Medo

Quererei tudo
depois da morte.

Até lá,
quero apenas ressuscitar.
Em cada dia,
ressurgir dos mortíferos desfechos.

Lá vem o poeta, dizem.
E abrem alas, receosos.

Não me importa:
de vivo não quero memória.

Medo tenho
é de ser enterrado sem história.

Maputo, 2006

O poetaço Mia Couto em Idades cidades divindades (2007, p. 31), na edição moçambicana da Ndjira, que o queridamigo Novarck Oliveira me trouxe numa de suas andanças por lá. Gracias!

“Problemas causados pela Vale têm a conivência dos governos”

Entrevista que o sindicalista Novarck Oliveira concedeu a este blogueiro e a Emílio Azevedo para o Vias de Fato de fevereiro, a história vocês já conhecem: a edição do mês passado saiu apenas este mês etc., etc. etc., motivos de força maior que o “conselho” está buscando resolver.

A versão da cabeça abaixo é ligeiramente diferente da versão impressa do jornal. Lá alguma coisa se perdeu pelas idas e vindas de e-mails entre redação, edição e revisão. Nada, no entanto, que comprometa o resultado final.

No início deste ano de 2012, a Vale – antiga companhia Vale do Rio Doce – ganhou o prêmio de pior empresa do mundo. Esta anti-homenagem ocorre todos os anos, desde 2000 e é conhecida como o “Nobel da Vergonha”. A indicação foi feita por um grupo de ambientalistas e organizações sociais, formado pela Rede Justiça nos Trilhos, a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, o International Rivers e a Amazon Watch. O prêmio, anunciado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), é entregue por duas ONGs: Greenpeace e Declaração de Bernia. É a primeira vez que uma empresa brasileira passa por este desgosto.

Segundo as entidades as razões para a premiação da Vale foram “as repetidas violações dos direitos humanos, condições desumanas de trabalho, pilhagem do patrimônio público e pela exploração cruel da natureza”. A eleição é feita pelo voto direto e qualquer cidadão do mundo pode votar. Do Maranhão, muita gente votou e fez campanha. Ao todo foram mais de 25 mil votos para a Vale. A empresa japonesa Tepco, responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, ficou em segundo lugar.

Diante deste fato importante e simbólico, o Vias de Fato resolveu ouvir Novarck Silva de Oliveira, diretor de Comunicação e Política Sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias dos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins (STEFEM), uma das instituições que apóia a Rede Justiça nos Trilhos. Novarck é funcionário da Vale há 28 anos e atualmente é também diretor de Formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Maranhão.

Leitor e ouvinte voraz, Novarck frequenta regularmente as reuniões do Narcóticos Anônimos (NA) – “limpo” há 12 anos, hoje, aos 47, fuma cerca de 40 cigarros por dia, “de filtro amarelo (são mais fortes)” – e já teve um bar, assuntos que ele também aborda na entrevista concedida aos jornalistas Emílio Azevedo e Zema Ribeiro, do Vias de Fato. O paraibano de Campina Grande, torcedor do Treze daquela cidade, destaca, entre seus autores prediletos, releituras e leituras atuais nomes como Aldous Huxley, Mia Couto, Victor Hugo e Máximo Górki. Na música, entre coisas novas e outras nem tanto, tem sempre no som nomes como Ceumar, Vander Lee, Chico Buarque, Pink Floyd, Smiths, Mônica Salmaso, Scorpions, Gênesis e Guns’n Roses, entre outros. Leia a seguir a entrevista. Continue Lendo ““Problemas causados pela Vale têm a conivência dos governos””