Um despretensioso panorama

Penúltima página. Capa. Reprodução
Penúltima página. Capa. Reprodução

“Lendo esta série de entrevistas do Vias de Fato, com personagens já tão familiares (Gildomar Marinho, Bruno Azevêdo, Celso Borges, Ricarte Almeida), noto que o amálgama comum a todos eles e a todas as interlocuções é na verdade a ponte cultural que interliga tudo: a curiosidade insaciável de Zema Ribeiro.

Do choro à literatura, do teatro ao boi, da arqueologia cultural à agitação geracional, dos cancionistas aos samurais da edição independente, esgrimindo doses precisas de rigor e senso dionisíaco, os textos nos levam ao bar e à academia, ao terreiro e aos velhos cinemas Éden e Roxy, aos becos e às festas de reggae.

Principalmente, as entrevistas remontam um cenário cultural e social que se mostra imprescindível para compreender a parabolicamará que move o Maranhão, sua antena particular de compreensão do universo pelo filtro da poesia, da linguagem. As políticas da perseverança e da honestidade intelectual permeiam tudo, da compreensão profunda de Ricarte (“As pessoas vivem e morrem à míngua”) à visão cósmica de Celso Borges, leitor de coisas intangíveis, como a revista Coyote.

Haicais e boutades escorrem desses saborosos textos. “Eu não conserto versos por conveniência”, decreta Gildomar Marinho. É uma complexa teia de análise, mas, por um motivo de puro mistério, não é possível, na leitura dos textos, dissociar política de música, literatura de combate, visionarismo de consciência.

Leia e seja mais um destrambelhado conosco.”

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No dia de meu aniversário, o site da Editora Passagens, da amiga-editora Isis Rost, disponibilizou o texto acima, a orelha de Jotabê Medeiros (CartaCapital, Farofafá) para Penúltima página: Cultura no Vias de Fato, que reúne 14 entrevistas e seis textos que publiquei entre 2009 e 2016, período em que colaborei com o jornal mensal Vias de Fato, um despretensioso panorama cultural do período, não restrito ao Maranhão. O prefácio do livro é de Flávio Reis.

De algum modo, o livro é uma forma de celebrar os 10 anos que o Vias de Fato teria completado ano passado e é publicado com apoio cultural da Equatorial Energia e um punhado de amigos que se dispôs a colaborar, a fazer a ideia ir pro papel. O livro já está disponível para download e o volume impresso chega em breve, cujo lançamento este blogue cabotinamente anunciará. Aguardem! Enquanto isso, baixem o e-book!