A Jamaica brasileira invade a Pauliceia

Cultura da radiola terá destaque na Virada Cultural, em São Paulo. Duo Criolina e convidados farão 12 horas celebrando ritmos jamaicanos e maranhenses.

Pouco tempo depois de inventado na Jamaica o reggae se consolidou como preferência popular no Maranhão. Não à toa a capital São Luís recebeu a alcunha de Jamaica brasileira. O gênero musical e seu principal porto brasileiro serão lembrados durante a programação da Virada Cultural, em São Paulo, entre os dias 18 e 19 de maio. Num palco comandado pelo duo Criolina, formado por Alê Muniz e Luciana Simões, o reggae à maranhense comparecerá, com as presenças do poeta Celso Borges, dos djs Otávio Rodrigues, Joaquim Zion e Vanessa Serra e da atriz Áurea Maranhão.

Ano passado a Semana Internacional da Música (SIM-São Paulo) levou representantes maranhenses para uma noite, também numa parceria com o Festival BR-135, organizado pelo duo Criolina. Desta vez serão 12 horas de reggae, entre às 18h de sábado até às 6h de domingo, celebrando a cultura da radiola – lá fora conhecida como sound system –, muito difundida no Maranhão.

O duo Criolina. Foto: Layla Razzo

Representando o Maranhão, “Criolina, Radiola e convidados” será uma das festas de rua que acontecerão durante a Virada Cultural. As demais irão representar algum aspecto cultural dos estados da Bahia, Pará e Rio de Janeiro. “A Virada é o maior evento cultural do planeta, um festival com 24h de programação, gratuito e além de ocupar as ruas, conta com programação em centros culturais das periferias, as unidades do Sesc, teatros da cidade e vários equipamentos culturais. É ótima e uma boa desculpa para ocupar as ruas com arte, sair de casa e afirmar a nossa cultura como expressão popular e cidadã”, advoga a cantora Luciana Simões.

“Diminuíram consideravelmente os recursos nacionais para a cultura e justamente por ser um espaço de fomento devemos estar presentes e resistentes. A proposta de colocar o Maranhão no mapa também segue como uma grande bandeira pra nós. Eu acho que o espaço oferecido ao Criolina é um reconhecimento ao Maranhão, e uma ótima oportunidade para se mostrar a cena reggae, que é uma forte cena de rua, representativa e que causa bastante curiosidade”, pondera Alê Muniz, seu companheiro de Criolina.

Joaquim Zion também comenta o interesse dos paulistanos pela cultura reggae, mas aponta algumas diferenças entre as cenas. “A cultura reggae é bem forte em  São Paulo. Já há alguns anos vem crescendo a cultura sound system, que é um pouco diferente do estilo Inna Maranhão das radiolas daqui, porque lá eles tocam com radiolas, DJs e MCs rimando nas bases e o estilo basicamente é ragga, enquanto aqui o nosso lance é one drop, lovers rock, essa batida que chamamos para dançar agarrado a dois. Mas a mensagem é a mesma”, pontua. Ele comenta também sua expectativa: “é máxima pra gente, e o público pode esperar um grande set de hits, clássicos e raridades que fazem parte do imaginário do regueiro do Maranhão. São Paulo tem muitos maranhenses e tenho certeza que será uma grande festa”, promete.

O jornalista e dj Otávio Rodrigues diante de uma radiola. Foto: divulgação

Alcunhado Doctor Reggae, o jornalista e dj paulista Otávio Rodrigues ajudou a difundir o reggae no Brasil e consolidar São Luís como uma de suas principais praças, quando morou na cidade, na década de 1990. “Minha relação com o Maranhão é orgânica, me sinto como se tivesse nascido aí também. Morei na Ilha, viajei bastante pelo interior, fosse em busca de manifestações folclóricas, paisagens ou reggae – ou as três coisas juntas”, lembra.

Ele discotecará e dividirá o palco com o poeta Celso Borges; juntos, apresentam o espetáculo Poesia Dub, em que misturam poesia, com elementos de música jamaicana e da cultura popular do Maranhão. “No Poesia Dub, eu e Celso resgataremos algumas gemas do nosso repertório, como Morto vivo, Matadouro, Bumba meu dub e Linguagem [lista títulos de poemas apresentados no formato], e também mostraremos coisas novas, algumas com participação de Gerson da Conceição, gravadas pouco antes de sua súbita partida”, anuncia, lembrando o amigo baixista que se somava à trupe, recém-falecido.

O poeta Celso Borges. Foto: Layla Razzo

O poeta Celso Borges relembra as origens do espetáculo: “Eu costumo dizer que eu tenho dois santos em minha vida: São Luís e São Paulo. Cidades que estão entranhadas na minha alma, no meu coração. Morei 20 anos na Pauliceia. Aquela cidade, o tempo que eu morei lá, foi um tempo de muita alegria, de muita celebração, encontros com muitas pessoas, muitos artistas, fiz muitas amizades, tive diálogos maravilhosos com poetas, compositores, letristas. E foi ali também que eu, junto com Otávio, desenvolvi o Poesia Dub, a partir de 2004, 2005. É uma alegria enorme poder voltar a São Paulo e voltar fazendo uma nova apresentação do Poesia Dub. Vai ser uma grande celebração, estou muito animado”. O espetáculo é composto por poemas de Celso Borges, com citações de obras de Torquato Neto, Allen Ginsberg, um poema de Bandeira Tribuzi, e trilhas de Otávio Rodrigues.

“Na marcação de baixo poderosa que ele fazia, ele fazia também os vocais, a gente vai usar bases gravadas dele, e vou ler uma parceria nossa”, antecipa a homenagem a Gerson da Conceição, que estaria no palco com eles.

A estrutura do palco maranhense incluirá uma radiola de sete metros de largura, que tocará reggae, ritmos caribenhos e os gêneros musicais que permeiam a cultura popular do Maranhão, com destaque para o bumba meu boi e o tambor de crioula. A dj Vanessa Serra, que também esteve na Sim-SP, anuncia seu set list, reverenciando grandes nomes: “Vou levar um set com hits da música jamaicana e maranhense, que ouvíamos nas festas, nas rodas de violão e nas rádios de São Luís. Expoentes como o som de Nonato e Seu Conjunto, Humberto de Maracanã, Nicéas Drumont, Betto Pereira, Papete, João do Vale, Jacob Miller, Eric Donaldson e Beto Douglas não vão faltar”.

“Radiola e tambor de crioula são duas coisas que não podem faltar numa autêntica festa maranhense. Muito mais do que minha opinião, esse é o testemunho de alguém que já viu festejos no Maranhão de ponta a ponta: onde quer que se vá, na hora de celebrar tem de ter radiola e tambor”, finaliza Otávio Rodrigues.

Serviço

O palco maranhense fica na Rua Cásper Líbero (ao lado da Igreja de Santa Efigênia). Os shows são gratuitos. Conheça os horários das apresentações:

18h – Criolina + Luh Del Fuego
19h – Vanessa Serra
20h – Poesia Dub
21h – Joaquim Zion
22h – Otávio Rodrigues
23h – Criolina + Luh Del Fuego
0h – Vanessa Serra
1h – Poesia Dub
2h – Joaquim Zion
3h – Otávio Rodrigues
4h – Criolina + Luh Del Fuego
5h – Vanessa Serra.

Antes das apresentações do Poesia Dub e Criolina haverá performances da atriz Áurea Maranhão.

Obituário: Serralheiro

 

Em torno da consolidação da cena reggae em São Luís há muito de lenda, hipérbole e imodéstia. Mineiro radicado no Maranhão desde a década de 1960, Edmilson Tomé da Costa, o Serralheiro – nome artístico herdado de sua antiga profissão, será? –, é um dos pioneiros na introdução do gênero jamaicano em festas em São Luís. “Serralheiro, Natty Nayfson e Ribamar Macedo”, declarou, falando de si mesmo em terceira pessoa, em entrevista ao jornalista Felipe Larozza, publicada há cinco dias.

Sem falar uma palavra de inglês, Serralheiro esteve em Londres 28 vezes e na Jamaica 17 vezes. “Sou o cara que tem mais coragem no mundo”, bravateou ao mesmo jornalista. “Não tem gente no mundo que goste do reggae como eu”.

O dono da mítica Voz de Ouro Canarinho – nome de uma de suas radiolas – era um colecionador inveterado, mas gostava de exclusividade – reza a lenda que ao comprar um disco, raspava os que ficassem nas lojas para que ninguém mais tivesse as músicas que tinha. Não repetia música em suas discotecagens. Uma que mereceu destaque foi sua aparição na Virada Cultural paulista, em 2011 (veja o vídeo que abre este obituário).

O DJ Tarcísio Selektah, que há alguns dias havia usado as redes sociais para solicitar doações de sangue a Serralheiro, manifestou-se sobre a perda. “O reggae nacional de luto. Faleceu em São Luís o DJ/radioleiro mais antigo do Brasil”, lamentou.

“Com profundo pesar comunico o falecimento do “Carrasco” Serralheiro. O reggae do Maranhão está de luto”, declarou o DJ Ademar Danilo usando outra alcunha pela qual era conhecido o discotecário, que chegou a ser seu parceiro na equipe África Brasil Caribe.

Especialista em reggae, o jornalista Otávio Rodrigues, o Doc Reggae, declarou: “Fico triste, porque era meu amigo, e lamento muito, porque parte da história se vai sem um bom registro” [leia depoimento completo e exclusivo no fim deste obituário].

Serralheiro faleceu hoje (29), aos 70 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido há cerca de um mês. Estava internado no Hospital Carlos Macieira. Que esteja com Jah! Como, aliás, sempre esteve!

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Assista trailer de Sintonizah, documentário de Lecuk Ishida e Willy Biondani (com depoimento de Serralheiro):

 

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A GENTE VAI FICANDO MAIS SOZINHO

OTÁVIO RODRIGUES

Doc e Serralheiro em 2004. Foto: Carol Bittencourt
Doc e Serralheiro em 2004. Foto: Carol Bittencourt

 

Conheci Serralheiro ainda em 1988, ano em que meu Cabral interior descobriu o Maranhão. Lembro que ele se recusou a posar pra uma foto, estava montando a radiola. “Ah, mas tô todo lambudo!” Meio que se apresentou dizendo que amava o reggae mais que tudo. “Gosto tanto de reggae que até dói no sangue”, disse, apontando as veias do braço. Eu não conseguia entender como aquele sujeito simples, quase rústico, de mãos grandes e com textura de lixa, conseguia ser tão refinado nas seleções musicais.

E com um apelido desses, que me levava a pensar nos artistas jamaicanos, que em sua maioria afirmam ter trabalhado como welders (soldadores) antes de iniciarem a carreira artística.

No dia em que deixei a Ilha, ele me apareceu com uma insuspeita fita cassete. “Gravei pra ti. Agora tu me manda umas pedras também.” A caminho do aeroporto, no fusca do Boaventura do Bairro de Fátima, coloquei a fita pra rodar e, ali de pronto, vi que a parada era séria (o Boaventura quase não me ouvia falar, só prestava atenção na fita). Com o tempo, estabelecemos um intercâmbio – mas com as regras dele. Eu enviava umas pedras do meu acervo, com total exclusividade, ou seja, eu não podia passar pra mais ninguém, nem tocar no rádio nem nada; e ele mandava umas dele também, que eu deveria manter no cofre e a sete chaves. Com o tempo, percebi que o acordo era imensamente bom pra ele, mas continuei com a brincadeira durante certo tempo – acho que, no fundo, eu adorava mesmo as cartinhas que vinham junto com o material.

Mais tarde, quando morei em São Luís, ele me virou a cara. Atônito, descobri por outros qual tinha sido a razão: eu reportara na revista Bizz a viagem que ele havia feito a Londres, levando uma fitinha com frases em inglês gravadas por Fauzi Beydoun: “Good morning!  I want to buy reggae records”, “I need a hotel” e outras básicas assim, pra que ele se salvasse em terras estrangeiras. Ficara ofendido com isso, não percebendo a admiração contida no relato. Demorou pra que fizéssemos as pazes.

Serralheiro morava na Rua da Salina, no João Paulo, lugar pouco percebido pela maioria, incluindo o poder público. Para um paulista classe média, caminhar por uma rua na qual o esgoto corre a céu aberto, como nos tempos coloniais, era uma experiência incomum. Imaginar que ali vivia um dos maiores DJs do Maranhão, um superstar, era uma incongruência sem tamanho. Na casa simples, repleta de discos fabulosos, eu pensava nas histórias que haviam me contado. Que Serralheiro costumava ir ao Rio e São Paulo atrás de discos e, quando encontrava algo realmente bom, comprava todas as unidades do mesmo álbum pra que nenhum outro gaiato tivesse acesso. E que, assim como Lee “Scratch” Perry fez com o próprio estúdio, um dia acordou e tacou fogo num monte desses ótimos discos. A esposa, ouvi dizer também, reclamava que a geladeira vivia vazia, que ele gastava tudo em reggae. Quem sabe a verdade?

Fico triste com a partida dele. Era meu amigo. Lamento ainda que sua história não tenha sido resgatada completamente, penso eu, e faço aqui um mea culpa. De onde ele vinha? Trabalhou com ferro mesmo? Como e onde começou no reggae? Guardarei pra sempre, porém, a imagem dele trabalhando de costas n’A Voz de Ouro Canarinho, manipulando o pause nos tape-decks durante toda a noite, quase sem olhar para o público, arrancando uivos de êxtase a cada tijolo.

A verdade é que, junto com Pai Euclides e o professor Carlos Lima, Serralheiro compunha meu panteão de santos maranhenses. O tempo passa, não tem jeito, a gente vai ficando mais sozinho. Descansem em paz, meu velhos.

Pedra que rola não cria limo

[Íntegra da matéria publicada ontem no jornal O Imparcial]

A cena reggae do Maranhão em diálogo com três especialistas no assunto: Joaquim Zion, Neto Myller e Otávio Rodrigues. Os três concordam: o reggae aqui é único no mundo

A partir da década de 1970 o reggae popularizou-se no Maranhão, configurando-se importante fenômeno de massas, apesar da indústria, da crítica e da língua jogarem contra. Algumas possibilidades são apontadas, mas ninguém sabe ao certo como um ritmo estrangeiro, cantado em língua idem, quase nunca entendido pelos que, na origem, lotavam os salões, ganhou a preferência local da rapaziada que buscava diversão barata, sobretudo nos fins de semana.

No recém-relançado Da terra das primaveras à ilha do amor: reggae, lazer e identidade cultural [Edufma, 1995; Pitomba, 2016], Carlos Benedito Rodrigues da Silva, mais conhecido pelas alcunhas de Professor Carlão ou Carlão Rastafari, conta histórias que beiram o anedótico, embora frutos de pesquisa séria. Por exemplo, colecionadores que compravam todos os exemplares de um único disco ou mesmo um artista que, em visita à Jamaica, riscou todos os seus discos tendo em vista garantir a exclusividade de um dono de radiola nos salões da ilha.

Muitas lendas envolvem a expansão do fenômeno reggae no Maranhão, o que levou a capital, São Luís, a receber o epíteto de Jamaica brasileira, para alegria da massa regueira e desgosto daqueles cujo farol ainda mira(-se no exemplo de) Athenas.

Indagado se concorda com a alcunha, o jornalista, produtor e DJ Ademar Danilo não teme soar imodesto: “eu que botei este apelido”. Mais uma lenda ou não, o hoje apresentador do África Brasil Caribe, na Rádio Difusora, é um nome fundamental para a popularização do reggae por aqui nos últimos 30 anos.

O DJ Neto Myller. Foto: divulgação
O DJ Neto Myller. Foto: divulgação

Entre as principais mudanças na cena no período, o DJ Neto Myller, residente do Chamamaré (Ponta d’Areia), onde se apresenta aos domingos, destaca: “o público em geral há 30 anos para o que é hoje e também os locais onde são feitas as festas de reggae: ficou mais elite [risos]”, afirma, referindo-se a certo embranquecimento e aburguesamento dos ambientes onde se toca reggae.

Otávio Rodrigues, o Doctor Reggae. Foto: divulgação
Otávio Rodrigues, o Doctor Reggae. Foto: divulgação

O jornalista, pesquisador e DJ Otávio Rodrigues, não à toa conhecido como Doctor Reggae, foi o primeiro a levar o reggae às ondas do rádio no Brasil, tendo produzido e apresentado na Excelsior FM, entre 1982 e 83, o Roots, Rock, Reggae, com direção geral de Maurício Kubrusly. Morando em São Paulo, ele continua de olho na cena do Maranhão, “não como antes”, reconhece, referindo-se ao período em que morou aqui, quando produziu e apresentou programas como Rádio Reggae (Mirante FM) e Bumba Beat (Mirante e Universidade FM).

Mesmo de longe, ele também aponta mudanças. “Vou tentar desenhar uma das linhas possíveis, me apoiando na tecnologia/comunicação: 1) tape-deck, anos 1970, quando se torna possível copiar o disco do meu amigo e eu mesmo fazer uma festa; 2) rádio, anos 1980, programas bons, que divulgavam as músicas e, alguns, até a cultura por trás delas; 3) DJ de frente, anos 1990, porque implicou no desenvolvimento deles como comunicadores; e 4) computador caseiro, programas de edição, anos 2000, porque permitiu aos maranhenses produzir as músicas localmente”, enumera.

O DJ Joaquim Zion. Foto: divulgação
O DJ Joaquim Zion. Foto: divulgação

Joaquim Zion, DJ residente do Porto da Gabi, onde se apresenta há quase quatro anos, na Sexta do Vinil, destaca o fortalecimento da cena roots reggae na capital maranhense. “Um movimento contrário às grandes radiolas que tocam quase que exclusivamente reggae eletrônico, o surgimento de muitos bares de roots reggae e o aparecimento de centenas de DJs, homens e mulheres, fortalecendo assim a cena do reggae na ilha”, aponta.

O reggae também ganhou a academia. Diversos estudos têm se dedicado ao gênero jamaicano, o que acaba por contribuir para a superação de preconceitos. Livros como Onde o reggae é a lei [Edufma/Pitomba, 2013], de Karla Freire, e O reggae no Caribe brasileiro [Edufma/Pitomba, 2014], de Ramusyo Brasil – além do já citado Da terra das primaveras à ilha do amor –, deram importante contribuição para a compreensão do fenômeno – ou ao menos de parte dele.

“Bons, muito bons esse livros! Têm pegada acadêmica, portanto são seriíssimos, no sentido de pesquisa bem feita, ideias comparadas, refletidas, bem organizadas. Essas obras jamais matam a cobra sem mostrar o pau (e a pedra, no caso). Devo ao Carlão e sua obra pioneira e prima boa parte do que aprendi sobre o reggae e a cultura maranhense – eu e todo mundo”, elogia Otávio Rodrigues.

Obras que certamente contribuíram para a diminuição do preconceito contra o reggae e os regueiros. “O preconceito ainda existe, mas diminuiu bastante”, avalia Neto Myller. Joaquim Zion aprofunda a questão. “O preconceito com o reggae acho que nunca vai acabar, aqui principalmente. O Brasil é um país profundamente racista, e a imensa maioria que frequenta o reggae, principalmente aqui na nossa ilha, é de negros e negras. Historicamente a polícia sempre viu esses agrupamentos de pessoas ouvindo reggae com preconceito. É claro que já melhorou bastante, mas ainda somos perseguidos”, aponta.

Para Otávio Rodrigues o preconceito não foi superado. “Apoiada no comércio de cervejas, alimentada por rixa entre torcidas de radiolas, exposta à falta de segurança, entre outros aspectos, a cena maranhense acaba associada ao que há de pior, a despeito de ser uma conquista – e um legado. Também percebo preconceito interno, que separa a “turma do vinil” da “turma da radiola”, um fenômeno que, paradoxalmente também une. Precisa é fortalecer esse último verbo”, conclama.

Uma coisa não é lenda nem ufanismo: o reggae praticado por aqui é único no mundo. “Aqui no Maranhão desenvolvemos um jeito diferente na forma de dançar e também no estilo das músicas que tocam no salão. Aqui gostamos de um estilo que chamamos de reggae roots, pra dançar agarradinho; os jamaicanos chamam essa batida de one drop, que foi o estilo que marcou e marca a nossa ilha”, afirma Joaquim Zion. A particularidade do “dançar agarradinho” também é apontada por Neto Myller.

Otávio Rodrigues arremata: “é original e único, no Brasil e no mundo, especialmente quando falamos daquele feito por produtores e artistas emergentes locais (eventualmente jamaicanos da antiga entre eles) com o propósito primordial de tocar em radiolas. Eu chamo de breggae, elogiosamente, por perceber aí traços do outro gênero dançante no que diz respeito a sua difusão entre as massas, o apelo romântico, a simplicidade nos arranjos, entre outros aspectos importantes. Tomando-se a variedade da música jamaicana, observa-se que foi exatamente um tipo de reggae mais rural, por vezes até rústico, natural entre artistas que vinham do interior do país em busca de oportunidades na capital, que mais colaborou na formação estética do gosto maranhense ao longo dos anos 1980 e 1990. Não admira que os meninos das periferias de São Luís, tão logo colocaram as mãos nas ferramentas certas, tenham desenvolvido um reggae diferente de qualquer outro, ainda que buscando fazer igual. Essa percepção da originalidade do reggae maranhense – o breggae – não é unicamente minha. Meus amigos gringos, grandes conhecedores do assunto, confirmam (e ficam de cara): não tem igual no mundo!”.

Bumba meu dub

Vibração poética. Foto: ZR (12/12/2015)
Vibrações poéticas. Foto: ZR (12/12/2015)

 

Jornalistas de profissão, o poeta Celso Borges e o DJ Otávio Rodrigues inventaram Poesia Dub em 2004, quando ambos viviam em São Paulo. O nome do espetáculo de poesia no palco, para muito além da leitura de poemas com trilha sonora, remete a uma das especialidades de Otávio, um dos maiores especialistas em Jamaica no Brasil, mas sem se prender a ele.

Embora com apresentações bissextas – Celso Borges voltou a morar em São Luís em 2009 – Poesia Dub já passou por várias formações. Ontem (12), na Praça Nauro Machado, na programação do Festival BR135, foi apresentado por Celso Borges (voz e poemas), Otávio Rodrigues (trilhas, efeitos e percussão adicional), Luiz Cláudio (percussão) e Gerson da Conceição (contrabaixo).

Linguagem abriu a apresentação. É um poema em que o autor convida os espectadores a ouvir, falar, lamber, chupar, morder a sua língua, a linguagem enquanto vírus, não à toa Celso Borges ser chamado de “homem poesia” por alguns, dada sua dedicação à causa. Quase um “vai vir o dia quando tudo que eu diga seja poesia”, de Paulo Leminski, homenageado em Morto vivo: “aos quarenta e quatro” – idade com que o curitibano faleceu – “ainda dói o óbvio”, falacanta CB. “Estou vivo na idade do morto, Leminski”, diz noutro trecho, como a dizer que apesar do mundo estamos aí, “que nem assino embaixo/ que nem moscoviteio/ que nem capricho/ que nem relaxo”, citando alguns de seus poemas mais conhecidos e o clássico Caprichos e relaxos.

Paulicéia é uma ode a São Paulo e São Luís, os dois santos de sua vida, “um em cada um dos meus ombros, trocando sempre de lugar. Ora protetores, ora algozes”, como me declarou CB em uma entrevista em 2007. Rima Fiesp com Masp, símbolos paulistas, e Pompeia com Coreia e Divineia, bairros de lá e cá, com o “venta loló/ pra esse barco andar”, de Chico Maranhão, de refrão. No final, uma homenagem a Torquato Neto: “leve o homem e o boi ao matadouro; quem gritar primeiro é o homem mesmo que seja o boi”.

Otávio Rodrigues programa dub e reggae, mas também ladainhas, tambor de crioula, bumba meu boi e Cordel do Fogo Encantado. Em Ode a Rico Rodriguez, o trombone do mestre jamaicano nascido em Cuba, falecido em setembro passado. “Um dos mais importantes nomes do reggae, integrante dos Skatalites ainda nos anos 1960”, frisou Gerson da Conceição. “Me apaixonei por Rico Rodriguez ao ser apresentado à sua música, no começo dos anos 2000, por Otávio Rodrigues”, agradeceu Celso Borges. “O pobre Rodrigues”, brincou Otávio.

“Eu quero ver quem ainda vai ter medo da Praia Grande!”, bradou Celso, festejando o público do BR135, que ocupou duas praças do bairro nas três noites da programação do festival que ajudou a formatar.

Poesia Dub merece urgentemente registro em disco. Relevante serviço prestado à música e à poesia, é injusto que seus apreciadores fiquem à mercê dos encontros de Celso Borges e Otávio Rodrigues no palco, infelizmente mais raros que um 29 de fevereiro.

Onde o reggae era a lei

Prefácio do livro Onde o reggae é a lei [Edufma/ Pitomba, 2013], de Karla Freire.

OTÁVIO RODRIGUES

Conheci São Luís e o Maranhão por causa do reggae, em 1988. Era uma reportagem pra revista Trip, mas acabei participando de um seminário sobre o tema e vivendo situações que bem dariam um filme. Eu era fã há algum tempo, visitara a Jamaica, escrevia sempre a respeito, mantinha uma coluna com novidades da músi­ca negra nas páginas da Somtrês. Acho que, assim como a maioria dos poucos que cultuavam o gênero no Brasil, eu sabia direitinho quem era Gregory Isaacs, I Jah Man, John Holt e Augustus Pablo, mas nunca tinha ouvido falar de Clancy Eccles, Jackie Brown, Keith Poppin e Jimmy London. E eram artistas excelentes, música de pri­meiríssima qualidade!

Durante alguns dias, zanzei nas festas das grandes radiolas e também nas das mais toscas. Estive com radialistas e djs, dança­rinos e colecionadores, entre outros personagens de um fenômeno cultural tão rico e inverossímil quanto o original. Lembrava o es­quema jamaicano do meio dos 1970, mas com um toque brasileiro, nordestino e nortista, caboclo. Não era uma cópia. Nos táxis, nas ruas, no som das lojas de eletrodomésticos, no rádio da cozinheira e até no vento, vindo de um não sei onde e ecoando apenas os super­graves, tudo era reggae. Os ônibus tinham rádio e os motoristas su­biam o volume quando os programas começavam. Nos salões havia casais naquela estica – oshomens de calça social, sapato e camisa de manga comprida, as mulheres de vestido no joelho.

Até então, eu não sabia que São Luís também era uma ilha – apenas uma de várias coincidências com sua prima caribenha. Como não observar, por exemplo, a cumplicidade rítmica do tam­bor de crioula com o nyahbinghi, batuque dos rastas? Ou que a Casa Fanti-Ashanti, terreiro histórico e influente, trazia essa peculiar re­ferência à nação Ashanti, uma das principais provedoras da alma caribenha? Enfim, na minha cabeça as esculturas do Palácio dos Leões deslizavam sobre as cores do Sampaio Correia, compondo um diorama da bandeira da Etiópia.

Estou prospectando a terra dura da memória atrás da essên­cia desse primeiro encontro, já que alguns episódios me colocaram em delírio, desconfiado de estar vivendo uma experiência supra­dimensional. Ungido pelas baixas frequências e exposto demais ao sol, cheguei mesmo a pensar que tinha aberto um portal ou mer­gulhado num túnel fantástico, absorvido num vórtice do tempo. Como um Jurassic Park ou uma aventura de Júlio Verne, me vi ali, no meio dos dinossauros e atravessando a lava dos vulcões, perdido nos horizontes de uma Jamaica já extinta.

Pois estávamos no final dos anos 1980, quando o reggae ain­da era meio cult em São Paulo e no Rio, restrito a alguns círculos do movimento negro e entre os surfistas, que voltavam de viagens internacionais com as mochilas derramando discos e fitas. Tirando a Bahia, o grande público achava que a coisa se resumia a Bob Mar­ley, Jimmy Cliff, Peter Tosh, Gilberto Gil e pronto – e quase sempre associada à ideia de verão e praia, esse lugar comum e equivocado. Ora, dava até tontura descobrir que o hit parade do Maranhão igno­rava a cobertura nacional de rádio e tv e, mais ainda, que também fora da Jamaica o reggae podia ser coisa dos mais pobres e dos mais pretos, e não apenas um lance legal dos entendidos e da juventude bronzeada.

Mil novecentos e tape-deck

Naquela ocasião, infelizmente, não haviam sido ainda conce­bidos este trabalho de Karla Freire nem o que dignamente lhe pre­cede e referencia, Da Terra das Primaveras à Ilha do Amor, do pro­fessor Carlos Benedito Rodrigues da Silva. Juntas, essas obras são o ponto de partida para qualquer estudo, reportagem ou tentativa de se compreender ou explicar o reggae no Maranhão – se é que isso é mesmo possível.

Com dedicação, talento e um gosto chamativo pelo objeto de sua pesquisa, Karla puxa a história do começo e faz sobrevoos inéditos nos acontecimentos dos últimos vinte anos, comprovando o contínuo processo de mudanças. Demonstra que, do esforço ou participação de todos os envolvidos – incluindo o público, natural­mente –, resulta algo original e único que não corresponde ao ideal de qualquer um em particular. Parece ser esse o bicho vivo do qual estamos falando, a tal Jamaica Brasileira, uma entidade que se reno­va a cada temporada, pra não dizer diariamente.

Como é comum nas epopeias, há controvérsias sobre a gê­nese. Foram as ondas de rádio trazendo músicas do Caribe? A si­milaridade com os ritmos dançantes da ilha? Alguém que tinha os discos e começou a tocar? Ou uma combinação de tudo isso? Se­gundo o cantor Jackie Brown, no meio dos anos de 1970 a produtora jamaicana Sonia Pottinger (1931-2010) – uma das raríssimas representantes femininas no ofício – colocava seus lançamentos nas mãos de marinheiros, convicta de que alcançariam outras praias. Teriam alguns desses pacotes de bolachinhas chegado à costa norte brasileira? O fato é que Riba Macedo, tido como um dos pioneiros do Maranhão – para muitos, o próprio Adão –, comprou seu pri­meiro disco de reggae no comércio informal das calçadas de Belém do Pará, um dos portos brasileiros de maior comunicação com o Caribe. É um ponto que ainda merece pesquisa e, de pronto, suscita uma pergunta: por que a moda pegou primeiro no Maranhão e, só mais tarde e por tabela, no Pará?

Mas, além de possuir discos exclusivos e insistir em tocá-los nas festas, o radioleiro Riba parece ter se envolvido ainda em outro acontecimento crucial: o primeiro tape-deck, em 1975. Com esse equipamento, podia copiar os discos para fitas cassete e partilhar as músicas com os amigos, vários deles radioleiros também. Ele con­ta ter surpreendido muita gente com a novidade: “Uma vez, numa vesperal lá no Filipinho, veio um moço forte, falou: ‘Tu é que é Riba Macedo? Ô, rapaz, o que você tem de novo aí, diz que tem um jogo de luz, um tal de trepideque…’ Não, rapaz, é tape-deck! ‘Como é que é isso?’ Peguei uma fita e botei pra funcionar. Comprei em Belém. Ninguém tinha.” Como se sabe – e a pesquisa de Karla não deixa es­capar –, o cassete reinou nas festas e programas de rádio ao longo da década de 1980, até a chegada do mini disc (MD). Guarnecida por uma cápsula plástica que lhe protegia do pó dos terreiros e quintais da periferia de São Luís, executada por um sistema imune a solavan­cos e quedas de energia, a fita foi o meio físico da consolidação do reggae no Maranhão.

A era do breggae

Outro advento técnico importante é o da radiola de mesa, que colocou os djs de frente para o público e lhes abriu caminho para performances mais entusiasmadas ao microfone, inclusive com alguma participação sobre as músicas. A cena reggae do Maranhão virou do avesso. O primeiro a abandonar o móvel vertical foi Natty Nayfson, em meados de 1995. Infelizmente, um dos talentos mais explosivos dessa nova configuração, Antônio José Pinheiro Silva, o “Lobo”, morreu em 1996, não tendo tempo de desenvolver técnicas mais elaboradas e, quem sabe, deixar um legado mais contundente. O fato é que, a despeito de seu papel revolucionário, a radiola de mesa não produziu djs como os do estilo jamaicano, que dominam o microfone e têm realmente o que dizer, a ponto de se tornarem grandes artistas e lançarem discos como intérpretes.

Antonio José, o "Lobo" em ação
Antonio José, o “Lobo” em ação

O privilégio estava reservado a cantores como Dub Brown, Toty, Rosy Valença, Ronnie Green e outros dessa geração, que ir­rompeu no século 21 em mais uma onda de mudanças patrocinada por um equipamento: o computador. Ora, em pequenos estúdios adaptados na garagem ou no quarto dos fundos, com o auxílio de um teclado, um microfone e um violão – afora algum talento –, dá pra fazer melôs parecidas às dos gringos. Parecidas mesmo, porque esse novo cancioneiro flutua em um mar de referências, fisgando linhas melódicas que remetem aos clássicos das radiolas e arranjos que o aproximam do brega. Apesar dos mimetismos, não há similar no mundo: esse “breggae” feito hoje no Maranhão é mesmo uma coisa de louco.

Mas é possível contar tudo isso de outro jeito, retomando o episódio de Riba Macedo nas calçadas de Belém e, daí, as aventuras de afamados djs e colecionadores como ele. Porque a lavra dessas pedras é uma ciência e possui, também, sua arqueologia – as levas de discos compradas no Rio e em São Paulo, as que eram trazidas ou enviadas da Europa, a garimpagem nos baús de velhas lojas e estú­dios de Kingston. Dá pra percorrer a linha do tempo observando a evolução na maneira de dançar ou no modo de vestir e, de novo aí, resgatar os acontecimentos e personagens que fizeram essa história. A obra de Karla Freire, nesse sentido, é um tesouro. Certamente, vai inspirar muitos outros estudos sobre o tema.

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Otávio Rodrigues foi o apresentador do primeiro programa de reggae no rádio brasileiro. É uma enciclopédia ambulante do assunto e um dos jornalistas que inspiram este blogue (pena o Bumba Beat nunca mais ter sido atualizado).

Onde o reggae é a lei é a adaptação da dissertação que Karla Freire apresentou ao Mestrado em Ciências Sociais da UFMA, onde já havia se formado jornalista e se especializado em Jornalismo Cultural. O nome da editora Pitomba, de seu marido Bruno Azevêdo, aparece lá em cima por que são dele a edição, pesquisa de imagens e projeto gráfico.

O livro terá mini-turnê de lançamento em São Luís entre amanhã (25) e segunda-feira (28). As noites de autógrafos em outras capitais já estão sendo armadas. Confira a programação na Ilha:

Divulgação

Onde o reggae é a lei

Conheci São Luís e o Maranhão por causa do reggae, em 1988. Era uma reportagem pra revista Trip, mas acabei participando de um seminário sobre o tema e vivendo situações que bem dariam um filme. Eu era fã há algum tempo, visitara a Jamaica, escrevia sempre a respeito, mantinha uma coluna com novidades da música negra nas páginas da Somtrês. Acho que, assim como a maioria dos poucos que cultuavam o gênero no Brasil, eu sabia direitinho quem era Gregory Isaacs, I Jah Man, John Holt e Augustus Pablo, mas nunca tinha ouvido falar de Clancy Eccles, Jackie Brown, Keith Poppin e Jimmy London. E eram artistas excelentes, música de primeiríssima qualidade!

Durante alguns dias, zanzei nas festas das grandes radiolas e também nas das mais toscas. Estive com radialistas e djs, dançarinos e colecionadores, entre outros personagens de um fenômeno cultural tão rico e inverossímil quanto o original. Lembrava o esquema jamaicano do meio dos 1970, mas com um toque brasileiro, nordestino e nortista, caboclo. Não era uma cópia. Nos táxis, nas ruas, no som das lojas de eletrodomésticos, no rádio da cozinheira e até no vento, vindo de um não sei onde e ecoando apenas os supergraves, tudo era reggae. Os ônibus tinham rádio e os motoristas subiam o volume quando os programas começavam. Nos salões havia casais naquela estica – os homens de calça social, sapato e camisa de manga comprida, as mulheres de vestido no joelho.

Até então, eu não sabia que São Luís também era uma ilha – apenas uma de várias coincidências com sua prima caribenha. Como não observar, por exemplo, a cumplicidade rítmica do tambor de crioula com o nyahbinghi, batuque dos rastas? Ou que a Casa Fanti-Ashanti, terreiro histórico e influente, trazia essa peculiar referência à nação Ashanti, uma das principais provedoras da alma caribenha? Enfim, na minha cabeça as esculturas do Palácio dos Leões deslizavam sobre as cores do Sampaio Correia, compondo um diorama da bandeira da Etiópia.

Carles Solís fotografou o casal dançando agarradinho da capa

Trecho de Onde o reggae era a lei, prefácio que Otávio Rodrigues, não por acaso apelidado Doctor Reggae, escreveu para Onde o reggae é a lei (cuja capa acima este blogue dá em primeiríssima mão), livro que a Karla Freire lança ainda este ano pela Edufma, com produção editorial da Pitomba! Livros e Discos, do marido Bruno Azevêdo, que ano que vem lança Em ritmo de seresta: narrativas e espaços sociais da música brega e choperias em São Luís do Maranhão (este o título acadêmico, que deve mudar, para efeitos editoriais). Ambos os livros são frutos de suas dissertações de mestrado em Ciências Sociais (UFMA).

Não tenho culpa se deixo aqui os poucos mas fieis leitores deste blogue com água na boca (o livro tá mais perto do que longe, eu esperei mais, com ansiedade e aflição maiores, podem acreditar!).

O livro de Karla Freire venceu há algum tempo alguma categoria do Concurso Artístico e Literário Cidade de São Luís, promovido anualmente pela Fundação Municipal de Cultura (Func). Demorou a sair por que seu editor (e marido) não queria engessar os livros como em geral acontece em edições “oficiais”. A espera valeu a pena: fora o texto da autora, há um tratamento caprichadíssimo para quase 70 páginas de fotos, muitas delas de antigos reggaes de São Luís, fruto de uma pesquisa posterior à defesa do trabalho em banca acadêmica.

Em breve este blogue avisa do reggae de lançamento, pra gente curtir umas pedras e as letras da mãe da Isabel.

Um ano de Biotônico, hoje

 

Os cérebros do Biotônico

O rádio vai à tv. Modo de dizer: tudo na internet. Hoje (5) os brothers Celso Borges, Otávio Rodrigues e Zeca Baleiro (em ordem alfabética e fotográfica) apresentarão ao vivo dos estúdios da TV Uol o Biotônico, “o seu programa de rádio na rede”, como apregoa um dos slogans/vinhetas do programa “de branco, de índio e de preto”.

A transmissão tem início às 17h. É o 32º. programa do trio webradialista. O Biotônico vai ao ar quinzenalmente e nesta edição serão apresentados duas listas pra lá de nickhornbianas: as 10 melhores cantoras de óculos de todos os tempos e as 10 letras mais bizarras. Mas só se vendouvindo pode crer: com certeza tem muita surpresa pra você!

Música, poesia, curiosidades, bate-papo, descontração e inteligência: é a fórmula do Biotônico. Ouça! E hoje, em especial, veja! A quem não puder assistir no horário da transmissão, a edição de aniversário será gravada e como todas as outras do programa ficará disponível para audições posteriores.