Por um bom debate

Os posts recentes sobre a UFMA e seu reitor geraram algum debate, cá no blogue e fora dele. Alguns comentários grosseiros e/ou anônimos foram apagados, regras da casa. As caixas estão abertas a qualquer um/a, não precisa concordar comigo nem com qualquer autor que eu publique por aqui, mas carece ser educado/a, como buscamos sempre ser, e dar a cara pra bater, como sempre fazemos.

O texto abaixo, que recebi por e-mail, poderia estar na caixa de comentários, já que é resposta a um. Dada a importância do assunto, trago-o aqui para o espaço principal do blogue, provocar o bom debate uma de suas funções.

A Maria José a que ele se refere no início é a comentarista a quem responde, não é nenhum trocadilho infame e de viés homofóbico com o nome de pia do blogueiro, como já ousaram vis jornalistas, hoje desafetos, o morto & o vivo.

E cabe lembrar: é hoje (20) a eleição para a nova diretoria do Colégio Universitário (Colun).

Senhora Maria José, bom dia!

Sou Bartolomeu Mendonça, Sociólogo e titular da disciplina Sociologia no COLUN/UFMA. Não a conheço, mas frente a sua defesa do “Dono da UFMA” sustentada em uma pretensa verdade, achei-me no direito de lhe conceder algumas informações. As quais estendo ao debate.

1. É inverídico afirmar que a gestão anterior era composta por uma Diretora da APRUMA e mesmo que o fosse não há nada que impeça e é até saudável para a instituição ter gestores afinados com as causas dos servidores, das lutas trabalhistas que historicamente demonstram que contribuem para o aperfeiçoamento doas instituições públicas.

2. Quanto à sociologia e a perseguição ao professor:

A perseguição à Sociologia e ao seu ministrante no COLUN ocorreu logo após a Gestão não Eleita tomar posse. Quando solicitei minhas cadernetas da disciplina Sociologia, que já vinha ministrando normalmente desde o início do ano, a Coordenação de Ensino Médio, também não eleita, encaminhou-me documento, muito mal escrito, diga-se, informando que deveria procurar o Coordenador de minha área (Ciências Humanas) e redistribuir minha carga horária, numa indicação de que não mais deveria continuar ministrando as aulas. Neste ínterim, o coordenador indicado do Ensino Médio divulgou aos alunos das minhas turmas que a Sociologia não era disciplina obrigatória e que, portanto, eles não tinham nenhuma obrigação de participar das minhas aulas.

Isso tudo gerou um grande mal estar e cenas de constrangimento entre mim e os alunos. Pelo que eu e o professor Luiz Alberto, Coordenador da Área de Ciências Humanas, fomos procurar a Coordenação de Ensino Médio, e o coordenador informou que era aquilo mesmo, que não tinha Sociologia no 3º. ano do Ensino Médio, pois não constava do sistema de notas do COLUN.  Nós retrucamos dizendo que ele não poderia interpretar as coisas daquela maneira, fazendo uma inversão, pois na prática desde o ano passado (2011) o professor (Bartolomeu) já ministrava regularmente a disciplina para essa série e que ao invés dele procurar inserir no sistema a disciplina preferiu perseguir o professor e usar de subterfúgio para desrespeitar a legislação federal que previa a obrigatoriedade da Sociologia nas três séries do Ensino Médio. O coordenador de ensino médio foi irredutível e disse que eu deveria parar minhas aulas no 3º. ano imediatamente.

Naquele momento eu disse que só sairia de sala de aula se ele formalizasse aquela ação, já que o documento que havia emitido anteriormente está mal feito e confuso, e se ele não formalizasse, só sairia se mandasse a segurança me tirar à força de sala. Depois disso as dificuldades em sala com alunos pioraram, geralmente um terço dos alunos de modo rotativo participavam das aulas por conta do boato de que eu estava irregular em sala.

Diante disso fizemos diversas campanhas públicas sobre o ataque que sofria a Sociologia no COLUN, informando que a direção não eleita estava retirando-a do 3º. ano. Depois da grande repercussão de nossa campanha, que atingiu os fóruns nacionais, a direção recuou, mas continuou criando situações embaraçosas entre mim e os alunos, como deixar que em meu horário eles saíssem para aulas de educação física. Embora essa disciplina seja também necessária, ela tem seu horário específico, não precisava criar tal situação.

Após uns meses com muitas cobranças houve uma sessão do Conselho Diretor do COLUN (que equivale à Assembleia Departamental nos Departamentos) e ali conseguimos reverter a proposição da direção e foi aprovada a inclusão da disciplina no sistema de notas, que na prática já estava na grade do 3º. ano desde 2011, embora a contragosto, expresso claramente por pelo menos um de seus membros que disse “vamos deixar isso para outro momento, vamos fazer uma comissão para discutir a situação”, numa clara manobra de postergar a decisão que já há muito estava atrasada e criar uma irregularidade artificializada para continuar atacando ao professor e a sua disciplina.

O resultado disso tudo é que muitos alunos incitados pela direção perderam conteúdos e ficaram de reposição e boa parte desses estão de prova final, já que conseguimos reverter a perseguição tanto à Sociologia quanto ao professor, que também é diretor da APRUMA, o que não é crime. Não aceito ser atacado porque me organizo com meus pares para lutar por melhorias no trabalho e na educação.

Enfim, a perseguição ocorreu e foi muito forte e deliberada, os asseclas da reitoria viram uma oportunidade de servir ao seu senhor, perseguindo um colega e subtraindo os direitos dos alunos à disciplina. Não fosse a nossa resistência teríamos saído de sala de aula com o “rabo entre as pernas”, como se diz, e os alunos ficariam sem a vivência e os conteúdos da disciplina.

Deturpar os fatos, invertendo-os, a ponto de apresentar a direção não eleita (ou melhor interventora) como responsável pela inclusão da disciplina é um expediente vergonhoso, mas, pelo que se vê, infelizmente tornado corriqueiro. Além de tudo isso, essa figura do interventor, mesmo prevista na legislação, é uma coisa anacrônica quando se busca o aumento da participação em todos os níveis e é mesmo lamentável que a reitoria da UFMA tenha optado por este caminho e, principalmente, que professores ainda se disponham a este papel.

Respeitosamente,

Bartolomeu Mendonça