Nada está tão ruim que não possa piorar

(OU: A BOBLOGOSFERA E A LEI DE MURPHY)

Sou otimista por natureza.

E por convicção costumo acreditar sempre na possibilidade de mudança das pessoas. Mudança para melhor, é claro!

Como qualquer ser humano comum e imperfeito, reles mortal, também tenho meus dias de acreditar na lei de Murphy, aquela que diz que nada está tão ruim que não possa piorar.

É, sempre pode.

É assim com a blogosfera do Maranhão. Sobretudo o setor que se convencionou chamar “blogosfera suja” ou, no dizer de Márcio Jerry, “boblogosfera”, a blogosfera dos bobos – que de bobos têm nada, são muito é espertos. Embora esperteza não seja, claro, sinônimo de inteligência. Nem de honestidade.

Mas como eu ia dizendo, as coisas sempre podem piorar. Senão, vejamos. Mal saídos de um processo eleitoral para a escolha do prefeito municipal, onde a boblogosfera atuou bastante – quantidade não é, aqui, sinônimo de qualidade –, embora não de forma decisiva, a cidade agora está às voltas com as eleições para a Seccional Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil.

Sim, a cidade. Não digo que o processo eleitoral da OAB/MA em curso deva ou devesse interessar apenas a advogados. Mas daí à boblogosfera entrar da maneira mais desqualificada impossível no debate é um pouco demais.

Há pouco mais de seis meses assassinaram o jornalista Décio Sá, inegavelmente um representante da boblogosfera. Qual este blogueiro, o advogado Luís Antônio Câmara Pedrosa, também blogueiro, limpo e independente, pronunciou-se sobre o crime. E na condição de Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA buscou cumprir seu papel: contribuir para a elucidação do crime e para a punição dos culpados. Não teceu, no entanto, falsas loas ao blogueiro assassinado, de cuja postura discordava, posicionamento que já havia deixado claro, inclusive ao próprio, em vida.

Caso não lembrem, a Assembleia Legislativa não recebeu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, presidida por Domingos Dutra (PT-MA). Pedrosa e sua CDH-OAB/MA fizeram-no. Como de praxe, a boblogosfera procurou desvirtuar os fatos, distorcê-los a seu bel prazer e de acordo com suas conveniências e interesses. Chegaram a pedir até que o advogado blogueiro fosse afastado de suas funções classistas, acusando-o, pasmem!, de racismo. Vejam só, Pedrosa, uma das maiores “autoridades” brasileiras em se tratando de direitos de comunidades negras.

Como quis, à época, interferir na atual gestão da OAB/MA, destituindo-o da presidência da CDH-OAB/MA, a boblogosfera agora quer, por força de suas conveniências e interesses pecuniários escusos, interferir na formação da chapa com que Mário Macieira concorrerá à reeleição para a presidência da OAB/MA.

Querem dizer que houve retrocesso da entidade e particularmente daquela comissão na defesa dos Direitos Humanos, querem transformar Pedrosa em “persona non grata”, querem qualquer negócio para interferir nos resultados das urnas em que os advogados decidirão os rumos da entidade que lhes representa.

A boblogosfera que agora ressente-se de uma infundada por que inexistente omissão da OAB/MA em relação a temas de Direitos Humanos é a mesma para quem  comumente Direitos Humanos é apenas o apelido de um cassetete, empunhado em riste, com dizeres do tipo “ó aqui pra bandido, marginal, vagabundo!…”

À boblogosfera faltou apenas pedir o voto ao candidato da oposição, o que não lhes seria demais, dada a cara de pau e empáfia, embora talvez este serviço custe mais caro e possa vir a ser feito num momento futuro, oportunamente. Eu, fosse advogado e votasse no pleito em questão, se não tivesse nenhum outro bom motivo para reeleger Mário Macieira, o faria apenas apostando que certamente sua Comissão de Direitos Humanos continuaria atuante e combativa, com Pedrosa ou quem vier a substituí-lo na função.

Parece que a campanha está apenas começando.

Nada está tão ruim que não possa piorar, repito. A gente morre e não vê de tudo, diz o dito, mas é capaz de a gente ainda vir um dia a ler boblogueiros querendo interferir em eleições para síndicos de condomínios.