10 links para Cesar Teixeira

Em contagem regressiva, 10 links para os poucos mas fieis leitores (que convidarão outros muitos para lotar o Trapiche quando do acima) irem se aquecendo.

Discurso de Cesar Teixeira por ocasião de sua premiação com a comenda José Augusto Mochel, do PCdoB, como figura de destacada atuação em prol dos direitos humanos no Maranhão, ano passado.

A foto de Murilo Santos cujo detalhe serve de cabeçalho a este blogue, em que Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazem um par de violeiros em MaréMemória, peça do Laborarte baseada no livro-poema de José Chagas, em maio de 1974.

Antes da MPM, texto de Flávio Reis que viria a integrar seu Guerrilhas [Pitomba!/ Vias de Fato, 2012]; o artigo, originalmente publicado no jornal Vias de Fato, de que Cesar Teixeira é fundador, dá uma panorâmica na produção musical do Maranhão da fundação do Laborarte (1972) aos dias atuais; o compositor fundou também o Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão.

Para entender Cesar Teixeira, comentário de Alberto Jr. sobre Bandeira de Aço, show que o compositor apresentou ano passado no Circo da Cidade, publicado no jornal O Estado do Maranhão.

Caricatura de Salomão Jr. que enfeitou o texto acima.

Bandeira de Aço e êxtase, comentário deste blogueiro sobre o mesmo show.

A entrevista que Cesar Teixeira concedeu a Ricarte Almeida Santos e este blogueiro, no Chorinhos e Chorões (Rádio Universidade FM, 106,9MHz), antes do show de ano passado. Em quatro blocos, o programa traz amostra chorística da obra do compositor, em interpretações próprias e de grandes nomes da música brasileira.

Bandeira de aço, eterna, texto deste blogueiro que saiu no Vias de Fato de julho do ano passado, divulgando o show. Um ano depois, outro texto nosso sobre o show de 3 de agosto; o jornal chega às bancas e assinantes este fim de semana.

Cinco poemas de Cesar Teixeira publicados em um livro do poeta Herberth de Jesus Santos, o Betinho.

Hino latino (Oração favelense) (A Cesar o que é de Cesar), samba-enredo com três títulos, meu (letra) e de Gildomar Marinho (música), com que participamos (e fomos desclassificados na primeira eliminatória) do concurso da Favela do Samba quando a escola de samba ludovicense homenagearia o compositor.

Outro viés da notícia no contexto da imprensa maranhense

“Atualmente, o governo do Estado está sob a direção de Roseana Sarney Murad, filha de José Sarney, que assumiu a gestão em abril de 2009, após a cassação do mandato do então governador Jackson Lago (2007-2009) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Roseana concluiu o mandato de Jackson e foi reeleita governadora em 2010. O processo eleitoral que a reelegeu tem sua legitimidade e lisura questionados enfrentando três processos de cassação impetrados por seus opositores. As análises feitas pelos grupos de oposição, pelos cientistas políticos, pesquisadores e movimentos sociais e legitimadas pelos dados oficiais revelam um estado cada vez mais empobrecido, em relação assimétrica e inversa com os discursos do “progresso e do desenvolvimento” alardeado nas propagandas oficiais e no impresso oficial da família, O Estado do Maranhão”.

Quarta irmã Cajazeiras, o presidente do Senado sempre soube utilizar a mídia

“Para além da meteórica atividade jornalística, antes de ingressar na Academia Maranhense de Letras e de iniciar sua carreira política, Sarney desde o começo da vida pública, relaciona-se e utiliza-se estrategicamente dos meios de comunicação. A aproximação com a linguagem do cinema, à época um importante instrumento de transmissão da informação em se tratando da realidade maranhense onde a televisão ainda estava se afirmando e muitas cidades interioranas dispunham de salas de projeção, a utilização de jingles de campanha com direito a produção de disco com artistas de renome no rádio brasileiro, a utilização da Rádio Timbira, estatal onde eram veiculados spots e informações do governo, foram passos iniciais na direção do que viria a se constituir mais tarde”.

“Com tal histórico de concentração dos meios de comunicação nas mãos de um grupo político dominante e/ou de grupos políticos e empresariais (que estão ou já foram) vinculados ao primeiro, onde a maioria das concessões, no caso das mídias eletrônicas, e as estruturas, no caso da mídia impressa, foram implementadas a partir de práticas patrimonialistas, o discurso que prevalece nos noticiários é um discurso hegemônico e bipolar, ora com o predomínio de fatos que se banalizam com o passar do tempo: os buracos no período chuvoso, os engarrafamentos, os assassinatos, os assaltos a bancos; notícias em torno de pautas sazonais/comemorativas, ora a exaltar as “singularidades” da cultura e da natureza do Maranhão. São raríssimas as inserções de temas considerados importantes e estratégicos para a sociedade maranhense em trabalhos jornalísticos que possam revelar investigação e análise, motivando assim um debate público e que possibilite aos leitores capacidade de interpretação, de discernimento, de criação de sentidos para a compreensão da realidade do estado. E quando temas mais complexos aparecem, são externados como fatos contados de forma recortada, incompleta, a esconder a sua verdadeira natureza, implicações, causas e personagens.

Nessa perspectiva, o campo da comunicação que deveria ser instrumento de fortalecimento da pluralidade de vozes, do contraditório, da liberdade de expressão, o espaço democrático das diversas versões e olhares, torna-se, majoritariamente, apenas um campo das repetições dos padrões de manipulação dos discursos, das verdades parcialmente construídas ou ocultadas no processo de reconstrução da realidade através das narrativas”.

“José Sarney funda O Estado do Maranhão enquanto um “instrumento político”: o instrumento é um objeto inanimado, algo a ser manipulado. Emílio Azevedo, refere-se ao Vias de Fato como uma “iniciativa política”: iniciativa refere-se a ação, movimento, e sendo político, a algo que está intrínseco ao elemento humano que constrói um espaço e debate públicos. A análise, que não é simplesmente uma questão semântica, repercute nas formas de operacionalização das experiências. No primeiro caso, o jornal é instrumento político, objeto empresarial de obtenção de lucro e também de manutenção do poder político. No segundo caso, abre espaço para setores e tema sociais obscurecidos, negados, e favorece a democratização não tão somente do acesso à informação, mas também às formas de construção dessa informação.

A apresentação da notícia no Vias de Fato, além do predomínio do gênero opinativo, adquire características do formato de revista dado que a experiência não tem compromisso com o “furo de reportagem”, mas com o aprofundamento e a investigação dos temas que lhes são caros e complexos”.

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Trechos da monografia Vias de Fato: outro viés da notícia no contexto da imprensa maranhense, que a cantoramiga Lena Machado apresentou ontem ao curso de Comunicação Social, habilitação em jornalismo, da Faculdade São Luís, sob orientação de meu orientador Francisco Colombo. O trabalho foi aprovado pela banca examinadora com nota 10.

Ao publicar os trechos acima, do trabalho que teve revisão deste blogueiro, repetimos os parabéns já transmitidos à autora por telefone, ontem, logo após sua defesa. Íntima do palco, Lena Machado preferiu não ter amigos assistindo-a perante a banca e preferimos respeitar a vontade de sua timidez. Com o título, o jornalismo soma-se à música para fazer ecoar sua voz na defesa dos direitos humanos e justiça social no Maranhão e em qualquer lugar por onde ande, cante e escreva.

Discurso de Cesar Teixeira

[Por ocasião da entrega do Prêmio José Augusto Mochel, honraria concedida anualmente pelo Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil de São Luís a personalidades e instituições de destacada atuação na luta popular e democrática e na defesa dos direitos humanos. A solenidade aconteceu na noite de ontem (16), no Auditório Fernando Falcão, da Assembleia Legislativa]
Ladeado por Márcio Jerry, Joãozinho Ribeiro e sua filha Júlia Andresa, Cesar Teixeira é agraciado com Prêmio José Augusto Mochel, ontem

Caríssimos representantes do Comitê Municipal do PCdoB de São Luís e da Fundação Maurício Grabois, Exmo. Senhor deputado estadual Rubens Pereira Júnior. Quero a princípio agradecer pela indicação do meu nome ao Prêmio José Augusto Mochel de 2011. Na verdade é ele, o líder comunista falecido em março de 1988 – aqui representado pela sua esposa Elba Gomide Mochel – o legítimo homenageado, desde a instituição do Prêmio em 2007.

Não sei se mereço a premiação. Conheço pessoas de maior importância que eu no cenário dos direitos humanos no Maranhão, contudo ainda invisíveis, talvez porque sejam feitos de alma, não assinam ponto e não cumprem expedientes. Estão sempre disponíveis e sua luta é permanente. Mas não poderia deixar de participar desta cerimônia, nem recusar o convite de um partido que fez e faz história em favor do socialismo neste País de tanta injustiça social e tanta corrupção.

Muitas das lutas do PCdoB foram marcadas pela dor das perdas, mas significaram um avanço para a construção de uma ética política negada ontem pelo regime militar, e hoje pelas oligarquias que tomaram conta do Brasil. Mas o que os inimigos da liberdade não sabiam, é que com o sangue derramado por aqueles que tombaram também se fabricam tijolos, com os quais vão se erguendo os novos pilares da cidadania.

"No Maranhão estão aí milhares de camponeses banidos de suas terras, trabalhadores escravizados por fazendeiros sanguinários, quilombolas e índios sendo massacrados por grileiros" (Charge originalmente publicada no jornal Vias de Fato nº. 9, junho de 2010)

A democracia no Brasil ainda não mostrou sua verdadeira cara. Continua sendo uma máscara para a miséria do povo. No Maranhão estão aí milhares de camponeses banidos de suas terras, trabalhadores escravizados por fazendeiros sanguinários, quilombolas e índios sendo massacrados por grileiros. A natureza aos poucos vai sendo devorada pela ganância das empresas do lucro fácil e seus arautos.

Mas não vou aqui rezar missa para vigário. Todos aqui conhecem bem a realidade do nosso Estado e sabem quem são os culpados. Seria redundância citar a família Sarney. Por isso, não só entidades civis, movimentos sociais, igreja, sindicatos, devem estar atentos. Os ocupantes dos palácios, do congresso, das câmaras e das assembleias legislativas são igualmente responsáveis pela defesa dos direitos humanos e da constituição brasileira. A história certamente rejeitará os omissos e os corruptos.

Sem mais, me despeço, desejando a todos muita sorte no ano que se aproxima, e que não se deixem enganar pelo Halloween dos 400 anos de São Luís.

Quero finalmente agradecer aos anfitriões Márcio Jerry e Elba Mochel, dos quais recebi atenção integral, e de modo especial à minha mãe, Mundica Teixeira, já falecida, a minha companheira Irinete e a minha filha Júlia Andresa pelo apoio e carinho com que fui e tenho sido premiado todos os dias, na tristeza e na alegria. Muito obrigado, e vamos em frente!