Tempo de Pitomba!

Joacy James

Há quem não goste de pitomba, a fruta, pelo excessivo trabalho, haja paciência, que ela dá para ser apreciada: tirada a casca, rói-se até o caroço, um quase nada azedinho de prazer.

Há quem não goste da revista com nome de fruta, vai entender, talvez por razões opostas. A Pitomba chega ao quinto número, fruto dos esforços de um pequeno time de talentosos teimosos: Bruno Azevêdo, Celso Borges e Reuben da Cunha Rocha, todos por demais conhecidos dos poucos mas fieis leitores deste blogue.

Não merecesse apreciação por nada, a revista por si só já estaria escrita entre nossas grandes revistas de artes por alguns motivos. E eu não tou falando de nosso quintal-Maranhão.

Juntar estas três cabeças pensantes em um projeto, o primeiro, escritor hoje reconhecido nacionalmente, o segundo, um poetaço, teimoso que já fazia revistas antes mesmo dos outros pares terem nascido (saibam: não é fácil manter acesa essa chama), o terceiro, hoje morando em São Paulo, talentoso poeta, competente tradutor.

Fazer uma revista bonita, a baixo custo, mapeando talentos, mesclando artes visuais, poesia, sacanagem, literatura, hq, bom humor.

Meter as mãos nos bolsos, quando o patrocínio e as vendas em bancas não cobrem os custos (o que sempre acontece!).

Louvem-se a livraria Poeme-se e o bar Chico Discos: nossas multinacionais culturais locais não são megaempresas, mas têm colaborado um bocado ao longo dos últimos anos para iniciativas inteligentes, interessantes. São as duas únicas logomarcas que aparecem nas páginas da revista, oxalá sirvam de exemplo a outros pequenos, médios, grandes empresários.

Abre este post um cartum bomba inédito do saudoso Joacy James, uma das artes nas páginas desta Pitomba number five. Há ainda fotos de André Lucap (a capa é dele também), traduções de Samarone Marinho (de poetas argentinos) e Reuben da Cunha Rocha (e. e. cummings), poemas de Celso Borges, contos do pernambucano Fabiano Calixto, quadrinhos de Bruno Azevêdo, Rafael Rosa e Ricardo Sanches.

O lançamento é hoje às 19h, no Chico Discos.

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por que haverá de em cada de um parque

ânus se erguer alguma aspas estátua aspas para
provar que um herói é igual a qualquer basbaque
que teve medo de ousar responder “não”?

aspas cidadãos aspas poderiam em vez dis
so esquecer(errar é humano;perdoar,
divino)que se aspas o estado aspas diz
“mate” matar é um ato de amor cristão.

“Nada”, em 1944 D C

“pode se contrapor ao argumento da ne
cessidade militar” (generalíssimoe)
e o eco responde “não há defesa

contra a razão” (freud)–a gente paga a despesa
mas não abre a boca. A liberdade não é uma beleza?

&

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um político é um ânus no
qual tudo se sentou exceto o humano

&

Dois poemas de e. e. cummings, traduzidos por Augusto de Campos, em poem(a)s (2011), recém-lançado pela Editora Unicamp, que ano passado também botou na roda uma edição também linda do Ensaios e Anseios Crípticos, de Paulo Leminski.