São Luís e os outros 400

“Cidade és minha paisagem / feita de tempo e de mim / de tudo aquilo que somos / e o que seremos, enfim”.
 
O que será que lateja no coração de uma cidade às vésperas de se tornar quatrocentona, cercada de celebrações que não disfarçam uma disputa sem precedentes ou pudores pela sua direção política para os próximos anos? O que será que anda nas cabeças e nas bocas dos seus habitantes, confinados no breu da escuridão da cidadania, reduzida a manifestação solitária de uma cabine eleitoral, por meio de uma convocação obrigatória a cada quatro anos?
 
“Debaixo da ponte há um mundo / feito de gente esquecida / crianças queixando infâncias / infâncias queixando a vida”.
 
É desta cidade que não está nos postais destinados aos turistas que nos visitam, nem nas propagandas milionárias pagas com dinheiro público veiculadas a cada minuto nos meios de comunicação privados, que falamos. Da cidade dos becos e ladeiras, das palafitas e palmeiras, dos subúrbios e sobrados, que insistem em compartilhar a geografia humana de outros desenhos urbanos, excluídos das pranchetas dos planejadores do seu destino, para mergulhá-la numa insana especulação imobiliária, verticalizando a vida, entregue a sanha desenfreada dos automóveis.
 
“Um mundo dentro da ponte / desafiando a cidade / amarga sobre os instantes / as suas necessidades”.
 
A São Luís de um milhão de habitantes, que comemora oficialmente esta semana seus 399 anos, é uma cidade, sobretudo, excludente e desigual; despossuída do mínimo de políticas públicas voltadas para os grandes problemas que afligem a imensa maioria de sua população. O transporte de massas, decente e seguro, o saneamento básico e a água de qualidade, disponíveis principalmente para a população que vive nos grandes aglomerados urbanos que circundam a cidade, com toda a certeza, são os maiores desafios a exigirem urgentes soluções.
 
“A ponte que une dois lados / separa muitos caminhos / por cima, uns vão pisando / debaixo, outros sozinhos”.
 
A qualidade de vida nestas circunstâncias, até mesmo dos abastados é duvidosa, que dirá da imensa maioria dos habitantes da Ilha de Upaon-Açu, excluída dos processos decisórios e da condução dos seus próprios destinos, diante da falência das formas de representação política que já não representam mais nada no plano institucional, a não ser os interesses econômicos de gestores e parlamentares cada vez mais enterrados no mar de lama da corrupção, com seus tentáculos abarcando todas as entranhas dos podres poderes da nossa República Federativa.
 
“Calçando os pés com a esperança / agasalhada no escuro / entrando na fila imensa / que espera pelo futuro”.
 
E por falar em representação política, em recente artigo publicado na Folha de São Paulo, na edição de 19/6/2011, intitulado Você no Parlamento, Oded Grajew, presenteou os leitores com a seguinte e notável reflexão:
 
“Os países que possuem os melhores indicadores de qualidade de vida são aqueles em que a democracia participativa mais avançou, nos quais a sociedade e as organizações sociais mais participam nas decisões e no acompanhamento das políticas públicas, fazendo prevalecer o interesse público acima dos interesses corporativos”.
 
Manchete do Jornal Pequeno deste último domingo, 04/09: Brasileiros organizam nas redes sociais ‘O DIA DA INDIGNAÇÂO’, programado para o 7 de setembro próximo. Quem sabe, poderá se transformar num grande momento para expressarmos nas ruas e avenidas deste País todo descontentamento da população contra o perigoso rumo que a nação está tomando, ajoelhada e perplexa diante do caos da corrupção; uns, acomodados pelo conformismo do discurso apocalíptico, enquanto outros justificando suas omissões pela inevitabilidade do particularismo de suas conveniências.
 
Nestas circunstâncias, cabe lembrar e fazer valer o providencial e atualíssimo discurso do líder negro e religioso Martin Luther King:
 
“O que mais preocupa não é o grito dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
 
[Com o texto acima, de Joãozinho Ribeiro, publicado na edição de segunda-feira (5) no Jornal Pequeno, este blogue presta sua homenagem à capital maranhense, tão maltratada pelos gestores públicos. Terá a Ilha-capital algo a comemorar? Os trechos em negrito-itálico são de poema (o livro Paisagem feita de tempo) e música (o choro Milhões de uns) do poeta-compositor-colunista]

Flores, letras & músicas: um buquê de emoções

As flores de Fernando Mendonça não são de plástico, mas não morrem. Eram o jardim suspenso nas paredes a perfumar nossos olhos – os ouvidos também o seriam, em sequência. Cuidado, flores!, a exposição, preparava o terreno, fértil, como adubo para poesia & música, com que nos depararíamos em instantes.

O poeta Fernando Abreu diz um poema e Nosly, violão em punho, ouve, a plateia pequena, idem. Ao fim, o músico entoa uma versão musicada do texto lido pelo primeiro. Monótono? De jeito nenhum.

"Para uma grande dama": na versão musicada por Nosly, o poeta Fernando Abreu desfila um rosário de estrelas cinematográficas
Letra & Música, show de bolso poético-musical, como entrega o título, apresentado pelos parceiros ontem (31), no Cine Ímpar – subaproveitado espaço para se fazer arte em São Luís – não ficou, no entanto, na sequência poema-versão musicada/cantada.
 
Fernando Abreu leu poemas de aliado involuntário [Êxodus, 2011] e Nosly revezou-se entre músicas inéditas – parcerias de ambos – e canções gravadas em seu disco mais recente, Parador [2011], entre as quais Você vai me procurar (mais uma parceria deles), Versos perdidos (Nosly, Zeca Baleiro e Fausto Nilo) e a faixa-título (Nosly, Gerude e Luiz Lobo).
 
Esta última, cantada por eles mais a poeta Lúcia Santos, convidada especial da noite, que despiu as lentes verdes dos olhos da atriz pornô – primeiro poema que leu ao subir ao palco – e declamou mais alguns poemas do livro novo do letrista. O refrão, ensinado na hora por Nosly ao público, que certamente já o conhecia, foi cantado em uníssono pelos presentes.
 
O espetáculo é curto e tem sabor de quero mais. Inevitável, em casa, re-mergulhar no livro e disco que se fundem no palco para dar origem a Letra & Música. Olhos, ouvidos, mente e coração agradecem.

Para uma grande dama

Os olhos verdes
da atriz pornô

quando dançam fora de órbita
disparam no céu incolor

lampejos
de uma arte rara

flashbacks
de tragédia grega
e teatro nô

sacerdotisa fast-food
a preferida do imperador

Os olhos verdes
da atriz pornô

são duros como
os olhos da virgem

não cabem
no discurso marginal

sua obra é sua moral:
pura vertigem

Os olhos verdes
da atriz pornô

anulam toda teoria
longe das luzes & ohos vorazes
despem as lentes verdes de contato
e encaram nus a luz do dia.

*

Poema de Fernando Abreu, de seu novo livro, aliado involuntário [Exodus, 2011]. O poema virou música, pelas mãos de Nosly, com quem o poeta divide o palco em Letra & Música, espetáculo poético-musical-plástico com as participações especiais de Lúcia Santos e Fernando Mendonça, que inaugura, na ocasião, a exposição Cuidado, flores!, além de dar uma canja no palco, ele que já assinou projeto gráfico de disco de Nosly (Nave dos sonhos) e, músico bissexto, já musicou coisas de Fabreu. Detalhes no Overmundo e/ou no cartaz abaixo:

Em tempo: o poema que batiza este post não está em Parador, disco novo de Nosly, que traz outra parceria da dupla: Você vai me procurar.

Em tempo 2: ainda escreverei acá sobre aliado involuntário e Parador. Questão de tempo.

Tio coruja filma sobrinha linda bailarina

Maria Clara é apaixonada por Pagu. À noite, antes de dormir, inclui tanto ela quanto Lili (irmã de Pagu) e os filhotes em suas orações de guria com dois anos e pouco. E às vezes vai lá em casa só para visitar nossa gata, por quem costumeiramente pergunta. Na mais recente visita catei a máquina fotográfica e, além de vários retratos, fiz o filminho aí embaixo, em que ela canta uma música que eu não conheço, lembrando alguns passinhos do balé que já ensaia antes mesmo de ir à escola.

É linda ou não é? Zico, apelido que a já vascaína Maria Clara ganhou quando a prima Manuela chamou-lhe de “bebezico” (algo como bebezinho na língua desses seres miúdos), é uma das crianças do elenco de Se7e, 8ito, “espetáculo de ballet com bailarinas do projeto Dança Criança e o ballet jovem Olinda Saul dias 20 e 21, às 19h, no Teatro Arthur Azevedo. Direção: Olinda Saul. Produção: Associação dos Amigos do Projeto Dança Criança. Ingressos: R$ 30,00 (plateia e frisa), R$ 20,00 (camarote e balcão) e R$ 10,00 (galeria)”, de acordo com a nota da página 2 do Caderno Alternativo do jornal O Estado do Maranhão.

A palavra voou

e foi parar no Ceará: Beto Ehongue e Celso Borges apresentam o espetáculo A palavra voando em Fortaleza, conforme a imagem abaixo:

Clique para ampliar

Vale muito a pena! Depois não digam que não avisei. Leiam aqui o que escrevi sobre sua mais recente apresentação em São Luís.

As letras voaram

Sobre A palavra voando, ontem (12), 21h, Cine Ímpar (sede do Jornal O Imparcial)

“Todo mundo que se veste com a roupa da utopia/ sofre tanto, sofre muito/ Eu estava nu e não sabia/ Eu e minha namorada/ eu nu e ela nua/ vestidos de utopia/ fomos passear na rua/ tropeço, tombo fatal/ meio fio, meia lua/ baque lindo”.

Os versos de Utopia (Chico César) são os únicos cantados por Celso Borges em A palavra voando, espetáculo poético-musical que apresenta ao lado de Beto Ehongue, vocalista/letrista das bandas Negoka’apor e Canelas Preta – com esta última o poeta se apresentará em agosto, detalhes acá em breve.

Celso Borges, vestido de utopia, desnudou letras de música de suas melodias, as letras, poesia, como a querer responder a um dos grandes dilemas da humanidade, pergunta que ecoa, sample bem humorado, na abertura e no encerramento do espetáculo de cerca de uma hora.

A palavra voa e ecoa por universos distintos, os de Caetano, Gil, Chicos Buarque, César e Maranhão, Torquato Neto, Paulinho da Viola, Vitor Ramil, Milton Nascimento, Zé Ramalho, Lula Cortes, Alceu Valença, Zeca Baleiro, Josias Sobrinho, Sérgio Natureza, Sérgio Sampaio, Raul Seixas – “sem Paulo Coelho”, frisa Celso Borges ao dizer Ouro de tolo em base de samba – entre outros, além de seu mundo próprio, por exemplo trechos do poema Matadouro: “quase nada do boi é do boi/ quase tudo do boi é do homem/ e o que é do homem o bicho não come”.

Beto Ehongue, sentado em frente a um(a) laptoparafernália eletrônica, usa um engraçado óculos escuro e balança as pernas ininterruptamente, como se marcasse os não poucos ritmos que tira de seus equipamentos. As trilhas inventadas por ele ruminam os poemas-ex-letras tornando-lhes outra coisa que ainda não sei o que é: música? Poesia? Outras músicas? Outros poemas? As (letras de) músicas transformando-se em poemas?

É um espetáculo performático em que as palavras voam, alcançando lugares inimaginados. Celso Borges e sua sombra deslocam-se pelo palco e telão. Ecos reverberam propositalmente. A palavra palavra, a sombra da palavra, a sombra do poeta, a asa da palavra, palavra não para fazer literatura, mas para um show de literatura, uma literatura particular. Um show de poesia. E uma poesia de show!

Ecoam em minha cabeça os versos lidos-ditos-cantados pelo poeta em A palavra voando. Letra de música é poesia? Para mim a resposta sempre foi/é/será “depende”. As letras de músicas e trechos usados por Celso Borges no espetáculo são letras e poemas ou ambos, “sim”, a depender da leituraudição que cada um faz delas/deles. Devemos nos fazer, pois, algumas perguntas: toda letra de música é poesia? Toda letra de música é letra de música? Todo poema é poema? Aí a resposta sempre será “não”.

Letra de música é poesia?

Uma não-resposta à pergunta pode ser conferida no show A palavra voando, em que o poeta Celso Borges retira a melodia de 20 letras da música popular brasileira e as (re)lê/(re)diz/recita com trilhas criadas pelo músico/DJ Beto Ehongue.

Amanhã, no Cine Ímpar, detalhes abaixo:

Interrompemos nossa programação

Hoje à noite falei por cerca de duas horas com alunos da disciplina Jornalismo Cultural, ministrada pela professora Joanita Mota, da UFMA, sobre minha atuação, experiências, influências etc., etc., etc.

Estava vendo Flamengo e São Paulo na tevê, secando a ambos, quando um sms me alcança: a queridamiga Micaela me avisava que o Criolina havia levado, no Prêmio da Música Brasileira, o troféu de melhor álbum, por Cine Tropical. É o segundo ano consecutivo que o título fica com maranhenses: em 2010 quem levou foi Zeca Baleiro, pelo duplo O coração do homem bomba.

Eu, que havia resmungado no post anterior, digo o seguinte: é aquela coisa: o prêmio não é o fim, mas se ele vem… bem vindo! Eu não podia deixar de interromper minha programação, vencer o cansaço e dar a notícia.

No Maranhão isso se chama “quebrar a castanha da língua”.

Longa vida ao Criolina, a música do Maranhão está em festa!

Dá-lhe, Criolina!

[Antes um aviso: isso não é jornalismo: é tietagem! Ah, o tempo: impediu-me de transcrever e publicar uma entrevista-lenda-inédita com o duo, para engrossar o caldo de sua torcida. Rolará em breve, fiquem ligados, poucos mas fieis leitores]

Confesso que não sou o cara mais crente em grandes prêmios tipo o Oscar, Grammy ou o de Música Brasileira. Não consigo não ver com desconfiança. Primeiro que o número excessivo de categorias sempre parece querer justificar alguma premiação sem merecimento. Quantos filmes, diretores, atores e compositores antológicos passaram em brancas nuvens nesta ou naquela edição do Oscar? Quantos escritores geniais morreram sem o Nobel de literatura? Por que Vargas Llosa demorou tanto a recebê-lo? O que justifica até hoje Saramago ser o único autor de língua portuguesa a ter recebido um? E nenhum brasileiro? A meu ver faltam critérios. Rabugice minha? Não creio.

Bom, mas hoje é dia de deixar ranzinzices de lado e torcer pelo “casal mais charmoso da música brasileira”, já saudado por Zeca Baleiro (olha aí um excelente nome que não figura entre os finalistas do Prêmio da Música Brasileira de 2011, do que era mesmo que estávamos falando?) como “o melhor acontecimento da música maranhense nos últimos vinte anos”, o Criolina (foto).

Não que o Criolina precise da chancela de algum prêmio, grande ou pequeno. A seleção de Telê Santana de 1982 não ficou para sempre nas memórias e corações dos brasileiros que assistiram ou não aquela fatídica copa?

O Criolina concorre em duas categorias e entre seus concorrentes/finalistas não há nada melhor que seu trabalho: original, sincero, autêntico, talvez até mesmo por ser gestado sem pressa e/ou preocupações com mercado, prêmios e quetais. O páreo é duro: mesmo a, er, “crítica”, er, “especializada”, é, às vezes, de um terrível mau gosto.

Torço pelo Criolina, mas não serei pego de surpresa se em vez de seu Cine Tropical, o melhor álbum escolhido for Cabaret do Rossi, de Reginaldo Rossi, ou 30 anos ao vivo, do Roupa Nova. Ou se a melhor dupla, em vez do Criolina, for Victor e Léo. Ou, pasmem, eles ainda estão vivos e ainda concorrem, Zezé Di Camargo e Luciano.

A premiação acontece hoje. Detalhes e lista completa de categorias e finalistas aqui.

Um ano de Biotônico, hoje

 

Os cérebros do Biotônico

O rádio vai à tv. Modo de dizer: tudo na internet. Hoje (5) os brothers Celso Borges, Otávio Rodrigues e Zeca Baleiro (em ordem alfabética e fotográfica) apresentarão ao vivo dos estúdios da TV Uol o Biotônico, “o seu programa de rádio na rede”, como apregoa um dos slogans/vinhetas do programa “de branco, de índio e de preto”.

A transmissão tem início às 17h. É o 32º. programa do trio webradialista. O Biotônico vai ao ar quinzenalmente e nesta edição serão apresentados duas listas pra lá de nickhornbianas: as 10 melhores cantoras de óculos de todos os tempos e as 10 letras mais bizarras. Mas só se vendouvindo pode crer: com certeza tem muita surpresa pra você!

Música, poesia, curiosidades, bate-papo, descontração e inteligência: é a fórmula do Biotônico. Ouça! E hoje, em especial, veja! A quem não puder assistir no horário da transmissão, a edição de aniversário será gravada e como todas as outras do programa ficará disponível para audições posteriores.

Música e ponto.

Já conhecia e gostava bastante de DonaZica quando ouvi o primeiro disco solo de Andreia Dias, lançado depois dos dois trabalhos da banda em que ela dividia os vocais com Iara Rennó e Anelis Assumpção. Boas letras em melodias idem, opinião que mantive quando tempos depois a moça botou o segundo filho na rua. Parece haver três donazicas agora, com os muito interessantes trabalhos solo de suas três cantoras, embora isso pareça diminuir muito a questão, e não é o que se quer aqui.

A notícia dada por Alê Muniz por msn me entusiasmou: Andreia Dias faria um show em São Luís. Data, horário, local, preço do ingresso, o homem Criolina passou-me todos os detalhes e o blogueiro tentou logo cavar uma entrevista com a cantora paulista, por e-mail.

Ela só me responderia após o show, enxuto – “não deu tempo de ensaiar”, ela me justificaria depois, no bate papo do facebook –, em que cantou apenas três músicas de sua lavra (Asas, O fio da comunicação e Seu retrato), reverenciando grandes mestres: Sérgio Sampaio (Que loucura!), Roberto e Erasmo (Mesmo que seja eu), Cláudio Zoli (À francesa, sucesso de Marina Lima), Benito de Paula (Do jeito que a vida quer) e Zeca Pagodinho (Maneiras, composição de Silvio da Silva).

Andreia Dias iniciou a turnê Fora do Eixo por Belém, no mesmo esquema de São Luís, seu segundo palco na jornada: ao todo serão dez cidades brasileiras, ela viajando sozinha, se aliando a uma produção local e tocando acompanhada por uma banda idem. Ao palco do Novo Armazém na última quarta-feira (15), subiram com ela Edinho Bastos (guitarra), George Gomes (bateria) e João Paulo (contrabaixo). “Com uma banda dessas fica até fácil”, brincou a certa altura.

Os DJs Pedro Sobrinho e Natty Dread foram os pães da noite-sanduíche, cujo recheio contou ainda, além de Andreia Dias, com o casal Criolina Alê Muniz e Luciana Simões, indicados ao 22º. Prêmio da Música Brasileira, na categoria Canção popular, sobre o que falaremos em hora oportuna. Confira a seguir a entrevista que a cantora paulista concedeu com exclusividade, sem pudores nem papas na língua, a este modesto blogue.

Sem papas na língua, ela não poupa ninguém. Sobre a "nova" geração: "tem muita gente mala e bunda mole que acha que 'tá abafando, muita masturbação musical e lixo muito mais pesado sendo consumido"

ENTREVISTA: ANDREIA DIAS
POR ZEMA RIBEIRO

Zema Ribeiro – Em fevereiro você reverenciou Sérgio Sampaio no projeto Bendito é o maldito entre as mulheres. Sérgio é um de teus ídolos? Quais as tuas principais influências?
Andreia Dias – Acabei conhecendo mais o Sérgio através do convite pra esse show [a série homenageou ainda Jards Macalé, interpretado por Camila Costa com participação do mesmo, Tom Zé por Anna Ratto, com participação de Anelis Assumpção, e Jorge Mautner, que participou do show das Chicas]. Virei entusiasta e desde então tenho que cantar umas músicas dele, elas já fazem parte do meu ser. Me identifico muito com a obra dele. Minhas principais influências vêm do gospel, rock e do samba. Depois passei a assimilar outras linhas, mas essas três são as principais vertentes da minha obra. O gospel ainda de forma bem sutil, nota-se em Astro ReiO Fio [da comunicação, música já gravada pela DonaZica, retomada por ela em Vol. 2] etc.  Um dia pretendo gravar um disco de metal do senhor.

Em que momento você “decidiu” ser artista? Quando descobri que não gostava de estudar nem trabalhar. Com 16 anos.

A relação com as ex-colegas da DonaZica parece ser boa, pelas participações delas em teu disco de estreia. A banda acabou ou continua acontecendo em paralelo à tua carreira solo? DonaZica acabou, mas continuamos amigas e participando das fuleiragens umas das outras.

Em recente entrevista ao caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, o cantor, compositor e pensador Rômulo Fróes, disse que “essa é uma geração das mais brilhantes da história da música brasileira”. Como você, que faz parte dessa geração, analisa a afirmação? Eu acho essa afirmação muito pretensiosa, quase arrogante.  Nem sei mesmo se ele falou isso por que também não confio muito nos jornalistas, Nada pessoal, só acho que alguns filhos de Marat [o jornalista francês Jean-Paul Marat, 1743-1793] distorcem  muitas vezes o que dizemos. Se ele disse mesmo, do meu ponto de vista está equivocado. Todas as gerações têm o seu brilho e o seu encantamento, seu peso e sua influência nos costumes e na sociedade como um todo. Nenhuma é mais ou menos que a outra. A nossa tem grande potencial, tem artistas interessantes, mas também tem muita gente mala e bunda mole que acha que ‘tá abafando, muita masturbação musical e lixo muito mais pesado sendo consumido. Falta muita distorção e sangue nos olhos pra muita gente. Acho que essa geração deixa muito a desejar em vários aspectos.

Essa geração, que não dá satisfação, por exemplo, a grandes gravadoras, tem, em tese, mais liberdade para construir sua obra. No entanto, em tempos em que todo mundo é repórter de si mesmo em twitter, orkut, facebook, myspace e toda a internet, “conquistar espaço” parece bem mais difícil. Os discos já não têm mais as vendagens de outrora. Como você enxerga este atual momento da música popular brasileira? Acho que esse é um grande momento pra se saber quem é quem de verdade. A mentira não cabe mais. Tá todo mundo exposto com a cara pra bater. Todo mundo tem potencial artístico e não cabe mais o modelo do artista glamourizado imposto pela  grande mídia. A ditadura do super artista, o ser superior e iluminado está ruindo a cada dia. Ninguém mais deixa de cantar ou tocar sax por que não vai fazer sucesso e precisa trabalhar no escritório pra pagar as contas. Todo mundo pode fazer, as armas estão aí;  partindo deste princípio saberemos quem sobreviveu daqui há uns dez, vinte anos. Daí saberemos se essa geração foi brilhante mesmo.

Música popular brasileira, um conceito, aliás, cada vez mais contestável. Como você define a música que faz? Música, só. Eu faço música. Antes eu gostava de dizer ‘musica popular contemporânea da América latina’. Mas também já acho isso uma punheta. Música e ponto.

Por que batizar os discos simplesmente de Vol. 1 e Vol. 2? Por que fazem parte de uma trilogia ainda em construção.

Você que tem asas e precisa abri-las, para citar a letra de Asas, que abre teu disco de estreia, em que projetos está envolvida atualmente, incluindo próximos discos? Estou em uma circulação por 10 cidades do Brasil através do coletivo Fora do Eixo. A ideia é percorrer 10 pontos em dois meses de viagem. Estou sozinha na estrada e em cada cidade que chego tem uma banda pra me acompanhar. Comecei por Belém onde já gravamos duas faixas inéditas e um videoclipe em parceria com músicos de lá. Minha segunda cidade está sendo São Luís e já comecei uma faixa com o casal Criolina. A ideia é acabar com um disco e um documentário da expedição, que batizei de tatuducerto.

Qual o segredo para tratar dos amores e das inevitáveis rimas para eles, as dores, sem meramente cair no brega, quer coisa mais brega que o amor? Quanto há de autobiográfico e de ficção em tuas letras? O segredo é viajar e se amar acima de tudo. Minha obra é bastante autobiográfica, na música exorcizo meus sentimentos e minhas dores, como também minhas alegrias.

O que você achou do show desta quarta-feira (15) no Novo Armazém? E o que tem achado da cidade? São Luís estava no roteiro desde o começo. Eu, antes de ir pra Belém, já tinha batido uma bola com a Lu [a cantora Luciana Simões], daí então surgiu o convite. Embora aqui não tenha um ponto Fora do Eixo definido, o Criolina atua como representante e através deles foi criada toda a rede de produção e interação com os músicos. Fiquei muito satisfeita com o show e a ideia é voltar em breve e fazer mais shows. Tô amando essa cidade, as pessoas são muito calorosas e a comida muito boa, vou conhecendo aos poucos.

Volto um pouco à questão dos grandes avanços tecnológicos, não só em relação à música: como você enxerga, por exemplo, a questão dos downloads? A seu ver, downloads gratuitos atrapalham ou ajudam as vendas? Acho que deve atrapalhar por que incomoda muita gente. Eu acho massa!! Vamos baixar o universo! Pau no cu das grandes instituições que dependem de vendas, de juros e lucros!! Malditos escravocratas!!!! Tá tudo aí, é só querer pegar. O mundo é nosso e ninguém pode impedir mais a tecnologia. Eles vão tentar, mas a casa deles ‘tá caindo e enquanto isso vamos downloadeando!!

Sobre anjos musicais

O cantor e compositor Bruno Batista acaba de lançar Eu não sei sofrer em inglês, seu segundo disco. Via Facebook ele conversou com o Vias de Fato.

Maranhense nascido em Pernambuco, Bruno Batista (foto) já morou no Piauí e no Rio de Janeiro antes de cravar residência em São Paulo, onde vive hoje. Na terra de São Sebastião gravou seu primeiro disco, que levava apenas seu nome no título, Bruno Batista (2004), elogiado pela crítica. (Re-)gravado por nomes como Cecília Leite, Cláudio Lima e Lena Machado, é um dos principais nomes da cena musical contemporânea do Maranhão.

Na terra da garoa Bruno Batista gravou seu segundo disco, o belíssimo Eu não sei sofrer em inglês (2011). Se no primeiro disco já eram surpreendentes suas elaboradas letras e melodias, neste segundo o cantor e compositor se supera. “O primeiro era um disco sem pretensão nenhuma”, afirma modesto o jovem de fã-clube cada vez maior.

O novo disco ainda nem estava pronto e só chegou às lojas pouco antes deste número do Vias de Fato, já neste maio. Pode ser encontrado nas lojas Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande) e Playsom (Tropical Shopping), além do Bar do Léo (Hortomercado do Vinhais) – onde a reportagem tentou encontrá-lo por duas vezes, conversa adiada diante de problemas na agenda ou do artista ou do repórter.

“Esse jogo não pode ser um a um”, diria outro poeta da canção. O desempate aconteceu via Facebook: pelo site de relacionamentos, entre os dias 7 de abril e 11 de maio, Bruno Batista concedeu a entrevista abaixo ao Vias de Fato.

ENTREVISTA: BRUNO BATISTA
POR ZEMA RIBEIRO

Vias de Fato – Quando é que, de fato, Eu não sei sofrer em inglês será lançado? Bruno Batista – O Eu não sei sofrer em inglês, que já deveria ter sido lançado no fim do ano passado, deverá chegar nas lojas no início de maio [chegou]. O atraso todo se deu no processo de mixagem, que se prolongou além do previsto. Atualmente ele ‘tá na fábrica e, só pra não deixar dúvidas: há realmente um disco no forno, chamado Eu não sei sofrer em inglês, que, muito em breve, estará circulando por aí . Não é lenda urbana, não [risos].

A que se deveu a demora entre a estreia e este segundo trabalho? O primeiro disco, muito embora seja muito importante pra mim pessoalmente, não tinha nenhuma pretensão. A proposta inicial era apenas registrar aquelas canções, de uma forma cuidadosa, claro, com as minhas ideias na época. Mas o fato é que, a partir dele, eu peguei gosto pela coisa – a experiência em estúdio e a troca com as pessoas que ouviram o disco me contaminaram – e passei a considerar, realmente, seguir no terreno musical. Esse tempo sem gravar me permitiu conhecer mais profundamente o mundo da música no Brasil, a enorme quantidade de artistas independentes que faz um trabalho incrível, e me deixar influenciar por eles. Muito embora no Eu não sei sofrer em inglês haja canções feitas há nove anos, além de duas regravações, eu esperei a minha própria música se modificar e se estabelecer em mim pra fazer um novo registro.

Eu não ouvi todos os discos [título de uma das faixas do primeiro disco] não é, mas bem poderia ter sido o título de teu primeiro disco. Eu não sei sofrer em inglês, título do segundo, tem a mesma quantidade de letras daquela faixa que Ricarte Almeida Santos referenciou em artigo de relativa fama no meio jornalístico e intelectual da capital maranhense. Para além dessa coincidência, digamos, numerológica, que diferenças e semelhanças entre um e outro tu poderias apontar? Sério? Que coincidência maravilhosa [risos]. Não tinha atentado para isso. Mesmo. Na verdade, Eu não ouvi todos os discos deveria, sim, ter sido o nome do meu primeiro disco. Não lembro mais a razão de não tê-lo batizado assim. Muito provavelmente se deveu à tal despretensão de que falei. Mas o fato é que, se fosse hoje, esse teria sido o nome do disco. Tanto que é o nome do meu blog [o desatualizado http://www.batistabruno.wordpress.com]. Quanto ao outro ponto, vejo mais diferenças que semelhanças entre os dois álbuns. A começar pela concepção: enquanto aquele recebeu arranjos de um maestro sofisticado – e saudoso – Alberto Farah, este foi gravado em três sessões, com uma banda tocando ao vivo e sem conhecimento prévio das canções. Além disso, penso que também ficou flagrante a inclinação mais “pop” do trabalho, com maior espaço para guitarras, bateria, coros. Mas, sobretudo, acho que ter gravado em São Paulo, com essa geração muito especial de músicos que forma a atual cena paulistana, deu um sabor bem distinto ao disco.

Seu blogue anda meio parado. Como já aconteceu com outra experiência, de blogueiro do jornal O Imparcial, e como aconteceu com o próprio curso de Comunicação Social, que tu abandonaste sem concluir. Podemos dizer que tu abandonou tudo pela música? Ou o cantor e compositor Bruno Batista se conciliará em breve com as letras, passando a trabalheira de “parir” um novo disco? Acho que não tenho muita vocação pra blogueiro, né? [risos]. Mas o instinto jornalístico é muito presente em mim. Vou conciliar as duas coisas, sim, e tem novos projetos vindo por aí.

Sobre estes novos projetos, podes adiantar alguma coisa? Tenho conversado muito com o Pedro Henrique Freire [editor-chefe de O Imparcial] sobre um novo projeto jornalístico. É uma proposta bem legal, mas ainda não posso adiantar muita coisa. E, musicalmente, após passar esse primeiro momento de lançamento do novo disco, quero muito viabilizar o meu trabalho de músicas infantis, além de um grupo de baião. Este último é um desejo antigo, que recrudesce à medida que meu trabalho autoral vai se distanciando dos signos nordestinos. É meio louco isso, não? Mas é o que acontece.

Entre as feras que estão em Eu não sei sofrer em inglês, como foi chegar a nomes como Chico Salem e Marcelo Jeneci, ambos da banda de Arnaldo Antunes, mais Estevan Sinkovitz, da de Kléber Albuquerque, Guilherme Kastrup, que já tocou com Zeca Baleiro, que participa de regravação de Acontecesse, mais Rubi, Juliana Kehl e Tulipa Ruiz? Na verdade, tudo começou quando assisti ao Partimpim, da Adriana Calcanhoto. Lá tinha um percussionista que tirava som de tudo, com muita graça no palco. Foi assim que cheguei ao nome do Guilherme e o procurei pela internet. Mandei algumas canções, ele curtiu, e começamos a pensar no trabalho. Em princípio, ele iria fazer só as percussões mas, ao ouvir o disco Vol. 1, da Andréia Dias, percebi que ele também era um puta produtor e o convidei pra produzir também. Pra minha sorte, ele aceitou e convocou esse time maravilhoso. O curioso é que, exatamente nessa época, eu estava ouvindo muito o Ao Vivo no Estúdio, do Arnaldo, e entusiasmadíssimo com o Jeneci, o Chico Salem. Foi demais poder contar com todos eles. Quanto às participações, uma das coisas mais gratificantes desse disco foi poder dividir uma faixa com o Zeca. Ele sempre foi um dos meus grandes mestres, lembro de ter ouvido um milhão de vezes o [Por onde andará] Stephen Fry, o Vô Imbolá, e acho mesmo que, ele e o Chico César, foram os responsáveis por eu ter me tornado compositor. Isso em falar no prazer de conhecer o Rubi, um dos timbres mais especiais da música brasileira, a Tulipa, que é uma fofa e tem uma personalidade artística incrível. Ambos foram muito generosos e me emocionaram enquanto gravavam. Mas, talvez o mais bacana de tudo, foi a relação que construí com o Guilherme e o Chico. Depois de tanto tempo depurando o disco, burilando, refletindo acerca de todas as questões, ficamos amigos. São músicos fantásticos e pessoas raras.

As referências trazidas por ti, aqui, são bastante contemporâneas: Chico César e Zeca Baleiro não têm, ainda, 20 anos de carreira. Partimpim e Ao vivo no estúdio são discos novíssimos, embora estes conceitos estejam cada vez mais dissolvidos, em tempos de produção musical cada vez mais efêmera, onde tua música não se insere, obviamente, dado o apuro, a preocupação, o cuidado com cada detalhe. Teu blogue homenageia na definição Zico, Kusturika, Oscar Wilde e Waldick Soriano. Tarantino, Marley, Lennon, Bowie, Morris Albert, Bob Dylan, Joan Baez são outras personalidades que passeiam pelas letras de Eu não sei sofrer em inglês. Gostaria de citar outras influências e referências? Sim, eu citei algumas referências contemporâneas porque, atualmente, é o que tenho ouvido com mais frequência. Mas minha memória afetiva, inelutavelmente, me remete a Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Gonzaguinha, Amelinha, Egberto Gismonti, que era o que meu pai ouvia quando eu era criança. Minha casa sempre foi muito festiva e musical, e se consumia, fundamentalmente, música brasileira. Além disso, havia a casa da minha avó, em Teresina, onde passava as minhas férias ouvindo o violão dos meus tios, sobretudo o do meu tio Naeno. A minha maneira de tocar, meu dedilhado, advém dele. É um artista maravilhoso. Quando citei o Zeca como responsável por me tornar compositor foi, além de todo o entusiasmo e impacto que sua música causou em mim, ele ter provado que um artista saído dali, da cidade em que eu vivia, podia, sim, ser bem sucedido, construir uma carreira além muros. Mas, com relação estritamente à herança musical, o meu maior credor, provavelmente, é o Naeno. Um dos meus grandes desejos é, um dia, gravar um álbum só com suas canções.

Se teu primeiro álbum não tinha pretensões, podemos dizer que este segundo te consolida como cantor e compositor, além dos planos e sonhos para o futuro: um disco infantil, outro com canções de Naeno, de quem tu herdas também uma doce melancolia. Em que momento, antes do primeiro disco, tu te sentiste artista? E quando, talvez na feitura do segundo, tu pensaste em fazer deste o teu principal ofício? Na verdade, esta sempre foi uma questão pra mim. Antes do primeiro disco eu nunca me senti, de fato, artista. Não percebia em mim a necessidade de dialogar com as pessoas através da música, nunca tive um fascínio especial pelo palco ou encantamento pela carreira artística. Tanto que as canções que fazia ficavam restritas ao ambiente familiar e, não fosse a iniciativa dos meus pais e irmãos, talvez repousassem lá ainda hoje. Mas, para citar um momento importante, lembro de quando ouvi pela primeira vez a gravação de Já me basta, feita pela Cecília Leite. Ali percebi que eu tinha uma voz e que ela poderia encontrar eco em algumas pessoas. Foi, talvez, a minha primeira afirmação enquanto compositor.

Outros nomes que já te gravaram são Lena Machado e Cláudio Lima. O último, com quem já dividiste o palco em shows, assina o projeto gráfico de teu novo disco. Em tempos em que é possível baixar discos em qualquer esquina virtual, informação e um bom projeto gráfico são, a meu ver, fundamentais. O disco, além de aos ouvidos, precisa agradar aos olhos. Como foi dialogar com Cláudio Lima neste sentido, de dar a cara a Eu não sei sofrer em inglês? Trabalhar com Claudio é sempre um privilégio, é um dos artistas mais sensíveis que eu conheço. A arte gráfica é apenas uma de suas facetas. A de cantor, mais conhecida, dispensa comentários – é um dos melhores do país – mas, além disso, ele escreve, compõe e anda de monociclo [risos]. É de um perfeccionismo comovente, tende a ruminar muito antes de apresentar qualquer trabalho e eu compreendo isso muito bem. Já foi uma delícia poder dividir o show Hein – que fizemos em São Luís em 2008 – e ainda iremos gravar um disco juntos.

Dá para culpá-lo um pouquinho pela demora do Eu não sei sofrer em inglês? Brincadeira [risos]. E aqui o Vias de Fato, novamente, apresenta em primeira mão outro projeto de Bruno Batista: um disco com Cláudio Lima. Ficando no disco novo, vamos ao repertório: por quê abri-lo com regravações de Já me basta e Acontecesse, músicas de teu disco de estreia, a primeira agora ganhando uma levada bumba meu boi, ainda que deixando a tradição de lado, a segunda com participação especial de Zeca Baleiro? [Risos]. Dá sim, ele também tem culpa nisso. Quando fomos selecionar o repertório, acabei apresentando 18 canções para os produtores que iriam comandar o processo. Entre elas, Acontecesse e Já me basta. Pensei: “Já que estou encarando este como meu primeiro trabalho, por que não mostrar tudo o que tenho?”. Eles acabaram escolhendo as duas e, num primeiro momento, eu hesitei. Mas depois veio a possibilidade da participação do Zeca, a gravação de Já me basta foi um dos momentos altos daquele processo, passei a me entusiasmar com os novos arranjos. No fim, elas iriam abrir o disco numa, digamos, coincidência intencional.

Encarar Eu não sei sofrer em inglês como primeiro trabalho não significa renegar Bruno Batista, o disco de estreia, ou significa? E seguindo no faixa-a-faixa: e a faixa-título, soma de referências em música de ninar gente grande? Não, não. Tem a ver, apenas, com a tal despretensão que já mencionei. A faixa-título foi composta na bacia das almas, praticamente dentro da cabine de gravação. Ia gravando os takes e alterando a letra [risos]. Mas tinha tido a ideia uns dois anos antes e sabia que seria o título do disco. Tem uma candura na própria melodia que acabou contaminando o arranjo. Mas gostei da tua definição “música pra ninar gente grande”. Talvez seja isso mesmo, muito embora eu já recebido alguns e-mails do tipo “Bruno, meu filho, sempre que entra no carro, pede pra colocar aquela música do sofrer em inglês”.

A faixa seguinte, Tarantino, meu amor é uma desbragada declaração de amor ao ator, diretor e roteirista, certamente outra referência, um tango, digamos, impuro… Sim. Na verdade, antes de uma declaração de amor, é uma alegoria, uma sacanagem. Acho que tem a ver com ele. É um diretor que eu gosto muito e, na canção, trato de alguns temas que são caros a ele, como a personagem feminina, alguma violência e humor. Ele tem um humor sádico incrível. Originalmente tratava-se de um xote, que era pra dar uma coisa mais louca na canção – um sujeito tão cosmopolita como o Tarantino ser tratado num xote e chamado de “quentín”. Mas o arranjo tomou outro caminho com a banda e acabou, sim, transformando-se num quase tango. Quase.

Depois vem Vaidade, samba-choro modernoso de letra belíssima, com a participação de Rubi, uma das mais belas vozes do Brasil… Sim. A melodia deste samba foi composta em Recife há alguns anos. Lembrei dele quando estávamos selecionando o repertório e fechei a letra. De cara, sabíamos que ela seria uma faixa que teria participação especial, mas faltava definir quem convidar. Foi o Gui Kastrup quem sugeriu o Rubi e eu pirei na ideia. A gravação foi muito especial, o Rubi interpretou magistralmente e, ao final, sem que nos déssemos conta, estávamos todos chorando. Lindo e inesquecível.

Sobre anjos e arraias te devolve ao Nordeste, entre o Pernambuco de nascença e o Maranhão e Piauí da infância e adolescência… Sim, acho que é a faixa mais “nordestina” do disco. A influência pernambucana é mais consciente que atávica, uma vez que não lembro da minha vivência no Recife. Mas ouvi muito Chico Science e toda a geração do mangue beat. Tem o lance do acordeom, a percussão que assume o papel do baixo. Curioso é que essa canção foi criada para ter um único acorde, queria que ela soasse renitente, como um filho que não larga as saias da mãe. O arranjo final amenizou um pouco isso, o que, no fim das contas, acabou me deixando contente.

Quem é a Bonita? Na verdade, Bonita não foi feita especificamente pra ninguém. Partiu de uma imagem, do verso “Que te fez, Bonita!”. Depois, fui delineando a letra.

E Hilda Regina? Hilda Regina já foi inspirada numa amiga que adorava viajar, era castrista e fascinada por música cubana. Por isso, fiz uma salsa em que a personagem passeia pelo mundo.

Para um amor em Paris evoca dois compositores: Paulinho da Viola, por seu Para um amor em Recife e Zeca Baleiro, pela mistura de línguas da letra, o que já ocorria em Hilda Regina Sim, O título de Para um amor em Paris é uma alusão clara á obra-prima de Paulinho da Viola, uma de minhas preferidas da sua obra. Já o uso dos estrangeirismos tem ligação, sobretudo, com os poetas brasileiros modernos, como Jorge de Lima, que se valiam muito desse recurso.

Em Nossa paz, a participação especial de Tulipa Ruiz, personagem de um novo momento da música brasileira que merece ser descoberta por mais e mais gente, tal qual Bruno Batista, que devagarinho vai conquistando seu espaço… A Tulipa é, definitivamente, um novo momento na música do Brasil. Acho que há tempos não aparecia alguém com uma personalidade artística tão singular. E com tanto carisma também. Nossa paz é uma canção terna, cotidiana, que foi composta com essa intenção mesmo. Acho que acabou tendo uma boa aceitação porque muita gente se identifica com aquele sentimento.

E a mulher a quem você aconselha em Lia, não vá? É uma música otimista, esperançosa que, ao suceder Nossa Paz, cria certo momento de aconchego dentro do disco. A Lia, especificamente, não existe, mas talvez tenha inspirada numa antiga namorada que passou por um momento difícil.

E fechando o disco a densa e bela As cigarras As cigarras é meio tropicalista, rápida, esquizofrênica. É o único rock do disco e, por isso, foi até difícil encaixá-la. Quase não entra. Mas acho que ela, também por isso, acaba fechando bem os trabalhos.

Todas as músicas são assinadas por ti, o que também aconteceu no primeiro disco. Compor sozinho é uma opção? Acho que por muito tempo foi uma opção, sim, porque é mais fácil. Não há embate de ideias ou propostas. Mas, com o tempo, você acaba se tornando refém de si mesmo e ter parceiros que possam te desamarrar parece ser o melhor caminho. Tanto que já tenho algumas parcerias com o Chico Salem, Djalma Lúcio e, no próximo álbum, quero explorar bastante essas novas influências.

[Vias de Fato, maio/2011]

Esse cara é massa!

CELSO BORGES*
ESPECIAL PARA ESTE HUMILDE BLOGUE

Xico Sá (foto) tá em São Luís. E isso não é pouco. É difícil a gente encontrar um profissional do nível dele, que combina bom texto + humanismo + ironia + 1 dose de pinga + Waldick Soriano na vitrola + Dom Quixote no coração. Esse cabra do Crato (CE) é um craque da palavra. Desses raros que a gente anda atrás pra saber o que anda escrevendo. E não é pouco. Em 26 anos de jornalismo espalhou seu estilo muito pessoal prum mundaréu de jornais e revistas e ganhou os prêmios Esso e Abril. Na TV faz parte da equipe do programa Cartão Verde, da TV Cultura/SP, ao lado do ex-jogador Sócrates.

Além disso, tem parcerias musicais com o grupo Mundo Livre S/A, é coautor de roteiros de longa-metragem, fez pontas como ator em Crime delicado e O cheiro do ralo. Mas quem disse que é só isso? Xico é também um grande escritor. Nem vou citar todos os títulos. Eu já li dois e adorei: Chabadabadá e Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente. A mim resta incitá-los a procurar nas casas do ramo. É provável que não se ache aqui em São Luís. Grande novidade. Alô livreiros, pelo amor à literatura, peçam os títulos de Xico Sá!

Nunca é demais repetir: Xico é um craque da palavra. Só que ao invés de vesti-la com paletó e gravata, vai buscar excelência de linguagem na poeira das ruas. Em lugar de cátedras, mesas de bar. Cita do suicida da esquina que acabou de tomar formicida e se matou por amor ao valente e essencial Nietzsche. Sabe que no balde da vida a sabedoria tá num e noutro. Em lugar de Mahler, Magal, ou melhor, Mahler e Magal. É antológica sua apresentação ao lado de Sidney Magal.

Diferente de intelectuais e jornalistas formados (alguns deformados) dos anos 50 e 100 (sim, eles continuam vivos), Xico também bebe com prazer do lixo pop. No seu caldeirão de referências coloca o que seria incabível para os letrados de araque. Sou fã da coluna que ele escreve sobre futebol na Folha de S. Paulo. Depois de À sombra das chuteiras imortais, de Nelson Rodrigues, eu pensei que nada fosse me comover tanto.

Eu encontrei Xico umas três, quatro vezes, duas delas em lançamentos de livro, mas é como se fôssemos velhos conhecidos. Tasco-lhe sempre um abraço enorme, que é uma forma de expressar a alegria por tê-lo perto dividindo espantos. Dessa vez não será diferente. Pena que não vai dar tempo de levar esse cara pruma rodada dupla do campeonato maranhense no Nhozinho Santos. Logo ele torcedor do Ibis (PE) e do Santos (SP), amante e devoto de peladas homéricas. Salve, irmão! Seja bem-vindo!

*Celso Borges é jornalista e poeta. Seus títulos mais recentes são Belle epoque (2010), Música (2006) e XXI (2000).

O vinil vive

DJs ainda usam os bolachões para embalar os que se aventuram nas pistas de dança. Brasil tem a única fábrica da América Latina

ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O IMPARCIAL

Falecido no último dia 27 de março, o multiartista pernambucano Lula Côrtes deixou em seu legado o mais raro e mais caro vinil do Brasil: Paêbirú, disco duplo com duplo acento que dividiu com o paraibano Zé Ramalho em 1975. A gravadora Rozenblit, de Recife, responsável pelo lançamento da obra-prima que inauguraria a psicodelia brasileira, ficava às margens do Capibaribe e naquele ano uma enchente levou a maioria das cópias: sobraram apenas cerca de 300, hoje disputadas a tapas e a preço de ouro em sebos Brasil e mundo afora – chega a custar 5 mil reais.

Uma edição em cd chegou a ser lançada por um obscuro selo alemão, sem o mesmo charme. O disco duplo tem seus lados representados por elementos da natureza: terra, água, fogo, ar. É facilmente encontrado para download na internet. Mas o bom e velho vinil ainda exerce fascínio – e isso não é privilégio de Paêbirú.

Vinis de valor – Há vários discos bem valorizados, em lojas físicas ou virtuais, além de colecionadores que comercializam os velhos bolachões. “Entre os brasileiros eu citaria o Racional, de Tim Maia, e os discos de Dom Salvador. Os mais caros que comprei foram de Willie Lindo e de um baixista jamaicano chamado Loyd Parks. Custaram cerca de 300 reais, cada”, afrma o DJ Joaquim Ferreira, da Rádio Zion.

Joaquim, 47, coleciona vinis desde os 16 anos, um hobby que virou “profissão”: ele discoteca há 18 anos.

“A minha opção pelo vinil é a paixão pela música antiga produzida no Brasil e no mundo. De velhos nomes da música popular brasileira temos dificuldade em conseguir bons discos em CD. Em geral as gravadoras não têm mais interesse em lançar este material”, continua.

As agulhas são, para ele, um material de trabalho precioso: Joaquim não usa CDs em suas discotecagens – nem ninguém da Rádio Zion, coletivo de DJs integrado por ele, Marcus Vinicius e outros.

Franklin Santos usa CDs. Mas só quando não encontra vinis. “É uma dificuldade encontrar tudo que se quer em vinil, às vezes é preciso recorrer ao CD. Mas quando tenho o material em vinil, ele é a prioridade. Vinil sempre!”, entusiasma-se. Sua paixão é tanta que carrega tatuado em si um toca-discos.

Jornalista, professor universitário e DJ, Pedro Sobrinho usa CDs mais comumente: “Mas usar os vinis de vez em quando é trabalhar com um artigo de luxo”.

Ele e Franklin concordam em relação às vantagens do CD: a portabilidade, o peso reduzido e a possibilidade de gravação de compilações específicas, para serem usadas em determinadas ocasiões. “Por outro lado, o som do vinil, quando tocado em um equipamento decente é infinitamente melhor que o CD. Além das capas e encartes, maiores e mais bem trabalhados”, comenta Franklin.

Coleções – “A última vez que eu contei, tinha cerca de 4 mil vinis, entre LPs, EPs e compactos. Mas só tenho coisas que me interessam, nenhum disco está ali só para ocupar espaço”, Joaquim Ferreira contabiliza sua coleção. A de Franklin é menor, mas nada desprezível: cerca de 1.500 vinis. Da coleção de Pedro Sobrinho o mais raro é o disco do Bumba meu boi de Pindaré, com a toada Urrou do boi, de Coxinho, que depois seria alçada à condição de “Hino do Folclore do Maranhão” por lei estadual. “Existe obra prima mais rara na música popular brasileira?”, indaga-se, acerca da controversa faixa – Bartolomeu dos Santos, o Coxinho, falecido há 20 anos, nunca recebeu um centavo de direitos autorais.

Onde comprar – Eles dão o caminho das pedras para outros colecionadores: compram tanto em sebos em São Luís quanto fora, em viagens ou pela internet. “Hoje ligo para meus fornecedores, que se tornaram amigos”, conta Franklin. Joaquim recomenda sites como o nacional Mercado Livre e os estrangeiros ebreggae, vpreggae e reggae record. “Apesar do reggae dos nomes dos sites, é possível encontrar discos de funk, soul, jazz, rock e até mesmo música brasileira”, afirma.

Em São Luís os pontos de “pescaria de pérolas” são comuns: a banca do Adriano (João Paulo), a de Seu Domingos (Praça Deodoro) e os sebos Poeme-se (Praia Grande), Chico Discos (Afogados, Centro) e Papiros do Egito (Sete de Setembro, Centro).

Francisco de Assis, o Chiquinho, proprietário do Chico Discos, não consegue contabilizar a quantidade de vinis vendidos: “Não há uma média. Há dias em que não se vende nada, mas tem dias que um colecionador chega aqui e sai com 20, 30 vinis debaixo do braço. Varia muito”.

“Não chega a 80 por semana”, Moema Alvim faz a mesma conta. A professora universitária aposentada abriu o Papiros do Egito como um hobby há mais de 20 anos. Por lá os vinis mais caros são os de reggae e merengue, com preços semelhantes aos de uma raridade como um vinil de Violeta Parra, autora de Gracias a la vida, que pode ser levado por 30 reais.

A fábrica – Sediada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, a Polysom é a única fábrica de vinil da América Latina. A empresa iniciou suas atividades em maio de 1999. Depois fechou as portas, por conta de uma série de dificuldades – pouca demanda, cancelamentos de pedidos, dívidas – sendo reaberta em 2008, após ser adquirida e reformulada por sócios da Deckdisc, seus atuais proprietários.

“Quando topamos entrar nessa verdadeira cruzada que foi a reativação da Polysom, não tínhamos muita ideia do quanto o vinil ainda era cultuado. Agora, a sensação é que o formato acordou de repente. Todo mundo fala em vinil e, ao que tudo indica, todo mundo quer vinil”, arrisca João Augusto, um de seus fundadores.

A Polysom pode ser conhecida em seu site e interessados podem ficar por dentro de suas novidades nas atualizações do twitter. Os vinis fabricados por ela podem ser adquiridos na loja virtual Sete Polegadas, alusão a uma das medidas dos discos (LPs têm 12 polegadas). Lá são encontrados nomes como Secos & Molhados, Chico Science & Nação Zumbi, Tom Zé, Ultraje a Rigor, Titãs, Rita Lee, Jorge Ben, Fernanda Takai, Pitty e Cachorro Grande. Mesmo com o frete grátis, o preço é, ainda, salgado: os compactos custam, em média, 30 reais; LPs podem chegar a 85.

O leque deverá ser ampliado: algumas gravadoras têm demonstrado interesse em relançar em vinil títulos de seus catálogos. “Estamos falando de um catálogo infindável de discos inesquecíveis”, afirma João Augusto. E arremata: “Vou me emocionar muito no dia em que a Polysom produzir os discos do Rei, Roberto Carlos”.

Fora do Brasil nomes como White Stripes, Arctic Monkeys, Radiohead, Foo Fighters e Beach Boys recentemente lançaram trabalhos em vinil.

Pérolas e esmeraldas – Alguns vinis têm a sorte de ganhar reedição em cd. Tornam-se conhecidos da meninada mais nova, antenada. Mas logo voltam ao ostracismo, as tiragens, em geral, pequenas. No começo dos anos 2000 o então baterista dos Titãs Charles Gavin deu início a um árduo trabalho de pesquisa que recolocou diversos títulos brasileiros de primeira importância nas prateleiras das lojas de discos país afora. Raridades como Todos os olhos e Se o caso é chorar, de Tom Zé, Revólver e Ou não, de Walter Franco, Novos Baianos F. C., dos Novos Baianos, além de títulos de Carlos Daffé, Belchior, Guilherme Arantes e muitos outros. Dois vinis em um cd, com reproduções dos encartes e textos de críticos, contextualizando os trabalhos.

Outros discos não têm a mesma sorte, caso da passagem do compositor Chico Maranhão pela gravadora Marcus Pereira, que lançou, entre outros, nomes como Cartola, Papete, Diana Pequeno e Canhoto da Paraíba. De Maranhão, discos como Gabriela (1974), Lances de agora (1978) e Fonte nova (1980), além da estreia dividida com Renato Teixeira, em 1969, ainda anseiam chegar à era digital.

Jorge Benjor irá refazer, ao vivo, o disco Tábua de esmeraldas (1974). Tido por muitos como o melhor disco de sua carreira, é o último em que Benjor – à época apenas Ben – se acompanha tocando violão, instrumento que trocaria pela guitarra. A ideia de regravá-lo em show partiu de um fã, que criou um perfil no site de relacionamentos Facebook pedindo por isso. Ganhou em pouco tempo mais de cinco mil seguidores e convenceu o autor de Os alquimistas estão chegando os alquimistas à empreitada. Não se sabe ainda se o registro ao vivo será lançado em vinil, CD ou em ambos.

Mais

Em busca do vinil
Onde encontrar vinis em São Luís

Banca do Adriano (João Paulo).
Banca do Seu Domingos (Praça Deodoro, ao lado da Biblioteca Pública Benedito Leite).
Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande – (98) 3232-4068)
Papiros do Egito (Rua Sete de Setembro, Centro – (98) 3231-0910).
Chico Discos (Rua dos Afogados, 384-A, altos, Centro – (98) 8812-3433).
 
Raros
Um pouco mais sobre alguns discos raros citados ao longo da matéria

Paêbirú (1975) – Zé Ramalho e Lula Côrtes: Experiência psicodélica nordestina em disco duplo. Tornou-se raridade após uma enchente em Recife levar quase toda a tiragem embora. Sobraram apenas cerca de 300 exemplares – nascia o mito.

Racional (1975; um segundo volume foi laçado no ano seguinte) – Tim Maia: Disco renegado em vida por seu autor, Racional fez a cabeça de muito músico brasileiro. Tim descobriu-se alvo de picaretagem (pelo líder da seita Racional Superior) e até falecer, em 1998, não autorizou reedições do disco. Relançado pela Trama, trouxe CD extra que imitava os chiados do vinil. Atualmente 15 discos do “síndico” são vendidos em coleção que chegará semanalmente às bancas de revistas. O brinde é um inédito Racional Volume 3 para quem comprar a coleção completa.

Lances de agora (1978) – Chico Maranhão: Gravado em quatro dias na sacristia da Igreja do Desterro, no Centro Histórico de São Luís. Como os outros títulos do compositor maranhense na gravadora Marcus Pereira, Lances de agora amarga o ineditismo em formato digital.

[O Imparcial, 5/5/2011]