São Luís no plural

[o amigo Gutemberg Bogéa, editor do suplemento JP Turismo, encomendou um texto exaltação à ilha, por ocasião de seu aniversário de 406 anos, completados hoje (8); o texto, abaixo, saiu ontem (7), no Jornal Pequeno]

Uma singela homenagem ao 406º. aniversário da capital maranhense. E para você: São Luís de quê?

POR ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O JP TURISMO

Foto: Marcia Carvalho

São Luís completa hoje (8) 406 anos de fundação – há controvérsias. Na última quarta-feira (5), a escritora Clarissa Carramilo presenteou a cidade com Cidade espanto, seu romance de estreia, em concorrida sessão de autógrafos ocorrida na Livraria Leitura (São Luís Shopping).

Cito o livro da jovem autora por que uma coisa salta aos olhos em suas páginas: a relação que cada ludovicense estabelece com sua terra natal. Adoramos exaltá-la, mas no íntimo, também acreditamos sermos os únicos que podemos esculhambá-la. Imagine alguém nascido em qualquer outra cidade falando mal de São Luís perto de você?

Começa uma troca de argumentos sem fim, uns exagerados, sempre na perspectiva ufanista de que “vivemos na melhor cidade da América do Sul”, como cantou o poeta referindo-se a outra. A Cidade espanto que intitula o romance de Clarissa Carramilo está lá, ao longo de suas páginas, com suas belezas, lugares únicos e problemas.

Mais de quatro séculos de história cantados em verso e prosa, entre inúmeros epítetos: Athenas brasileira, Jamaica brasileira, Ilha do amor, Ilha rebelde, capital brasileira da cultura, cidade patrimônio cultural da humanidade, Ilha bela, Ilha magnética, no título de duas músicas tornadas patrimônio imaterial pela Assembleia Legislativa do Maranhão, de Carlinhos Veloz e César Nascimento, respectivamente, que adotaram São Luís como berço, bebendo de sua inesgotável fonte cultural e retribuindo com uma obra à altura.

São Luís das Pedras da rua, os loucos que qualquer cidade tem, catalogados pelo saudoso Lopes Bogéa no livro homônimo – todo mundo já trombou com um: de um Zé da Chave onipresente em bons shows musicais a Maria do Copo, sempre disposta a mais uma dose, entre muitos outros.

São Luís dos pregoeiros, em que uns apregoam que no passado era melhor: tempos de cinemas fora de shopping centers, Roxy, Alfa, Eden, Monte Castelo, Rex, Passeio, de bares como o Moto Bar, Risco de Vida, Baixo Leblon. Outros a enxergar – merecidamente – beleza na pulsação de espaços como o Bar do Léo, o Chico Discos e a rediviva Fonte do Ribeirão, cartão postal do centro da cidade, ocupada por samba, reggae e outras levadas.

São Luís cujo aniversário é colado a feriado nacional, garantindo um feriado prolongado, merecido descanso a seus trabalhadores e trabalhadoras, para inveja de quem nasceu e vive noutros cantos do Brasil – este ano caiu num sábado, mas de qualquer forma, está valendo.

São Luís das praias, destino de boa parte dos que passam este feriadão por aqui. São Luís onde, no entanto, já não dá mais para vacilar com janelas abertas, pois não há mais dia e hora para chover, levando a comparações gaiatas, em tempos de memes, com Belém e Londres.

São Luís da Feira da Praia Grande – ou Mercado das Tulhas – e, agora, da dominical Feirinha São Luís, em que é possível tomar café ouvindo a banda tocar e já emendar uns chopes artesanais até a hora do almoço e além.

São Luís do reduto boêmio da Madre Deus, berço do samba da Ilha, de “bicho terra e bicho homem, que o tempo espalha e não consome toda magia”, salve a Madre Ilha de Ivandro Coelho e de todos que se aventurem respirar seu ar, que quem vem uma vez para sempre quer ficar.

São Luís do bumba meu boi e do tambor de crioula, do peixe frito com arroz de cuxá, da juçara com camarão seco, da tiquira sem poder tomar banho, reza a lenda – como tantas outras, a carruagem de Ana Jansen, a manguda, entre tantas histórias que seu Antonio Vieira não cansou de contar nos fins de tarde na banca do Dácio, no Estacionamento da Praia Grande.

São Luís da Praia Grande que uns insistem em chamar de Reviver, nome de inacabado projeto de revitalização do centro histórico ludovicense, que abarca ainda os bairros do Desterro e do Portinho.

São Luís do Oscar Frota e da Zona do Baixo Meretrício, por onde supostamente o reggae teria sido introduzido, por discos de vinil trazidos por marinheiros de suas viagens. O resto, a história se encarrega de contar.

Fundos rotativos solidários: uma alternativa para o Brasil

Seminário estadual “Fundos solidários: autonomia comunitária para o bem viver” aconteceu no Oásis e reuniu 45 representantes de grupos e comunidades de 15 municípios

POR ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O JP TURISMO

Estamos em plena corrida eleitoral e, como de praxe, candidatos se apresentam, alguns com soluções mirabolantes à busca de fisgar o eleitorado. Diante da crise que assola o país, alguns temas chamam a atenção: o reaquecimento da economia e a limpeza do nome do brasileiro estão entre os compromissos de alguns candidatos.

Não são tarefas fáceis, mas para boa parte da população, podem ser mais simples do que aparentam. Uma ideia que pode ser aproveitada pelos postulantes a cargos neste pleito são os fundos rotativos solidários. O Maranhão está repleto de bons exemplos.

Alguns participantes do seminário. Foto: Lena Machado

Entre a última segunda (3) e quarta-feira (5), na Casa de Retiros Oásis (Rua Frei Hermenegildo, Aurora, São Luís), a Cáritas Brasileira Regional Maranhão reuniu cerca de 45 representantes de comunidades e grupos produtivos para uma formação sobre a temática – alguns grupos já atuam nesta perspectiva há mais de 20 anos. A iniciativa tem apoio da Fundação Interamericana.

“A Cáritas celebrou um convênio com a Fundação Interamericana que prevê o apoio a grupos produtivos ligados à Rede Mandioca para o desenvolvimento de ações produtivas, fortalecimento de ações de economia solidária e de comercialização junto a esses grupos em 11 municípios do Maranhão e esse processo também prevê momentos de capacitação e acompanhamento desses grupos. Esse seminário estadual sobre fundos solidários é um desses momentos de capacitação garantidos por essa parceria, o primeiro”, destacou Lucineth Cordeiro, assessora regional de Economia Popular Solidária.

Momento de mística do seminário. Foto: Lena Machado

Para o desenvolvimento da Rede Mandioca, que já tem mais de 10 anos de atuação no Maranhão, a Cáritas também celebrou um termo de fomento junto à Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). Somando as iniciativas, são 30 grupos e comunidades acompanhados em 15 municípios: Água Doce, Amarante, Aldeias Altas, Belágua, Benedito Leite, Codó, Lago Açu, Lago da Pedra, Lagoa Grande, Loreto, Marajá do Sena, Nina Rodrigues, Presidente Vargas, Riachão e Vargem Grande – onde teve início a experiência da Rede Mandioca.

Intercâmbio – Foi um rico momento de troca de experiências. Os fundos rotativos solidários funcionam à base de solidariedade – como o próprio nome entrega –, coletividade e confiança. Indago a alguns participantes do seminário se eles acreditam que esta solução poderia ser aplicada em larga escala pelo país e a resposta unânime é sim.

Dona Expedita. Retrato: Zema Ribeiro

Em Água Preta, comunidade do município de Amarante, por exemplo, o fundo rotativo solidário local teve início diante da necessidade de a comunidade construir uma casa de farinha em regime de mutirão, com o material doado pela Cáritas. “A união faz a força e em 15 dias construímos a casa. Havia a cultura de que nós somos pobres por que Deus quer, vamos sofrer por que é a vontade de Deus. Nisso não acreditamos mais”, conta a quebradeira de coco Expedita Pereira, de 75 anos.

Ela dá uma ideia da dinâmica de funcionamento dos fundos rotativos solidários: “hoje em dia a gente faz farinha todo dia. Cada um que faz tem que deixar uma porcentagem para a manutenção do forno, que é de todos. Um ajeitando, é para todos. Tem um dinheiro no caixa, uma pessoa adoece, não pode comprar o remédio, eles vão lá e ajudam”, explica.

Walter dos Santos. Retrato: Zema Ribeiro

Para o produtor rural Walter dos Santos, 48, a solidariedade é algo tão arraigado em sua comunidade que ele tem dificuldade em destacar o marco inicial do fundo rotativo solidário em Pequi da Rampa, comunidade de Vargem Grande. “Trabalhamos há muito tempo, vem de berço a questão da solidariedade na comunidade”, afirma.

Os moradores de Pequi da Rampa começaram a se organizar diante da necessidade de pagar um empréstimo, contraído com a finalidade de melhorar a casa de forno local. Ele cita o ano de 1995 como marco e conta: “nós trabalhávamos de roça no toco e no ano seguinte cada um deu meia linha de roça. Todo produto que desse nessa meia linha era botado no depósito, vendido e o arrecadado ia pro fundo. Só com as meias linhas de roça a gente conseguiu estocar mais de três mil quilos de farinha e o empréstimo que era para a gente pagar em três anos, a gente pagou em dois”, relembra.

Seu Zezinho. Retrato: Rose Panet

O catador José Ferreira Lima, de 67 anos, mais conhecido como Seu Zezinho, é presidente da Associação de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Imperatriz/MA (Ascamari). Ele lembra que quando a associação foi fundada, já havia um fundo de mil reais, cujo objetivo era a reforma de uma casa na Vila Cafeteira, bairro do município. O dinheiro acabou sendo usado, “em regime de economia solidária”, como ele mesmo frisa, para servir como uma espécie de capital de giro, beneficiando os catadores associados. A associação antecipava aos catadores o pagamento pelo material recolhido e o dinheiro era devolvido ao fundo quando o material era vendido, livrando os trabalhadores de uma espera média de 30 dias.

Através de parcerias desenvolvidas com a Prefeitura municipal, foi construído um galpão e a coleta seletiva está implantada, o que facilita os trabalhos de catação e triagem. A Ascamari tem 54 filiados, o que significa algo em torno de 10% dos catadores e catadoras em atividade em Imperatriz.

Diversidade – Percebe-se a diversidade do grupo reunido no seminário. “Durante esses dias, os integrantes de grupos e comunidades aqui presentes discutiram o que é um fundo solidário, como funciona, proposta de regimento, como organizar um fundo local, pra que serve, qual a perspectiva do fundo solidário dentro da economia solidária, o que é economia solidária. A gente esteve abordando esses princípios e também definindo um pouco a estrutura de gestão, propondo para as comunidades modelo de regimento, como fazer adaptações a partir de suas realidades e a partir também da vocação de cada comunidade”, comenta Lucineth Cordeiro.

Outra experiência apresentada ao longo do seminário foi a de São Benedito dos Colocados, em Codó, comunidade que produz arroz, feijão, milho e mandioca, transformada em farinha. O agente comunitário de saúde Valdivino Silva, 55 anos, agente Cáritas, é um dos integrantes da Coordenação Estadual da Rede Mandioca. O fundo solidário articula várias comunidades, que atuam, além da produção na agricultura familiar, com a produção de artesanato e de peças íntimas.

Valvivino Silva. Retrato: Rose Panet

“Os fundos têm duas frentes de ação: uma é o trabalho em mutirão, é a troca da diária, do serviço; as diárias são calculadas com valores, mas não têm papel [moeda], mas o valor é somado, é contado; a outra parte é a financeira: alguém precisa de um recurso, coloca isso na reunião, tem um tesoureiro, um secretário do fundo, ele anota no caderno e passa a grana”, explica Valdivino. Os valores são pequenos. Nenhum dos fundos solidários sobre os quais conversamos tem mais de seis mil reais em caixa. Mas como dizem os católicos, “o pouco com Deus é muito”, e esta é a premissa que lhes faz crer que, difundidos pelo país, os fundos rotativos solidários podem ser solução para alguns problemas brasileiros.

Pedro Silva Alves. Retrato: Zema Ribeiro

Os conhecimentos adquiridos ao longo das atividades serão multiplicados junto às comunidades, no retorno de seus representantes. O lavrador Pedro Silva Alves, de 26 anos, é morador da comunidade Bola de Coco, município de Lago da Pedra, uma das mais recentes a aderir aos fundos rotativos solidários. “Havia muito desperdício [de polpa de frutas, por exemplo]. O que tínhamos a gente não sabia trabalhar. A Cáritas mostrou o que a gente podia aproveitar e formar uma renda”, conta ele. Seu balanço dos dias de atividade aponta para o futuro: “Foram dias de muita experiência e aprendizado, uma rica troca de informações com outras comunidades. Vamos passar as informações adiante e, com fé em Deus, prosperar ainda mais”, finaliza.

[publicado na edição de hoje do Jornal Pequeno, em que também saiu uma exaltação a São Luís, por ocasião de seu aniversário, amanhã, encomenda do amigo Gutemberg Bogéa, editor do suplemento JP Turismo]

Uma amizade atávica

JP Turismo conversou com os poetas Celso Borges e Fernando Abreu sobre o lançamento de Akademia dos Párias: a poesia atravessa a rua, antologia que celebra os 30 anos do movimento poético que agitou a Ilha

POR ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O JP TURISMO

Os poetas Celso Borges e Fernando Abreu durante entrevista no Cafofo da Tia Dica. Foto: ZR (29/4/2016)
Os poetas Celso Borges e Fernando Abreu durante entrevista no Cafofo da Tia Dica. Foto: ZR (29/4/2016)

Quando Fernando Abreu voltou à São Luís – “eu sou daqui, mas só nasci aqui; passei a infância em Grajaú”, localiza –, foi estudar piano. A Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo funcionava ao lado de sua casa, na Rua da Saavedra, no Centro da cidade, o que gerou uma pergunta de um desconfiado Gilles Lacroix, então professor do instrumento na instituição: “mas é só por isso que você quer estudar piano?”, referindo-se ao fato de ele morar perto da escola. “Não. Quero estudar piano por que quero ser músico”, respondeu.

Foi por pouco: Fabreu, como hoje o jornalista e poeta é conhecido pelos amigos mais íntimos e leitores em geral, não tinha, no entanto, piano em casa, para as lições. Olga Mohana, então diretora da EMEM, orientou-o a procurar dona Maria Eugênia Borges, que morava na Rua da Paz, também no Centro, e tinha um piano em casa. Era a mãe do poeta Celso Borges. Fabreu tinha por volta de 14 anos e CB estava às voltas com o lançamento de Cantanto [ed. do autor], sua estreia na poesia, de 1981.

“Uma amizade atávica”, exclama Fabreu, para lembrar-se, logo depois, de que o avô de Celso ajudara seu pai a se estabelecer em São Luís. “Ele ficou anos ocupando um imóvel, sem pagar aluguel. Com a barbearia custeou seu curso de odontologia, depois pagou os aluguéis, mas nada teria acontecido sem aquela força”, agradeceu.

As lembranças vão se emendando umas às outras como cigarros acesos nas baganas dos anteriores, embora ninguém fume durante a entrevista regada a água e coca-cola. No Cafofo da Tia Dica, detrás da Livraria Poeme-se, na Praia Grande, converso com os poetas sobre os 30 anos que a Akademia dos Párias, movimento integrado por eles nas décadas de 1980 e 90, completa em 2016, e que será comemorado com o lançamento da antologia Akademia dos Párias: a poesia atravessa a rua.

“Eu sou mais ou menos seis anos mais velho que toda a turma”, revela Celso, à época já formado em jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) – onde grande parte dos párias se encontrou, principalmente nos corredores do curso de Comunicação Social –, pai de família e com carteira assinada no Sistema Mirante de Comunicação. “Eu tinha completa liberdade na rádio [Mirante FM, inaugurada há pouco], levei Ademar Danilo [jornalista e dj] para fazer o Reggae Night, ele já tinha um conhecimento fabuloso do ritmo”, lembra.

“A gente ouvia Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff. Foi através de Ademar que começamos a ouvir outros nomes da Jamaica”, enumera Fabreu. “O estúdio era pequenininho, mas uma vez Celso levou a galera lá, botou a gente sentado no chão, crivou de perguntas e publicou uma entrevista”, conta. O papo saiu na Guarnicê, que era um encarte do jornal O Estado do Maranhão – depois a revista circularia de forma independente –, editada por Celso com Roberto Kenard e Joaquim Haickel.

Ronaldão lendo um poema no lançamento do número 3 da revista Uns & Outros, no bar de Betto Pereira, no São Francisco, em 1986 ou 87. Foto: acervo Párias.
Ronaldão lendo um poema no lançamento do número 3 da revista Uns & Outros, no bar de Betto Pereira, no São Francisco, em 1986 ou 87. Foto: acervo Párias.

“Outro cara importante foi Ronaldão. Era um cara versado em Bob Dylan, Kraftwerk, Pink Floyd. Encarnou um personagem, sumiu. Ninguém sabe por onde anda. A última vez que eu falei com ele, ao telefone, foi em 1997. Guaracy [Brito Jr.] também já sacava muito de música, Joy Division”, Celso lista outros autores de poemas que estarão na antologia.

Indago-lhe o critério de seleção. Ele não titubeia: “primeiro os poemas que sobreviveram ao momento; depois, poemas que tinham o espírito pária. São 25 poetas, muitos deles só publicaram ali, na Uns & outros [revista editada pela Akademia dos Párias], naquele momento”, revela. O único poema que não saiu na revista foi justamente Pária, de Celso Borges, que encerra seu Pelo avesso [1985]: “somos poucos/ cada vez menos/ somos loucos/ cada vez mais”, diz um trecho do poema, que não por acaso ilustrava a camisa que o poeta escolheu para conversar com o JP Turismo. Vestido de preto, Fabreu saudava o citado Bob Marley e sua One love. Paz, amor e poesia, bem traduzindo o clima pária.

Influências – O surgimento da Akademia dos Párias se dá no apagar das luzes da ditadura militar brasileira, que assombrou o país por 21 anos. “Coincidiu também com uma abertura gráfica, editoras como a Brasiliense começaram a publicar [Paulo] Leminski, Chacal, John Fante, [Charles] Bukowski”, lista Fabreu. “Caprichos e relaxos, Drops de abril, Pergunte ao pó, Cartas da rua e Mulheres eram bíblias, uma espécie de Pentateuco particular”, enumera CB.

Galera Pária no antigo Hotel Quatro Rodas, em 1986. Foto: acervo Párias
Galera Pária no antigo Hotel Quatro Rodas, em 1986. Foto: acervo Párias

“Nós éramos amados e odiados em igual medida. Muita gente adorava, a gente vendia revistas, fazia saraus em bares e, claro, bebia muito. Outros chamavam a gente de “viado”, por que era tudo muito orgânico, a gente se abraçava, se beijava em público”, lembra Fabreu. E completa, pensando em Allen Ginsberg, Jack Kerouac e companhia: “mal comparando, éramos como os beats, ao redor de quem orbitavam também figuras que não escreviam ou escreviam ocasionalmente”.

Uns & outros – A revista Uns & Outros teve oito números publicados em 10 anos – o último saiu em 1996. “Havia uma necessidade de publicar. As pessoas estavam escrevendo, de repente se reunia o material, se cotizava e pensava-se que com o dinheiro da venda da revista a gente pagaria o que ficou devendo na gráfica e investiria no próximo número: mas a farra era grande e nunca havia caixa”, ri Fabreu.

“Gosto de pensar na importância da revista. Havia um vazio. Se pensarmos no que foi feito em termos de agito literário nas décadas anteriores, é nada. É claro que havia os livros de [os poetas Bandeira] Tribuzzi, Nauro [Machado], [José] Chagas – mas outras leituras nos interessavam mais. A Uns & Outros serviu para mostrar que poesia podia ser feita por quem não é da Academia Maranhense de Letras e eu gosto de pensar que anos depois, embora soe estranho, já que eu fiz parte também, influenciou, por exemplo, a revista Pitomba!”, celebra Celso.

ServiçoAkademia dos Párias: a poesia atravessa a rua, a antologia, será lançada no próximo dia 19 de maio (quinta-feira), às 19h, na livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande), com recital de poesia.

[Jornal Pequeno, JP Turismo, sexta-feira, 6 de maio de 2016]

Noite de gala para Patativa

[texto escrito às pressas, ontem, a pedido do amigo Gutemberg Bogéa. Saiu no JP Turismo, Jornal Pequeno, hoje]

Emoção e autenticidade marcaram show em que a sambista de 77 anos lançou Ninguém é melhor do que eu, seu disco de estreia

TEXTO: ZEMA RIBEIRO
FOTOS: MARISTELA SENA

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Há certas facetas de que só Patativa é capaz. Lotar o Porto da Gabi em plena quarta-feira, por exemplo. Mas o motivo era dos mais justos: o lançamento de seu tão aguardado disco de estreia, que finalmente chegava aos ouvidos de quem aprecia a música de qualidade produzida no Maranhão.

O Samba na Fonte, grupo que ocupa com música a Fonte do Ribeirão, um dos cartões postais do Centro Histórico ludovicense, foi reverenciá-la. Vez por outra ela dá canjas na paisagem.

Os DJs Joaquim Zion e Marcos Vinicius, residentes da casa, misturaram reggae, merengue e música brasileira para recebê-la. A noite era dela, a diva, a madredivina dama, em noite de estreia e gala, aos 77 de idade, que nunca é tarde e “quem espera por Deus não cansa”, como ela mesmo não cansa de dizer.

Pelas mãos de Luiz Jr., produtor musical, e Zeca Baleiro, diretor artístico, Ninguém é melhor do que eu, o disco, chega ao mercado pela Saravá Discos, selo que Baleiro inventou e em que investe energia e um punhado de dinheiro do próprio bolso para lançar nomes em que acredita, que valem a pena. Foi assim com Antonio Vieira, com Lopes Bogéa e agora com Patativa, entre outros.

Ninguém é melhor do que eu tem participações especiais de Zeca Baleiro em Santo Guerreiro, Simone em Saudades do meu bem querer e de Zeca Pagodinho na faixa-título. No repertório, além de Xiri meu, por demais conhecida em rodas boêmias da Ilha, estão ainda Rosinha, gravada por Fátima Passarinho no único disco do grupo Fuzarca (integrado ainda por Rosa Reis, Cláudio Pinheiro, Inácio Pinheiro e Roberto Brandão), e Colher de chá, gravada por Lena Machado em Samba de Minha Aldeia (2009).

Após samba e discotecagem, a exibição de Xiri meu, documentário curta-metragem de Tairo Lisboa preparava o público – como se precisasse – para o que viria a seguir. A noite era dela, repita-se. Na tela, depoimentos de amigos e admiradores: o compositor e jornalista Cesar Teixeira, o ator e incentivador Fumaça, o sociólogo e radialista Ricarte Almeida Santos, o feirante Corintiano. Patativa caminha tranquilamente pela Feira da Praia Grande, ruas da Madre Deus e da Vila Embratel, onde mora atualmente. Tudo isso regado a seus sambas, trechos do que se ouviria completo no show.

Escudada por Luiz Jr. (violão sete cordas e direção musical), Robertinho Chinês (cavaquinho), Elton (flauta e sax), Davi (contrabaixo), Oliveira Neto (bateria), Lambauzinho (percussão), Wanderson (percussão), Philippe Israel (vocais) e Lena Machado (vocais), Patativa mostrou, sem ser arrogante, por que Ninguém é melhor do que eu.

Cantou quase o disco inteiro, um apanhado de sambas acima da média, além de cinco inéditas. Sua espontaneidade e jovialidade marcantes contagiaram o público, em uma noite realmente mágica. Tudo jogava a favor: o vento das margens do Bacanga, a qualidade do som, o ambiente, cuja proprietária e seu marido, Gabi e Josemar, são personagens de Samba dos seis, uma das músicas do repertório.

A noite foi coroada ainda com as participações mais que especiais de Lena Machado, que dividiu Colher de chá com a autora, e Zeca Baleiro, que cantou e fez graça com ela em Santo guerreiro e na faixa-título.

O som dos tambores dos Filhos de Dadinha (outro apelido da compositora, este da intimidade de sua casa) encerraram a noite em grande estilo. Até nisso Patativa surpreende: em vez de botar uma saia e rodar, mostrou ao público mais uma composição, no ritmo das batidas frenéticas de Josemar, Peixinho e cia.

*

Confiram Patativa em Ninguém é melhor do que eu (com participação especial de Zeca Pagodinho)

Pitomba vai botar a banca no Sebo no Chão

A banca da Pitomba

Depois do sucesso do lançamento coletivo de ontem (11) no Chico Discos, a editora Pitomba vai botar a banca no Sebo no Chão: domingo (15), a partir das 19h, na praça da Igreja do Cohatrac, Bruno Azevêdo, Celso Borges, Jorgeana Braga e Reuben da Cunha Rocha autografam seus novos livros, respectivamente Baratão 66, O futuro tem o coração antigo, A casa do sentido vermelho e As aventuras de Cavalodada em + realidades q canais de tv.

Na ocasião haverá ainda o tradicional comércio de livros organizado por Diego Pires, exibição do filme Luises – Solrealismo maranhense, do coletivo Éguas, além de apresentações musicais de Acsa Serafim, Sfanio Mesquita e Tammys Loyola.

No Guesa Errante (Jornal Pequeno) de sábado passado (7) escrevi sobre As aventuras de Cavalodada em + realidades q canais de tv. Continue Lendo “Pitomba vai botar a banca no Sebo no Chão”

Cesar Teixeira, 60 anos

Um de nossos maiores compositores completa hoje 60 anos. Em 2003, por conta de seu meio século, fui (também) o único a dizer algo: o texto saiu no Jornal Pequeno.

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), de que Cesar Teixeira é sócio e ex-assessor de comunicação, homenageou-o (no fundo foi por ele homenageada) em sua Agenda 2013, em que o artista comparece com sete ilustrações (incluindo a da capa), seis poemas e em uma foto (de Aniceto Neto, a mesma que ilustra este post).

Abaixo, o texto que escrevi para a terceira capa da agenda. A Cesar uma saraivada de vivas, votos de vida longa e muita arte!

Carlos Cesar Teixeira Sousa completa 60 anos em 2013: nasceu em 15 de abril de 1953. Esta agenda é uma homenagem da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) a um de seus mais ilustres sócios. Nascido no Beco das Minas, na Madre Deus, bairro boêmio encravado no coração de São Luís, o artista plural é filho do compositor Bibi Silva e desde criança habituou-se a ouvir o som dos tambores do mais antigo terreiro afro da Ilha e das rodas de samba que ocupavam a área. Dedicou-se, ainda na adolescência, às artes plásticas, tendo vencido alguns salões em fins da década de 1960.

Na mesma época iniciou sua trajetória musical, participando de festivais de música no Liceu Maranhense, onde estudou. Datam deste período músicas como Salmo 70, em parceria com o poeta Viriato Gaspar, e Sentinela, com Zé Pereira Godão.

Em 1972 integrou a trupe que fundaria o Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão (Laborarte). Em 1978, Papete, no antológico Bandeira de Aço, pelas mãos do produtor Marcus Pereira, registraria três músicas suas: Boi da Lua, Flor do Mal e a faixa-título.

Cesar Teixeira viria a ser um dos mais gravados compositores maranhenses, tendo sua obra registrada nas vozes de nomes como Alcione, Célia Maria, Chico Maranhão, Chico Saldanha, Cláudio Lima, Cláudio Pinheiro, Cláudio Valente, Dércio Marques, Fátima Passarinho, Flávia Bittencourt, Gabriel Melônio, Lena Machado, Papete e Rita Ribeiro, entre outros, além da Escola de Samba Turma do Quinto, cuja ala de compositores integrou durante algum tempo.

Sua Oração Latina, originalmente composta para a trilha sonora de uma peça teatral, em 1982, venceu o Festival Viva de Música Popular Maranhense, em 1985. A música é até hoje cantada em atos, greves, manifestos e mobilizações populares, não só no Maranhão. Seu único disco até aqui, Shopping Brazil foi lançado em 2004, e apresenta pequena parte de sua significativa obra musical. No carnaval de 2010, o artista foi homenageado pela Favela do Samba.

Sua atuação jornalística também merece destaque: formou-se pela UFMA em 1984, foi editor de cultura do jornal O Imparcial (1986-88), assessor de comunicação da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) (1989-2002), entidade da qual é sócio até os dias atuais, fundador do Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante (2002), onde escrevia sobre música, cultura popular, teatro e artes plásticas, e fundador do jornal Vias de Fato (2009).

Homenageado com a medalha Simão Estácio da Silveira, da Câmara Municipal de São Luís, Cesar Teixeira não chegou a receber a comenda. Em 2011 foi agraciado com o troféu José Augusto Mochel, do PCdoB, por sua destacada atuação na luta em prol dos Direitos Humanos no Maranhão.

Nada de novo em Pedrinhas

A barbárie se repete no sistema penitenciário. Discurso de autoridades e meios de comunicação idem. Extermínio de detentos não pode ser simplesmente aceito e naturalizado.

Li a cobertura dos três diários ilhéus de maior circulação acerca do assassinato de cinco detentos em Pedrinhas, na madrugada de ontem (10). Manchete de capa em O Estado do Maranhão, jornal de oposição à atual gestão municipal, a chacina perdeu para o balanço de 100 dias do governo Holandinha nos jornais Pequeno e O Imparcial.

Nenhuma das matérias sobre o assunto – tanto faz se em matutino de oposição ou situação, na esfera municipal ou estadual – critica o Estado do Maranhão (o ente federado, não o jornal), seu governo, a governadora Roseana Sarney, a Secretaria de Segurança Pública, a de Justiça e Administração Penitenciária (responsável direta pela questão carcerária) e/ou seus secretários Aluízio Mendes e Sebastião Uchôa, respectivamente. Sintomático.

Há muito por ser esclarecido. As cinco vítimas haviam sido presas na última sexta-feira, isto é, completaram sequer uma semana sob a custódia do Estado. “Segundo agentes que estavam na entrada da detenção, nenhum barulho foi ouvido, apesar do fato ter ocorrido na madrugada”, afirma a matéria de O Imparcial. Este “sono de pedra” dos agentes é, no mínimo, conivente com os assassinatos.

O jornal O Estado do Maranhão, afirma logo no sutiã que “a chacina vitimou três irmãos e dois cúmplices, suspeitos de participação em assaltos, homicídios e tráfico de drogas”, como se o parentesco entre três das cinco vítimas lhes tornassem mais criminosos que as demais. Cabe perguntar: se eram suspeitos, o que faziam presos?

Sobre o ocorrido a “palavra do especialista” – box inventado por O Imparcial em sua última reforma visual – ouviu Bruno Mondego Polary, psicólogo, especialista em Desenvolvimento e Gestão com Pessoas. Faltou dizer que ele é chefe da Assessoria de Planejamento e Ações Estratégicas da SEJAP. Um trecho inacreditável de sua fala ao jornal: “A Psicologia assume uma postura delirante, sonhadora e otimista, da qual compartilho no sentido de que a única maneira de o poder público evitar as mortes nos Estabelecimentos Penais é acreditando no ser humano”.

Acreditar no ser humano é delírio? Delírio parece ser a vontade do sistema de justiça e segurança do Estado de simplesmente lavar as mãos quanto ao ocorrido. Diz o Jornal Pequeno: “Ainda segundo a Sejap, os assassinatos podem ter sido motivados por vingança, uma vez que as cinco vítimas haviam assassinado, semanas atrás, um integrante do grupo rival ao deles”. De suspeitas as vítimas passam instantaneamente à condição de acusados, mesmo que a(s) investigação(ões) não tenha(m) sido concluída(s) – ou sequer iniciada(s).

Não é a primeira vez que Pedrinhas é palco destas cenas brutais. Infeliz e provavelmente não será a última. Logo o assunto cairá no esquecimento, afinal de contas, para os embrutecidos sistema de justiça e segurança, os meios de comunicação e a “opinião pública” – (in)formada pelos anteriores – eram apenas “bandidos”, “marginais” que “tiveram o que mereceram” – ainda que sequer existam provas de suas culpas.

Fugir da questão – e de outras, mais amplas – apenas nos levará a vez por outra nos depararmos com o horror e a tragédia, além de alguns cínicos fingindo deparar-se com o banho de sangue pela primeira vez. O assunto é bem mais complexo e está para além dos muros de nossos presídios.

A piada pronta (do dia) no jornalismo maranhense

Depois de alguns anos no Brasil, Joaquim estava passando por sérios problemas financeiros e resolveu partir para o mundo imundo do crime.

Planejou seu golpe e foi até o Parque do Ibirapuera, agarrou um garotinho e falou:

— Isto é um sequestro! Pegue este bilhete e entregue para o seu pai!

O bilhete dizia “Sequestrei seu filho! Deixe dez mil reais amanhã, atrás da moita da praça central. Ass.: Joaquim”.

No dia seguinte, o sequestrador português foi até a praça central e encontrou o dinheiro, acompanhado de um bilhete: “Aqui está o seu dinheiro. Mas não posso acreditar que um português possa fazer isto com outro. Ass.: Manoel”

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Tirei os tremas do texto acima, do Piadas do Dia. A piada saiu nos jornais Pequeno [Rárárá, p. 2]e O Estado do Maranhão [Piada do Dia, Alternativo, p. 4] de hoje (9): o control c control v já não se restringe a releases. Só de portugueses há 186 piadas no site que o segundo credita como fonte e o primeiro não. É claro que pode ser apenas coincidência. Ainda bem que não leio horóscopo…

São Luís: os 400 anos e sua imprensa

Jornais da capital maranhense repercutiram o anúncio pelo Governo do Estado do Maranhão das festividades de comemoração dos controversos 400 anos de São Luís.

Da família da governadora Roseana Sarney O Estado do Maranhão é o que traz a maior matéria sobre o assunto, o que não quer dizer a melhor (ou a menos pior). O texto, entretanto, não passa de um grande publieditorial, em vez de jornalismo, cometendo equívocos como dizer que a Biblioteca Pública Benedito Leite será inaugurada quando o correto seria dizer reinaugurada.

A governadora do Maranhão Roseana Sarney e o prefeito de São Luís João Castelo não dialogam; isto é, em alguns dias deverá ser anunciada outra programação oficial dos 400 anos da capital maranhense pelo segundo, em ritmo de campanha pela reeleição.

Não houve qualquer planejamento para a pretensa megafesta que se avizinha e o caos deve se instalar na Lagoa da Jansen, palco dos shows. Artistas como Gilberto Gil, Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Zezé di Camargo & Luciano, Alcione, Zeca Pagodinho e Rita Benneditto (que todos os jornais continuaram chamando Rita Ribeiro, mesmo após a mudança do nome artístico da cantora) não têm agendas tão simples de se encaixar em uma programação em cima da hora.

Perguntas básicas que deveriam ter sido feitas por algum/a jornalista presente à coletiva em que a filha do presidente do Senado anunciou a programação: quanto custará aos cofres públicos a farra dos 400 anos? Quanto custa cada cachê das megaestrelas contratadas e anunciadas? De onde sairão estes recursos?

A cobertura domesticada do anúncio das festividades, com o Jornal Pequeno limitando-se a copiar o G1 (no Maranhão sinônimo de Mirante), fez-me lembrar do saudoso Millôr Fernandes, colecionado por Ruy Castro em Mau humor: uma antologia definitiva de frases venenosas [Companhia das Letras, 2007]: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

“Juventude”, “humor” e “política”

Tudo entre aspas, não necessariamente nessa ordem.

“Vice-presidente municipal do PSDB defende campanha sem baixarias”, anuncia manchete na página 3 [Política] do Jornal Pequeno de hoje (14).

A manchete por si só já me daria motivos para rir, pois reúne em si o PSDB e baixarias, como se esta(s) fosse(m) o significado da última letra da sigla.

Lendo o texto penso no desserviço prestado pelo Jornal Pequeno, espécie de Diário Tucano ludovicense, a bater palmas para tudo o que fazem o prefeito João Castelo, candidato à reeleição, e seu partido.

O vice-presidente citado na manchete é o jornalista José Linhares Jr., não à toa, blogueiro abrigado no Jornal Pequeno, onde vive a desfilar baixarias. Ou vocês vão dizer que é elegante a montagem em que o Coringa (do Batman) entrevista o candidato Edivaldo Holanda Jr? Ou a Coligação “Queima Tadeu”, montagem em que o ex-prefeito-candidato aparece ladeado por seus opositores Flávio Dino, Edivaldo Holanda Jr. e Washington Oliveira? De tão “baixarias”, este blogue prefere nem reproduzi-las.

“Eleição não é brincadeira de quem passa o dia inteiro no Facebook plantando mentiras e tentando confundir o eleitor por desespero”, afirma o jornalista-vice-presidente, segundo o texto, quiçá de sua própria lavra. “Nossa coligação não vai entrar nesse jogo”, continua. A coligação talvez não (embora eu não acredite): ele já entrou, embora não no Facebook, mas em seu blogue pequeno-tucano.

É hilariante também a contradição: Linhares critica a postura do também jornalista Márcio Jerry, presidente municipal do PCdoB, de supostamente aparecer mais que Roberto Rocha, candidato a vice-prefeito na campanha que coordena. Ora, a veiculação deste texto não tira os holofotes de Neto Evangelista e joga-os em Linhares Jr.?

José Linhares Jr. é uma espécie de Washington Oliveira jovem: o expoente maior do sarnopetismo maranhense cansou da esquerda, após uma vida inteira nela; o primeiro, agora aos 30 e poucos, cedo deixou a UJS pcdobista para tornar-se um dos principais nomes da ultradireita conservadora maranhense.

Este é um dos coordenadores da campanha de João Castelo à reeleição. No desespero por mais quatro anos em um cargo de confiança, ele certamente recorrerá a quaisquer expedientes. Inclusive baixarias. Está apenas cumprindo seu papel.

Só me tornei editor porque não arrumei um!

Obra publicada em edição da revista Pitomba

Ficaria feliz em ter alguém que cuidasse de toda a parte chata do trabalho. Sobraria mais tempo pra escrever e terceirizaria o custo do material todo, que lucro mesmo eu nunca esperei. Grifes também fariam bem ao espírito, se calhasse.

Mas não calhou.

Tenho aqui tantas cartas de recusa de originais, que dava pra escrever um romance nas costas delas. Um dia uso pra alguma coisa, existe estilo, humor e sarcasmos deliciosos nelas.

A ideia da editora foi a de criar uma falácia. E se eu não fosse eu? Se me institucionalizasse? Criasse um nome de fantasia? O de batismo tinha falhado de todas as maneiras.

Meses depois, transformei o incômodo num pequeno texto chamado Manifesto Pitomba, no qual tentava enumerar problemas e soluções, mas que acabou brutalmente censurado pelo Reuben [da Cunha Rocha] e pelo Celso [Borges] — que têm mais senso do ridículo que eu — mas que insisto em colar, pequenininho, nos meus próprios livros. É no ridículo que opero.

Mas vamos lá. Ao problema.

Nossas possibilidades de edição se resumem a duas secretarias de cultura que valem menos que a merda do pombo da cumeeira do Oscar Frota. Os editais são escritos por um paquiderme, executados por um protozoário e resultam em livros tão feios que, ao longo dos anos, recusei-me a ler vários por não suportar o contato com o objeto.

Os caras não se importam com algo com o qual eu me importo muitíssimo, e isso me emputecia! Me inscrevi nesses editais por anos e anos, ganhei algumas vezes, mas nunca saía nada! É preciso que vocês entendam que um dia eu levei esse povo muito a sério. Eu até lia os poemas, porra!

Com o tempo, passou a me incomodar mais a atitude dos autores, que se sujeitam ao [Concurso Literário e Artístico] Cidade de São Luís todos os anos, sabendo do embuste, como se sujeitam aos editais da Secma (quando esta os faz). O trabalho deles ficava, ao logo dos anos, tão medíocre quanto o esquema todo. Parecia que os editais, antes de promover o tal fomento à produção, a viciava. Há de se tirar o chapéu ao funcionismo, conseguir travar gerações inteiras com uma estratégia de edição tosca e migalhenta como esta é um lance de gênio. Gente que, anos antes, tava amolando as pontas das facas aos murros.

A Pitomba é uma forma positiva de recusa à calhordice geral, ao amadorismo da oficialidade, devolvendo a ofensa na forma de livros ofensivos, porque ousamos achar que o livro é um troço importante, bonito, tesudo e tal. Também é uma maneira de existir, e qualquer existência fora das paredes das repartições, no Maranhão, é transgressora.

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Texto de Bruno Azevêdo, dono da Pitomba Livros e Discos, que publica as coisas dele [Breganejo Blues e O Monstro Souza, entre outros] e publicou, com o Vias de Fato, o Guerrilhas, do Flávio Reis. O reclame foi publicado no Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, do Jornal Pequeno, sábado passado (30/6).

A Pitomba edita também a Pitomba. Digo, o selo/editora publica a revista, editada por Bruno com os citados Celso e Reuben, que também publicaram textos sobre a Pitomba, a revista, no Guesa. O do último tá no blogue dele (donde roubei a ilustração do post). O do remanescente da Guarnicê, se ele me mandar, que ver mesmo o Jornal Pequeno de sábado, eu não vi, eu penduro cá no blogue.

Nossa miséria cultural (ou: acorda, serpente!)

[Do Vias de Fato de maio]

Pode haver luz no fim do túnel, será um trem vindo na direção oposta?, Nossa Senhora da Vitória, rogai por nós!

POR ZEMA RIBEIRO

Um texto revoltado da cantora Nathália Ferro, publicado primeiro em sua conta no Facebook e depois repercutido por alguns periódicos locais, ganhou certa repercussão, apontando diversos problemas por que passa nossa produção cultural, digo, da Ilha de São Luís do Maranhão e do estado como um todo.

Criticava o marasmo a que está relegada a cena artística na capital maranhense, cujo aniversário de 400 anos se avizinha e sobre o que nada foi feito – aquele relógio ridículo na cabeceira da ponte do São Francisco, não conta.

A cantora criticava a tudo e a todos – e suas críticas, claro, eram merecidas, tendo sido repercutidas e comentadas também pelo poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, ex-secretário de cultura do Estado do Maranhão, em sua coluna semanal no Jornal Pequeno.

Keyla Santana, atriz, também colocou a boca no trombone. Ela buscou o financiamento de uma peça em que atuava pela internet, num sistema de crowdfunding, financiamento coletivo já bastante utilizado no centro-sul do país, que aqui sequer engatinha, com razão: a iniciativa estatal aposta em mais do mesmo, a privada faz jus ao trocadilho. Como incentivar pessoas comuns, como este que escreve, o caro leitor, a cara leitora, a enfiar a mão no bolso e bancar o que quer que seja?

Diversos agentes culturais envolvidos com a feitura do projeto BR-135, capitaneado pelo casal Criolina, Alê Muniz e Luciana Simões, têm discutido propostas e possibilidades para que se avance no rumo da implementação de efetivas políticas públicas de cultura por estas plagas. Além de reuniões e debates, a galera está fazendo, se movimentando, mostrando nomes e coisas interessantes, misturando, experimentando. É daí e assim que pode surgir o novo.

Foi justamente o mote para o texto de Nathália Ferro: o pouco público presente às edições do BR-135, realizadas no Circo Cultural da Cidade, fruto inclusive, segundo ela, da desunião da classe artística local – alguns certamente mais preocupados com “meus projetos” e a procura por financiamentos (quase sempre estatais) para “meu próximo disco”, “meu próximo livro”, “minha próxima peça de teatro” ou mesmo para a inclusão de “meu show” no circuito junino.

O BR-135 tem a ideia de mostrar o que de novo a cena ilhéu tem produzido, numa demonstração de altruísmo digna de louvor: com o reconhecimento nacional que têm hoje, Alê Muniz e Luciana Simões sequer precisariam morar em São Luís. No entanto, preferem ficar, tentar fazer algo diferente e mostrar que é possível conquistar o país a partir da Ilha (sem qualquer daqueles adjetivos cuja maioria perdeu completamente o sentido).

Keyla Santana, pela internet, conseguiu algo próximo da metade dos três mil reais de que necessitava para botar seu bloco na rua, isto é, sua peça no palco de um teatro da capital, uma pequena temporada de dois dias. Para não perder o que alguns haviam investido, seu marido completou, do próprio bolso, a outra metade do valor restante.

Experiência bem sucedida de crowdfunding, fora da rede mundial de computadores, foi a realização do I Festival de Poesia do Papoético – Prêmio Maranhão Sobrinho, organizado pelo poeta e jornalista Paulo Melo Sousa. O Papoético, tertúlia semanal realizada no Bar Chico Discos, no centro da capital maranhense, é um espaço privilegiado para a discussão de assuntos relativos à arte e cultura, tendo aberto uma trincheira para os insatisfeitos com o status quo.

Paulão, como é mais conhecido seu mentor, levantou os fundos necessários à realização do festival principalmente entre os frequentadores habituais do debate-papo semanal, além de entre amigos, professores universitários e artistas em geral. O festival, cuja final será realizada dia 31 de maio no Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande, premiará em dinheiro os primeiros lugares em poema e interpretação e os segundos e terceiros lugares em cada categoria com livros, discos, revistas e outros produtos culturais, tudo arrecadado entre aqueles citados doadores e com a realização de rifas.

A organização solicitou ao Comitê Gestor dos 400 anos de São Luís, integrado por secretarias e órgãos públicos municipais e estaduais, apoio para a realização do festival, de orçamento modestíssimo. Sequer recebeu resposta, mostrando o desinteresse generalizado dos poderes públicos para qualquer iniciativa criativa que não parta de sua burocracia interna. O problema é que nada criativo parece vir dali. O festival recebeu mais de 100 inscrições de diversas cidades do Brasil e custou menos de 3 mil reais, com cortes em gorduras como material de divulgação (folders e cartazes), importantes em qualquer empreitada cultural.

Teimosos, os organizadores do Papoético já anunciam sua próxima invenção: um concurso de fotografia terá regulamento anunciado já em junho, com base no mesmo esquema. Dia 7, Chico Saldanha e Josias Sobrinho apresentam, no Chico Discos, o show DoBrado ResSonante, que estreou em Brasília/DF. Os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos antecipadamente no local. Toda a renda será revertida para a realização do concurso de fotografia.

O Estado – tanto faz ler prefeitura e/ou governo – é tímido e continua apostando apenas em grandes festas populares, quais sejam, os períodos carnavalesco e junino, salvo raríssimas exceções. É o que dá mídia, é, em tese, o que dá voto – sobretudo, embora pareça óbvio, em ano eleitoral.

Faltam cerca de 100 dias para o aniversário da cidade. Não se ouve falar ainda em programação ou, antes, em planejamento de quaisquer ações comemorativas. Mas não é por isso, ou não só por isso, que clamam os artistas revoltados, aqueles que não se satisfazem com o tilintar de umas poucas moedas nos pires, um tapinha nas costas, a logomarca de um órgão público em seu disco, livro ou programa, e, no fundo, um grande “cala a boca” em qualquer vírgula que se oponha às péssimas gestões que hoje têm o Maranhão e sua capital São Luís. E aqui o comentário não se restringe ao aspecto cultural.

O que estes artistas requerem, com propriedade, é a pulsação constante da Capital Americana da Cultura, é que ela faça jus ao título. Mais que um troféu, um papel, um certificado, um evento, São Luís e o Maranhão precisam deixar o passado e a teoria de lado. É preciso viver o presente e vivê-lo na prática: já não somos Athenas Brasileira – se é que um dia fomos – e mais que bumba meu boi e/ou tambor de crioula para turista ver, é preciso que nossos logradouros sejam ocupados por arte permanentemente. É capital da cultura ou não é?

São Luís e o Maranhão não estão as maravilhas anunciadas na televisão pelas gestões municipal e estadual. Na propaganda, tudo parece correr às mil maravilhas, de propaganda nossos gestores são bons – pudera, é preciso descarregar toneladas de maquiagem para ludibriar o povo e garantir a perpetuação dos grupos no poder. A realidade é outra e é esta que precisa ser enfrentada para que algo mude. Que não emudeçam os artistas que estão corajosamente tocando as feridas para curá-las. E que ao coro dos descontentes somem-se cada vez mais artistas. Ou não, que cultura é coisa de todos nós.

A nossa miséria cultural está exposta, fratura que carece de urgente cura. Só não sente nem vê quem não quer. Já é mais que hora dessa serpente acordar!

Resultado do I Festival de Poesia do Papoético

Este blogue já foi procurado por sua caixa de comentários, e-mail e telefone, acerca do assunto que intitula o post. Na condição de porta-voz do citado festival, desde o lançamento de seu regulamento, não podemos nos furtar de pendurar aqui seu resultado.

Infelizmente não pude comparecer ao Teatro Alcione Nazaré anteontem (31/5), ocasião em que aconteceu a final. No e-mail em que me enviou o resultado, o poeta Paulo Melo Sousa, organizador da iniciativa, agradeceu “a presença de todos ao evento que lotou o teatro e aos amigos e parceiros que acreditaram na
ideia e colaboraram com o festival, comprando pontos das rifas ou realizando doações em dinheiro”.

A partir de 8 de junho, os 21 poemas finalistas serão publicados, um por semana, na coluna Alça de Mira, que Paulão edita desde 2006 no suplemento JP Turismo, do Jornal Pequeno, às sextas-feiras. Saiba quem foram os vencedores.

Melhores Poemas: Ante o espelho, de Rodrigo Pereira (1º. lugar, R$ 1.000,00 em dinheiro); Poética, de Kissyan Castro (2º. lugar, R$ 500,00 em livros); e Desencontro, de João Cobelo Foti (3º. lugar, R$ 300,00 em livros).

Melhores intérpretes: Keyla Santana, interpretando o poema Alfama, de César Borralho (1º. lugar, R$ 500,00 em dinheiro); Nuno Lilah Lisboa, interpretando o poema Eu comi Oswald de Andrade, de Kátia Dias (2º. lugar, R$ 300,00 em livros); e Roberto Froes, interpretando o poema Flor caída, de Sílvio Rayol (3º. lugar, R$ 200,00 em livros).

A Comissão Julgadora de Melhores Poemas conferiu ainda menção de
destaque para quatro textos concorrentes: Alfama, de César Borralho;
Uma faca só lâmina, de André Rios; Bagagem, de Rafael de Oliveira; e Paisagem Vertigem, de Elias Ricardo de Souza.

Em breve a aba [PAPOÉTICO], que abrigou regulamento, ficha de inscrições e notícias sobre o I Festival de Poesia do Papoético – Prêmio Maranhão Sobrinho, dará lugar à em que se publicará tudo sobre o concurso de fotopoesia, com lançamento previsto para muito em breve.

Via Expressa não vai atingir igreja do Vinhais Velho, diz secretário

Max Barros garante que obra não causará dano à Igreja de São Batista, que é tombada

 

Via Expressa não atingirá a igreja. E as pessoas?

 

O secretário de Estado de Infraestrutura, Max Barros, informou ontem que a obra da Via Expressa não acarretará qualquer dano à Igreja de São João Batista, no Vinhais Velho, que é tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual. “Estamos tomando todos os cuidados necessários. Contratamos um escritório de arqueologia, que está acompanhando todos os passos do processo”, declarou.

De acordo com o secretário, a avenida passará a uma distância de 100m da igreja. Além disso, o prédio será beneficiado com um largo que será edificado na área existente em frente ao templo, para uso e diversão da comunidade.

Max Barros informou ainda que apenas oito imóveis estão no traçado da Via Expressa. Destes, dois já estão desocupados e os outros seis estão em processo de negociação com o Governo do Estado.

Obra – Com investimentos de mais de R$ 100 milhões, a Via Expressa é uma das obras construídas pelo governo para marcar a celebração dos 400 anos de São Luís e beneficiará 300 mil habitantes em diversos bairros de São Luís. O projeto prevê a ligação da Avenida Colares Moreira – passando pela Carlos Cunha – à Daniel de La Touche, na altura do Ipase.

A nova avenida terá cerca de 9 km de extensão, passando por mais de 20 bairros. De acordo com estudos da Sinfra, a via deve atrair pelo menos 30% do total de veículos que hoje trafegam pela Jerônimo de Albuquerque, entre os Elevados da Cohama e o do Trabalhador, o que vai contribuir para desafogar o trânsito na área.

Mais – A nova avenida interligará os Bairros Cohafuma, Vinhais e Maranhão Novo, por meio de alças acopladas às vias já existentes, que serão especialmente restauradas para a garantia de melhor fluxo de tráfego.

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Com uma obra e um sutiã a mais aqui e um mais a menos acolá, o texto acima foi publicado, quase sem tirar nem por vírgula, nas edições de hoje (18) dos jornais O Estado do Maranhão (Geral, p. 5) e Pequeno (Cidade, p. 13).

No primeiro, não é de se estranhar, já que trata-se de um veículo de comunicação do Sistema Mirante, de propriedade da família da governadora, quase um “diário oficial” de seu governo (não há Via Expressa que o coloque nos trilhos, nos eixos).

No segundo, dito de oposição à família Sarney (mesmo que isso, às vezes, signifique defender intransigentemente e/ou legitimar a péssima gestão tucana de João Castelo à frente da prefeitura ludovicense), o estranhamento é atenuado por ter se tornado comum, infelizmente, a prática nada saudável do control c control v em releases.

Em sua última página (Polícia, p. 16), o JP anunciou o Almoço da Resistência, ato organizado por moradores do Vinhais Velho, que acontece logo mais ao meio-dia. Ontem, a comunidade recebeu a visita do arcebispo de São Luís Dom José Belisário.

Roberto Costa, o herege

O deputado Roberto Costa
O deputado Roberto Costa, gemedor-cantador
Afilhado político do senador 90% honesto João Alberto e, “tal pai, tal filho”, servo fiel da oligarquia Sarney, o deputado estadual Roberto Costa (PMDB), em Um canto-gemido por São Luís, procura vangloriar-se dos “feitos”de seu grupo político pela capital maranhense. Cai em contradição ao evocar os versos de Oração Latina, hino adotado por trabalhadores e movimentos sociais do Maranhão, de autoria de Cesar Teixeira. Uma heresia.

O discurso do deputado é raso. Tenta apenas “defender” o grupo Sarney e “atacar” o grupo Castelo e, quiçá, o ex-neo-sarneysta-agora-nem-sei-o-quê Tadeu Palácio. Inteligente, aliás, a pergunta recebida por e-mail do ator Uimar Jr.: “Um Palácio, um Castelo… o que será que vem agora?”, referindo-se ao pleito municipal vindouro. Mas tergiverso.

O texto – na falta de termo mais adequado para definir aquele amontoado de palavras sem sentido – é, segundo o deputado, sua homenagem antecipada aos 399 anos que São Luís completa quinta-feira que vem. Seu artigo é finalizado com um arrogante “tenho dito”, como se o parlamentar fosse algum dono da verdade.

Outra heresia é colocar Cesar Teixeira e José Sarney na mesma linha, entre “os nossos vultos históricos, os escritores e poetas, os compositores, cantores e outros artistas que contribuíram e emolduram a nossa Athenas Brasileira”.

Entra em contradição e blasfêmia também o Jornal Pequeno, com larga trajetória de combate ao sarneysmo – mesmo quando isso significa, por exemplo, “legitimar” (ou tentar) a gestão Castelo –, ao garantir espaço privilegiado para o peemedebista vociferar seu vazio.

Prescrições – Hino adotado, nunca imposto, Oração Latina deve ser usada em manifestações legítimas por causas idem: greves de professores, policiais e outras categorias, em acampamentos de quilombolas, indígenas e sem-terra, contra os governos Castelo, Roseana, Dilma e/ou quaisquer governos, empresas, grupos etc. que violem os direitos humanos, tenham as mãos sujas de corrupção, e não só. Enfim, bons motivos, legítimos, não faltam.

A quem malsiná-la e/ou a seu compositor, recomendamos sabão neutro (nem castelista, nem sarneysta): antes, lavem a boca e as mãos.