Pela democracia

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O Teatro João do Vale, na Praia Grande, recebeu aproximadamente 100 pessoas na noite de hoje (28), em ato denominado “Encontro de defensores e defensoras de direitos humanos pela democracia”. Diversos deles deram depoimentos. De alguns o blogue transcreve trechos, abaixo.

Inez Pinheiro, militante do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), cumpriu o papel de mestre de cerimônias, e a artista Lúcia Gato apresentou performance com as músicas Moleque e É, de Gonzaguinha. Ao final, após a leitura de um manifesto em defesa da democracia, por Maria Luiza Mendes e Maurício Paixão [que o blogueiro não copiou mas publicará aqui, depois, editando o post], os presentes entoaram Oração latina (Cesar Teixeira), hino dos trabalhadores e movimentos sociais do Maranhão.

“Vigília é estar em alerta permanente. Estamos correndo o risco de perder tudo o que passamos a vida inteira para conquistar. Não há nada que justifique o impeachment da presidenta. Uma democracia é baseada em eleições. A condução coercitiva de Lula não incomoda por ter sido ele, mas reflete no meu trabalho de militante de direitos humanos, já que daqui a pouco um policial, ao conduzir um jovem, negro, morador da periferia, pode usar como argumento “se até Lula foi levado”… Sem segurança jurídica não se faz defesa de direitos humanos”.
Joisiane Gamba, advogada, coordenadora da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH)

“É preciso defender a democracia que nós conquistamos. A democracia não é abstrata. A participação dos movimentos sociais materializou a democracia brasileira. Defender direitos humanos é defender fundamentalmente uma democracia participativa e para fazer isso é preciso meter o dedo na ferida: ou mudamos o modelo [do sistema político-eleitoral brasileiro] ou só criaremos um bode expiatório para a questão da transferência de recursos públicos para mãos privadas”.
Francisco Gonçalves, professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular

“Eu tenho medo de golpe. Eu nasci em 1941, durante o governo de Getúlio Vargas. Vi o presidente ser deposto, depois vi seu suicídio, depois vi a renúncia de um presidente, vi e vivi os anos da ditadura civil-militar, e estou vendo um hoje que vem de algum tempo, já. É preciso nos debruçarmos sobre a história estúpida e brutal que remonta ao tratado de Tordesilhas. Há muita mentira na história do descobrimento do Brasil e é nessa viagem que se instalam aqui a corrupção e o nepotismo. Desde a reeleição de Dilma Rousseff começaram os anúncios de impeachment. Eu quero defender este Estado democrático de direito. Eles [os oposicionistas] evocam as leis para dizer que não é golpe. [Enfática:] Este impeachment é golpe!
Helena Heluy, advogada, ex-vereadora de São Luís e ex-deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores

“É preciso marcharmos unidos contra o golpe, sem subalternidade. O governo que defendemos é o mesmo que aprovou a lei antiterrorismo que nos pune. Se o próprio governo não tivesse desarmado nossa classe, nós estaríamos num patamar mais organizado de resistência aos fascistas”.
Saulo Pinto, professor do departamento de Economia da UFMA

“Recentemente num aumento da gasolina Dilma foi estuprada em tanques de combustível. O Brasil ocupa um dos últimos lugares entre os países no quesito participação política das mulheres, com uma sociedade extremamente patriarcal e um congresso extremamente conservador. Dilma está passando por isso por que a sociedade é extremamente machista. Quando Collor disse que tinha aquilo roxo, ficou muito bonitinho; quando alguém fala que as mulheres de grelo duro precisam se unir é um escândalo”.
Mary Ferreira, professora do departamento de Biblioteconomia da UFMA

“Não aceitamos a posição da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]. A OAB não pode cometer o mesmo erro de 1964, quando apoiou o golpe e só depois reviu sua posição. Ninguém lembra o nome do presidente da OAB de então, mas todos lembramos o nome de Raimundo Faoro, que levou a OAB a lutar pela democracia. Lula e Dilma não fizeram mudanças radicais, mas garantiram o mínimo a muitos brasileiros: comer todo dia, morar. Isto a elite não suporta, não consegue conviver. A direita não vai parar ao derrubar Dilma: vai dar prosseguimento à cassação de direitos, ao desmonte das ainda insuficientes políticas sociais”.
Mário Macieira, advogado, ex-presidente da OAB/MA, ingressou com uma ação popular na Justiça Federal para afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e, consequentemente, da condução do processo do impeachment

“No mundo inteiro a direita está na rua: na França, nos Estados Unidos, onde [o candidato à presidência] Donald Trump pronuncia uma aberração após a outra. A direita é sustentada pela política do ódio, mantida pela homofobia, pelos feminicídios, pelo ódio de classe. O PT, em nome da governabilidade, se colocou dentro de uma estrutura corrompida que sustenta partidos políticos. É necessária a autocrítica do PT e da esquerda brasileira. Não se trata apenas deste momento, é preciso ser coerente para defender direitos humanos. No atual cenário, Bolsonaro se viabiliza para 2018, Moro já aparece com 8% das intenções de voto em pesquisa e a sanha inquisitorial não vai sumir num passe de mágica. Nós precisamos botar nosso bloco na rua”.
Wagner Cabral, professor do departamento de História da UFMA, presidente da SMDH

Nada está tão ruim que não possa piorar

(OU: A BOBLOGOSFERA E A LEI DE MURPHY)

Sou otimista por natureza.

E por convicção costumo acreditar sempre na possibilidade de mudança das pessoas. Mudança para melhor, é claro!

Como qualquer ser humano comum e imperfeito, reles mortal, também tenho meus dias de acreditar na lei de Murphy, aquela que diz que nada está tão ruim que não possa piorar.

É, sempre pode.

É assim com a blogosfera do Maranhão. Sobretudo o setor que se convencionou chamar “blogosfera suja” ou, no dizer de Márcio Jerry, “boblogosfera”, a blogosfera dos bobos – que de bobos têm nada, são muito é espertos. Embora esperteza não seja, claro, sinônimo de inteligência. Nem de honestidade.

Mas como eu ia dizendo, as coisas sempre podem piorar. Senão, vejamos. Mal saídos de um processo eleitoral para a escolha do prefeito municipal, onde a boblogosfera atuou bastante – quantidade não é, aqui, sinônimo de qualidade –, embora não de forma decisiva, a cidade agora está às voltas com as eleições para a Seccional Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil.

Sim, a cidade. Não digo que o processo eleitoral da OAB/MA em curso deva ou devesse interessar apenas a advogados. Mas daí à boblogosfera entrar da maneira mais desqualificada impossível no debate é um pouco demais.

Há pouco mais de seis meses assassinaram o jornalista Décio Sá, inegavelmente um representante da boblogosfera. Qual este blogueiro, o advogado Luís Antônio Câmara Pedrosa, também blogueiro, limpo e independente, pronunciou-se sobre o crime. E na condição de Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA buscou cumprir seu papel: contribuir para a elucidação do crime e para a punição dos culpados. Não teceu, no entanto, falsas loas ao blogueiro assassinado, de cuja postura discordava, posicionamento que já havia deixado claro, inclusive ao próprio, em vida.

Caso não lembrem, a Assembleia Legislativa não recebeu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, presidida por Domingos Dutra (PT-MA). Pedrosa e sua CDH-OAB/MA fizeram-no. Como de praxe, a boblogosfera procurou desvirtuar os fatos, distorcê-los a seu bel prazer e de acordo com suas conveniências e interesses. Chegaram a pedir até que o advogado blogueiro fosse afastado de suas funções classistas, acusando-o, pasmem!, de racismo. Vejam só, Pedrosa, uma das maiores “autoridades” brasileiras em se tratando de direitos de comunidades negras.

Como quis, à época, interferir na atual gestão da OAB/MA, destituindo-o da presidência da CDH-OAB/MA, a boblogosfera agora quer, por força de suas conveniências e interesses pecuniários escusos, interferir na formação da chapa com que Mário Macieira concorrerá à reeleição para a presidência da OAB/MA.

Querem dizer que houve retrocesso da entidade e particularmente daquela comissão na defesa dos Direitos Humanos, querem transformar Pedrosa em “persona non grata”, querem qualquer negócio para interferir nos resultados das urnas em que os advogados decidirão os rumos da entidade que lhes representa.

A boblogosfera que agora ressente-se de uma infundada por que inexistente omissão da OAB/MA em relação a temas de Direitos Humanos é a mesma para quem  comumente Direitos Humanos é apenas o apelido de um cassetete, empunhado em riste, com dizeres do tipo “ó aqui pra bandido, marginal, vagabundo!…”

À boblogosfera faltou apenas pedir o voto ao candidato da oposição, o que não lhes seria demais, dada a cara de pau e empáfia, embora talvez este serviço custe mais caro e possa vir a ser feito num momento futuro, oportunamente. Eu, fosse advogado e votasse no pleito em questão, se não tivesse nenhum outro bom motivo para reeleger Mário Macieira, o faria apenas apostando que certamente sua Comissão de Direitos Humanos continuaria atuante e combativa, com Pedrosa ou quem vier a substituí-lo na função.

Parece que a campanha está apenas começando.

Nada está tão ruim que não possa piorar, repito. A gente morre e não vê de tudo, diz o dito, mas é capaz de a gente ainda vir um dia a ler boblogueiros querendo interferir em eleições para síndicos de condomínios.