Endosso

 

Não me lembro de, antes, ter conversado tão demoradamente com o cantor Gabriel Melônio. Sábado passado (9) ele foi ao Balaio Cultural, ocasião em que, ao lado da cantora Anna Cláudia, concedeu uma entrevista a Gisa Franco e este que lhes relata o ocorrido.

Raramente recorro a entrevistas feitas no rádio para republicá-las em papel ou internet, por entender que cada veículo tem sua dinâmica e exige um texto adequado ao meio. Se o faço, desta vez, é para endossar algo dito espontaneamente pelo cantor.

A conversa com os artistas era sobre o show que fizeram no mesmo dia, um dos eventos mensais que preparam a celebração do centenário que o compositor Antonio Vieira completaria 9 de maio do ano que vem.

Diante da qualidade de repertório pouco conhecido de Antonio Vieira, priorizado nesta série de apresentações que, desde maio, a cada dia 9, vem promovendo o encontro de duplas no palco, em torno da obra do mestre, Gabriel Melônio revelou, em primeira mão, no programa, a intenção de gravar um disco inteiramente dedicado à obra do autor de Banho cheiroso.

Além de intérprete da Turma do Quinto há 42 anos, Gabriel Melônio também é bastante conhecido por ter vencido o Festival Viva de Música Popular do Maranhão, quando defendeu, com Cláudio Pinheiro, Oração latina, de Cesar Teixeira, em 1985, no apagar das luzes daquela ditadura.

Torcedor sem o hábito de frequentar estádios, Gabriel Melônio aproveitou o espaço para elogiar ao vivo a Rádio Timbira. “Eu quero fazer um registro que eu tenho vontade de fazer há muito tempo. É para a equipe esportiva da Rádio Timbira. A Rádio Timbira descobriu uma coisa que ninguém tinha sacado. No domingo à tarde tem umas pessoas que saem para fazer outros compromissos. Quando a gente sai, que volta e quer saber o resultado de um jogo, todas as emissoras já saíram do ar. E eu descobri outro dia, queria saber o resultado de um jogo do Sampaio Correia, e eu procurando, encontrei uma galera falando de futebol, foi de nove até meia-noite, são três pessoas”, revelou o cantor, referindo-se ao Rolê Esportivo, comandado por Gabriel DCastro, Quécia Carvalho e Sebastian Neto, estagiários que dominam a pauta esportiva com mais propriedade que muito profissional por aí.

Em São Mateus, onde aguardava o início da transmissão de Juventude x Maranhão, Laércio Jr. ouvia a entrevista. Sem saber que estava sendo ouvido por ele, Gabriel também elogiou-o e o locutor entrou ao vivo para agradecer a gentileza do madredivino de cabelos de anjo.

Escrever este texto e compartilhar o vídeo do Balaio Cultural de sábado passado com outro público – que não necessariamente ou/viu o programa – é uma forma de fazer minhas as palavras de Gabriel Melônio. Registre-se meu endosso.

Ser Bolívia é preciso!

Em foto roubada do blogue Futebol Maranhense, a formação do Sampaio de 74. Em pé: Benazi, Moraes, Gilson, Lourival, Raimundo e Santos. Agachados: Buião, Djalma Campos, Dionísio, Sérgio Lopes e Airton
Em foto roubada do blogue Futebol Maranhense Antigo, a formação do Sampaio de 1974. Em pé: Benazi, Moraes, Gilson, Lourival, Raimundo e Santos. Agachados: Buião, Djalma Campos, Dionísio, Sérgio Lopes e Airton

Roubo de Xico Sá o título que ele deu, na Folha de S. Paulo, à coluna que comemorava o título do Vasco da Gama na Copa do Brasil em 2011. Troco o nome do heroico português pelo apelido do Sampaio Correa, que logo mais entra em campo, no Albertão, em Teresina/PI, para enfrentar a equipe carioca pela série B do Campeonato Brasileiro.

As equipes enfrentaram-se seis vezes, com quatro vitórias do Vasco, uma do Sampaio e um empate. Já disse, há algum tempo, no éter das redes sociais, que mais importante que o hexa brasileiro na Copa do Mundo é o título brasileiro do Sampaio na série B deste 2014.

Ao que o boliviano roxo e torcedor realista (pode?) Susalvino Viana, meu tio, advertiu-me: devemos torcer pela permanência do tricolor na série B. Para não cair. O Sampaio tem time para isso. Para ser campeão ou subir, não. O mesmo Susalvino havia me dito que seria praticamente impossível o Sampaio passar pelo Palmeiras na Copa do Brasil, do que discordei e a história mais uma vez revelou-me um péssimo comentarista/analista do ludopédio.

Se com prudência ou roxura cabe aos poucos mas fiéis leitores, amigos torcedores e amigos secadores – gracias, again, Xico Sá –, decidir: o importante é empurrar a Bolívia querida à recuperação.

Mas logo um cruzmaltino escrever isso?, decerto alguns me perguntarão. A explicação é simples: quem tem mais chances de voltar à série A (o verbo cabe a ambos os times, já que o Sampaio já figurou na elite do futebol nacional, como veremos adiante)? Certamente o time de São Januário. O que torna cada ponto para a Bolívia querida ainda mais importante e valorizado.

A julgar pelas estatísticas, cruzmaltinos e bolivianos devem sair satisfeitos com uma vitória dos visitantes – o mando de campo é da equipe carioca, punida por aquela briga de torcidas em jogo contra o Atlético/PR –, hoje, em terras piauienses: a única vitória do Sampaio contra o Vasco se deu justamente em 1974, quando a equipe liderada por Roberto Dinamite sagrou-se campeã brasileira pela primeira vez.

Existem tragédias maiores que a derrota em copas do mundo e olimpíadas

A Relatoria do Direito Humano à Cidade da Plataforma Dhesca Brasil visitou o Rio de Janeiro em maio passado para investigar os impactos que já causam aos cariocas os dois maiores eventos esportivos de que o Brasil já teve notícia: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o primeiro sediado em diversas cidades brasileiras, incluindo a capital carioca, cidade-sede do segundo.

Abaixo, quatro vídeos elaborados pela Missão da citada Relatoria nas comunidades de Restinga, Favela do Metrô, Morro da Providência e Vila Recreio 2. Para assistir, se indignar e lembrar quando formos comemorar cada gol brasileiro na primeira competição, cada medalha na segunda. Qual o preço de cada vitória? A derrota de milhares de famílias desde agora? Para quem não tiver paciência de abrir vídeo por vídeo, um playlist com os quatro aqui.