Quase mais três meses

Foto: Zema Ribeiro
Foto: Zema Ribeiro

Finalmente o problema do entulho acumulado na Rua das Mangueiras, no Jardim Renascença I, foi resolvido.

Não adiantaram post neste blogue, nem ofício encaminhado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) à Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), nem abaixo-assinado organizado por moradores também encaminhado ao órgão.

Na Semosp, diga-se, a burocracia é inversamente proporcional à efetividade da prestação de serviços: não atendem solicitações feitas por telefone, e-mail ou fax. Ofícios requerendo o que quer que seja têm que ser protocolados na sede do órgão. Mas como disse, nem isso adiantou. Outro detalhe: o lixo, sobre o qual já cresciam pés de mamona e já ocupava boa parte da rua, impedindo o trânsito e estacionamento de veículos, foi deixado após um serviço de “limpeza” da empresa terceirizada pelo município para tal fim.

Evangélico, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. evocou Deus na campanha eleitoral e em recente pronunciamento sobre as chuvas que castigam a Ilha. Mas a população parece estar mesmo ao deus dará: o entulho da Rua das Mangueiras foi retirado após a contratação de serviços particulares por moradores de um condomínio ali localizado, com a contribuição de moradores de casas próximas e da própria SMDH.

De obituários

São ridículos os obituários do apresentador Jairzinho da Silva, morto na última sexta-feira (4), vítima de um ataque cardíaco. Das três, uma: ou o homem não tinha qualidades que merecessem registro e/ou destaque ou ninguém o conhecia e/ou admirava tanto a ponto de realizar um belo texto. Ou simplesmente a incompetência para a redação de um obituário decente reflete o atual cenário jornalístico do Maranhão.

Como sempre por aqui, optou-se pela santificação que faria corar o próprio defunto, se isto fosse possível. Na Sarneylândia a morte apaga quaisquer defeitos, basta lembrar do recente caso Décio Sá. Ou, antes, de Walter Rodrigues, para nos determos a jornalistas.

De uma hora para outra, baboseiras como “excelente vereador por três mandatos” e “referência na Comunicação do Maranhão” surgiram em textos paupérrimos, incluindo notas de pesar da Câmara Municipal e do Governo do Maranhão. Uns ainda lembraram sua condição de vice-prefeito quando a municipalidade foi comandada por Gardênia Gonçalves, esposa de João Castelo, recém-destituído. O tucano fez de tudo para superá-la em má-gestão, andando perto de conseguir, mas o título permanece com ela. Esse mês de atraso no salário dos barnabés é fichinha perto do que aprontou a ex-primeira dama quando prefeita. É claro que há aí, não neguemos, um quê de elegância e dignidade, de não dar conotação política à morte, muito embora o próprio Jairzinho, em vida, não tenha se preocupado muito com isso.

O apresentador era engraçado (para quem gostava), dizia alguns bordões, criou um boneco e a gíria “migué”, o nome do boneco, sinônimo de enrolação, golpe, hoje incorporada no “maranhês” que se fala por aqui. E só.

Imparcialidade jornalística não existe. Uma notícia sempre será a interpretação de um fato, um ponto de vista sobre determinado fato, nunca o fato em si. O problema é quando a “opinião” emitida por um jornalista não se resume às suas convicções e à interpretação do mesmo sobre determinado fato. Quando entram outros interesses, em geral escusos, no jogo, o que, infelizmente, movimenta a maior parte de nossa mídia, da tevê à blogosfera, passando por rádios e jornais, não sem um grau de irresponsabilidade.

Para ilustrar, lembro um recente episódio “dois em um”: o nome do cantor e compositor Zeca Baleiro foi proposto pela classe artística para assumir a presidência da Fundação Municipal de Cultura de São Luís na gestão de Edivaldo Holanda Jr., antes, é claro, deste assumir a prefeitura. Sabedor da repercussão da campanha sobretudo em redes sociais e do endosso de diversos artistas, Jairzinho não poupou preconceito ao supostamente alertar o então futuro prefeito de que se o mesmo fosse atrás de artistas, “a turma do fumacê”, estes iriam “queimar” o dinheiro do povo, numa clara alusão à tão maranhense diamba (maconha, traduzindo para os poucos mas fieis leitores de fora).

Depois, por isso chamo de episódio dois em um, Jairzinho chegou a afirmar em seu O povo com a palavra, programa que apresentou na TV Guará até falecer, que a gravação de Milhões de uns, disco de estreia de Joãozinho Ribeiro, em show ao vivo no Teatro Arthur Azevedo em novembro passado, seria um ato pró-Zeca Baleiro na Fundação Municipal de Cultura. E mais: que eles e Chico César integravam uma “esquadrilha da fumaça”, que tinham no repertório uma música chamada Mato verde (na verdade é Erva santa, de Joãozinho Ribeiro, já gravada por nomes como Papete e Fauzy Beidoun), e que os três estariam se juntando para exportar a boa maconha do Maranhão.

Este é apenas um pequeno exemplo do jornalismo cometido por Jairzinho, mas infelizmente não apenas por ele, para tentar esclarecer um pouco as coisas num ambiente de falsas lágrimas e elogios baratos.

Jairzinho, requiescat in pace.

O debate (de verdade)

Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), União Estadual por Moradia Popular, Cáritas Brasileira Regional Maranhão, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Quilombo Urbano, Pastoral da Comunicação, Comitê Padre Josimo, Central de Movimentos Populares, Cooperativa de Mulheres Trabalhadoras da Bacia do Bacanga, jornal Vias de Fato e Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB/MA) providenciaram a gravação do debate realizado no auditório da última, lotado, na tarde de quarta-feira passada (19). O evento teve transmissão ao vivo pela internet.

Dos oito candidatos a prefeito, cinco se fizeram presentes ao debate moderado por Zaira Sabry Azar (MST): Edivaldo Holanda Jr. (PTC), Eliziane Gama (PPS), Haroldo Sabóia (PSol), Marcos Silva (PSTU) e Tadeu Palácio (PP). Não compareceram os candidatos Edinaldo Neves (PRTB), que alegou problemas de saúde, João Castelo (PSDB), candidato à reeleição, e Washington Oliveira (PT), candidato oficial do Sistema Mirante/ Oligarquia Sarney. Os dois últimos sequer enviaram representantes de suas coordenações de campanha para a reunião que definiu as regras do debate. Como comentei há alguns posts, o Sistema Mirante disse que o mesmo foi marcado por “tensão” e “polêmica”. Vejam com seus próprios olhos e tirem suas próprias conclusões.

O debate que houve e o que (ou)viu o Sistema Mirante

“O (ab)surdo não (h)ouve” (Walter Franco)

Estive ontem (19) a tarde inteira no auditório da OAB/MA, onde aconteceu um debate entre os candidatos a prefeito de São Luís e as organizações sociais que o organizaram. Compareceram os candidatos, em ordem alfabética, Edivaldo Holanda Jr. (PTC), Eliziane Gama (PPS), Haroldo Sabóia (PSol), Marcos Silva (PSTU) e Tadeu Palácio (PP).

Divulguei o debate (aí por baixo há um post anunciando-o e outro a sua transmissão online em tempo real), que teve um auditório lotado para presenciá-lo e, repita-se, transmissão ao vivo pela internet. Encontrei amigos, fiz uma pergunta (representando a SMDH) e integrei um trio a que, brincando entre nós, chamamos “comitê de crise”, que serviria para “julgar” questões relativas, por exemplo, a eventuais pedidos de direito de resposta durante o debate. Éramos eu (SMDH), Emílio Azevedo (Vias de Fato) e Creusamar de Pinho (União Estadual por Moradia Popular).

O trio não foi solicitado uma vez sequer, o que, a meu ver, dá uma ideia do clima em que transcorreu o debate. Eliziane Gama e Edivaldo Holanda Jr., por razões óbvias, foram os mais citados pelos outros concorrentes. Seguraram a onda. Haroldo Sabóia levou o auditório às gargalhadas quando, para justificar-se de vez ou outra estourar o tempo de dois minutos para cada resposta, disse ser gago e que, por isso, precisava de mais tempo. Havia um clima de bom humor. É óbvio que alguns candidatos estavam mais à vontade que outros, o que é muito natural e varia de palco a palco, e depende de quem organiza e promove o debate.

O candidato Ednaldo Neves (PRTB) não compareceu ao debate e mandou justificativa prévia em que alegava motivos de doença. João Castelo (PSDB), que até agora não compareceu a qualquer debate (mas certamente não deixará de ir ao do Sistema Mirante) e Washington Oliveira (PT), candidato oficial da Oligarquia Sarney (proprietária do Sistema Mirante) não foram ao debate, não apresentando, no entanto, qualquer justificativa. Antes, sequer tinham mandado representantes de suas coordenações de campanha à reunião em que, com as organizações sociais promotoras do evento, foram acertados detalhes e regras do mesmo.

O texto de abertura do evento, lido pela mediadora Zaira Sabry Azar, professora da UFMA e militante do MST, deixou clara a opinião/posição das entidades que organizaram o debate: “o não comparecimento dos candidatos demonstra o nível de compromisso dos mesmos para com os movimentos sociais, a população, a cidade”, era mais ou menos o que dizia o texto, ao que acrescento a previsão de uma gestão que refletirá isso na eventual eleição de um ou outro. A história se repetindo como farsa e tragédia em qualquer caso, já que a reeleição do candidato tucano significará mais quatro anos do que a população já bem conhece; a do sarnopetista o modelo “cor de rosa” a que o Maranhão idem parece já estar acostumado.

A cobertura do debate de ontem à tarde pela TV Mirante sequer citou os organizações que o promoveram, a saber: Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), União Estadual por Moradia Popular, Cáritas Brasileira Regional Maranhão, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Quilombo Urbano, Pastoral da Comunicação, Comitê Padre Josimo, Central de Movimentos Populares, Cooperativa de Mulheres Trabalhadoras da Bacia do Bacanga, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB/MA) e jornal Vias de Fato.

PelO Estado do Maranhão, o discurso démodé de chamar Marcos Silva (PSTU) e Haroldo Sabóia (PSol) de “ultraesquerdistas” (alguém lê por aí, onde quer que seja, a palavra “ultradireitista” para designar quem quer que seja?);  o sutiã anuncia “momentos de tensão” que não têm vez ao longo do texto; e “polêmica”, bem, os problemas que precisam ser enfrentados pela gestão municipal são sérios, urgentes e, talvez por isso mesmo, polêmicos. Fora os temas em si, polêmica nenhuma! Só que as organizações sociais jamais mascarariam a realidade em torno de promover um debatezinho comportado como os em geral promovidos por meios de comunicação que têm partido e candidato, embora não revelem isso aos cidadãos e cidadãs que os veem, leem, ouvem, acessam. Continue Lendo “O debate que houve e o que (ou)viu o Sistema Mirante”

“Juventude”, “humor” e “política”

Tudo entre aspas, não necessariamente nessa ordem.

“Vice-presidente municipal do PSDB defende campanha sem baixarias”, anuncia manchete na página 3 [Política] do Jornal Pequeno de hoje (14).

A manchete por si só já me daria motivos para rir, pois reúne em si o PSDB e baixarias, como se esta(s) fosse(m) o significado da última letra da sigla.

Lendo o texto penso no desserviço prestado pelo Jornal Pequeno, espécie de Diário Tucano ludovicense, a bater palmas para tudo o que fazem o prefeito João Castelo, candidato à reeleição, e seu partido.

O vice-presidente citado na manchete é o jornalista José Linhares Jr., não à toa, blogueiro abrigado no Jornal Pequeno, onde vive a desfilar baixarias. Ou vocês vão dizer que é elegante a montagem em que o Coringa (do Batman) entrevista o candidato Edivaldo Holanda Jr? Ou a Coligação “Queima Tadeu”, montagem em que o ex-prefeito-candidato aparece ladeado por seus opositores Flávio Dino, Edivaldo Holanda Jr. e Washington Oliveira? De tão “baixarias”, este blogue prefere nem reproduzi-las.

“Eleição não é brincadeira de quem passa o dia inteiro no Facebook plantando mentiras e tentando confundir o eleitor por desespero”, afirma o jornalista-vice-presidente, segundo o texto, quiçá de sua própria lavra. “Nossa coligação não vai entrar nesse jogo”, continua. A coligação talvez não (embora eu não acredite): ele já entrou, embora não no Facebook, mas em seu blogue pequeno-tucano.

É hilariante também a contradição: Linhares critica a postura do também jornalista Márcio Jerry, presidente municipal do PCdoB, de supostamente aparecer mais que Roberto Rocha, candidato a vice-prefeito na campanha que coordena. Ora, a veiculação deste texto não tira os holofotes de Neto Evangelista e joga-os em Linhares Jr.?

José Linhares Jr. é uma espécie de Washington Oliveira jovem: o expoente maior do sarnopetismo maranhense cansou da esquerda, após uma vida inteira nela; o primeiro, agora aos 30 e poucos, cedo deixou a UJS pcdobista para tornar-se um dos principais nomes da ultradireita conservadora maranhense.

Este é um dos coordenadores da campanha de João Castelo à reeleição. No desespero por mais quatro anos em um cargo de confiança, ele certamente recorrerá a quaisquer expedientes. Inclusive baixarias. Está apenas cumprindo seu papel.