RicoChoro ComVida na Praça estreia nova temporada com choro e guitarrada

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Mestre Solano é o convidado da primeira edição do projeto este ano; apresentações acontecem até novembro em diversas praças de São Luís

A estreia da quarta temporada de RicoChoro ComVida na Praça acontecerá dia 20 de julho (sábado), às 19h, na Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande). O projeto, idealizado e produzido por Ricarte Almeida Santos, segue firme no propósito de estimular o encontro entre diversas linguagens musicais brasileiras, entre o instrumental e o cantado. Este ano abre espaço também para a poesia.

O projeto é uma realização de Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais, com patrocínio de TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. Em 2019 RicoChoro ComVida na Praça terá cinco edições e acontece até novembro. Toda a programação (veja completa ao fim do post) é gratuita.

Outra novidade nesta temporada de RicoChoro ComVida na Praça é a parceria com a Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo. Às vésperas das apresentações de convidados nacionais, haverá rodas de conversa com os artistas, que serão realizadas nas dependências da Emem. “Para nós é uma alegria estabelecer essa parceria. A Emem é um símbolo de qualidade na formação sólida de diversos talentos nossos. Por exemplo, os integrantes do Caçoeira, todos foram alunos da Escola de Música”, celebra Ricarte.

Em caricatura de Nuna Neto, o homenageado da temporada, o compositor Joãozinho Ribeiro
Em caricatura de Nuna Neto, o homenageado da temporada, o compositor Joãozinho Ribeiro

Ano Joãozinho – A partir deste ano, RicoChoro ComVida na Praça passa também a homenagear uma personalidade do Choro no Maranhão. Em 2019 o escolhido é o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, que celebra 40 anos de carreira. Samba e choro são dois gêneros de destaque no repertório do artista, que, nos moldes do projeto, percorreu diversas comunidades da ilha de São Luís entre os anos de 2002 e 2003 com o projeto “Samba da Minha Terra”.

O requisitado e talentoso DJ Franklin. Foto: divulgação
O requisitado e talentoso DJ Franklin. Foto: divulgação
O mímico Gilson César inaugurará as performances poéticas na temporada. Foto: divulgação
O mímico Gilson César inaugurará as performances poéticas na temporada. Foto: divulgação

A primeira edição terá como convidados o DJ Franklin, desde sempre um dos mais requisitados da Ilha, e performance poética com o mímico Gilson César. “Eles ajudam a criar uma ambiência, um clima, mas são parte do espetáculo. Queremos que as pessoas curtam música, poesia, num exercício de vivência comum, ocupando espaços públicos, dando nossa modesta contribuição para os esforços de revitalização da cidade que têm sido anunciados”, comenta Ricarte.

O Regional Caçoeira: rede de pescar ritmos. Foto: divulgação
O Regional Caçoeira: rede de pescar ritmos. Foto: divulgação

O grupo anfitrião da noite será o Regional Caçoeira, formado por João Eudes (violão sete cordas), Lee Fan (flauta e saxofone), Wanderson Silva (percussão) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho), jovens virtuoses que há algum tempo ganharam notoriedade na cena musical da cidade, figuras fáceis em fichas técnicas de shows e discos de diversos artistas maranhenses.

A rede de pesca que empresta nome ao grupo alude ao passeio por diversos gêneros que o quarteto faz a cada apresentação, sobretudo mesclando o Choro a ritmos da cultura popular do Maranhão. Um balanço – para novamente lembrar do mar, do Maranhão – inigualável.

Mestre Solano, o rei da guitarrada, com mais de 60 anos de carreira. Foto: divulgação
Mestre Solano, o rei da guitarrada, com mais de 60 anos de carreira. Foto: divulgação

Choro e guitarrada – O grande convidado do sarau de estreia é Mestre Solano, o rei da guitarrada, direto do Pará. Ele lançou em setembro passado o cd “As guitarradas de um mestre”, em que, além do gênero que lhe dá título, passeia por cumbia, merengue, calipso, carimbó e bolero, entre outros. Aos 63 anos de carreira, com 17 álbuns lançados, o artista promete uma noite dançante.

“Americana” (Frank Carlos), também já gravada por nomes como Alípio Martins e Arnaldo Antunes, é seu maior hit, gravado por ele na década de 1980, na formação Solano e Seu Conjunto, e regravado no novo disco.

Mestre Solano nasceu em Abaetetuba – “terra morena de garotas de valor”, como canta o conterrâneo Pinduca –, onde ainda na infância começou a “arranhar” um banjo. Depois mudou-se para a capital Belém, onde ingressou no Corpo de Bombeiros, tendo sido músico da corporação militar.

Acessibilidade — Todas as edições de RicoChoro ComVida na Praça garantem a presença confortável de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O projeto garante banheiros acessíveis, assentos preferenciais com sinalização, audiodescrição e tradução simultânea em libras.

Serviço

Sarau

O quê: estreia da temporada 2019 de RicoChoro ComVida na Praça
Quando: dia 20 de julho (sábado), às 19h
Onde: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)
Quem: Gilson César, DJ Franklin, Regional Caçoeira e Mestre Solano (Pará)
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Roda de conversa

O quê: Roda de conversa
Quando: dia 19 de julho (sexta-feira), às 16h
Onde: Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Rua da Estrela, 363, Praia Grande)
Quem: Mestre Solano e Ricarte Almeida Santos
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Programação completa (sempre às 19h)

20 de julho

Local: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)
Grupo anfitrião: Regional Caçoeira
Artista convidado: Mestre Solano (Pará)
Dj: Franklin
Poesia: Gilson César

24 de agosto

Local: Praça do Letrado (Vinhais)
Grupo anfitrião: Mano’s Trio
Artista convidado: Chiquinho França
Dj: Pedro Dread Lock
Poesia: Mano Magrão

21 de setembro

Local: Praça Carlos de Lima (Lagoa da Jansen)
Grupo anfitrião: Quarteto Buriti
Artistas convidados: Paulão e Mila Camões
Dj: Victor Hugo
Poesia: Áurea Maria

19 de outubro

Local: Largo da Igreja do Desterro
Grupo anfitrião: Trítono Trio
Artistas convidados: Cláudio Lima e Célia Maria
Dj: Vanessa Serra
Poesia: Rosa Ewerton

9 de novembro

Local: Praça Gonçalves Dias (Centro)
Grupo anfitrião: Quarteto Crivador
Artista convidado: Messias Britto (Bahia)
Participação especial: Joãozinho Ribeiro (homenageado da temporada)
Dj: Joaquim Zion
Poesia: Celso Borges

Das escritas do Choro

Chorografia do Maranhão. Capa. Reprodução

 

Quando José Antonio deixou a maternidade, aos 18 dias, a primeira música que ele ouviu foi a Suíte Retratos, na execução da Camerata Carioca em Tributo a Jacob do Bandolim, de 1979. Não a ouviu completa, pois o percurso da maternidade até em casa, de carro, era menor que o tempo de duração dos quatro movimentos (os “retratos”), que homenageiam Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.

Não foi por acaso: a homenagem é uma espécie de síntese do Choro, ou pelo menos de suas origens e entre os bambas que tocam no disco está o maranhense João Pedro Borges, o que me enche de orgulho. O disco foi escolhido intencionalmente, redundo.

Sábado que vem (15), às 19h, na Praça Gonçalves Dias, durante o último sarau de RicoChoro ComVida na Praça em 2018, Ricarte Almeida Santos, Rivânio Almeida Santos e este que vos perturba lançaremos – finalmente! – o livro Chorografia do Maranhão, que reúne as 52 entrevistas com 54 instrumentistas de Choro nascidos ou radicados no Maranhão que publicamos como uma série no jornal O Imparcial, entre março de 2013 e maio de 2015.

O lançamento acontecerá em noite especial, não apenas por se tratar da despedida do projeto este ano de seus fiéis seguidores e frequentadores eventuais, mas por que teremos o fino do Choro, a começar pelo DJ Franklin, mais o encontro do Regional Tira-Teima com a cavaquinhista carioca Luciana Rabello – e a participação especial da cantora Alexandra Nicolas.

“Um lance de dados jamais abolirá o acaso”, nos ensina Mallarmé. Sorte ou acaso, esta celebração é também fruto de bastante trabalho: do trio de autores e do editor Bruno Azevêdo – o livro sai pela Pitomba!, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), com a chancela do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (PGCult) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Mas voltemos a alguns acasos, chamemos assim. Domingo passado, em conversa no Chorinhos e Chorões, patrimônio do Maranhão e programa bastante citado pelos entrevistados – que os chororrepórteres chamamos chorografados –, o último antes do lançamento, Ricarte Almeida Santos levou dois discos de Luciana Rabello para tocar enquanto conversávamos sobre a Chorografia do Maranhão. Um deles era o lendário Os Carioquinhas no Choro [1977], do grupo homônimo que tinha entre os integrantes a cavaquinhista e seu saudoso irmão Raphael Rabello, ambos então adolescentes. O grupo era uma espécie de embrião do que viria a ser a Camerata Carioca, sob o comando do gaúcho Radamés Gnattali. Quando Serra de Almeida (flautista do Tira-Teima) concedeu a primeira entrevista da série (publicada em março de 2013, mas realizada bem antes, o que dá ainda mais tempo de trabalho, melhor deixar essa conta pra lá), no extinto Kumidinha de Buteko, a capa do elepê decorava a parede e apareceu em uma das fotografias publicadas no jornal.

As pontas se ligam: Luciana Rabello assina a produção musical de Festejos [Acari Records, 2013], estreia de Alexandra Nicolas no mercado fonográfico, ela que fará uma participação especial durante a apresentação da amiga, um reencontro que promete arrepiar quem conhece o disco e se arrepender quem porventura ainda não (ou correr atrás do tempo perdido, nunca é tarde!).

As pontas se ligam: se, de meu lado, dedico o livro a José Antonio, afinal de contas para quem escrevo tudo o que escrevo, por outro, os irmãos Almeida Santos o dedicam a Raimundo Juruca, seu pai, que lhes ensinou a mais que gostar, a amar o Choro – o que tento fazer com José Antonio, que frequentou sua primeira roda aos nove meses de idade, com as presenças de ninguém menos que Zé da Velha e Silvério Pontes, na edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça, em agosto de 2016, na mesma Gonçalves Dias em que agora o Chorografia do Maranhão será lançado.

Ligam-se as pontas deste emaranhado, com texto de Chico Saldanha nas orelhas, apresentação de Luciana Rabello e posfácio de Cesar Teixeira. São muitas histórias, inclusive as nossas, já que o editor Bruno Azevêdo e o poeta Celso Borges, “testemunha de muito do que o livro diz”, nos entrevistaram para o volume.

Chorografia do Maranhão cumpre uma importante tarefa de mapear e contar as histórias dos personagens que desfilam por suas páginas, mas não só: também de toda uma geografia e afetividade que permeiam o Choro no estado.

Seu lançamento é, ao mesmo tempo, sinônimo de alegria e emoção, de um lado, e, de outro, a sensação de tirar um enorme peso das costas. Foram mais de cinco anos de trabalho entre a entrevista inicial e o livro. Que, convenhamos, com o constante interesse de jovens músicos e a consequente renovação da cena Choro, o que não é privilégio apenas do Maranhão, ainda bem, já nasce defasado: diante do surgimento de novos talentos, um volume dois já se insinua necessário, embora os chororrepórteres não prometam nada, ao menos por enquanto.

Grande parte das entrevistas do livro foi realizada em bares, redutos chorísticos por excelência. É hora de passar a régua, mas insistimos em pedir mais uma e mais um choro, por favor!

Sobras completas

Conversei com a cantora e flautista carioca Alice Passos e o violonista paulista João Camarero por whatsapp. Fiz três perguntas a cada um, para usar no release de divulgação do projeto RicoChoro ComVida na Praça, de que sou assessor de comunicação, que os traz à Ilha para uma roda de conversa sexta-feira (27) e uma apresentação sábado (28), em noite que terá ainda o DJ Franklin e o Trítono, na ocasião um quarteto: com o violonista Israel Dantas viajando, além dos integrantes da formação original Rui Mário (sanfona) e Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), a estes somam-se Mauro Sérgio (contrabaixo) e Ronald Nascimento (bateria). Veja a programação completa aqui.

Alice é filha da cavaquinhista maranhense Ignez Perdigão e lançou seu disco de estreia, Voz e violões [Fina Flor, 2016], ano passado, em diálogo com grandes mestres, entre compositores e instrumentistas, num time que inclui Aldir Blanc, Guinga, Mário Gil, Paulo César Pinheiro, Théo de Barros e Zé Paulo Becker, além do jovem e talentoso João Camarero, que chega à São Luís com a responsabilidade de representar esta constelação.

Para não perder nada, resolvi colar a seguir as duas nanoentrevistas.

João Camarero e Alice Passos. Foto: divulgação

ALICE PASSOS

Você já participou do projeto, antes de ele ser gratuito e ganhar as praças. Qual a sua lembrança e quais as expectativas para esta nova participação?
Sim! Lembro de ser muito bem recebida, tanto pelos músicos, pela produção e pelo público. Cantar em praça é uma delícia. É um desafio fazer a maioria de show de voz e violão – no final teremos a participação do Trítono – mas vamos com muita vontade de levar a música do Rio de Janeiro, fazer uma homenagem ao [violonista e compositor] Baden Powell, que estaria fazendo 80 anos este ano.

Você vem acompanhada por João Camarero, um bom representante desta nova safra de violonistas. Como começou essa parceria?
Conheci o João em São Paulo, começamos tocando juntos sem pretensão e logo estávamos fazendo diversos shows no Rio e fora dele. Temos o gosto musical muito parecido e por isso a parceria flui super bem!

Qual a base do repertório da apresentação de vocês?
Vamos fazer uma homenagem aos 80 anos do Baden Powell, incluímos músicas do João Camarero em parceria com o Paulo César Pinheiro e alguns clássicos da música brasileira, como A voz do morro, de Zé Keti.

JOÃO ​CAMARERO

É sua primeira vez em São Luís? Quais as expectativas?
É a minha primeira vez, sim. ​​As expectativas são as melhores possíveis. Há tempos que quero conhecer São Luís e os músicos do Maranhão e tenho certeza que essa oportunidade vai me proporcionar grandes encontros.

Você participou do disco de estreia da Alice Passos, ao lado de grandes mestres do instrumento. Qual a sensação e o tamanho da responsabilidade, inclusive de vir à ilha representando aquele grupo?
​​Pra mim é uma responsabilidade grande, mesmo. Porém, como eu e Alice já desenvolvemos um trabalho juntos há algum tempo, isso deixa com que as coisas possam fluir com mais naturalidade. De qualquer maneira, gosto de encarar essa experiência de ler a música de outros violonistas sob a ótica deles.

São Luís tem ao menos três nomes de destaque internacional em se tratando de violão: Turibio Santos, João Pedro Borges e Joaquim Santos. Qual a sua relação com a obra deles?
O Maranhão é uma terra pródiga em artistas; não seria diferente com o violão. Joaquim Santos e o João Pedro Borges eu conheci através da Camerata Carioca. O grande Turíbio Santos é um caminho quase que obrigatório pra qualquer violonista brasileiro. Todo mundo acaba passando por ali em algum momento. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente há pouco tempo, e tocamos um pouco juntos. Sou um grande admirador do seu legado.

*

Veja Alice Passos e João Camarero em Poema dos olhos da amada (Baden Powell/ Vinicius de Moraes):

Silvério Pontes promete grande roda de choro durante palestra com Zé da Velha

Encontro da dupla com músicos e estudantes acontece hoje (19) na UFMA

Zé da Velha e Silvério Pontes voltam à São Luís para a edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça. Foto: divulgação
Zé da Velha e Silvério Pontes voltam à São Luís para a edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça. Foto: divulgação

O projeto RicoChoro ComVida na Praça terá sua edição inaugural realizada amanhã (20), às 19h, de graça, na Praça Gonçalves Dias (Largo dos Amores, Centro), tendo como atrações o DJ Franklin, Instrumental Pixinguinha e a dupla carioca Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete), com a participação especial da cantora Flávia Bittencourt.

Mas o projeto começou antes. Além dos preparativos óbvios, desde a aprovação na Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, o que permitiu seu patrocínio pela TVN, viabilizando a realização de nove saraus em praças públicas de São Luís, teve seu lançamento oficial na noite de terça-feira passada (16) na Quitanda do Chef (antigo Restaurante Barulhinho Bom, Rua da Palma, nº. 217, Praia Grande).

E a programação segue, antes da estreia. “Um projeto como esse envolve diferentes vertentes, para além da fruição musical, que é também muito importante. Mas traremos, a cada sarau, professores e estudantes da rede pública para presenciar espetáculos que se preocupam também com a formação de plateia. E aproveitaremos a vinda de nomes do cenário nacional para intercâmbio com músicos e estudantes locais e interessados em geral”, promete Ricarte Almeida Santos, produtor da empreitada.

Ele refere-se, por exemplo, à oficina que Zé da Velha e Silvério Pontes irão ministrar hoje (19), às 15h, no Anfiteatro de Comunicação, na Cidade Universitária Dom Delgado (Bacanga, ao lado da Rádio Universidade FM), gratuita. Originalmente uma palestra com o tema “O trombone e o trompete no choro”, Silvério Pontes promete extrapolar o formato.

“Nesta oficina, vamos abordar o tema de como se pratica a música instrumental, como se vive, como se elabora, vamos lembrar os nossos 30 anos de parceria, eu e Zé da Velha. Levaremos alguns choros escritos, e peço que todos os músicos levem seus instrumentos, pois faremos uma grande roda para exemplificar a maneira que pode ser tocado o choro, didaticamente e com o coração, misturando a música, mostrando como a coisa funciona, elaborando da maneira que nós tocamos e da maneira que as coisas são feitas”, adianta.

Silvério Pontes comentou ainda a importância e o sentimento de participar da edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça, e destacou também a importância de Ricarte Almeida Santos e seu programa dominical na Rádio Universidade FM, o Chorinhos e Chorões, para a articulação da cena choro no Maranhão.

“É uma maravilha poder participar. Ricarte é um guerreiro, um lutador por essa música. Há anos tem um programa de rádio que batalha pela boa música na ilha e é um cara que divulga todos os músicos, sejam novos, de meia idade, ou velhos chorões, ele valoriza igualmente. Ele tem essa preocupação em preservar um gênero que existe há mais de 150 anos, e preservar de uma maneira linda. Todo domingo ele divulga, corre atrás. A gente tem o maior prazer em poder participar desse projeto, que deveria acontecer todo ano, por que são Luís é um celeiro de bons músicos, uma cidade que respira música, não só o choro, mas todos os gêneros, tambor de crioula, bumba meu boi, música de sopro, enfim, é uma cidade rica musicalmente, em compositores, artistas, a cidade respira isso. Pra gente é uma honra abrir esse projeto, que é o RicoChoro ComVida na Praça, ainda mais sendo conduzidos por um cara que tem esse preocupação com essa música”, afirma.

[Zé da Velha e Silvério Pontes já estão em São Luís. Ontem, a caminho do aeroporto, falei ao telefone com o trompetista e escrevi o texto acima, distribuído aos meios de comunicação da ilha]

O melhor show de Bruno Batista (até aqui)

Bruno Batista em Bagaça. Foto: Márcio Vasconcelos
Bruno Batista em Bagaça. Foto: Márcio Vasconcelos

 

Sobre Bagaça Bruno Batista já declarou ser seu melhor disco. Ontem (10), no Mandamentos Hall (Lagoa), em show concorrido, com ingressos distribuídos gratuitamente, por conta do patrocínio da TVN via Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, o artista lançou seu quarto álbum.

Os DJs Franklin e Pedro Sobrinho prepararam o terreno – voltariam ao fim da apresentação de Bruno Batista; “quando o show termina a festa não acaba”, dizia uma das peças publicitárias do espetáculo – e a Pedeginja fez por merecer os elogios que o anfitrião lhes faria em seguida. “Essa rapaziada representa uma geração que chega e faz sem pedir licença. Há uma cena maravilhosa aqui em São Luís”, afirmou, após o show de abertura em que passearam entre o repertório de Contos cotidianos, seu disco inaugural (e até aqui único) e temas icônicos da MPB, entre os quais A menina dança (Luiz Galvão e Moraes Moreira) e Canto de Ossanha (Vinicius de Moraes e Baden Powell), com direito a citação do rapper (rótulo que há tempos já não lhe comporta) Criolo. “Fora Temer! Ocupa tudo!”, mandou o vocalista Paulão, seguido por boa parte do público.

Demorou nada para Bruno Batista estabelecer plena comunhão com a plateia e mostrar que sua evolução artística não está restrita ao disco, ao estúdio. Qualquer um que o tenha visto ontem e a seus shows anteriores – por exemplo, os de lançamento de e Eu não sei sofrer em inglês – pode perceber claramente que ele está cantando melhor ao vivo (apesar de alguns problemas técnicos na sonorização ao longo da noite), maior desenvoltura, melhor domínio de palco – “cheguei em casa”, como diz na letra de Batalhão de rosas, o palco agora é também sua morada.

Artista cosmopolita, Bruno Batista é dos raros que se apresentam por estas plagas conseguindo o feito de, mesmo concentrando-se no repertório de um disco lançado recentemente, ter o público como seu backing vocal. Abrindo o espetáculo com a faixa-título do novo trabalho, ele passeou por quase todo o repertório de Bagaça, sem deixar de lembrar canções de seus outros três trabalhos.

Casos de Nossa paz (gravada em dueto com Tulipa Ruiz em Eu não sei sofrer em inglês), Tarantino, meu amor (no mesmo disco), Hilda Regina (idem), Ela vai chegar e (do disco batizado por esta) e Acontecesse (do homônimo Bruno Batista de estreia, regravada por ele com adesão de Zeca Baleiro no segundo).

Flávia Bittencourt cantou Sobre anjos e arraias em andamento mais acelerado e Alê Muniz e Luciana Simões (o casal Criolina) dividiram com Bruno Batista Latino-americano, música do trio lançada em ep do duo; em Bagaça os três assinam Pra ver se ela gosta, que o dono da festa cantou sozinho.

Quando cobrei-lhe A ilha ao cumprimentá-lo após o espetáculo, ele me respondeu, humilde e simpaticamente que ela não funcionaria naquele clima. Senhor da situação, o artista tinha razão: ele cumpriu a promessa de um show para ninguém ficar parado.

Ao fim, chamou os convidados ao palco e, com eles, prestou homenagem ao cantor e percussionista Papete, recém-falecido: o quarteto cantou Dente de ouro (Josias Sobrinho), aproveitando a ocasião para anunciar que um tributo ao Bandeira de aço será apresentado por eles durante a temporada junina na capital maranhense. Homem de vícios antigos certamente voltará ao assunto.

O lugar (acentuadamente pop) de Bruno Batista

Bagaça. Capa. Reprodução
Bagaça. Capa. Reprodução

 

A ilha, faixa que encerra Bagaça [2016, disponível para download no site do artista], quarto disco de Bruno Batista, é uma das mais bonitas declarações de amor a São Luís jamais escritas. O artista foge de clichês ao citar lendas e o cotidiano da cidade. “As barbas de Nauro saem pra passear” e “Montserrat Caballé não entendeu quase nada” estão entre os versos que trazem nativos e turistas que um dia pisaram suas ruas de paralelepípedos.

Nenhum homem é uma ilha e somente em seu quarto disco Bruno Batista abre seu leque de parceiros: Dandara, Demetrius Lulo e Paulo Monarco em Caixa preta, Alê Muniz e Luciana Simões (o casal Criolina) em Pra ver se ela gosta, e Zeca Baleiro em Nigrinha.

Bagaça é seu trabalho mais desbragadamente pop. Nas 11 faixas do álbum é possível perceber a bagagem de influências que moldou o cantor e compositor ao longo destes 12 anos de carreira, se contarmos a partir de sua estreia no mercado fonográfico, com o homônimo Bruno Batista [2004].

Maranhense nascido em Pernambuco, com férias da infância passadas no Piauí, hoje radicado em São Paulo após temporada no Rio de Janeiro, esta geografia afetiva se traduz musicalmente em Batalhão de rosas, toada de bumba meu boi rockificada que lembra a “areia branca” tema do caroço de Tutoia de Dona Elza, de saudosa memória. A faixa batizará o terceiro disco da cantora Lena Machado, a ser lançado este ano. A romântica Caixa preta evoca o Caetano político de Podres poderes.

O tambor de crioula ganha acento pop em Pra ver se ela gosta e Nigrinha tem ares caribenhos, de “amor sincero” em “novela das nove”, em diálogo com o “cinemúsica” de Blockbuster, a sétima arte uma das paixões confessas de Bruno Batista, que em álbuns anteriores já prestou homenagens a Quentin Tarantino [Tarantino, meu amor, de Eu não sei sofrer em inglês] e Michel Gondry [em Rosa dos ventos, de ].

Cerca-se dos mais requisitados instrumentistas da chamada “nova MPB” – rótulo que, como quase todo rótulo, não dá conta da turma – alguns dos quais com quem já tinha trabalhado em discos anteriores: Rovilson Pascoal (guitarra), produtor de Bagaça, Gustavo Ruiz (guitarra), Meno del Picchia (contrabaixo), Felipe Roseno (percussão), Ricardo Prado (contrabaixo e rhodes) e Guilherme Kastrup (bateria e percussão) compõem o núcleo, em disco que conta ainda com participações especiais de Swami Jr. (violão sete cordas no bolero Você não vai me esquecer assim), André Bedurê (vocais em Você não vai me esquecer assim e Guardiã), Marcelo Jeneci (piano em Turmalina) e Felipe Cordeiro (guitarra em Nigrinha).

“O teu lugar, o teu lugar/ é o meu”, derrama-se em Turmalina, feita para sua esposa. Na faixa divide os vocais com Dandara, que compareceu em boa parte de , seu disco anterior. O lugar de Bruno Batista é nos ouvidos de fãs cativos desde a estreia – ali já havia se firmado como um dos mais talentosos artistas de sua geração – e cada vez mais outros, conquistados álbum após álbum.

Confira o videoclipe de Nigrinha (Bruno Batista e Zeca Baleiro):

Serviço

Bruno Batista lança Bagaça em show gratuito hoje (10), às 20h, no Mandamentos Hall. O espetáculo conta com abertura da Pédeginja, discotecagens de Franklin e Pedro Sobrinho e participações especiais de Criolina e Flávia Bittencourt.

RicoChoro ComVida (sobre a edição passada e a próxima)

[Escrevi no Medium os dois textos abaixo; rependuro-os aqui (com pequeníssimas edições), caso você não tenha lido lá, para ir entrando no clima…]

MAGIA MARCA ESTREIA DE RICOCHORO COMVIDA

Foto: Rivanio Almeida Santos

Uma alta dose de expectativa foi gerada em torno da estreia do projeto RicoChoro ComVida, desde seu anúncio. Em parte explicada pela orfandade musical deixada pelo saudoso Clube do Choro Recebe, realizado entre 2007 e 2010, também produzido por Ricarte Almeida Santos — para alguns o novo projeto é uma continuidade daquele.

A proposta e a dinâmica são quase as mesmas, sobretudo o diálogo entre o choro e ritmos da cultura popular maranhense e outras vertentes musicais, através do encontro de instrumentistas e cantores e, agora, DJs.

O Barulhinho Bom, palco da nova empreitada, estava completamente lotado para a inauguração do RicoChoro ComVida. As expectativas foram todas superadas em uma noite carregada de magia.

Entre vinis e o laptop, o DJ Franklin abriu os caminhos, os trabalhos, as trilhas da noite, tocando o melhor do samba e do choro, entre nomes como Paulinho da Viola, Cartola, Nourival Bahia, Clara Nunes, Nelson Cavaquinho e outros bambas. Ficou até fácil para o quarteto formado por João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violão sete cordas) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho).

Fácil é modo de dizer, que música é trabalho duro e sério, e o quarteto inaugural do projeto passeou por um repertório de choros clássicos, entre nomes como Pixinguinha e Waldir Azevedo, incidentando, aqui e ali, sutilmente, a ginga e a malemolência da cultura popular do Maranhão.

Luiz Jr. pegou o microfone e ao declarar a emoção de estar ali, foi às lágrimas. “Eu me sinto honrado em estar aqui. Muito obrigado ao Ricarte, um eterno batalhador do choro e da nossa música. Esse projeto traduz a minha luta de quase 30 anos, pois tenho orgulho de dizer que me dedico exclusivamente à música, que é justamente o reconhecimento da nossa música”, declarou, antes de voltar ao ofício.

O convidado da noite era o cantor Cláudio Lima, que cantou sentado, obrigado por um aparelho ortopédico que trazia na perna esquerda. Esbanjou versatilidade, passeando por nomes como Cesar Teixeira, Marcos Magah, Acsa Serafim, Celso Borges, Alê Muniz e Bruno Batista, entre outros. O adjetivo “visceral” não é nenhum exagero: sentindo fortes dores durante a apresentação, o artista levou o show até o final, foi elegante ao negar o bis — “eu emendei tudo, por que com a perna desse jeito, sair e voltar ia dar trabalho”, disse sorrindo — e saiu do palco para o hospital.

Um momento muito aguardado do RicoChoro ComVida era também o das canjas, algo outrora tradicional no Clube do Choro Recebe: é o momento em que instrumentistas e cantores da plateia sobem ao palco, para uma jam sem ensaio. É a hora dos encontros, dos improvisos e de novo deleite da plateia. Sábado passado deram o ar da graça Serra de Almeida (flauta), Paulo Trabulsi (cavaquinho), Osmar do Trombone, Osmar Jr. (saxofone) e Zé Carlos (pandeiro), além da cantora Célia Maria, próxima convidada do projeto, na edição de 5 de setembro, véspera de feriado.

Produtor e apresentador da empreitada, Ricarte Almeida Santos agradeceu aos deuses da música e aos patrocinadores (Fundação Municipal de Cultura e Gabinete do Deputado Bira do Pindaré), apoiadores (Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas) e equipe de produção (RicoMar Produções Artísticas).

Quem achou pouco, talvez tenha razão, ainda mais que, ao contrário do semanal Clube do Choro Recebe, RicoChoro ComVida terá periodicidade mensal. Mas no fim da noite, o DJ Franklin já começou a abrir os caminhos, as trilhas para a próxima edição. Como diria o filho do chorão Godofredo: “quando entrar setembro”…

Veja fotos da edição inaugural de RicoChoro ComVida aqui.

*

VOCÊ SABE O QUE É TRÍTONO?

Trítono? No dicionário é o “intervalo de três tons”. É um conceito musical, mas mesmo na música, pode ir além. E vai. É quando se juntam Israel Dantas (violão), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona): é o Trítono Trio.

Foto: Divulgação

A formação é recente na cena musical instrumental da cidade, mas somadas as trajetórias individuais de cada um, é possível falar em vasta bagagem e experiência de sobra, talento idem.

O Trítono Trio surgiu espontaneamente, nos intervalos de ensaios, shows e gravações em que seus membros se encontravam, com esta formação oportunizando a cada músico mostrar suas veias de instrumentista — de acompanhamento ou solista –, arranjador e compositor.

Vindo de searas diferentes da música, os componentes do Trítono Trio apresentam ao público suas releituras para clássicos e músicas menos conhecidas do repertório do choro e da música popular brasileira, além de composições próprias, com influências do jazz, da bossa nova, do baião e de ritmos da cultura popular do Maranhão.

Somados aos talentos de Ronald Nascimento (bateria) e Mauro Sérgio (contrabaixo acústico), o Trítono Trio é o grupo anfitrião da próxima edição do projeto RicoChoro ComVida, que acontecerá dia 5 de setembro (sábado), às 18h, no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande).

A trinca de ases com dois coringas receberá a dama Célia Maria, dona de um timbre inconfundível, desfilando sucessos de artistas do Maranhão e do Brasil, entre choro, bolero, samba canção, bossa nova e música popular brasileira em geral.

RicoChoro ComVida tem produção de RicoMar Produções Artísticas, patrocínio de Fundação Municipal de Cultura (Func) e Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, e apoio de Barulhinho Bom, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Músika S.A. Produções Artísticas, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio e Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt.

Ricarte Almeida Santos estreia projeto no rastro do Clube do Choro Recebe

[release que eu já tinha publicado aqui; agora com novas informações]

Divulgação
Divulgação

 

RicoChoro ComVida acontecerá mensalmente no Barulhinho Bom (Praia Grande) e mantém formato que estimula diálogo do choro com ritmos da cultura popular do Maranhão e outras vertentes musicais

Tido como o mais longevo projeto musical independente da noite de São Luís, o Clube do Choro Recebe deixou saudades ao ser encerrado, em 2010, após aproximadamente três anos de existência.

Entre março de 2013 e maio passado, Ricarte Almeida Santos inventou, com o irmão-fotógrafo Rivanio Almeida Santos e o jornalista Zema Ribeiro, a série Chorografia do Maranhão, que entrevistou 52 instrumentistas de choro naturais de/e/ou radicados no Maranhão. O projeto agora está em fase de captação de recursos e um volume reunindo os depoimentos publicados no jornal O Imparcial deve sair em livro em breve, em edição da Pitomba! Livros e Discos, do irrequieto Bruno Azevêdo.

Órfãos daquele projeto, majoritariamente sediado no Bar e Restaurante Chico Canhoto (Cohama), com breves passagens por La Pizzeria/Pousada Portas da Amazônia (Praia Grande) e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF, Calhau), sempre reclamaram da ausência de um palco adequado para a fruição do choro, não obstante a resistência de grupos e experiências como o Regional Tira-Teima – o mais antigo em atividade no estado – e o Cantinho do Choro, ainda em voga.

Foi atendendo a inúmeros pedidos que Ricarte Almeida Santos resolveu, através da RicoMar Produções – dele com a gestora cultural Marla Silveira –, voltar à produção de um espetáculo mensal, nos moldes do saudoso Clube do Choro Recebe, em que o choro dialogue com os ritmos da cultura popular do Maranhão e outras vertentes musicais – proposta que norteou as noites de sábado daquele projeto, então semanal.

Atrações – O projeto RicoChoro ComVida estreará no próximo dia 1º. de agosto (sábado), às 18h, no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande), tendo como atrações o Quarteto de Aço, formado por João Neto (flauta e flautim), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas, viola e guitarra) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho). O convidado da noite será o cantor Claudio Lima, um dos mais versáteis intérpretes da música brasileira produzida no Maranhão.

“A formação do Quarteto de Aço é quase a gênese do Choro Pungado, um dos grandes acontecimentos do Clube do Choro Recebe, que incorporou em seu repertório o diálogo do choro com as manifestações de nossa cultura popular. Claudio Lima, com dois discos gravados, é um artista de extrema sensibilidade, gosto apurado, com grandes serviços prestados à música brasileira, seja por seus registros sonoros, seja pelos belos projetos gráficos que assina em trabalhos alheios”, elogiou Ricarte Almeida Santos, produtor do RicoChoro ComVida.

Quem também sobe ao palco da primeira edição do projeto é o Dj Franklin, com uma trilha de “samba, choro e outros baiões”, pescados de sua vasta coleção de vinis. Ele é um dos mais respeitados djs ludovicenses, com um profundo trabalho de pesquisa musical. Sua alegria contagiante é um dos temperos do cardápio com que ele prepara cada apresentação, em especial esta inaugural do RicoChoro ComVida. Franklin tocará antes e depois das apresentações do Quarteto de Aço e Claudio Lima.

Neste semestre inaugural a frequência do projeto será mensal. Novas datas e novas atrações já estão fechadas, mas, por enquanto, a produção prefere guardar segredo. Os ingressos para as apresentações custarão R$ 20,00, cada.

Nova casa – O palco da nova produção de Ricarte é o Barulhinho Bom, que mudou de endereço há alguns meses. Antes localizado na Lagoa da Jansen, já contando alguns bons serviços prestados à boa música, além de bar e cozinha diferenciados, veio juntar-se à teimosia e resistência do bairro da Praia Grande, um dos três do centro histórico ludovicense, cartão postal tombado como patrimônio cultural da humanidade.

“O sucesso do projeto depende da parceria e solidariedade de um monte de gente envolvida, desde os artistas que se apresentarão a cada edição, a equipe de produção, patrocinadores, apoiadores, a casa que abriga os espetáculos e, é claro, o público, razão maior de tudo isso”, enumera Ricarte.

O projeto RicoChoro ComVida tem patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func) e do Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, e apoio cultural de Dunas Gráfica, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt, Calado e Corrêa Advogados Associados e Restaurante Barulhinho Bom.

Serviço

O quê: estreia do projeto RicoChoro ComVida
Quem: Dj Franklin, Quarteto de Aço (João Neto, Luiz Cláudio, Luiz Jr. e Wendell Cosme) e Claudio Lima
Quando: 1º. de agosto (sábado), 18h
Onde: Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande)
Quanto: R$ 20,00
Maiores informações: (98) 981920111 (Ricarte Almeida Santos, produção), 988265617 (Marla Silveira, produção) e/ou 991668162 (Zema Ribeiro, assessoria de comunicação)
Fan page: facebook.com/ricochorocomvida

Da Lua de volta à Ilha

Os djs Franklin e Marcelinho da Lua em 2009, no Espelunca Chic. Foto: Eloína Reis
Os djs Franklin e Marcelinho da Lua no Espelunca Chic (2009). Foto: Eloína Reis

 

Marcelinho da Lua é um dos mais renomados djs do Brasil e sua fama corre mundo. Dois discos seus venceram o Prêmio da Música Brasileira na categoria eletrônica: Tranquilo (2003) e Social (2007). Fundador do BossaCucaNova, com quem lançou cinco discos, ele já tocou por aqui, solo ou integrando o BCN, com nomes como Dom Um Romão, Martinho da Vila, Mart’nália, João Donato, Lenine, Rita Lee, Elza Soares, Trio Mocotó e Roberto Carlos, entre outros. Lá fora, já dividiu o palco com Fatboy Slim e Moby, para ficar em apenas duas referências fundamentais do mundo da eletrônica.

Em São Luís, cidade que visita vez por outra, se sente em casa.

Quinta e sábado ele toca nada menos que três vezes na Ilha em que baixa novamente a convite da Canil Records, do Dj Franklin. O anfitrião acompanha-o no Hotel Luzeiros (Ponta do Farol) nesta quinta (5), a partir das 19h, com discotecagem de vinil e entrada franca – o hotel é patrocinador da vinda de da Lua.

Sábado (7), no mesmo palco, a partir de meio-dia, eles tocam na já tradicional Feijoada do Luzeiros, de que Franklin é também residente. O repertório na ocasião é de samba de raiz e outras pilantragens. A festa segue até 16h, também com entrada franca.

Na sequência, depois de guardarem os bolachões, o par de dejotas volta a desentocá-los – para novamente tocá-los – no L’Apero (Av. Litorânea), a partir das 17h. Na ocasião somam-se a eles os djs Pedro Sobrinho e Jorge Choairy. Para esta apresentação o couvert artístico custa R$ 10,00.

Confira o Dj Marcelinho da Lua em Cotidiano (Chico Buarque), com Seu Jorge:

Tecendo redes: artistas comentam suas presenças na 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes

A 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes começa amanhã (23), com um cortejo artístico que seguirá da Biblioteca Pública Benedito Leite, na Praça Deodoro, até a Praça Nauro Machado, na Praia Grande. A concentração tem início às 15h30.

O encontro de diversas linguagens artísticas marca a abertura do maior evento de arte e cultura do Maranhão, cuja programação, completamente gratuita, segue até o dia 30 de outubro, em São Luís e Raposa.

Ao longo do trajeto, as ruas do centro da capital maranhense serão enfeitadas pelas artes do Maracatuque Upaon Açu, Núcleo de Formação Artística O Circo tá na Rua, Trupe de Habilidades Circenses, Grupo Officina Affro, Grupo de Artes Maria Aragão (Gamar), Banda do Bom Menino, Xangô Caô (TSI/Sesc), contando ainda com o intervencionismo arte educativo “Piracema Criativa” da Imaginautas_Rede Social.

A trupe será recepcionada às 18h na Praça Nauro Machado, onde acontecerá o Brechó no Olho da Rua, cujo nome surgiu por conta de um despejo, passando o mesmo a funcionar em diveros espaços públicos, de forma itinerante. Dialogar com ações culturais que já acontecem na cidade, caso do brechó, é o mote da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, cujo tema é “Tecendo Redes”.

Um dos mais refinados e requisitados DJs de São Luís, Franklin Santos, ou simplesmente DJ Franklin, sobe ao palco da Nauro Machado às 19h. Ele comenta a alegria em participar novamente da Aldeia: “é uma grande alegria, ainda mais dividindo a noite com uma das bandas que mais escutei, ao lado de Chico Science e Nação Zumbi, é realmente um sonho”, afirmou, referindo-se aos pernambucanos da mundo livre s/a. “Estou programando uma mistura de reggae, samba e manguebeat para rolar naquele lugar fantástico que é a praça Nauro Machado, outra magia à parte, ambientando tudo isso”, adiantou.

A banda Madian e O Escarcéu, com o premiado Sinfonia de Baticum, também está na programação de abertura da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, a partir das 20h. O repertório não se limitará ao disco: “Serão executadas em “primeira mão” na ilha canções como Sal de cigana e Terremoteou, que em breve estarão num lançamento do grupo, o álbum Nonada”, adianta o baixista Miguel Ahid.

Para Madian, estar junto de todos os artistas, tornando a noite uma festa, dá “uma sensação de bem estar. Afinal, lugar de índio urbano, lugar de metal do mato, é na aldeia mesmo. E – sendo maranhense – um legítimo tupinambá, é guajajara na veia”, afirma.

“Temos um respeito enorme por todo o trabalho, história e carreira dos expoentes da música pernambucana, de Luiz Gonzaga a Alceu Valença, passando por Chico Science, Nação Zumbi, mundo livre s/a e tantos outros. Todos eles, juntos com outros grandes nordestinos como João do Vale, Ednardo, Jackson do Pandeiro, são exemplos da grandiosidade da força e influência abissal do folclore nordestino na cultura do país”, afirma Erico Monk, que completa a formação do trio.

A banda pernambucana mundo livre s/a, um dos nomes mais importantes do movimento Manguebeat, que eclodiu no início da década de 1990, em Recife, sobe ao palco da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes às 21h30. O repertório passeará por todos os seus discos, com especial destaque para o de estreia, Samba esquema noise, que em 2014 completa 20 anos de lançado.

Para ZéMaria Medeiros, poeta e músico que comanda A Vida é uma Festa, evento semanal que acontece ininterruptamente desde 2002, na Praia Grande, integrar-se à programação da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes é uma forma de reconhecimento. “O Sesc, ao nos incluir em sua programação, coloca-nos em sua rede de diálogo com as diversas manifestações artísticas, o que nos fortalece. É o reconhecimento por um trabalho continuado de afirmação do nosso fazer artístico, do valor que a cultura tem para integrar as pessoas e sinergizar rumo a um mundo harmônico, plural, de paz”, enfatiza.

Este clima de confluência pauta toda a programação da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes. A programação completa, totalmente gratuita, está disponível no site do Sesc/MA.

Paulinho da Viola: um belo show prejudicado pelo som

Alguns paragrafinhos sobre o show que Paulinho da Viola apresentou quinta-feira passada (22) em São Luís

Foto: Paulo Caruá
Foto: Paulo Caruá

 

Um set de samba cuidadosamente preparado pelo DJ Franklin preparava o terreno para Paulinho da Viola, que surgiria às 23h40 no palco do Patrimônio Show. Com a abertura, o show produzido por Ópera Night foi anunciado para 21h.

O público era menor do que supus, levando em conta a grandeza e importância de Paulinho da Viola e os 12 anos de sua última vinda à Ilha. A divisão entre pistas e mesas acabou não fazendo muito sentido, com nem um nem outro espaço lotando. Nos camarotes menos gente ainda.

Impossível não redundar e falar em elegância ao lembrar a subida de Paulinho da Viola ao palco, bastante aplaudido e atacando de Prisma Luminoso (parceria com Capinan), samba que deu título a seu disco de 1983.

Otávio Costa, querido amigo-irmão e leitor atento deste blogue, apostara que Paulinho da Viola abriria o show com Timoneiro (parceria com Hermínio Bello de Carvalho) – errou –, que acabou vindo em meio ao rosário de sucessos desfilado pelo artista. Não faltaram Ame (parceria com Elton Medeiros), Coração leviano, Coração imprudente (parceria com Capinan), Pecado capital, Foi um rio que passou em minha vida, Eu canto samba, Dança da solidão, Pra jogar no oceano, Argumento, No pagode do Vavá, Foi demais (parceria com Mauro Duarte) e Onde a dor não tem razão (parceria com Elton Medeiros), entre outras, em pouco mais de hora e meia de show.

Paulinho da Viola cantou em pé quase o tempo inteiro e durante quase todo o show tocou cavaquinho. Em Dança da solidão desistiu do violão – voltando ao cavaco – antes de a música terminar. No bis, mandou Sinal fechado e Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues), inteiras ao violão, para delírio da plateia.

O charme da voz de Paulinho da Viola foi bastante prejudicado pelo equipamento de som: de onde assisti ao show foi impossível ouvir qualquer coisa que ele disse, as histórias que contou entre algumas músicas. O que cantou era possível entender, sobretudo por conhecer-lhe a obra e ser capaz de assobiar algumas melodias.

“Não sou eu quem me navega/ e nem me navega o mar”, Bruno Batista ousou contrariar Paulinho da Viola, influência confessa, em sua Rosa dos ventos. Cantarolei-lhe este trecho ao encontrar e abraçar o compositor na plateia do outro. Conversamos rapidamente sobre seu show, em que lançará , semana que vem em São Luís.

Paulinho da Viola fez sua parte. As águas de maio continuam oferecendo obras-primas aos ilhéus. Que o 2014 em que o mestre completa 50 anos de carreira continue assim.

Paulinho da Viola faz única apresentação hoje (22) em São Luís

Última passagem do artista pela Ilha aconteceu durante o Festival Internacional de Música, em 2002

Foto: Zema Ribeiro
Foto: Zema Ribeiro

Paulinho da Viola volta à São Luís para um show depois de 12 anos de sua última apresentação na ilha – no Festival Internacional de Música que celebrou os 390 anos da cidade. O artista se apresenta hoje (22), no Patrimônio Show (Aterro do Bacanga), às 21h, acompanhado de sua banda: Beatriz Faria (vocal), Celsinho Silva (percussão), Cristóvão Bastos (piano), Dininho (contrabaixo), Hércules (bateria), João Rabello (violão), Marcos Esguleba (percussão) e Mário Sève (sax, flauta e clarinete). A abertura fica por conta do DJ Franklin, em um set de samba que dá pequena amostra de sua vasta vinilteca e de seu conhecimento profundo do assunto.

A elegância e a serenidade de sempre estavam impregnadas no homem que surgiu para a coletiva de imprensa com pouco mais de meia hora de atraso. Calça clara e camisa listrada, sequer havia almoçado, embora pouco se importasse com isso. Vanessa Serra, assessora de comunicação da produtora Ópera Night, disse-lhe que todos os que ali estavam, eram, além de jornalistas, seus fãs.

No lobby bar do Grand São Luís Hotel, que hospeda o príncipe do samba, o clima era de descontração. Às perguntas, o músico respondia calma e longamente, sem se importar que dali a pouco teria que sair para comer algo. De repente sua esposa advertiu: “Paulinho, o pessoal está querendo ir!”. “Que pessoal?” Ela se referia às equipes de televisão presentes, que precisavam captar sonoras e correr para o fechamento das edições. Não sem antes passar para gravar um pronunciamento patético do senhor prefeito sobre as chuvas que ora castigam a cidade.

O artista lembrou-se das origens, o início ao violão, as rodas de choro que ocorriam em sua casa, “humilde, modesta”, e de figuras como Jacob do Bandolim, a cujo Conjunto Época de Ouro seu pai, o violonista César Faria, pertenceu. Lembrou ainda a influência dos mais velhos, particularmente do pai, e a preocupação deste em o filho seguir seu caminho, além de gravações importantes que presenciou.

Com a elegância que lhe é peculiar, confessou-se atrapalhado com tantos flashes. Parecia perder o fio da meada. Uma pausa de um fotógrafo menos contido e continuou as histórias. Em meio às várias que contou, respondendo perguntas dos repórteres e emendando memórias – cantando e/ou chorando –, chegou a lacrimejar lembrando seu Zé Maria, seu primeiro professor de violão: “meu irmão encontrou-o muitos anos depois, se apresentou. Ele não disse nada. Simplesmente continuou o caminho, e falou: sabe por que o socialismo não vai dar certo? Por causa da vaidade do homem”.

Paulinho da Viola deu poucas pistas do repertório do show de hoje: mesclará suas obras mais conhecidas a repertório inédito. O artista tem gravados dois discos ao vivo ainda não lançados e esta turnê não terá registro. Tampouco haverá choro no repertório: “há tempos não toco; choro você tem que tocar todo dia, não dá para fazer de qualquer jeito. Mas preciso voltar, as pessoas cobram”. Alguma coisa de Lupicínio Rodrigues será lembrada, por conta do centenário de nascimento que o gaúcho completa neste 2014 – Nervos de aço batizou seu disco de 1973, com a gravação mais conhecida desta sublime dor de cotovelo.

Lembrei-lhe A obra para violão de Paulinho da Viola, disco que João Pedro Borges gravou em meados da década de 1980, com participação do compositor e de seu saudoso pai. Gravado pela Kuarup e distribuído como brinde a clientes de uma empresa mineira, o álbum nunca teve relançamento em cd. O maestro gaúcho Radamés Gnattali – com quem o maranhense tocou na Camerata Carioca – dizia ser quase possível falar em uma escola Paulinho da Viola do instrumento. Perguntei-lhe se não havia planos de relançar o disco.

“Eu falei com João algumas vezes. Como não existe mais a empresa que fez o brinde, aquilo [o disco] nos pertence. Eu pensei em mais uma vez conversar com ele, encontrá-lo agora [aproveitando esta sua passagem pela ilha] e a gente tentar fazer isso. Isso foi em 80 e pouco, 85, por aí. E ficou lá escondido, brinde, não foi vendido nem nada. Aconteceu um fato engraçado: uma violonista, não sei como, ouviu, e me procurou. Márcia Taborda. E disse: “olha, eu ouvi, tenho um amigo que tem o disco, e eu gostaria de saber se eu poderia fazer um trabalho com estas músicas”. E eu falei “claro”. Ela foi na minha casa algumas vezes e eu passei a maior vergonha, não estava encontrando as partituras e ela queria tirar algumas dúvidas comigo. E eu pegava o violão e algumas coisas eu não lembrava mais, foram muitos anos, e ali tem algumas músicas que não são muito simples, você precisa estar permanentemente tocando. E eu há muitos anos não tocava aquilo e passei uma vergonha [risos], eu tinha que me lembrar e dizer “foi feito assim”,    e algumas coisas eu tinha que voltar ao disco. Depois eu achei as partituras e ela gravou um disco [Choros de Paulinho da Viola, Acari, 2005] e gravou até outra música [Além das 10 faixas de A obra para violão de Paulinho da Viola, Marcia Taborda gravou Rosinha, essa menina, Escapulindo e Floreando]. Foi lançado comercialmente, um trabalho bonito que ela fez também. Mas este disco podia ser reeditado, é legal”, relatou.

Éramos poucos repórteres no recinto, mas além dos disparos de máquinas fotográficas, celulares tocavam vez por outra atrapalhando o fluir da entrevista. Paulinho da Viola manteve a elegância e a tranquilidade. Disse que propagava histórias justamente contando-as aos outros. Perguntei-lhe se não havia planos de escrever um livro. “Eu, até para escrever um bilhete para alguém, demoro. Escrevo, isso não está bom, apago, muda uma palavra. Leva tempo. Acho que não, eu escrevo mal”. Lila Rabello discordou. Eu também, e trechos de músicas de vários discos seus vieram-me imediatamente à cabeça. Um gênio manso e modesto.

Lembrei-me de Chico Buarque, que gravou sua Sinal fechado, dos grandes intervalos entre seus últimos discos – o que ocorre também ao autor do diálogo musical que virou símbolo de resistência à ditadura militar – e do tempo roubado àquele pela literatura. Paulinho da Viola disse que a relação com as gravadoras mudou, sobretudo com o advento da internet. “Qualquer um, com um equipamento não muito sofisticado pode obter, em um quarto, uma sonoridade que não conseguíamos em estúdios há uns anos. Isso realmente mudou toda a relação artística com o público, a distribuição de determinado produto. Eu gravo uma música, ponho na internet, posso não ganhar nada, ou ganhar de outro jeito”, declarou.

Alguns grandes nomes da música brasileira de sua geração agruparam-se no Procure saber, defendendo o veto às biografias. Sobre o assunto, ele é a favor da publicação sem a necessidade de autorização prévia. “Biografia tem que ser uma coisa aberta mesmo. Eu só não quero saber de fofoca”, afirmou.

A banda já tinha se mandado na frente. Paulinho da Viola, a esposa e a produção iam almoçar. Eu seguiria para outro compromisso. A pressa impediu-me de perguntar-lhe ainda sua opinião sobre as manifestações que tomaram conta do Brasil desde junho passado. Ele volta à São Luís para um show e encontra a cidade em meio a chuvas torrenciais, protestos diários e greves anunciadas para hoje, dia de seu espetáculo. Que seja como o título de um de seus choros: Inesquecível!

Prazeres e Parangolé

Uma das primeiras aquisições que fiz em sebos este ano foi o pequeno volume de contos Zicartola e que tudo mais vá pro inferno!, do mestre João Antonio. Na Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) estávamos às voltas com as discussões sobre o Baile do Parangolé, evento que este ano chega à sua quinta edição, celebrando os 35 anos de atuação da entidade.

Tudo era urgente, para ontem, quando finalmente decidimos botar o bloco na rua, isto é, realizar mais uma edição do evento. O que o livro tem a ver com isso? Bom, não havia tempo nem dinheiro para contratarmos um artista ou agência de publicidade para a campanha de divulgação do Parangolé. Assim, ao ver a capa e as primeiras páginas de Zicartola, tive o estalo: é isso!

Salvei algumas reproduções de pinturas do sambista (tudo a ver com carnaval) Heitor dos Prazeres e revelei fotos delas e de casarões e janelas do centro histórico da capital maranhense. Com tudo em mãos, tesoura, durex, um scanner e meus conhecimentos quase nulos de corel draw me permitiram chegar ao que chamei de “arte” para a divulgação do Parangolé, partilhando-a com a coordenação da SMDH e aguardando comentários, sugestões e críticas.

A arte foi aprovada, recebi alguns elogios, que são de todos nós, e o 5º. Baile do Parangolé acontece daqui a pouco, às 19h, no Bar do Porto, na Praia Grande. Honra enorme em fazer parte dessa família e dessa história, só posso celebrar com os amigos e as amigas que se fizerem presentes, desejando vida longa à SMDH, que sua atuação por aqui, sobretudo no presente contexto, parece que ainda se fará necessária por bastante tempo.

Para sempre o bom e velho vinil

Você já comprou um disco ou um livro pela capa? Certamente já, julgando os poucos mas fiéis leitores pelo blogueiro, como cabe ao bom julgador, como reza o dito popular.

E uma festa? Você já comprou uma festa pela capa?

Não precisava se tratar do encontro de dois talentosos DJs, não precisava se tratar da primeira vez de um deles na do retorno de um deles à Ilha, não precisava o repertório ser diversificado, tocado apenas de vinis, não precisava um monte de coisa, mas está tudo lá.

Os DJs Franklin e Marcelinho da Lua se encontram na festa Ya´Ya High-Fi, organizada pelo segundo, que já recebeu mais de 50 dê-jotas de todo o mundo, em um culto ao bom e velho bolachão.

Mas não carecia nada disso, ao menos não antes. Na hora h, sim, tudo o que a festa não deixará faltar: boa música, descontração, animação. Antes, carecia apenas esta imagem abaixo, pra deixá-los convidados ao baile, que promete.

Sabe aquele livro ou disco que você compra pela capa e acerta, pois o conteúdo é bom?

Filipeta-maranhao