Mercado de quadrinhos em debate

30 de janeiro é o Dia do Quadrinho Nacional. A data alude à publicação da primeira HQ brasileira, As aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma viagem à corte, de Angelo Agostini, em 1869.

Em São Luís, a comemoração da data será antecipada e acontece hoje, na Galeria Trapiche Santo Ângelo (Praia Grande, em frente ao Terminal de Integração), com uma Roda de quadrinhos, formada por gente que entende do riscado: Iramir Araújo e Beto Nicácio (da Dupla Criação, que organiza o evento), Ronilson Freire, Rom Freire, Zilson Costa e Bruno Azevêdo debaterão o “Mercado de quadrinhos: expectativas e perspectivas”.

O encontro é, também, uma oportunidade de comprar, direto da mão de autores e editores, quadrinhos autorais, além de conhecer um pouco melhor o trabalho de uma turma que rala bastante e nem sempre tem o devido reconhecimento.

Divulgação
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Gritos que não calam

Lambendo e vociferando a cria. Foto: Josoaldo Lima Rêgo
Lambendo e vociferando a cria. Foto: Josoaldo Lima Rêgo

 

Um grito urgente e desesperado ilustra em preto e branco a capa de Fúria, novo petardo poético que Celso Borges lança hoje (16), logo mais às 19h, na Galeria Trapiche Santo Angelo (em frente ao Terminal de Integração da Praia Grande), com entrada franca – a revista custa R$ 20,00 e por ocasião do lançamento, quem comprá-la leva de brinde um cartão postal de Diego Dourado, que assina as ilustrações de Fúria – incluindo capa e contracapa.

Eles já estiveram juntos em Trezeatravéstreze, exposição na Galeria Hum (São Francisco) que juntou 13 poetas e 13 artistas plásticos em um diálogo cultural entre poesia e artes plásticas no mínimo interessante e quiçá então inédito por estas plagas – a que torna agora este par.

Áurea Maranhão e Cláudio Marconcine encarnarão Zuleika e Tavares em performance hoje à noite. Foto: Márcio Vasconcelos
Áurea Maranhão e Cláudio Marconcine encarnarão Zuleika e Tavares em performance hoje à noite. Foto: Márcio Vasconcelos

 

A noite de autógrafos terá exposição de reproduções de 10 ilustrações da revista, além de performance poético-teatral de Áurea Maranhão e Cláudio Marconcine. Ela interpreta Zuleika, ele Tavares, com base em Bazar Belle Epoque, poema de Celso que acabou ficando de fora da revista, em que o poeta critica a sociedade de consumo.

A maioria dos poemas é publicada pela primeira vez em Fúria, apesar de Celso Borges, aqui e acolá, já os ter dito em palcos diversos. Desde XXI (2000), seu primeiro livro-cd, o poeta vem experimentando os atritos entre o poema pensado para o suporte de papel (o livro, no caso, agora, a revista) e o poema se aproximando da música (para além de uma leitura com fundo musical), ele que também é letrista de música e coleciona um invejável rol de parceiros.

Nos últimos anos o poeta tem se apresentado em diversos espetáculos, com vários formatos e parceiros, fazendo a poesia subir ao palco como atração principal. Ele já fazia isso em São Paulo, onde morou por 20 anos, mas coincidiu da frequência se acentuar com seu retorno à Ilha natal, em meados de 2009. Os poemas de Fúria já foram experimentados no palco e bem merecem também registro em disco.

Não à toa conhecido como “homem-poesia”, Celso Borges é um dos maiores poetas e agitadores culturais destas plagas. Desde fins da década de 1970, quando cursava jornalismo na Universidade Federal do Maranhão, participou da feitura de diversas revistas, e Fúria é também uma espécie de homenagem a elas: Arte e Vivência, Guarnicê, Uns & Outros e mais recentemente a Pitomba!, que editou com Reuben da Cunha Rocha e Bruno Azevêdo, por cuja editora homônima se publica o lançamento de hoje. É também uma homenagem a Coyote e Oroboro, duas importantes revistas de literatura nacionais, em que CB também foi publicado, além de fazer uma “calorosa referência à Navilouca, revista de um único e decisivo número, no início dos 70, inspiração presente em quase tudo o que fiz editorialmente”, como ele mesmo afirma em Em lugar de um livro, à guisa de apresentação da revista.

O poeta “está sempre inventando novas guerrilhas para manter sua maquinaria sensível em movimento”, atesta o poeta Ademir Assunção em Fúria contra a falta de delicadeza, um baita endosso ao fazer poético de CB.

Uma das ilustrações de Fúria. Diego Dourado. Reprodução
Uma das ilustrações de Fúria. Diego Dourado. Reprodução

 

A sintonia entre as ilustrações nervosas de Diego Dourado – também poeta – e os poemas furiosos de Celso Borges desafina o coro dos contentes: “prefiro a fúria hemorrágica/ às rimas de hemorroidas”, avisa em Cuidado! Poemas e ilustrações – com ecos de Picasso, Edvard Munch e de nossa violência cotidiana – nascem desse incômodo com o que está posto e parece tão natural.

Por não ser natural uma cidade decrépita transformar seus casarões patrimônio da humanidade em estacionamento surgem poemas como Blockbuster, escrito num acesso de fúria quando o poeta recebeu a notícia de que a casa em que Aluísio Azevedo escreveu O mulato viraria estacionamento. Seu “refrão” é “estacionamento o caralho!/ estacionamento o caralho!”

Ou Canção do exílio: a vingança e Louvação pelo avesso, em que ele destripa poemas canônicos de Gonçalves Dias e Bandeira Tribuzzi, sem perder a delicadeza nem o respeito e o bom humor. Neste, publicado no jornal Vias de Fato, por ocasião do aniversário de 400 anos da capital maranhense, ele saúda: “parabéns, atenas brasileira/ pelos decanos parnasianos/ pelos orelhas de abanos/ parabéns, frança equinocial/ pelos roseanos carcamanos palacianos/ parabéns, ilha do amor, ilha magnética/ pelos danos e esganos”; naquele, opera um mash up de Luiz Ayrão com Gonçalves Dias, em meio à imundície fruto de nossa falta de educação cotidiana e do descaso político (tão ou mais imundo quanto): “olhe aqui preste atenção esta é a nossa canção/ minha terra tem fios elétricos/ onde cantam os bentivis/ nas prisões cabezas cortadas/ no palácio leões senis/ (…)/ nas calçadas cocôs de cães, na assembleia os imbecis”.

“Raiva é energia”, nos ensinou John Lydon. Fúria é energia e urgência, que os berros não podem ficar presos à garganta.

Telhas na cabeça! Elmo Renato expõe na Galeria Trapiche

Artesão expõe 96 peças realizadas em telhas de construção. Na conversa com o blogue revelou origens e apontou influências.

O artesão Elmo Renato Serra Cordeiro nasceu em 20 de outubro de 1970, em São Luís/MA. É bastante conhecido da maioria dos leitores do Vias de Fato: pelos corredores da Universidade Federal do Maranhão era figurinha fácil, envergando mochila, bengala, um chapéu a la Lampião e alguns exemplares do jornal debaixo do braço.

Ele ingressou na UFMA em 2009 para cursar História, que trancou no quinto período. O uso da bengala decorre de uma patologia que teve quando criança, o que o deixou sem andar até os cinco anos de idade. “Fiz muita fisioterapia para poder me locomover sozinho. Mesmo com algumas limitações físicas, tive uma infância muito feliz e bastante proveitosa, graças ao apoio sempre constante dos meus pais”, revela.

Elmo dedica-se ao ofício do artesanato e atualmente está em cartaz com a exposição Deu na telha, que pode ser conferida em horário comercial, até o próximo dia 12 de junho, na Galeria Trapiche Santo Ângelo (av. Vitorino Freire, em frente ao Terminal de Integração da Praia Grande). São 96 peças, utilizando telhas de construção como principal matéria prima.

Os temas, os mais diversos possíveis, vão do abstrato à cultura popular do Maranhão, da lenda da serpente ao imaginário de pescadores, passando por homenagens a familiares do artesão e uma galeria da esquerda sul-americana, a que comparecem o jornal Vias de Fato, o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), o Mercosul e Ernesto Che Guevara, entre outros.

O blogue visitou a exposição e conversou com o artesão.

Foto: Divulgação (fan page do artesão)
Foto: Divulgação (fan page do artesão)

 

Quando você teve o estalo de produzir usando telhas de construção? Foi há mais ou menos 18 anos, quando vi numa loja de artesanato uma máscara em estilo tribal africana esculpida em madeira, mas que lembrava muito o formato de uma telha. A partir daí comecei a produzir máscaras usando a princípio a massa epox ou resina sintética para sua confecção e depois pintava com tinta acrílica.

Qual o material utilizado na confecção das telhas em exposição? Uso a argamassa para sentar piso como massa para esculpir sobre a telha e as pinto depois de secas com tinta plástica a base d’água.

Você produz artesanato em outros suportes? Quais? Sim, em pisos e revestimentos cerâmicos, com os quais pretendo fazer outra exposição só com esse tipo de base.

Com quem você aprendeu a fazer artesanato? Aulas, alguma influência na família, autodidatismo? Desejo de criar, curiosidade e prazer, não necessariamente nessa ordem. A influência veio do meu irmão, que desenhava muito melhor do que eu.

A quem interessar possa, fora da exposição, onde as pessoas podem ver teu trabalho? No momento estou criando peças na minha casa, onde tenho um espaço reservado para meu trabalho e exposição delas.

Percebe-se na exposição uma gama bastante variada de temas. Quais os teus prediletos? O que te inspira a produzir? Eu desde muito cedo sempre gostei de desenhar, principalmente nas aulas de educação artística, disciplina que tinha quando estudava no Franco Maranhense, onde iniciei no jardim e conclui o primeiro grau, na década de 1980. Foi nesse período que, por gostar muito de quadrinhos, procurava desenhar imitando o estilo dos desenhistas, principalmente os brazucas: Watson Portela, Mozart Couto, Flávio Colin e outros que produziram o melhor do quadrinho de gênero terror da antiga editora Vecchi, com títulos como Spectro Sobrenatural e Pesadelo, dos quais era um fã e colecionador. Depois vêm os quadrinhos de heróis da Marvel e outros. Vendo meu gosto e dedicação pelo desenho, minha mãe me matriculou no curso de desenho e pintura com o grande mestre Ambrósio Amorim, no antigo [Centro de Artes] Japiaçu, onde fui apresentado à tela, paleta, óleo de linhaça, terebintina e tintas a óleo (gato preto). Foi minha fase dos casarios e marinhas, fiquei nesse estilo muito tempo. Foi pela curiosidade que comecei a buscar outras formas de artes plásticas, como a escultura em argila, com o professor ceramista Luis Carlos. Depois passei para a xilogravura com o Airton Marinho, outro espetacular artista popular na arte de esculpir em baixo relevo na madeira para depois passar para o papel suas formas em cores vibrantes e sempre valorizando nossa cultura popular. Enfim, foram muitos os caminhos e estilos até chegar na forma que hoje em dia eu produzo minhas peças, onde o abstrato é muito frequente, mas também o figurativo, mesmo que de forma estilizada, e a arquitetura colonial da cidade de São Luís, onde nasci e que ainda me inspira, apesar do descaso do poder público.

Quando não está fazendo artesanato, o que você mais gosta de fazer? Gosto de ler, assistir documentários e filmes, navegar na rede [é usuário frequente do facebook, onde expõe suas obras virtualmente na fan page Elmo Artesanato], ir à praia com a família ou visitar meus pais.

Assinaturas da luz será aberta hoje

Com o óbvio título Assinaturas da luz, quase a origem etimológica da palavra fotografia, a Galeria Trapiche Santo Ângelo (em frente ao Circo da Cidade) inaugura hoje, mais uma exposição, desta vez reunindo trabalhos de mais de 30 artistas do escrever com a luz.

Adson Carvalho, Alexandre Sopas, Ana Beatriz Maia, André Meireles, Antonio José, Beto Martuck, Christian Knepper, Dardo Dagfal, Débora Santalucia, Edgar Rocha, Fernando Sah, Fonseca Maranhão, Marcelo Cunha, Márcio Vasconcelos, Marília de Laroche, Murilo Santos, Paulo Socha, Ribamar Nascimento e Val Barros são alguns dos representantes da fotografia contemporânea do Maranhão que participam da coletiva, com cliques os mais variados.

“A Galeria Trapiche abriga a expressão artística com o uso de várias linguagens visuais, como é o caso desta exposição que privilegia a fotografia”, declarou Paulo Melo Sousa, diretor do espaço, que já realizou outras exposições em 2013.

Assinaturas da luz pode ser visitada até 8 de maio, das 14h às 18h, com entrada franca.

“Feminino Plural” será aberta hoje (8)

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Será aberta hoje, às 19h, na Galeria Trapiche Santo Ângelo (em frente ao Circo da Cidade), a exposição Feminino Plural, cujo título entrega: diversos artistas pensam e retratam o universo feminino. O time é composto de mulheres e homens e a exposição surgiu de uma reação à violência contra a mulher.

Estão escaladas/os Adriana Karlem, Alain Moreira Lima, Ana Borges, Beto Lima, Binho Dushinka, Clara Vidotti, Cláudia Matos, Cláudio Costa, Cláudio Vasconcelos, Cyro Falcão, Diego Uchôa, Edgar Rocha, Edi Bruzaca, Fábio Vidotti, Fernando Sah,  Fonseca Maranhão, Fransoufer, Giselle Viana, Hiago, Lícia Garcia, Luís Carlos, Lurdimar Castro, Marcelo Cunha, Márcio Vasconcelos (autor da foto do convite que ilustra este post), Marília de Laroche, Marlene Barros, Murilo Santos, Ribaxé, Romana Maria, Silva Quadash e Wilka Barros, entre pintura, fotografia, vídeo-arte, instalação e performances.

Feminino Plural fica em cartaz até 10 de abril, com entrada franca.