Monique, no trava-língua Coco (Paulo César Pinheiro).

Se você, caro leitor, cara leitora, esteve na praça sábado passado (18), não pense em abandonar a turnê da cantora pela capital: os shows só serão iguais entre si no quesito qualidade. Paisagem, repertório e emoção, cada um, cada um. Quem não esteve, fique ligado: em breve divulgaremos a rota da Mironga de Madá, que carrega em si a própria festa.

Festejos na Praça inicia temporada musical de Alexandra Nicolas em 2014

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Show gratuito na Praça Gonçalves Dias celebrará conquistas de 2013 e marcará início de turnê por palcos ludovicenses e em outras capitais brasileiras

POR ZEMA RIBEIRO

Vencedora do Prêmio Universidade FM 2013 na categoria Revelação, a cantora Alexandra Nicolas volta a se encontrar com seu público fiel no próximo dia 18 de janeiro (sábado), às 18h, no coreto da Praça Gonçalves Dias, também conhecida como Largo dos Amores, no centro da capital maranhense.

A artista apresentará o show Festejos na Praça, em que celebrará os bons momentos de 2013 – ano em que lançou seu disco de estreia, Festejos, inteiramente dedicado ao repertório de Paulo César Pinheiro – e dará início à temporada 2014, em que já estão previstos shows no Rio de Janeiro e em outras capitais brasileiras.

Festejos foi todo gravado no Rio de Janeiro, com o repertório de Paulinho e direção, arranjos e execução de grandes mestres do choro. No entanto, preferimos começar por aqui, por isso o lançamento do trabalho foi realizado em São Luís. Este ano nos dedicaremos a tornar o disco mais conhecido noutras praças, literalmente”, anuncia a cantora.

Os shows de lançamento a que ela se refere aconteceram no Teatro Arthur Azevedo, em duas apresentações, 7 e 8 de março do ano passado. Para o show do dia 18, Alexandra Nicolas mesclará ao repertório do disco, músicas que gosta de cantar. “Festejos na Praça vai ser vibrante, pra cima. O repertório está bem animado, passeia por samba, xote, forró, coco”, promete. A escolha das músicas é também um experimento: ela já está selecionando material para o próximo disco, que deve lançar em 2015. Mas sobre o assunto a cantora não dá nenhuma pista. “No fundo, eu estou sempre selecionando repertório”, afirma.

Festejos, o disco, não será tocado na íntegra e a noite terá ainda Sereia de Água Doce, de Vanessa da Mata, Xirê, de Roque Ferreira, Aguadeira e Saubára, parcerias de Roque com Paulo César Pinheiro, além de Pipira, de João do Vale (parceria com José Batista), Coco sem Azeite, de Pinduca, e Homem de Saia (Marcelo Reis e Enéas de Castro), sucesso do Trio Nordestino.

Para acompanhá-la em Festejos na Praça, Alexandra Nicolas cercou-se de um competentíssimo time de músicos: Rui Mário (sanfona e direção musical), Marcus Lussaray (violão e viola), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), Carlos Raqueth (contrabaixo), Fleming Bastos (bateria), Arlindo Carvalho (percussão), Marcos Alves (percussão), Josafá Alves (coro) e Teresa Rachel (coro). “São todos grandes músicos, me dão segurança, me deixam à vontade”, elogia.

A cantora e a banda têm vontade de, depois da estreia no coreto da Gonçalves Dias, apresentar Festejos na Praça em outros logradouros de São Luís. “Tudo vai acontecer no momento certo. Este primeiro show aberto é fruto da vontade de fazer, de comemorar, da parceria da equipe de produção e dos músicos. A depender dos frutos que colhermos, vamos ocupar outras praças”, aposta a cantora.

Sem falsa modéstia, Robertinho Chinês acredita que este show será “o melhor entardecer musical que o Maranhão já viu e ouviu”. A abertura fica por conta do Cantinho do Choro, grupo que é o tradicional ocupante do coreto. Para este sábado (18), o grupo tem a seguinte formação: Osmar do Trombone, Nonato Oliveira (pandeiro), Márcio Guimarães (cavaquinho), Carlos Reis (violão), Osmar Junior (saxofone) e Zezá Alves (flauta).

Ficha técnicaFestejos na Praça tem direção geral de Martin Messier, direção musical de Rui Mário, produção executiva de Raydenisson Sá, projeto gráfico de Raquel Noronha, fotografia de Veruska de Oliveira e Edu Aguiar, assessoria de imprensa de Zema Ribeiro, figurino de Julienne Santos e sonorização, palco e iluminação da Master Áudio e Luz.

Serviço

O quê: show Festejos na Praça.
Quem: Alexandra Nicolas e banda. Abertura: Cantinho do Choro.
Onde: coreto da Praça Gonçalves Dias.
Quando: 18 de janeiro (sábado), às 18h.
Quanto: gratuito e aberto ao público.