MPB Petrobras trouxe a voz e o violão de João Bosco à São Luís

[Sobre João Bosco, no MPB Petrobras, ontem (3), no Teatro Arthur Azevedo]

 

Foto: MPB Petrobras/Divulgação
Foto: MPB Petrobras/Divulgação

 

O mineiro João Bosco foi o convidado da edição do projeto MPB Petrobras realizada ontem (terça-feira, 3), no Teatro Arthur Azevedo, completamente lotado para assistir a um dos mais importantes violonistas, compositores e cantores brasileiros em atividade.

Dono de obra vasta e diversificada, ele desfilou um repertório de elaborada tessitura, passeando por grandes sucessos, evocando mentores da bossa nova, seus mestres e amigos, de quem contou causos, para diversão da plateia. Sozinho, acompanhando-se ao violão, provava que se basta, como já o fez em diversos discos ao longo da carreira.

Camisa de mangas compridas por fora da calça, boné e tênis davam-lhe um ar jovial e despojado, reforçado pela boa conversa e pelos constantes “obrigado, gente!” com que agradecia a cada aplauso do público.

Foi precedido pela cantora Lena Machado, acompanhada pelo violão sete cordas de João Eudes. Ela confessou o misto de alegria e nervosismo com que recebeu o convite da produção. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que quem lançou João Bosco para o Brasil foi o hebdomadário O Pasquim, num disco que trazia o mineiro no lado b, com Agnus Sei (parceria dele com Aldir Blanc). O lado a tinha nada mais nada menos que Águas de março (Tom Jobim). “Era O Tom de Antonio Carlos Jobim e o Tal de João Bosco”, lembrou-se do título lançado em 1972, num dos não poucos momentos em que fez a plateia gargalhar. O resto da história é conhecido: Elis Regina o gravaria e logo João Bosco deixaria de ser apenas um tal para ser reconhecido como um dos grandes da MPB.

Lena e João saíram-se bem em pouco mais de meia hora de apresentação. Ela vinha de um bem sucedido Divino Espírito Samba, cuja banda ele integrou. Prepararam com esmero um repertório que valorizou a produção local, misturando-a a nomes nacionais, conhecidos ou não. O entrosamento era na medida: João mostrou-se um grande instrumentista, sem precisar recorrer a firulas desnecessárias; Lena, grande cantora, também não lhe legou apenas o papel de mero acompanhante. Passearam por Duas ilhas (Swami Jr. e Zeca Baleiro), a óbvia Samba e amor (Chico Buarque), Gracejo (Gildomar Marinho), gravada por ela em Samba de minha aldeia (2009), Curare (Bororó), Namorada do cangaço (Cesar Teixeira), Melhor assim (Daniel Altman e Diego Casas, do grupo paulista Pitanga em pé de amora), Aldeia (Nosly e Celso Borges), que ganhou incidental com trechos de O futuro tem o coração antigo, de Celso Borges, fechando com Dente de ouro (Josias Sobrinho). Não era um show de abertura apenas para cumprir tabela ou exigências contratuais, mas para, como deveria ser sempre, estabelecer alguma ponte, alguma liga com o show principal.

João Bosco atacou, de cara, De frente pro crime (João Bosco e Aldir Blanc). Agradeceu a oportunidade de voltar ao belo palco do Teatro Arthur Azevedo, lembrando-se da última vez em que estivera ali, num show em homenagem a Tom Jobim.

O repertório autoral passou por outros diversos clássicos de sua lavra: Bala com bala (João Bosco e Aldir Blanc), O mestre-sala dos mares (João Bosco e Aldir Blanc), Jade (João Bosco), Memória da pele (João Bosco e Waly Salomão), Agnus sei, Incompatibilidade de gênios (João Bosco e Aldir Blanc), Corsário (João Bosco e Aldir Blanc), O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), além da recente parceria com Chico Buarque, Sinhá (gravada por Chico em Chico, de 2011).

Ao interpretar Nação (João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc) lembrou-se da amizade com Dorival Caymmi e João Ubaldo Ribeiro. Este último “vivia me dizendo que tinha uma parceria com Caymmi. Eu ficava meio sem acreditar. Um dia ele insistiu e eu perguntei como era. Ele começou, com aquela voz dele [cantarolou, imitando a voz do falecido escritor]: “o telegrama chegou/ o telegrama chegou/ foi tua mãe quem mandou””. Após as gargalhadas gerais da plateia, ele continuou, para provocar uma nova gargalhada: “um dia eu estava com Dorival e perguntei: “ô, Dorival, o João Ubaldo vive dizendo que tem uma parceria contigo. Tem? Como é? E ele começou””. João Bosco cantou os mesmos versos, desta vez imitando a voz do falecido compositor.

Sua porção intérprete lembrou Água de beber (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Águas de março, Lígia (Tom Jobim) e A paz (Leila IV) (Gilberto Gil e João Donato). Antes de cantar Água de beber, celebrou Vinicius de Moraes e sua singular contribuição para a cultura brasileira, “seja na poesia, na literatura ou na moderna música popular. Ele entendia do assunto. Era o único que bebia em serviço e trabalhava melhor que qualquer um. Mas a água de beber não era essa aqui, não”, riu, apontando para duas taças dispostas em um banco a seu lado. “A gente brincava dizendo que Água de beber era acqua vita, é como chamam na Europa diversas aguardentes. Quer ver, vocês que estão aí com seus iphones, procurem aí”, divertiu-se, mesmo chamando sutilmente a atenção para os muitos celulares que insistiam em disparar flashes barulhentos, tocar e receber mensagens no whatsapp.

Completando cerca de hora e meia de espetáculo, o bis ficou por conta de Papel machê (João Bosco e Capinam), que ele, a exemplo do que ocorreu em O bêbado e a equilibrista, praticamente não precisou cantar: apenas acompanhou a plateia ao violão. Ao instrumento, repito, ele se basta. E à plateia.

Encontros e reencontros musicais na 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes

Noite dedicada ao choro promoverá reedição de recital com João Pedro Borges e Célia Maria, além do encontro inédito, no mesmo palco, dos grupos Regional Tira-Teima e Instrumental Pixinguinha

Realizado há cerca de 10 anos, o Recital de Música Brasileira protagonizou o encontro de um dos mais respeitados violonistas brasileiros em todos os tempos, João Pedro Borges, também conhecido pela alcunha de Sinhô, com uma das mais belas vozes já ouvidas na música popular brasileira, Célia Maria.

Na ocasião, o palco do Teatro Arthur Azevedo foi o escolhido para o espetáculo, em que ao par somava-se ainda um regional. A apresentação deixou saudades em quem esteve na plateia e/ou viu trechos pela internet ou pelas tevês Câmara e Senado, que reprisaram-na, colaborando para a aura mítica de que hoje goza o Recital.

Ainda que em menor escala, uma reedição do show será apresentada na Noite do Choro, domingo que vem (27), às 19h, na Praça Nauro Machado (Praia Grande), dentro da programação da 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes.

A Noite do Choro promete também ser um acontecimento inesquecível: além do Recital de Música Brasileira, o espaço destinado ao mais brasileiro dos gêneros musicais no evento promoverá o encontro inédito, no mesmo palco, tocando simultaneamente, dos mais tradicionais grupamentos de choro do Maranhão: o Regional Tira-Teima e o Instrumental Pixinguinha.

Certamente será também a noite dos encontros, dos reencontros. Nela o verso do poeta centenário ficará incompleto: só não haverá desencontros. Marque com seu amor, marque com seus amigos, e vá prestigiar este bom punhado de talentos do choro e da música brasileira produzidos no Maranhão. Como apregoa um radialista especializado no assunto: “pra gente de qualidade”.

Histórias – João Pedro Borges, também conhecido como Sinhô, é um dos mais importantes nomes do violão brasileiro. Foi professor de, entre outros, Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Guinga e Raphael Rabello. Integrou a Camerata Carioca, liderada pelo gaúcho Radamés Gnattali, grupo definitivo para a renovação do choro no Brasil, entre o final da década de 1970 e início da de 1980. Participou de discos fundamentais do gênero, como Tributo a Jacob do Bandolim [Camerata Carioca, 1979], Valsas e Choros [Turíbio Santos, 1979], Vivaldi e Pixinguinha [Camerata Carioca, 1980], Mistura e manda [Paulo Moura, 1983] e Noites Cariocas [vários, 1989]. Sua discografia inclui ainda A obra para violão de Paulinho da Viola [1985], em que executa repertório do autor de Sinal Fechado acompanhado do próprio e César Faria.

Conhecida como “a voz de ouro do Maranhão”, Célia Maria ainda é menos conhecida do que merece, seja no Maranhão ou fora dele, dado seu inegável talento. Nascida em São Luís, Cecília Bruce dos Reis, adotou o nome artístico para poder, então adolescente, cantar escondida dos pais. Sua carreira artística iniciou-se ainda na infância em concursos de calouros promovidos por emissoras de rádio em sua cidade natal. Morou no Rio de Janeiro onde respirou a efervescência cultural do famoso restaurante Zicartola, com cujos proprietários conviveu, Dona Zica e Cartola, além de nomes como Zé Keti e Nelson Cavaquinho, entre outros da fina flor do samba brasileiro. Em seu disco de estreia, de 2001, intitulado simplesmente Célia Maria, registrou obras de nomes como Chico Maranhão [Meu Samba Choro], Cesar Teixeira [Lápis de Cor], Antonio Vieira [Ingredientes do Samba], Bibi Silva [Lágrimas], João do Vale [Na asa do vento], Edu Lobo e Chico Buarque [Beatriz] e, entre outros, Joãozinho Ribeiro, que naquele ano levou o troféu do Prêmio Universidade FM de melhor compositor, por Milhões de Uns. A produção e os arranjos de Célia Maria ficaram a cargo de Ubiratan Sousa. Seu segundo disco está finalizado, tendo sido produzido e arranjado pelo violonista Luiz Jr., e deve chegar às lojas em 2014.

O Regional Tira-Teima é o mais antigo grupamento de choro em atividade no Maranhão. Suas origens remontam ao final da década de 1970, quando participaram do antológico Lances de Agora [Discos Marcus Pereira, 1978], de Chico Maranhão, gravado em quatro dias na sacristia da secular Igreja do Desterro, no bairro homônimo do centro histórico da capital maranhense. O único remanescente daquela formação é Paulo Trabulsi (cavaquinho). A atual completa-se com Francisco Solano (violão sete cordas), Zeca do Cavaco (cavaquinho), Serra de Almeida (flauta) e Zé Carlos (percussão). O Tira-Teima está em estúdio, gravando seu disco de estreia.

O Instrumental Pixinguinha foi pioneiro ao lançar, em 2005, Choros Maranhenses. O disco de estreia do grupo era o primeiro trabalho inteiramente dedicado ao choro gravado no Maranhão. E foi além: todo o repertório é de autoria de chorões locais, de membros do grupo e chorões fundamentais para a consolidação do gênero por estas plagas, a exemplo de Zé Hemetério e Nuna Gomes, entre outros. Formado nos corredores da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (EMEM), por professores da instituição, o grupo toma emprestado o apelido-nome artístico de Alfredo da Rocha Viana Filho, um dos mais importantes do choro em todos os tempos. Domingo sobem ao palco Raimundo Luiz (bandolim), Juca do Cavaco (cavaquinho), Domingos Santos (violão sete cordas), Nonato Oliveira (percussão) e Paulo Oliveira (flauta).

O compositor, cujo sesquicentenário de nascimento é comemorado em 2013, será homenageado em ambos os repertórios da noite

RepertóriosRecital de Música Brasileira – Choros e Canções, o primeiro espetáculo da Noite do Choro na 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, foi pensado para mostrar ao público um momento de formação e afirmação da música brasileira, sendo dividido em duas partes. Na primeira, João Pedro Borges executa sozinho, choros de autoria de Heitor Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, João Pernambuco e Garoto.

“Não são nomes escolhidos à toa, as peças destes compositores dialogam entre si: Villa-Lobos homenageou Nazareth, que homenageou João Pernambuco e Garoto acaba sendo meio que o resultado daquilo tudo que o choro se tornou”, explica Sinhô, também professor da EMEM.

Na segunda parte do espetáculo, Célia Maria, acompanhada pelo violão dele, desfila um repertório que vai de Azulão (parceria de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira) a Piano na Mangueira (de Chico Buarque e Tom Jobim), passando por, entre outras, canções como Senhorinha (parceria de Guinga e Paulo César Pinheiro), O Velho Francisco (Chico Buarque) e Sinhá (parceria de Chico e João Bosco), além de um tema inédito de autoria de João Pedro Borges (Porto Errante).

O segundo show, a reunião inédita de Tira-Teima e Pixinguinha no mesmo palco, fará um passeio por clássicos do gênero. Serão 10 de nossos melhores instrumentistas executando uma espécie de “o melhor do choro”, aquelas que não podem faltar em qualquer roda – e discografia – que se preze.

“Faremos um repertório conhecido e popular, pra cima”, promete Juca do Cavaco. Raimundo Luiz antecipa alguns títulos: Vibrações (Jacob do Bandolim), Brejeiro (Ernesto Nazareth), Pedacinhos do Céu (Waldir Azevedo), Delicado (Waldir Azevedo), Naquele Tempo (Pixinguinha) e Doce de Coco (Jacob do Bandolim). “Isso é só para terem uma ideia”, afirma, em parte agradando antecipadamente aos chorões de carteirinha, em parte deixando algum mistério no ar.

Pelos momentos mágicos que certamente proporcionará, a noite de domingo que vem já está na história.

Serviço

O quê/ quem: Noite do Choro. Dois espetáculos musicais: o primeiro, o Recital de Música Brasileira – Choros e Canções, com João Pedro Borges (violão) e Célia Maria (voz); o segundo, o encontro inédito dos grupos Regional Tira-Teima e Instrumental Pixinguinha.
Quando: 27 de outubro (domingo), às 19h.
Onde: Praça Nauro Machado (Praia Grande).
Quanto: grátis.
Classificação livre. O espetáculo integra a programação da 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes.

Para Jobim, com muita beleza e alguma burocracia

Sobre show da turnê do Prêmio da Música Brasileira, ontem (18), no TAA, com Adriana Calcanhotto, Alexandra Nicolas, João Bosco, Roberta Sá, Zé Renato e Zélia Duncan

No tom do Tom, a música brasileira em comunhão

Um show como o apresentado ontem (18) no Teatro Arthur Azevedo, da turnê da 24ª. edição do Prêmio da Música Brasileira, não tem como não ser burocrático. No seguinte aspecto: um bom punhado de cantores e cantoras, juntos, celebrando a obra de um compositor, no caso, o “maestro soberano”, como bem compôs Chico Buarque, seu parceiro.

Digo isso por conhecer razoavelmente os trabalhos dos artistas que se apresentaram em São Luís ontem, Adriana Calcanhotto, Zé Renato, Roberta Sá, Alexandra Nicolas, Zélia Duncan e João Bosco, pela ordem de entrada no palco, e saber que, Tom Jobim, o homenageado desta edição, mesmo sendo uma referência fundamental em seus trabalhos, está em suas obras, mas não de maneira direta.

A meia dúzia conhece, admira e se inspira no legado jobiniano, embora não haja (ou haja poucas), por exemplo, regravações de Tom Jobim em seus discos (a estreia de João Bosco em disco foi divida com ele, em 1972, em disco brinde dO Pasquim, mas o então estreante interpretava Agnus sei, parceria sua com Aldir Blanc). Não que isso prejudique o show, embora lhes ajudassem os teleprompteres e o repertório óbvio. Ok, é difícil falar em “lado b” em se tratando de Jobim: Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Luiza (Tom Jobim), Águas de Março, (Tom Jobim), Lígia (Tom Jobim), Insensatez (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Eu sei que vou te amar (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Estrada do sol (Tom Jobim e Dolores Duran), Eu te amo (Tom Jobim e Chico Buarque) e Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), entre outras.

É claro que cada artista ensaiou e passou som acompanhado da superbanda que tinha como maestro Jacques Morelenbaum (violoncelo e arranjos), mas, fora o elemento surpresa, tudo transcorre dentro do esperado (e não estou falando em possíveis falhas técnicas, pois estas não foram convidadas ontem). Isto é, o mestre de cerimônias, o ator Murilo Rosa, chama ao palco a primeira artista, que sobe ao palco e desfila suas quatro músicas, depois volta o ator, que chama o próximo, que canta mais quatro músicas e assim sucessivamente.

Há momentos sublimes, seja por exemplo a participação de Zé Renato, de longe a melhor, em minha modesta opinião, seja quando a banda investia no solo de algum músico, todos extremamente hábeis, dando vazão à porção jazz bossa-novista.

Convidada local, Alexandra Nicolas interpretou Wave (Tom Jobim), demonstrando maturidade: cantou, dançou e circulou com graça entre os músicos esbanjando simpatia, em pé de igualdade com os demais. Vale (sem trocadilhos) o registro, já que ela não foi acometida de qualquer possível nervosismo (ou, se foi, bem soube disfarçá-lo) por, de repente, estar diante de artistas de sua admiração, consagrados nacionalmente etc.

Ainda sobre Alexandra Nicolas, cabem destacar dois pontos: o meio vácuo em que lhe deixou Murilo Rosa, provavelmente por desconhecimento ou despreparo, já que aos demais artistas reservou um cumprimento, incluindo, por vezes, beijos nas mãos das damas, e o sambalançar na medida (Roberta Sá, por exemplo, exagerou ao tentar sacudir o vestido, embora tenha sido simpática ao cumprimentar São Luís).

Exceção feita a vídeos exibidos na abertura, também não houve grandes falações sobre a Vale, que promove o evento (com dinheiro público, captado através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura) que circulará por algumas cidades brasileiras, sobretudo em áreas afetadas por sua atividade mineradora milionária devastadora.

Momento de rara beleza e descontração foi o dueto de João Bosco e Zé Renato, quase ao fim do espetáculo, em Tereza da Praia (Tom Jobim e Billy Blanco), uma das canções mais graciosas da história da música brasileira. O show terminou com todos juntos, incluindo o neste momento dispensável Murilo Rosa, cantando Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Certamente não se referiam à porção nada pequena do público que não assistiu o espetáculo, preferindo passá-lo inteiro filmando ou fotografando com seus ipads, tablets, iphones, smartphones e que tais.

Alexandra Nicolas cantará em homenagem a Tom Jobim em São Luís

Festejos, seu disco de estreia, foi pré-selecionado para a 24ª. edição do certame. Em São Luís o autor de Corcovado será interpretado ainda por Adriana Calcanhotto, João Bosco, Roberta Sá, Zé Renato e Zélia Duncan

“Vou te contar”, semana que vem, mais precisamente terça-feira (18), é o show do Prêmio da Música Brasileira, o mesmo criado em 1987 com o nome de Prêmio Sharp, hoje patrocinado pela mineradora Vale, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

“E cada verso meu será pra te dizer” que o Teatro Arthur Azevedo terá como atrações, sob regência do maestro Jacques Morelenbaum, os seguintes artistas, que farão releituras de obras do “maestro soberano”: Adriana Calcanhotto, João Bosco, Roberta Sá, Zé Renato e Zélia Duncan. A convidada local do evento que terá o ator Murilo Rosa como mestre de cerimônias é a cantora Alexandra Nicolas.

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”: para ela, “as músicas do Tom tem tom e cheiro carioca. É puro amor e por tabela uma reverência à cidade mais linda do mundo”.

“Te ligo afobada e deixo confissões no gravador”. Para Alexandra Nicolas a pré-seleção de Festejos, seu disco de estreia, ao Prêmio da Música Brasileira, foi uma grande surpresa – o disco não ficou entre os finalistas, mas a indicação, entre tantos álbuns ouvidos pelo júri, teve sabor de vitória. “Foi uma surpresa muito grande. Nem acreditei quando recebi o e-mail de minha diretora Luciana Rabello com a notícia com o link da seleção, “olha Festejos aí!”. O coração foi na boca!”, revela.

“Vem ouvir esse segredo escondido num choro canção”: a música que vai cantar, escolhida pela produção do espetáculo, não revela. Indagada se o convite para o show em São Luís teve a ver com a pré-seleção de seu trabalho, ela diz acreditar que sim. “Uma feliz coincidência o disco de uma maranhense selecionado e a turnê passando por aqui. Acho que foi meu prêmio pela pré-seleção”.

“Tristeza não tem fim, felicidade sim”, é o que muita gente vai pensar quando acabar o espetáculo, que tem tudo para ser inesquecível. O show acontece às 21h, exclusivamente para convidados.