Vai ter peitinhos! E muito mais!

França, Marçal e Dinucci, o Metá Metá. Foto: divulgação
França, Marçal e Dinucci, o Metá Metá. Foto: divulgação

 

A programação completa ainda não está fechada, mas o Sesc/MA já anunciou os shows de abertura e encerramento da programação da 10ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, que acontece entre os próximos dias 25 de novembro e 3 de dezembro, em diversos espaços em São Luís e Raposa (este blogue voltará ao assunto em momento oportuno).

O show de abertura será do Metá Metá, formado por Thiago França (saxofone), Kiko Dinucci (guitarra, violão e voz) e Juçara Marçal (voz). É um dos mais interessantes grupos brasileiros em atividade, com um caldeirão sonoro em constante ebulição, onde cabe de tudo. Atualmente o trio prepara o terceiro disco e em maio passado liberou um EP de aperitivo para download.

O encerramento fica por conta do show Selvática, em que Karina Buhr lança seu terceiro disco – a pernambucana nascida na Bahia esteve em São Luís em outubro, quando participou da Feira do Livro. O álbum foi financiado por crowdfunding e pode ser baixado no site da artista. A ex-Comadre Florzinha é uma das mais autênticas artistas brasileiras: plural, é compositora, atriz, cantora, escritora, desenhista, feminista, enfim, uma mulher de atitude.

Encarnado. Capa. Reprodução
Encarnado. Capa. Reprodução

Uma curiosidade é que tanto Karina Buhr quanto Juçara Marçal sofreram censura por terem estampado peitos nas capas de seus mais recentes discos – no caso da integrante do Metá Metá o álbum solo Encarnado (2014, disponível para download no site de Juçara).

Selvática. Capa. Reprodução
Selvática. Capa. Reprodução

Enquanto a capa de Selvática (2015) estampa foto da cantora com os seios à mostra e foi censurada pelo facebook, a de Encarnado traz uma mulher com o rosto coberto por um véu vermelho e os mamilos expostos. O iTunes recusou-se a disponibilizar o álbum, sugerindo à cantora modificar a capa – desenhada por Dinucci – para veiculá-lo na plataforma. Obviamente Juçara Marçal se recusou.

Os episódios envolvendo as artistas, a rede social e a plataforma refletem os tempos sombrios em que vivemos, em que avança uma onda neoconservadora, infelizmente não apenas no Brasil. Ainda bem que ainda podemos contar – e ver e ouvir – com artistas “de peito”. Literalmente!

Confiram Karina Buhr em Eu sou um monstro (Karina Buhr):

Confiram Metá Metá em Trovoa (Maurício Pereira):

Utilidade pública

Cássio Loredano. piauí, #98, novembro/2014

 

“O declínio dos Sarney”. A manchete de capa da piauí #98, de novembro/2014, anuncia a ótima reportagem em que Malu Delgado relata a derrota eleitoral do mais longevo grupo político brasileiro.

Fui assinante da revista, em seu início, por dois ou três anos. Hoje é das que compro em banca, sempre.

Neste novembro já passei por Dácio (Praia Grande), Angela (Deodoro), seu João (João Lisboa) e outras bancas Ilha adentro. Nem sinal da publicação.

Pode ser uma espécie de último suspiro antidemocrático da oligarquia, como já fizeram com a Caros Amigos, quando a revista trazia “A candidata que virou picolé”, sobre o aborto das intenções presidenciais de Roseana Sarney, matéria de Palmério Dória (que depois transformou o texto num livrinho, que saiu pela mesma editora Casa Amarela que publicava a revista). À época também desapareceu das bancas maranhenses.

Diante de meus reclames, amigos e amigas ofereceram-se a comprar a revista em outros estados e me enviar, me ceder seu código de assinante, colar a matéria em word e me enviar e até mesmo me ensinar: “digite quaisquer nove números no campo do código de assinante e dá pra ler a íntegra do texto”.

Com o texto em mãos, colei-o na íntegra do facebook, anunciado por boa parte desse texto que colo aqui de novo. Sabe-se lá por que, talvez algum limite de caracteres por post que eu desconheça, a rede social publicou-o incompleto. Pois baixem-no aí em pdf e espalhem!

Jair Bolsonaro: ignorante ou ignorante?

Parece que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e seu partido desistiram da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Uma boa notícia, ao menos. No vídeo, entre outras aberrações, ele diz que “Pedrinhas é a única coisa boa que tem no Maranhão”, um flagrante desrespeito com a população não apenas maranhense. Não, senhor deputado, não basta não cometer delitos para não ir parar em Pedrinhas. Ou o senhor desconhece a enorme quantidade de presos provisórios que cumprem pena maior que se tivessem tido condenação? Ou você não sabe que entre os últimos 65 mortos no sistema prisional maranhense havia inocentes? Que nesta estatística também estavam pessoas cujos delitos não chegam a ser tão hediondos quanto um assassinato, um estupro, um sequestro ou esse seu discurso típico de um general de pijamas, viúva da ditadura militar, até hoje lamentando-lhe o fim? Por que não defender o encarceramento em massa de políticos de colarinho branco que, através do desvio de recursos públicos, negam direitos e políticas públicas ao conjunto da população, contribuindo para o aumento assustador da criminalidade e da violência? Espero que depois de desistir da CDH o deputado seja obrigado a desistir, nas urnas, de sua vaga na Câmara dos Deputados.

Na minha infância eu costumava ouvir a palavra “ignorante” com dois significados: o dicionarizado, de quem ignora, não sabe, não conhece; e outro, usado para pessoas grosseiras. Quero saber em que categoria o deputado Jair Bolsonaro se enquadra. No fundo, na dos ignorantes que gostam de ser grotescos e repulsivos, folclóricos da pior maneira possível.

Mais justiça, mais segurança, mais direitos humanos, menos Felicianos, menos Bolsonaros!

[Com alguns acréscimos e revisão, outra nota que trago acá do facebook; a rede social não tem, por exemplo, um sistema de busca decente, e além do mais eu sou um homem de vícios antigos]

Perfil de Flávio Reis no facebook é falso

Com a capa do livro Guerrilhas de avatar e o nome do amigo e professor Flávio Reis, um falso perfil no facebook solicitou a amizade deste blogueiro ontem. Não aceitei de cara e desconfiei, chegando a ler as postagens: textos publicados por ele no jornal Vias de Fato, além de peças de divulgação de seu terceiro livro, lançado em 2012. O fake chegou a receber boas vindas de alguns amigos (reais) desavisados.

Por e-mail, o autor dos recém-relançados Cenas marginais e Grupos políticos e estrutura oligárquica no Maranhão, afirmou: “é claro que não sou eu. Tem como avisar lá? É muito chato alguém ficar falando como se fosse você”.

O recado está dado: o fã de João Gilberto – para citar alguém que tem perfil falso no facebook – não está nesta nem em qualquer rede social. O blogue ia noticiar marcando o fake, mas parece que quem quer que estivesse por trás disso já desistiu da empreitada.

Mondego por Bruzaca

O talentoso Jonilson Bruzaca postou há pouco em seu perfil no facebook a imagem abaixo, caricatura de um de nossos mais geniais artistas plásticos: Édson Mondego. Não escondo minha admiração por ambos.

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Há algum tempo entrevistei o retratado, um artista sábio.

O progresso não precisa arrancar mais esta flor

A professoramiga Carolina Libério postou um vídeo no youtube e teceu alguns comentários em sua conta no facebook sobre a pressão que antigos moradores do novo trecho da avenida Litorânea estão recebendo para abandonar suas casas.

“Segundo a administração pública, a área é de preservação ambiental e por isto eles não poderiam morar ali”, pontua Libério, que questiona algumas contradições do discurso oficial: “se ali é área de preservação ambiental, porque a prefeitura derrubou a duna e construiu uma avenida? Por que ali é área de preservação ambiental e 200 metros depois não é mais? O que muda? O que a prefeitura e a federação esperam fazer com a área quando ela for desocupada?”

Moradora da área há décadas, Flor de Maria responde a última pergunta, apontando interesses privados e especulação imobiliária como sendo os principais motivos para a não permanência dos antigos moradores no que muito em breve se tornará mais um “point” para gente “bonita”, “de fora” e “cheia da grana”.

À denúncia artística de Carolina Libério é preciso que se somem mais vozes indignadas. Progresso não precisa ser sinônimo de violação de direitos.

Odyr

Acho que “guzzices” é hoje um termo melhor que “mainardices” para definir as “sandices” (que são bem mais que isso) da revista Veja, que em sua edição ora nas bancas, chegou a comparar a união entre pessoas do mesmo sexo com a relação entre homens e cabras, além de inúmeras baboseiras outras (encravou, no texto, por exemplo, “homossexualismo” em vez de “homossexualidade”, intenção em vez de vacilo).

Sobre o assunto (ou diante da falta dele), o genial Odyr Bernardi postou em seu facebook (“bernardice”, ao contrário de seu significado original, é, aqui, sinônimo de vida inteligente na “cartunice” brasileira).

“Prefiro continuar a ser um produtor de cultura que me tornar um gestor”

Baleiro em pose de “alto lá!”

Indagado pelo blogue sobre a campanha “Eu quero Zeca Baleiro Secretário de Cultura de São Luís”, que ganhou alguma repercussão no Facebook, assim manifestou-se o cantor e compositor maranhense, através de sua assessoria. Sábio Zeca!

Ao lado de diversos outros nomes, Baleiro participa nos próximos dias 27 e 28 de novembro, no Teatro Arthur Azevedo, do show Milhões de uns, de Joãozinho Ribeiro, quando este grava ao vivo o primeiro disco de sua carreira.

Que os anjos batuquem no céu para receber Michol literalmente à altura

Na Fonte do Ribeirão Michol fala, ladeada por brincantes de bloco tradicional em foto roubada do facebook de Letícia Cardoso

Um torpedo do amigo Joãozinho Ribeiro, ex-secretário de cultura do Estado do Maranhão, me alcança logo cedo, nem bem havia eu chegado ao trabalho. Dava conta do falecimento de Maria Michol Pinho de Carvalho, com quem tivemos a oportunidade de trabalhar.

Ela, ex-Superintendente de Cultura Popular do Maranhão, dirigente do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, uma das casas de cultura do Maranhão ligadas à secretaria de Estado da Cultura. Era uma pessoa alegre e brincalhona, extremamente séria e zelosa com seus afazeres. Membro da Comissão Maranhense de Folclore, era uma apaixonada pelo que fazia.

Atuou ativamente no processo de inventário dos blocos tradicionais do Maranhão, que busca dar ao segmento status já obtido por outra manifestação cultural legitimamente nossa, o tambor de crioula. O processo está em tramitação no Ministério da Cultura, com as digitais de Michol.

“Melhor chefe que tive na vida! Michol foi essencial para que eu acreditasse em minha profissão, na minha escolha profissional. Além de chefe foi sempre uma incentivadora e, acima de tudo, amiga”, confessa-me Cris Ribeiro, jornalistamiga com quem também trabalhamos. Lembro que, à época em que chefiei a assessoria de comunicação da Secma, tentei “sequestrá-la” para integrar minha equipe. Pela amizade, companheirismo e confiança na saudosa Michol, Cris não deixaria a equipe do CCPDVF, apesar de não ser pequena também nossa amizade, carinho e respeito mútuos.

“Sem dúvidas a morte de Michol Carvalho é uma grande perda para todos os maranhenses, em especial os militantes da área cultural”, manifestou-se por e-mail o presidente da Fundação Municipal de Cultura Euclides Moreira Neto.

Também por e-mail o jornalista Joel Jacintho lamentou a perda: “Tive enorme prazer de trabalhar com Michol no inventário dos blocos tradicionais. Uma pessoa séria, incentivadora, humana e amiga, sem contar que levava a sério tudo o que envolvia a cultura. Com certeza uma grande perda”.

Professora do Departamento de Comunicação da UFMA, Letícia Cardoso criticou a cobertura da mídia local em relação ao falecimento da pesquisadora. “Os textos pobres de informações, quase idênticos (até a foto é a mesma!), não fazem jus à longa trajetória e à profunda dedicação da pesquisadora no campo da cultura popular maranhense. Eu cheguei a acompanhar alguns trabalhos de Michol, ela serviu de fonte para minha pesquisa de mestrado, tive alguns embates teóricos com ela em meu trabalho, mas reconheço que, a seu modo, desenvolveu um papel importantíssimo de luta pela legitimação e (re)conhecimento de diversas expressões culturais populares, como o Divino Espírito Santo, o Bumba meu boi, os rituais de Natal e mais recentemente os blocos carnavalescos. Os repórteres poderiam ter feito pelo menos uma breve pesquisa no currículo de Michol, não custava nada”, protestou em sua conta no Facebook.

Maria Michol faleceu na madrugada desta segunda-feira, em Fortaleza/CE, vítima de parada cardíaca. Tinha 62 anos. Seu corpo será velado na residência do percussionista Arlindo Carvalho, seu irmão, na Rua dos Afogados, Centro de São Luís, em frente à Padaria Santa Maria. Seu corpo está sendo velado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Rua do Egito, Centro de São Luís. O sepultamento será amanhã à tarde, no Cemitério do Gavião, na Madre Deus.

Violência, alienação e facebook

Nos últimos dias tenho visto fortemente uma campanha grotesca, sobretudo no facebook, em defesa da redução da maioridade penal e, em tom debochado, perguntas sobre onde estariam os defensores de direitos humanos, que supostamente não aparecem quando as vítimas de homicídios são policiais.

A redução da maioridade penal não é a solução para a violência, nem mesmo para minimizá-la. Começar a condenar severamente adolescentes aos 16 anos despertará, sem tardar, daqui a alguns anos, a vontade de reduzi-la, a maioridade penal, para 14, 12, 10 anos e assim sucessivamente. Em breve, cagar nas fraldas seria crime, passível de punição do bebê.

Os que defendem a redução da maioridade penal são, em geral, contra a política de cotas; é mais fácil punir quem também é vítima que atacar as reais causas do problema. Entupir celas de presídios com jovens a partir de 16 anos faria o sistema penitenciário cumprir ainda menos sua função primordial: a de ressocializar quem passa (e sobrevive) por ali.

Quem defende a redução da maioridade penal também é, em geral, a favor da pena de morte. Ora, já não é o que está acontecendo? Só não aos moldes de filmes americanos, onde se aplicam o fuzilamento, a cadeira elétrica, a eutanásia. Ou, em épocas mais distantes, o enforcamento ou a guilhotina. Em praça pública, de preferência, para aumentar a audiência e servir de exemplo a outros “bandidos”, “marginais”, “vagabundos”, que seriam, hoje em dia, digamos, os usuários de crack com seus olhares vidrados, em qualquer retorno ou semáforo.

Em suma, reduzir a maioridade penal não é solução para nada. Por outro lado, o discursinho fajuto de que “os direitos humanos só defendem bandidos” é pra lá de surrado. Repetido à exaustão por uma mídia que compactua com a opinião de que se deva reduzir a maioridade penal ou instituir a pena de morte no Brasil, agora é copiado indiscriminadamente por quem nem sabe que “os direitos humanos” não são uma entidade abstrata. O que são os direitos humanos? São os direitos de pessoas como este que vos escreve, vocês que me leem, moradores de rua, doutores, padres, policiais “que estão contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social”.

O que muita gente esquece é que moradores de rua, mendigos e mesmo os ditos bandidos também são gente. Igualzinho a quem preconceituosamente torce o nariz e acha que matar quem dorme debaixo do viaduto é solução. Que acha normal a polícia acordar quem dorme no frio, ao relento, a base de cutucões de cassetetes, chutes de coturno, balas (de borracha ou não) e spray de pimenta.

Sabem por que “os direitos humanos”, no caso, as entidades de defesa dos direitos humanos, aprendam, ó preconceituosos!, aparecem quando um jovem negro é assassinado? Por que em geral as circunstâncias são “misteriosas”, o crime é cometido de forma covarde e brutal e o defunto acabará virando mera estatística, às vezes nem isso. Por ele apenas a família, quando muito, às vezes sem a (in)formação necessária para reivindicar seus direitos, seja a reparação (a vida de um filho, tirada, nunca será recuperada) e/ou a punição do(s) agente(s) responsável(is). Policiais por outro lado têm suas associações, sindicatos, o apoio da mídia, sobretudo a que empunha cassetetes em programas sensacionalistas baratos (apesar dos caríssimos patrocínios), além do corporativismo e da impunidade vigentes.

Uma imagem vale mais que mil palavras. Disse até aqui pouco mais que a metade disso, embora não tenha dito tudo. Resumindo, deixo-lhes o sempre genial Carlos Latuff, que traduz perfeitamente toda a hipocrisia vigente, do sistema, da mídia e dos alienadinhos do facebook.

A ‘milícia 36’ é a nova camisa do sequestrador?*

Não se sabe de onde partiu um vídeo que está garantindo gozos coletivos à blogosfera suja do Maranhão. E do Brasil, já que também entrou na onda Reinaldo Azevedo, da Veja, tido por seus alunos por estas bandas como “democrata” e apontado como o blogueiro mais lido do Brasil.

Não vou postar o vídeo aqui nem linkar ninguém: já o fiz em redes sociais (expressão que detesto, pois é exatamente o contrário). Leitores que se interessarem podem procurá-los, vídeo e links, em minhas contas no tuiter (grafia abrasileirada intencionalmente) e no facebook. Ou mesmo direto na blogosfera suja do Maranhão, o noticiário infectado infelizmente sempre liberado para banho.

Aos fatos. Acusam o candidato à prefeitura de São Luís Edivaldo Holanda Júnior (PTC) de montar uma milícia, um grupo paramilitar para “tocar o terror” contra o candidato João Castelo (PSDB). O vídeo tem coisas estranhas. A começar por quem filma. Quem o faz? Por que em alguns momentos filma sem interferência e mostra rostos e noutros concentra a câmera (um celular ou máquina digital) em pés ou na total escuridão, como se o fizesse às escondidas?

O vídeo é tosca e bizarramente editado: terão todos os seus momentos sido captados durante o mesmo evento? Por que foi postado por um fake (usuário apócrifo, anônimo) no youtube e encaminhado por e-mail (fake idem, milicia36@bol.com.br) a alguns internautas (conforme relataram a este blogueiro via tuiter)?

É possível imaginar a baba escorrendo nos teclados no momento exato em que alguns blogueiros faziam repercutir o vídeo, já assistido por mais de cinco mil pessoas no exato instante em que escrevo este texto, direto no painel do blogue.

Não digo nem que um candidato nem que outro seja culpado ou inocente, mas o vídeo mostra o nível a que chegou a política maranhense. De qualquer forma um episódio ridículo em se comprovando o envolvimento de qualquer candidato, de um lado ou de outro.

Uma coisa não deixa de ser engraçada: os mesmos blogueiros que condenam “a formação de uma milícia” filmada no vídeo que agora faz sucesso na internet costumam elogiar o trabalho da “briosa” (adjetivo que eles adoram) polícia militar e seu serviço velado.

O serviço velado, apelidado de “inteligência” da PM, age cotidianamente, tortura e extermina sobretudo a juventude da periferia de nossa capital. Nunca li uma linha de qualquer destes blogueiros criticando esta praga incrustada no seio da corporação.

A ação criminosa do serviço velado, protegida pela impunidade reinante, merece discussão séria e profunda. As polícias deveriam preparar uma ação para coibir a compra de votos e outras práticas espúrias nessa reta final de campanha, no dia da eleição, inclusive apurar e punir quem quer que tenha responsabilidades e lucre com o citado vídeo.

*Em 1989 os sequestradores do empresário Abílio Diniz (grupo Pão de Açúcar) apareceram na televisão vestindo camisas de Lula (à época a Justiça Eleitoral ainda permitia a distribuição de brindes como camisas a eleitores), então candidato do PT à presidência da República; o fato, junto da edição pela Rede Globo do debate entre os candidatos, ele e Fernando Collor (então no PRN), deu no que deu.

Boi de Catirina: Ligiana nO Ouvido Vivo

Desde 10 de setembro passado a distribuidora Tratore está disponibilizando uma faixa por dia da coletânea que tem a capa acima, que terá lançamento e venda física.

Nomes bastante interessantes da cena independente brasileira estão no disco, entre os quais Carlos Careqa, Rhaissa Bittar, Rogério Skylab, Stela Campos e Ilana Volcov.

A faixa de hoje, disponibilizada no Facebook da Tratore, é Boi de Catirina, regravação de Ligiana para a música de Ronaldo Mota, já gravada pelo autor e, antes, por Papete, no antológico Bandeira de aço (1978).

Este blogue recomenda com entusiasmo sua audição e download.

Livreiro do Maranhão quer realizar um dos sonhos da “menina da capa”

O rosto é familiar, quer você adore, quer você odeie o MST. A imagem não ficou restrita à capa do livro. Correu mundo. Virou quase sinônimo do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra, que conta com a simpatia e o apoio deste blogue em suas lutas.

Há alguns dias ganhou repercussão nas redes sociais, a partir de matéria publicada na Folha de S. Paulo, o fato de a menina da capa ou a menina da foto ou a menina do livro, como ficou conhecida, ser ainda uma sem-terra, 16 anos depois de lançado o Terra, com fotografias de Sebastião Salgado, pela Companhia das Letras.

A matéria é boa, apesar do problema (da grande mídia de que dona Folha faz parte) de usar o verbo “invadir” em vez de “ocupar” para se referir às ações do MST na luta pela reforma agrária no Brasil.

Em determinada passagem do texto Joceli Borges, hoje com 21 anos, diz ter dois sonhos: um lote de terra e dois exemplares do livro cuja capa estampou aos cinco. Um para ela, outro para seu pai.

O livreiro José Arteiro, um dos proprietários da livraria Linha do Equador (Av. dos Holandeses), hoje, em seu perfil no Facebook, informa ter comprado dois exemplares usados do livro na Estante Virtual: “Vou doar os dois livros que ela pediu, um para seu pai e outro para ela. Fiquei comovido com o pedido”, desabafou.

Arteiro está tentando contato com a menina para providenciar o envio. Quem tiver informações escreva para arteiromuniz@hotmail.com

Feira na Praia – Entre os próximos dias 30 de agosto e 2 de setembro, sempre das 16h às 22h, na Av. Litorânea (Calhau), próximo ao parquinho, diversos livreiros de São Luís realizarão uma Feira do Livro, a exemplo do que já fizeram em shopping centers e paisagens outras da capital maranhense. Oportunidade de comprar livros a preços promocionais curtindo a brisa (já que banho de mar, nem pensar!).

“Juventude”, “humor” e “política”

Tudo entre aspas, não necessariamente nessa ordem.

“Vice-presidente municipal do PSDB defende campanha sem baixarias”, anuncia manchete na página 3 [Política] do Jornal Pequeno de hoje (14).

A manchete por si só já me daria motivos para rir, pois reúne em si o PSDB e baixarias, como se esta(s) fosse(m) o significado da última letra da sigla.

Lendo o texto penso no desserviço prestado pelo Jornal Pequeno, espécie de Diário Tucano ludovicense, a bater palmas para tudo o que fazem o prefeito João Castelo, candidato à reeleição, e seu partido.

O vice-presidente citado na manchete é o jornalista José Linhares Jr., não à toa, blogueiro abrigado no Jornal Pequeno, onde vive a desfilar baixarias. Ou vocês vão dizer que é elegante a montagem em que o Coringa (do Batman) entrevista o candidato Edivaldo Holanda Jr? Ou a Coligação “Queima Tadeu”, montagem em que o ex-prefeito-candidato aparece ladeado por seus opositores Flávio Dino, Edivaldo Holanda Jr. e Washington Oliveira? De tão “baixarias”, este blogue prefere nem reproduzi-las.

“Eleição não é brincadeira de quem passa o dia inteiro no Facebook plantando mentiras e tentando confundir o eleitor por desespero”, afirma o jornalista-vice-presidente, segundo o texto, quiçá de sua própria lavra. “Nossa coligação não vai entrar nesse jogo”, continua. A coligação talvez não (embora eu não acredite): ele já entrou, embora não no Facebook, mas em seu blogue pequeno-tucano.

É hilariante também a contradição: Linhares critica a postura do também jornalista Márcio Jerry, presidente municipal do PCdoB, de supostamente aparecer mais que Roberto Rocha, candidato a vice-prefeito na campanha que coordena. Ora, a veiculação deste texto não tira os holofotes de Neto Evangelista e joga-os em Linhares Jr.?

José Linhares Jr. é uma espécie de Washington Oliveira jovem: o expoente maior do sarnopetismo maranhense cansou da esquerda, após uma vida inteira nela; o primeiro, agora aos 30 e poucos, cedo deixou a UJS pcdobista para tornar-se um dos principais nomes da ultradireita conservadora maranhense.

Este é um dos coordenadores da campanha de João Castelo à reeleição. No desespero por mais quatro anos em um cargo de confiança, ele certamente recorrerá a quaisquer expedientes. Inclusive baixarias. Está apenas cumprindo seu papel.