Aperitivo

Single Os antidepressivos vão parar de funcionar. Capa. Reprodução

 

O cantor e compositor Kleber Albuquerque disponibilizou nas principais plataformas de streaming o single Os antidepressivos vão parar de funcionar, música de sua autoria que dá título ao seu próximo disco, o 10º. de sua carreira, se incluídos o artesanal 5 coisas que eu podia dizer no lugar de eu te amo [2013] e Contraveneno [2017], dividido com o cantor Rubi, um dos principais intérpretes de sua obra.

Os antidepressivos vão parar de funcionar, título retirado de uma pichação num muro paulistano, deve ser lançado em formato físico em março de 2019, pelo selo Sete Sóis, do poeta e parceiro Flávvio Alves, e até lá Kleber Albuquerque disponibilizará na rede uma faixa por mês, antecipando ao fã clube mais ou menos a metade do novo álbum, gravado em São Paulo, no estúdio Parede-Meia (título de música de Kleber gravada também por Ceumar e Rubi).

O artista revelou a Homem de vícios antigos que a temática do novo álbum “girará por este caminho”: “são, de certa forma, crônicas musicais sobre coisas do dia a dia”.

O blogue também teve acesso à segunda faixa do disco, outra composição solitária de Kleber Albuquerque, intitulada Meu perfil no face. “Meu perfil no face mente sobre mim/ o meu sorriso mente/ o meu olhar contente mente/ e quando acordo meu espelho mente/ deslavadamente sobre mim”, começa a letra, pontuada, qual a faixa-título, pela singeleza melódica alinhavada pelo próprio Kleber Albuquerque (guitarra, assobio, voz) e Rovilson Pascoal (guitarra, ukulele, cavaco e teclados).

*

Logo mais às 12h25 (após a transmissão da propaganda eleitoral gratuita), na Rádio Timbira AM (1290KHz, ouça ao vivo), o Balaio Cultural, com Gisa Franco e este blogueiro, tocará o single. Leia a letra:

Os antidepressivos vão parar de funcionar (Kleber Albuquerque)

Cuidado, menina, menino, cidadão, cuidado!
Olhe bem para os dois lados antes de atravessar
Sorria, menino, menina, você está sendo filmado
Consulte seus advogados
Unânimes vão lhe afirmar

Que os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Tecle dois se quiser aguardar
Tecle três para ouvir a musiquinha tocar
Tecle seis para dizer até logo
Ou espere para falar com o atendente
E então siga em frente
E enfrente a fila dos inconformados
Mas se quer um conselho, espere sentado
Porque vai demorar

E os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Cuidado, menino, menina
Mil olhos tem a cidade
Finja naturalidade
Ou todos podem suspeitar
Que na calada da noite
Calado você também sabe
Que os antidepressivos vão parar de funcionar

Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

O horizonte musical comum de Kleber Albuquerque e Rubi

Contraveneno. Capa. Reprodução
Contraveneno. Capa. Reprodução

 

Os caminhos musicais de Kleber Albuquerque e Rubi começaram a se cruzar há 20 anos, quando o segundo ouviu o primeiro disco do primeiro e foi procurar o lendário Mário Manga (ex-Premeditando o Breque) para produzir também seu disco de estreia.

Suas estradas continuaram se cruzando ao longo da carreira, com um participando de discos do outro (Kleber é um dos principais compositores do repertório de Rubi), além da participação comum em trabalhos de artistas como Zé Modesto.

No fim do ano passado estrearam o show Contraveneno, batizado por parceria de Kleber com Flávvio Alves, poeta-produtor à frente da Sete Sóis, que lança os discos da dupla, e com que passaram por São Luís em outubro passado. O show virou disco. Era o horizonte comum que faltava em suas trilhas.

O clima intimista e delicado do show foi transposto para o registro, gravado ao vivo no estúdio Parede Meia. Rubi (voz e violão requinto) e Kleber Albuquerque (voz e violão), que assina o projeto gráfico do disco, são acompanhados por Mário Manga (violoncelo) e Rovilson Pascoal (guitarra e violão).

Kleber Albuquerque é um dos mais sensíveis e talentosos compositores de sua geração e Rubi está entre os melhores cantores do Brasil, quando se conjugam suas qualidades vocais e a seleção de repertório.

Poderiam ter optado por fazer um disco com o melhor destes 20 anos, mas talvez isso soasse óbvio demais. Entre as músicas de seus repertórios a mais conhecida é Ai (Kleber Albuquerque/ Tata Fernandes), já gravada por ambos: “Deu meu coração de ficar dolorido/ arrasado num profundo pranto/ deu meu coração de falar esperanto/ na esperança de ser compreendido”, diz a letra.

Procura no Google e Geração (ambas de Kleber Albuquerque) completam a parte mais conhecida do repertório, ao lado do choro Cerol e da faixa-título, gravadas no disco Outras canções de desvio, de Flávvio Alves, parceiro de Kleber Albuquerque em ambas.

O gosto pela chamada música caipira é outra praia comum da dupla, evidenciada pelos registros plangentes de Castelo de amor (Nenzico/ Creone/ Barrerito), do Trio Parada Dura, que abre o disco, e Eta nóis (Luli/ Lucina).

Kleber e Rubi mostram que suas antenas captam ainda sinais tão distantes quanto os do pernambucano Juliano Holanda (de quem gravam Sem tempo) e a argentina Maria Elena Walsh (Como la cigarra).

A quem não conhece o trabalho de Kleber Albuquerque e Rubi, Contraveneno é ótima porta de entrada. A quem já conhece, há provas de que a safra de inéditas mantém o nível que pavimentou suas estradas – comuns: a caymmiana Milonga da noite preta e o hilariante reggae Papai Noel tomou gardenal (ambas de Kleber Albuquerque), que conta as aventuras de um bom velhinho que se cansa dos sininhos de natal e se aventura por outros ritmos na Jamaica e no Brasil.

Do repertório do Premeditando o Breque, Lava rápido (Wandi Doratiotto) fecha Contraveneno. Uma homenagem aos vanguardistas-paulistas, competentemente representados no disco por Mário Manga. Muito justa: afinal de contas, foi com ele que tudo começou.

Encruzilhadas poéticas

Outras canções de desvio. Capa. Reprodução
Outras canções de desvio. Capa. Reprodução

 

Outras canções de desvio [Sete Sóis, 2016] é trabalho de meticulosa ourivesaria. O disco, assinado pelo poeta Flávvio Alves, reúne poemas seus musicados por Kleber Albuquerque (Cerol, Orquídea cósmica, Teus olhos meus, Contraveneno e Desvio), Du Gomide (Quase lá), Carlos Careqa (Às traças), Richard Serraria (Mantra), Gabriel Schwartz (Novo amor antigo), Assis Medeiros (Em vão) e Fred Martins (Dois). Em uma faixa-bônus Kléber Albuquerque canta trecho de poema de Fernando Pessoa: “dorme, que a vida é nada!/ Dorme, que tudo é vão!/ Se alguém achou a estrada,/ achou-a em confusão,/ com a alma enganada”.

Nas 12 faixas a fina flor do que se convencionou chamar de nova MPB. Além dos compositores citados, cantores e instrumentistas surgidos no cenário nacional a partir de meados da década de 1990. Daniel Groove (Cerol), Kléber Albuquerque (Quase lá, Teus olhos meus, Mantra, Novo amor antigo e o trecho do poema de Pessoa), Carlos Careqa (Às traças), Fred Martins (Dois), Renato Braz (Orquídea cósmica, em dueto com Fred Martins), Aline Nascimento (Contraveneno, em dueto com Kléber Albuquerque), Ceumar (Desvio) e Elaine Guimarães (Em vão) emprestam sua voz aos poemas de Flávvio Alves, acompanhados por Rovilson Pascoal (contrabaixo, cavaquinho, guitarra, violão, ukulelê, teclado, violão 12 cordas, teremim e loops rítmicos), Gustavo Souza (percussão), Luque Barros (violão sete cordas), André Bedurê (contrabaixo em Contraveneno), Simone Sou (percussão em Desvio), Luiz Gayotto (percussão e percussão vocal em Novo amor antigo) e Estevan Sinkovitz (guitarra em Dois).

Desde aquela época, esta constelação tem sido responsável pelo lançamento de discos primorosos, parte deles pelo selo Sete Sóis, cujo principal nome por trás é justamente Flávvio Alves, que, ao agradecer a Kleber Albuquerque, em texto no encarte, afirma: “sem ele este trabalho não existiria, seria um dos tantos arquivados em minha gaveta”. A julgar pela beleza deste, não hesitamos em afirmar: é preciso desengavetar. Nome que mais aparece no encarte de Outras canções de desvio, o cantor e compositor assina também seu projeto gráfico, à altura da beleza do conteúdo – também pelo Sete Sóis, Kléber Albuquerque acaba de lançar um disco dividido com o cantor Rubi, intitulado justamente Contraveneno [2017], produzido por Flávvio Alves, cujo show passou pela Ilha ano passado.

Aos que julgam discos – e livros – pela capa, não se enganarão os que se arriscarem por ela, que aí começa a beleza deste disco: a ilustração de um violeiro numa encruzilhada – um dos possíveis desvios do caminho – é do escritor e desenhista Lourenço Mutarelli. A ele e sua esposa Lucimar, Flávvio Alves dedica Dois: “tudo tem sua vez/ mas toda vez/ vem depois de nós dois”, “posso ouvir teu olhar/ posso ver tua voz” e“tudo tem um talvez/ mas com você/ tudo é certo demais”, diz a letra.

Basicamente são canções de amor, mas nada há de piegas em Outras canções de desvio, disco que levanta o astral e o polegar positivamente e com rara categoria para responder à questão batida: letra de música é poesia? “De toda farsa imensa sempre em cada dia/ Nada ultrapassa a força bruta da poesia/ Em meio à massa a moça fica mais bonita/ é frágil a louça, ágil a fantasia”, diz a letra de Às traças.

Outro exemplo?: “era tanta magia/ no olhar da poesia/ raspas de luar/ mel de melodia”, em Teus olhos meus. Mais um?: “que haja sempre uma rede no alpendre da ilusão/ um novo verso no ventre universo/ e um maço de canção/ um novo verso no ventre universo/ pra tanto tropeço e decepção”, em Mantra. Deleitem-se e tirem suas próprias conclusões.

A sinceridade de Kleber Albuquerque e Rubi

Cantores apresentam o show Contraveneno logo mais às 20h30 no Cine Praia Grande

Foto: ZR (28/10/2016)
Foto: ZR (28/10/2016)

É praticamente a estreia de Contraveneno, o show que Kleber Albuquerque e Rubi apresentam logo mais, às 20h30, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), com produção da Sete Sóis (selo que lança seus discos) e produção local de Gilberto Mineiro. Ou pelo menos é, com essa formação: eles serão acompanhados por Rovilson Pascoal (guitarra) e Mário Manga (violoncelo).

O show deve circular e há a vontade de transformá-lo em disco. A ideia para o espetáculo em parceria surgiu há pouco mais de um mês, mas as carreiras de Kleber e Rubi se cruzam há bastante tempo. Rubi se lembra de, ao ouvir o disco de estreia de Kleber [17.777.700, de 1997], ter procurado o produtor Mário Manga, através de quem se conheceram. Contraveneno acaba sendo também uma espécie de reencontro, quase 20 anos depois.

Estamos diante de dois dos mais autênticos e sinceros artistas surgidos para o mercado fonográfico a partir da segunda metade da década de 1990. Compõem e cantam simplesmente o que lhes emociona. Ou isso ou nem tentam, como provam suas trajetórias regulares de discos tão belos quanto verdadeiros, com temas que vão do amor a questões sociais.

Homem de vícios antigos encontrou-os na manhã desta sexta-feira (28), em frente ao hotel em que se hospedaram, na Avenida Litorânea. Conversamos com os cantores entre idas e vindas dos músicos para uns mergulhos na praia do Calhau. A conversa foi acompanhada também pelos produtores Flávvio Alves (Sete Sóis) e Gilberto Mineiro. A seguir, os melhores trechos da conversa à beira-mar.

Foto: ZR (28/10/2016)
Foto: ZR (28/10/2016)

Contraveneno já tinha sido apresentado ou é um show novo?
Rubi – Estamos estreando esse show. A primeira mostra foi em Londrina. Mas sem o Rovilson e sem o Mário Manga. A gente pretende fazê-lo girar, circular. Com essa formação, preferencialmente.
Kleber Albuquerque – É uma alegria muito grande ter o Manga novamente, ele produziu nossos primeiros discos. Eu nem tinha pensado nessa coisa de 20 anos há até umas duas semanas. O Flávvio comentou de a gente gravar o disco novo.

Por falar nisso: e o disco novo? Ou: há a chance de Contraveneno virar disco?
Kleber – É um projeto muito recente, um mês e meio. A gente se encontrou em casa, o repertório já surgiu.
Rubi – A gente conviveu muito durante muito tempo, tínhamos afinidade com algumas canções e o universo musical de alguns artistas muito próximos da gente. A referência é família, rádio. A gente tem algumas coisas que confluíam muito. Quando a gente se encontrou agora, acordou um monte de coisas dessa memória.
Kleber – Foi muito natural. A gente ia lembrando, o show tá quase na ordem disso.

É um best of?
Kleber – Tem muitas músicas inéditas. Em alguns momentos, canções muito próprias do trabalho dele, a alegria de cantar em duas vozes, músicas que eu ouvia quando era moleque.
Rubi – Uma coisa que ficou muito clara a partir do encontro é a delícia que é cantar junto. Eu gosto muito de cantar com ele. Eu sempre gostei muito de cantar com ele.

Quando eu ouço o título Contraveneno eu penso em antídoto. A música de vocês se pretende antídoto pra quê?
Kleber – Eu tenho a impressão de que essa questão do antídoto, no sentido de um remédio, um medicamento que melhore um pouco a vida, ele é especialmente pra gente, um contraveneno pessoal, pra suportar a vida. Esse nome vem de uma das canções do repertório, no sentido de não se render, uma certa resistência, embora as canções inéditas não sejam propriamente panfletárias, as letras têm um foco social, um olhar político por trás das letras.
Rubi – De uns tempos pra cá eu comecei a entender por onde a minha arte passeia. Eu me questionava com relação às minhas escolhas, a meu repertório. Uma coisa que ficou muito forte de uns tempos pra cá é o compromisso de eu viver a minha arte. Eu canto pelo viés da emoção. Quando eu canto tanto eu quero me sentir tocado pela canção, quanto criar a possibilidade de despertar essa sensação, essa emoção, não só pela coisa política do discurso em si. A gente tem vivido tempos muito ásperos, de muita intolerância, tudo é muito veloz, e isso tira o tempo de reflexão. Eu gosto de cantar coisas que mexem com minha emoção. Eu não vejo quem me escuta de maneira passiva. Pra mim é uma troca, é um vai e vem. Quem para para ouvir, é tão importante quanto a gente que toca. Ter um bom ouvido é tão importante quanto ter o que dizer.

As formas de o público lidar com a música têm mudado, mas vocês ainda fazem discos.
Kleber – Talvez mais por fetiche. Pro artista é muito bom ter algo pra te dar uma unidade. Antigamente você fazia o compacto com uma canção só e hoje está voltando, por conta da internet. Hoje você pensa em 13 canções e tem a oportunidade de pensar em uma unidade para o trabalho. Essa forma de embrulhar ainda é usada mais por uma questão de resquício do formato que por uma exigência de mercado. Há um valor simbólico, mas essas coisas estão se transformando mesmo.
Rubi – Isso de você fazer sua própria trilha, você não ouve um álbum. As pessoas não estão mais habituadas. Você se conecta, ouve a música, acha interessante, vai saber se você vai lembrar do autor? Vão ficando as células, não fica o corpo.

Vocês sempre trazem, em suas obras, a questão social.
Kleber – Às vezes é o amor que afeta, mas do meu ponto de vista, como uma pessoa que tá vivendo a vida, é uma forma de elaborar pessoalmente. Pra mim acaba sendo uma extensão natural lidar com alguns temas. Eu não me acho apto a dizer nada pra vida do outro, a falar o que é certo ou o que é errado. Por outro lado, essas coisas acabam envolvendo a gente de uma forma mais forte do que em outras épocas. A força da palavra poética pode vir a ter uma importância grande como já teve, não pra música, mas pra vida das pessoas. Eu, tirando pra mim, tenho algumas canções, alguns versos, que influenciaram minha vida a ponto de eu descobrir que eu queria fazer isso. A música, a poesia, a arte de modo geral, têm um poder transformador.
Rubi – Eu tenho uma coisa muito forte pra mim. Com o passar do tempo a gente vai maturando. As pessoas me imaginam cantando x, y, z. Meu critério não é o que o outro imagina. É duro falar assim, mas é exatamente isso. Eu preciso estar envolvido. A música pode demorar uma vida inteira para me escolher, mas a música tem que fazer um sentido pra mim. Eu não me considero um cantor, minha formação acadêmica [Rubi é bacharel em artes cênicas] não tem nada a ver com música. Toda minha ligação com a música é muito intuitiva. Muito nesse lugar de me respeitar dentro de cada canção, respeitar a canção e me colocar dentro dela. Eu dependo muito das minhas escolhas, eu preciso da minha relação com aquela obra pra ela se expressar através de mim. Todo meu processo de canto passa pela palavra, eu tenho um amor pela palavra muito grande. Minhas escolhas caem muito aí. A canção é minha dramaturgia, por que eu sou ator. Eu não me considero um cantor, de fato. Quem canta em mim é o ator.

Ouçam Brasa (Kleber Albuquerque), com Kleber Albuquerque:

Ouçam Ai (Kleber Albuquerque/ Tata Fernandes; poema incidental: Gero Camilo), com Rubi:

O baile da Banda Mirim

Cena de Sapecado. Foto: Georgia Branco

 

Oito anos depois de sua montagem original, o espetáculo Sapecado, da Banda Mirim, chega à São Luís nesta quarta-feira (15), graças ao apoio da Petrobras – a montagem original foi possível graças ao apoio do Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Em 2008, ano da primeira montagem, Sapecado levou diversos prêmios: Associação Paulista de Críticos de Arte de melhor texto e melhor espetáculo, Femsa de Teatro Infantil e Jovem de melhor trilha sonora original e melhor espetáculo infantil, Cooperativa Paulista de Teatro de melhor espetáculo juvenil e melhor trilha original, Júri Guia da Folha de melhor espetáculo infantil e Revista Veja de melhor espetáculo infantil.

A trilha sonora e direção musical, um espetáculo à parte, são assinadas por Kléber Albuquerque e Tata Fernandes. A trupe é formada por elenco estelar, que mescla atores e músicos, entre os quais nomes que figuram em fichas técnicas de discos e shows de artistas como Ceumar, Chico César, Itamar Assumpção e Zeca Baleiro, todos figuras de destaque na música brasileira, parceiros dos autores da trilha.

Marcelo Romagnoli assina texto e direção do espetáculo. Baseada em São Paulo, a selva de aço e concreto, a Banda Mirim, 12 anos de estrada, cai na estrada com um espetáculo que tem uma estrada por cenário: Assunta Felizarda de Jesus (Claudia Missura) vive sozinha na roça, acompanhada apenas por seu cachorro Rex (Edu Mantovani). Um dia recebe um convite, trazido pelo carteiro Adauto (o excelente cantor Rubi), para ser madrinha do casamento da comadre Dete Mandioca. Juntos, os três cruzam a estrada do Bromongó até a Vila do Sapecado para participar do baile.

Parte dos 70 minutos do musical infantil se passa na viagem até a festa. As lembranças de uma infância vivida no interior forneceram elementos para Romagnoli construir o texto. “Lá a música rodeava tudo. Era dupla que cantava, era baile na igreja, sanfoneiro pelo caminho, rádio AM. Tinha história de mata cerrada, rio, bicho, noite escura, estrada de terra, que nem a estrada do Bromongó, onde a alma é grande e a gente é pouca”, conta o diretor em release distribuído aos meios de comunicação.

Cena de Sapecado. Foto: Andrea Pedro
Cena de Sapecado. Foto: Andrea Pedro

Amizade, fraternidade e respeito são valores que permeiam o espetáculo, no fundo pensado para crianças de qualquer idade. “São temas que para nós, da Banda Mirim, são legados importantes, para dizer às crianças o que nós acreditamos como adultos: que o amor, a amizade e o sublime ainda são possíveis”, continua.

A ida de Assunta, Adauto e Rex ao baile é ilustrada musicalmente por parcerias de Kléber e Tata, entre um fox de trilha sonora para o namoro de vacas e sapos no brejo ou o desafio-repente entre a Benzedeira e o Coisa-Ruim na mata fechada. “Uma das coisas mais prazerosas deste trabalho foi podermos mergulhar musicalmente nesse universo da música caipira, na poesia, no humor, nas danças, nos ritmos deste Brasil profundo, desse lugar que é um outro tempo”, revela Albuquerque.

Com elenco formado por 11 artistas, a apresentação da Banda Mirim acontece nesta quarta-feira (15), às 15h e às 19h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro), ambas com entrada franca – ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro.

A primeira sessão é voltada a alunos de escolas públicas e instituições de defesa dos direitos da criança e do adolescente; a segunda, aberta ao público em geral. A trupe realizará ainda em São Luís dois encontros artísticos: um com grupos de teatro, músicos, estudantes de artes cênicas e agentes locais dedicados às artes para crianças e jovens, no espaço Re(o)cupa (Rua Afonso Pena, 20, Centro); outro com crianças, mestres e brincantes do tradicional Bumba Meu Boi de Maracanã, na sede da agremiação, na comunidade homônima.

Na passagem pela Ilha a Banda Mirim fará ainda doações de CDs, livros e revistas a escolas públicas, instituições, associações comunitárias, grupos de teatro e cultura popular participantes dos encontros, artistas, músicos e entidades envolvidas nas atividades realizadas nas cidades da turnê, que passa também por Belo Horizonte, Brasília e Goiania.

Assista clipe do musical:

Ficha Técnica

Texto e direção: Marcelo Romagnoli
Trilha sonora e direção musical: Kléber Albuquerque e Tata Fernandes
Elenco: Claudia Missura, Rubi, Tata Fernandes, Simone Julian, Nina Blauth, Nô Stopa, Foquinha, Olívio Filho, Lelena Anhaia, Edu Mantovani e Alexandre Faria
Figurinos: Verônica Julian
Assistente de figurinos: Maria Cristina Marconi
Cenário e desenho de luz: Marisa Bentivegna
Cenotécnicos e contrarregras: Luiz Cláudio Fumaça, Jean Marcel e Rodrigo Oliveira
Engenheiro de som: Ernani Napolitano
Danças brasileiras: Silvia Lopes
Consciência corporal: Gisele Calazans
Direção de movimento: Cláudia Missura
Produção executiva: Andrea Pedro
Assistente de produção: Bianca Muniz
Apoio: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, Programa de Ação Cultural (PAC) de 2008
Patrocínio Circulação 2016: Petrobras

Serviço

O quê: Musical Infantil Sapecado
Quando: quarta-feira (15), 15h (sessão especial para alunos de escolas públicas e crianças e adolescentes atendidos por instituições de defesa dos direitos da criança e do adolescente) e 19h (sessão aberta ao público). Apresentações com intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Onde: Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro)
Quanto: entrada franca. Retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes do início da apresentação.
Classificação indicativa: livre. Recomendado a partir de cinco anos.
Duração: 70 minutos

Quem bancou a bancada da bola, da bala, da bíblia, do boi?

Crônica do cotidiano nacional, A banca, música nova de Kléber Albuquerque. Vejam, ouçam e espalhem! O Brasil agradece.

Como é que se diz eu te amo

[O Estado do Maranhão, Alternativo, ontem]

10 coisas que eu podia dizer no lugar de eu te amo, um disco sobre o amor que foge da pieguice

Kléber Albuquerque escreve e canta o amor sem soar cafona

ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O ALTERNATIVO

As 10 coisas que eu podia dizer no lugar de eu te amo [Sete Sóis, 2012] são, na verdade, 14, este o número de faixas do novo disco de Kléber Albuquerque, um de nossos mais interessantes compositores da atualidade.

O repertório, inteiramente autoral, é quase todo inédito – Kléber recria Tevê, parceria com Zeca Baleiro, gravada por ele em O coração do homem bomba, e Devoluto, parceria com Sérgio Natureza, homenagem a Celso Borges, gravada em Música, livro-disco do poeta, de que ambos participam – aqui o reencontro de Kléber e Baleiro, que canta nas duas regravações. Outros parceiros que comparecem são Sérgio Lima (Brincadeira de amor), Lúcia Santos (All Star e Terra do Nunca) e Gabriel de Almeida Prado (Sujeito objeto). Elaine Guimarães divide com ele os vocais em Vazante – momento sublime, de versos como “lágrima/ água com navalha/ migalha de mar/ mágoa é água parada”. Entre os músicos André Bedurê (contrabaixo), Michelle Abu (percussão), Ricardo Prado (teclados) e Rovilson Pascoal (guitarras).

É um disco sobre o amor, o que entrega o título e o colorido florido da chita (maranhense?) da capa – o próprio Kléber assina produção musical e projeto gráfico, este com Vivi Correa –, mas fugindo do piegas. “Essa tal de poesia/ é coisa que vicia/ e maltrata o coração/ faz rimar fel e folia/ faz amar quem não devia/ dá rasante na razão/ mas em comparação/ com outras profissões/ vê mais sol/ vê mais lá/ vê mais dó”, canta em Maquinário, sobre o próprio ofício.

Nem só de amor vive o artista, que brinca com gramáticos e dicionaristas em Sujeito objeto: “Ei, Pasquale/ por que o andar dessa menina/ sempre rouba palavras da minha boca?/ Ei, Aurélio/ por que o olhar dessa garota/ planta versos na minha cabeça oca?/ Michaelis/ então me diga o motivo/ de tantos adjetivos”. Quer dizer, é sobre o amor, sim. Tevê é sarro com a sociedade consumista: “comercial de xampu/ cerveja e celular/ mentiras para crer/ e credicard”. No fundo, é também sobre o amor, aquele amor-preguiçoso esparramado no sofá da sala.

São 15 anos de carreira, inaugurada em 1997 com 17.777.700. 10 coisas é o sexto disco de um dos compositores preferidos de nomes como Ceumar e Rubi, para ficarmos em duas das melhores vozes que já o interpretaram. São mais de 15 anos dedicados à música, que o amor ao ofício não começa no disco. A continuar nestas trilhas, o número de apaixonados por Kléber Albuquerque e sua obra só tende a aumentar.

Tássia Campos: da periferia ao universo

Sobre Trilha sonora do universo, show de Tássia Campos, ontem (27), no Cine Roxy, na programação da 7ª. Mostra SESC Guajajara de Artes

Numa época em que só se ouve falar em política, Tássia Campos aponta a poesia na nossa cara

Tássia Campos sobe ao palco acompanhada apenas do DJ Franklin e sob uma base posta por ele manda ver num reggae em inglês. O músico – sim, em seu caso DJ é músico! – havia tocado antes de Trilha sonora do universo, o show da cantora na 7ª. Mostra SESC Guajajara de Artes, em cartaz pela cidade até o próximo 1º. de novembro.

O espetáculo aconteceu ontem, no Cine Roxy. Antes de entrar, comentávamos, minha esposa, eu e o amigo Celso Serrão – que há tempos não via – que este era um daqueles espaços cujo novo nome – Teatro da Cidade de São Luís – não vai pegar. A cidade está cheia de exemplos: a Escola Técnica (hoje IFMA, depois de ser CEFET), a RFFSA (Plantão Central da Beira Mar), o Circo da Cidade (Circo Cultural Nelson Brito) – esse não pega mais nem o velho nem o novo.

O público era bom, embora o Roxy não estivesse completamente lotado, mesmo com toda a programação da mostra sendo gratuita. Após o duo com o DJ, a banda atacou. E que banda!: Edinho Bastos (guitarra), Jesiel Bives (teclado), João Paulo (contrabaixo) e Moisés Mota (bateria).

Aos incautos, Trilha sonora do universo, o título do show, pode soar pretensioso. Não é: tem a medida exata de quem conhece o talento que tem sem soar arrogante, sua trilha sonora e seu universo particulares.

O repertório vai de Novos Baianos (A menina dança), Bob Marley (Is this Love?) e Sérgio Sampaio (Que loucura! e Cada lugar na sua coisa), artistas que ela homenageou este ano com tributos, em shows diferentes, a André Lucap (Intervalo), Celso Borges (Persona non grata, poema dele musicado por ela, que o apresentou acompanhada de Edinho Bastos ao teclado), Kléber Albuquerque (Logradouro, primeira gravação dela que tocou no rádio e lhe valeu o troféu de artista revelação no Prêmio Universidade FM ano passado), João Donato (A rã) e George Gershwin (Summertime, no bis), entre outros.

Nada óbvio, portanto. Nem na escolha, nem nos arranjos, que Tássia e banda se preocupam em mostrar cada música, mais ou menos conhecida, com uma nova cara, um novo som, um novo coração. Como disse quando, ao avistar um de seus compositores na plateia, ao cantar sua música: “Desculpa, Lucap, mas essa música é minha!”. É isso: Tássia é uma recompositora.

Nela, tudo é sinceridade. Ela que faz poucos shows por preferir se manter afastada do esquema “pires na mão” praticado por nossos órgãos de cultura, agradeceu ao SESC a oportunidade de estar ali e elogiou o alto nível de profissionalismo de toda a equipe envolvida para que a Mostra aconteça – apesar de este blogue ter ficado sabendo do show pelo Facebook da própria cantora, a assessoria de comunicação (do SESC? Da Mostra?) ou não está funcionando ou nos ignora.

“Eu tenho até camarim. Eu perguntei a um dos músicos: “será que isso tudo é pra mim mesmo?”. Um camarim com flores, frutas… a gente é tão acostumado a ser maltratado, que até estranha, se espanta quando é bem tratado”, revelou, entre a sinceridade e a ironia, sempre apertando o dedo em nossas feridas. “E eu ainda tou recebendo pra fazer isso aqui; geralmente eu pago [para fazer shows]”, riu.

Emocionada chegou a chorar ao lembrar o saudoso mestre Leonardo, uma das maiores personalidades do bumba meu boi do Maranhão, oriundo da Liberdade natal da cantora, bairro sempre mais lembrado pelo estigma e pelas estatísticas da violência que por sua riqueza cultural. “É um bairro pobre, mas é tão rico. Só na rua em que nasci, tem um boi, um cacuriá, um tambor de crioula, uma quadrilha”, enumerou. “Leonardo para mim era [como] meu avô. Eu era uma das poucas pessoas de que ele lembrava, já acometido pelo Alzheimer [lágrimas interrompem a fala]. Depois de 26 anos eu deixei a Liberdade, mas por causa dele [Leonardo] é que eu vou ser sempre periferia!”, anunciou antes de mandar os “ó aqui pra vocês!” no Punk da periferia de Gilberto Gil.

Sobrou até para a tal da lei seca: “Eles fazem merda e roubam quatro anos e nós é quem temos que ficar sem beber?”, perguntou, anunciando que iria, dali, caçar canto para infringi-la. Se os que já saíram de lá embriagados de tanto talento, beleza e poesia mereciam, imagina ela, que nos proporcionou aquela hora e pouco de muita magia.

p.s.: obrigado, Celijon, pela info do batera. Hora dessas quito minha ausência com a Satchmo.

p.s.2.: obrigado, Fafá, pela foto do Gleydson Nepomuceno que ilustra o post, roubada de teu facebook. 

p.s.3.: CB, depois que o Souza inchou no bucho não rolou estica, foi mal aê! Terça ‘tou no Odeon pra te ver/ouvir, o que ainda direi por aqui.

Um show de Tássia Campos não é só um show de Tássia Campos

Seja pela pá de atrações, especialíssimas, além de Tássia Campos em si (o que já valeria o ingresso): participações de Dicy Rocha e Milla Camões e discotecagem do Dj Franklin e Rádio Zion e poesia de Lúcia Santos. Bem acompanhada a moça, uma das belas vozes com que o Maranhão tem nos presenteado ao longo dos últimos anos.

Seja pelo repertório, longe do óbvio, com nomes como Carlos Careqa, Kléber Albuquerque, Otto, José Miguel Wisnik e Itamar Assumpção, entre outros, alguns deles com nomes garantidos no disco de estreia, que Tássia Campos está gravando e, torço, logo deve chegar às nossas mãos e ouvidos, sempre ávidos de boa música.

Ou você ainda acha que um show de Tássia Campos é só um show de Tássia Campos?