Lobão Filho e Zé Luis Lago faltam a debate

Candidatos do PMDB e PPL sequer mandaram justificativas para as ausências, num flagrante desrespeito à organização e ao público presente

Fotosca: Zema Ribeiro
Fotosca: Zema Ribeiro

 

As cadeiras de Edison Lobão Filho (PMDB) e Zé Luiz Lago (PPL) ficaram vazias, ontem (20) à noite, no debate promovido pela Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Nordeste 5 (CNBB), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB/MA).

Não lhes seguiram os passos o público, que lotou o espaço, para assistir ao debate entre os candidatos Saulo Arcangeli (PSTU), Professor Josivaldo (PCB), Luis Antonio Pedrosa (PSOL) e Flávio Dino (PCdoB). Os candidatos faltantes, cuja presença foi previamente confirmada pelas assessorias, sequer mandaram qualquer justificativa, demonstrando um profundo desrespeito com os movimentos sociais do Maranhão e seus militantes.

Em quatro blocos, os candidatos responderam perguntas elaboradas pela organização do evento e do público presente, sobre temas diversos: educação, saúde, segurança pública, economia, desenvolvimento, controle social e participação popular, entre outros. Pedro Gontijo, da CNBB, foi o mediador.

Saulo Arcangeli criticou o financiamento das duas maiores campanhas no estado e as alianças de Dino com candidatos ligados ao trabalho escravo. O socialista culpou ainda a oligarquia Sarney, que governa o Maranhão há 50 anos, pelos problemas enfrentados pelos trabalhadores. O comunista rebateu, pedindo respeito.

Flávio Dino se sentia à vontade: o candidato tem o apoio declarado de entidades do movimento social maranhense, fator criticado por Pedrosa: “O movimento social tem que ser autônomo para fiscalizar e cobrar a gestão. Se eu puder vou construir um palanque na porta do Palácio [dos Leões] para todo dia ter movimento lá, eu ouvir e dialogar com os movimentos”, disse.

Dino afirmou que, apesar das divergências, as candidaturas presentes estavam no mesmo campo político, da esquerda – o que despertou olhares espantados dos outros três presentes.

Professor Josivaldo teve um desempenho sofrível, embora bem humorado: comentando uma resposta de Saulo Arcangeli, tirou onda de si mesmo: “fui pedir emprego, acabei me atrapalhando com o tempo”, disse para risos dele e da plateia. O candidato do PSTU havia defendido um piso salarial de 3 mil reais para professores da rede pública, ao que o pecebista disse que “se sentiria contemplado com um governo do Saulo”.

Luis Antonio Pedrosa encerrou o debate comentando a recém-aprovada Política Nacional de Participação Social. “Para além de um decreto na esfera nacional ou estadual é preciso fazer essa política valer de verdade. Ninguém governa sozinho, então não adianta prometer se a coligação tiver gente puxando o governo para o outro lado, da falta de transparência, como o Maranhão já vem sendo governado. A mudança tem que ser completa, de verdade”, afirmou.

Na divulgação do debate de ontem à noite, a Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz reafirmou seu compromisso com o fortalecimento da democracia. Público e candidatos presentes colaboraram com o atingimento do objetivo. Dos candidatos faltantes não se pode dizer o mesmo.

Das redes sociais às portas dos palácios

No Ministério Público e Tribunal de Justiça o expediente foi uma quarta-feira de cinzas às avessas. Roseana Sarney desde cedo mandou fechar o acesso ao Palácio dos Leões

Boto na conta do PT a queima da bandeira do PSTU, ainda no início da manifestação, ontem (19), na Praça Deodoro, em São Luís. O PT, tido como um partido diferente, terminou com as esperanças de muita gente em nome da governabilidade e da aliança com Sarney. Não descobriu nem inventou a corrupção, como insistem alguns, em geral por má-fé, mas acabou com a esperança, depois que esta venceu o medo.

Por causa do PT grande parte da população já não acredita mais em partidos políticos. Mas convenhamos: queimar uma bandeira de uma agremiação partidária é um retrocesso (a ditadura militar também fez isso), seja lá de que partido for. Acreditar que não permitir bandeiras em um ato irá torná-lo apartidário – ou pior: apolítico – é ilusão (pra não dizer outra coisa): tiraram as bandeiras do PSTU, mas mantiveram os carros de som do PMDB.

Tal gesto autoritário serve tão somente à velha direita, tanto é que a principal coluna política do jornal O Estado do Maranhão, o Estado Maior (link para assinantes com senha), de hoje (20), tira onda com o episódio: “Luiz Noleto, um dos chefes do partido, não respeitou a proibição e foi para a Praça Deodoro fantasiado de PSTU, com camiseta e bandeira. Tomaram-lhe a bandeira e a queimaram, e por pouco não arrancaram-lhe a camiseta vermelha”, escreveu o colunista. Só neste trecho caberiam vários “sic” (nem vou perder tempo em comentar a blogosfera suja).

Não faltam motivos para protestar, o que, no Maranhão, justificaria um protesto por dia. O povo saiu do facebook e foi às ruas, como mais ou menos apregoava um cartaz, ontem. Foi um momento bonito de ver: o movimento provou ter corpo – as estatísticas falam de entre 10 e 20 mil pessoas nas ruas, cada propósito tem sua medida. Infelizmente faltou cabeça.

Nosso provincianismo esperou que São Paulo – e outras capitais Brasil afora, em seguida – se mexesse para que a copiássemos – nossos meios de comunicação não se fizeram de rogados e também copiaram os de lá, filtrando do protesto apenas aquilo que lhes interessava. Em um quesito foram além, mas isto já é costume pras bandas de cá: se valeram da “pressa” para justificar erros grosseiros, sobretudo na internet.

O #vempraruaslz é um movimento importante que mostra a força e utilidade que podem ter as redes sociais – embora houvesse gente ali apenas para garantir alguns registros justamente para alimentá-las. Não é um movimento de vândalos como quer fazer crer parte da mídia. Sou contra qualquer ato de vandalismo e não bato palmas para pichações no muro do La Ravardiere nem para vidraças quebradas no dos Leões, os palácios sedes dos executivos municipal e estadual, como também não acho bacana quebrar o carro do Sistema Mirante, mesmo o grupo representando e sendo o porta-voz de muitos dos motivos pelo quais se protestava ontem.

Sobram motivos para Sarney virar alvo de qualquer protesto no Maranhão

A mobilização popular é necessária. “Governo e feijão só vai na pressão”, diz o dito popular. Mas toda mobilização deve ter objetivos claros, mesmo que sejam muitos, no caso ludovicense. A de ontem, pautada principalmente na questão da mobilidade urbana na capital maranhense, incluía ainda temas como protestos contra a PEC 37 (que tira o poder de investigação do Ministério Público), o deputado racista e homofóbico Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, e seu medieval projeto de “cura gay”, e o eterno “fora Sarney”, entre muitos outros.

De acordo com informações de Márcio Jerry, secretário municipal de Comunicação, publicadas em seu perfil no tuiter, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. dispôs-se a conversar ainda ontem com lideranças do movimento, que não foram identificadas (hoje começou a circular no facebook uma lista de reivindicações endereçadas aos governos municipal, estadual e federal).

Esta desorganização, em certa medida, demonstra que o movimento não tem dono. Ou mesmo que não há um movimento único. A grande maioria era de jovens estudantes, muitos pela primeira vez em uma manifestação do tipo, o que não a torna menos legítima, como também não o fato de serem, em geral, cidadãos bem nutridos, que “de carrão chegam mais rápido à revolução”, como bem cantou o compositor cearense. Ali cabia de tudo, de quem não sabia bem o porquê de estar participando do protesto à “apartidários” filiados a partidos políticos, além, é claro, de gente que dava algum sentido à data histórica. A porção que “precisa estar atenta e forte”, como cantaram os baianos, para que uns poucos não lhe reservem o velho papel de massa de manobra, de que supostamente tentaram escapar ao queimar a bandeira do PSTU.

É bastante difícil dizer qualquer coisa sobre o que aconteceu ontem em São Luís, seja pela pluralidade da manifestação (com tudo o que isso tem de bom e ruim), seja por tudo de novo que traz em si (protagonistas, forma de mobilização etc.). Este blogue esperará e acompanhará os próximos episódios, tentando garantir uma cobertura com alguma lucidez e equilíbrio, além do apoio ao que o movimento combinar com nossa postura de esquerda, já que aqui não vendemos pseudo-imparcialidade.

Por honestidade nas eleições da “Jamaica brasileira”

Ao afirmar, em redes sociais, minha tristeza e meu descontentamento com o apoio de Fauzy Beydoun, vocalista da Tribo de Jah, ao candidato Washington Oliveira (PT), apoiado pela governadora Roseana Sarney (PMDB), de quem este é vice, acusaram-me de “patrulhamento ideológico”.

Menos, “amigos”, seguidores e quetais, menos! Cada pessoa, artista ou não, é livre para apoiar e votar em quem quiser. Eu não tentei, por exemplo, impor a Fauzy ou a quem acha “natural” o apoio dele ao candidato oficial da oligarquia, o voto em Haroldo Sabóia (PSol), a quem já declarei apoio cá neste blogue. E acho ótimo que respeitem a decisão deste blogueiro em apoiar quem quer que seja.

Cabem algumas perguntas, no entanto: o apoio de Fauzy Beydoun é ideológico? Isto é, ele realmente acredita que o candidato que apoia é o melhor para governar São Luís pelos próximos quatro anos? Ele, como artista, apenas vendeu seu trabalho ou vendeu a si mesmo? Ou seja: pela música que canta e pela aparição em programas de tevê e rádio e uso do jingle em carros de som, ele recebeu um cachê? Se sim, de quanto? Ou o artista já negocia benefícios/privilégios futuros numa eventual vitória de Washington na disputa eleitoral?

São perguntas que devem ser respondidas, a bem de um processo político-eleitoral honesto e transparente. Artistas são também formadores de opinião e com certeza influenciam o eleitorado. O saudoso mestre Antonio Vieira sempre dizia: “o artista tem que ser sincero”.

Não se questiona aqui a qualidade musical de Fauzy Beydoun, já atestada Brasil e mundo afora, por onde passa a Tribo de Jah fazendo bonito e sendo reconhecida como uma banda de qualidade made in Maranhão. O que se quer é que os artistas, ele ou qualquer outro, tenham a consciência de seu papel no mundo e, sobretudo, em processos que irão afetar diretamente a vida de seu público, de sua plateia.

Roberto Costa, o herege

O deputado Roberto Costa
O deputado Roberto Costa, gemedor-cantador
Afilhado político do senador 90% honesto João Alberto e, “tal pai, tal filho”, servo fiel da oligarquia Sarney, o deputado estadual Roberto Costa (PMDB), em Um canto-gemido por São Luís, procura vangloriar-se dos “feitos”de seu grupo político pela capital maranhense. Cai em contradição ao evocar os versos de Oração Latina, hino adotado por trabalhadores e movimentos sociais do Maranhão, de autoria de Cesar Teixeira. Uma heresia.

O discurso do deputado é raso. Tenta apenas “defender” o grupo Sarney e “atacar” o grupo Castelo e, quiçá, o ex-neo-sarneysta-agora-nem-sei-o-quê Tadeu Palácio. Inteligente, aliás, a pergunta recebida por e-mail do ator Uimar Jr.: “Um Palácio, um Castelo… o que será que vem agora?”, referindo-se ao pleito municipal vindouro. Mas tergiverso.

O texto – na falta de termo mais adequado para definir aquele amontoado de palavras sem sentido – é, segundo o deputado, sua homenagem antecipada aos 399 anos que São Luís completa quinta-feira que vem. Seu artigo é finalizado com um arrogante “tenho dito”, como se o parlamentar fosse algum dono da verdade.

Outra heresia é colocar Cesar Teixeira e José Sarney na mesma linha, entre “os nossos vultos históricos, os escritores e poetas, os compositores, cantores e outros artistas que contribuíram e emolduram a nossa Athenas Brasileira”.

Entra em contradição e blasfêmia também o Jornal Pequeno, com larga trajetória de combate ao sarneysmo – mesmo quando isso significa, por exemplo, “legitimar” (ou tentar) a gestão Castelo –, ao garantir espaço privilegiado para o peemedebista vociferar seu vazio.

Prescrições – Hino adotado, nunca imposto, Oração Latina deve ser usada em manifestações legítimas por causas idem: greves de professores, policiais e outras categorias, em acampamentos de quilombolas, indígenas e sem-terra, contra os governos Castelo, Roseana, Dilma e/ou quaisquer governos, empresas, grupos etc. que violem os direitos humanos, tenham as mãos sujas de corrupção, e não só. Enfim, bons motivos, legítimos, não faltam.

A quem malsiná-la e/ou a seu compositor, recomendamos sabão neutro (nem castelista, nem sarneysta): antes, lavem a boca e as mãos.