As idas e vindas deste blogue

Blogo há oito anos e meio, o que faz de mim um dos mais antigos blogueiros em atividade ininterrupta no Maranhão. De abril de 2004 para cá, praticamente não parei. Outros blogueiros que ou me influenciaram ou foram por mim influenciados, modéstia à parte, ou ambas as coisas, deram paradas, foram fazer coisas mais importantes. Uns voltaram a blogar, outros não. Poderia citar rapidamente nomes como Bruno Barata, Carolina Libério, Gisele Brasil, Jane Maciel, José Patrício Neto, Márcio Jerry, Reuben da Cunha Rocha e Rogério Tomaz Jr., entre outros, correndo o óbvio risco de esquecer o de alguém.

São mais de oito anos sem ganhar um centavo, blogando pelo prazer de blogar e vez em quando ganhar algum estresse, alguma dor nos braços (a tendinite que combato com dorflex e teimosia) etc. Algumas passagens por jornais, na condição de colunista ou eventual colaborador, quase sempre sem ganhar um centavo, alguns até hoje me devendo (destes prefiro nem citar nomes), outros sequer falam comigo e quer saber? Não faço questão!

Uma vez ganhei dinheiro com meu blogue. Um dinheiro pífio, ridículo, quase nada. Um site de vendas me solicitou a inclusão de um link e me pagaria cem reais por ano. O link pago ficou no ar exatamente por um ano e eu faturei estes menos de dez reais por mês. Não tive trabalho nenhum além de linkar o endereço que me foi passado (hoje nem lembro qual) e deixá-lo ali por um ano (o dinheiro saiu logo que pendurei o link), isto é, nunca influíram no que publiquei ou deixei de publicar, um dinheiro, portanto, honesto.

Faço tudo no blogue: escrevo, edito, reviso, mexo no layout (com as limitações que me impõe a plataforma que utilizo). Não há equipe. É o bloco do eu sozinho mesmo. Por isso às vezes critico tanto certos blogueiros que sequer aprenderam a escrever, que ganham tubos de dinheiro para publicar apenas o que os patrocinadores determinam.

Mas não quero ser ranzinza. Deixa isso para a hora de criticá-los, uns certamente acusando-me de “invejoso”, outros de “otário” e eu pouco me importando com isso, nem uma coisa nem outra. Se quero ganhar dinheiro com o blogue? Gostaria, mas desde que quem me pagasse, pessoa física ou jurídica, não interferisse em meu ritmo (publicar quando quiser), conteúdo (o que quiser) e estilo (como quiser), ou seja: para este blogueiro aqui é quase impossível ganhar dinheiro, numa terra/blogosfera em que dinheiro e honestidade são, infelizmente, quase antagônicos.

Uns já devem estar se perguntando o que tem a ver tudo isso que digo com o título deste post. Quem andou por aqui desde o post Blogue em manutenção, aí por baixo, viu-o de cara diferente. Era minha ideia para colocar o anúncio de uma rede de livrarias, uma forma simples, prática e honesta de ganhar algum dinheiro com o blogue: o leitor acessa o site da rede através de um banner pendurado neste blogue e a cada compra finalizada eu receberia 5% do valor vendido. Não hesitei em comprar um modelo pago, pensando que ia poder incluir o banner; comprado o layout, descobri que teria que comprar mais umas ferramentas. Já tinha gasto mais de cem reais no tal layout e as ferramentas me custariam mais coisa de 99 dólares ao ano.

O conteúdo do citado post, em que eu afirmava estar “pensando (sempre) em melhor atender seus poucos mas fieis leitores” é verdadeiro. Por isso resolvi amargar o prejuízo decorrente da aquisição de um novo layout, inútil para minhas pretensões, e desistir de ganhar dinheiro com blogue. A não ser que você tenha alguma proposta interessante – e honesta, nunca é demais repetir – para me fazer.

Cinema grátis e de qualidade

O cineasta Beto Matuck conversou rapidamente com este blogue sobre o Encontro com Cinema, que ele promove aos sábados, no Chico Discos

Há cerca de um mês outra atividade semanal começou a tomar conta do espaço do Chico Discos. Às quintas-feiras, desde novembro de 2010, sob coordenação do poeta e jornalista Paulo Melo Sousa, o Papoético tem realizado debates sobre os mais variados temas ligados à arte e cultura; desde o início deste março que finda amanhã, o cineasta Beto Matuck tem promovido o Encontro com Cinema, sempre aos sábados, às 19h.

Ambos os eventos têm entrada franca e mostram, por um lado, a carência ludovicense por estes acontecimentos, e por outro o fazer na raça de pessoas que, por quererem ver as coisas acontecendo, não esperam bons ventos: promovem, com chuva, sol ou lua, sem grana (por vezes tirando do próprio bolso – sem contar “no da cachaça”, que já sai quase naturalmente), sem esperar pelo apoio do poder público e/ou iniciativa privada.

“A gente faz as coisas do jeito que pode. É da doação de um aqui, de outro acolá. O Beto [Matuck], por exemplo, doou este telão”, Paulo Melo Sousa aponta o espaço de projeção do bar, usado aos sábados e, vez por outra, às quintas. Paulão, como é conhecido, e Chiquinho, proprietário do bar, lançaram, também na raça, o I Festival de Poesia do Papoético – Prêmio Maranhão Sobrinho, que distribuirá prêmios em dinheiro e literatura a novos poetas, daqui e/ou de fora.

Neste sábado (31), o Encontro com Cinema exibirá O espelho [Zerkalo, Rússia, 1975. Drama, 101min.], de Andrei Tarkovski, cuja sinopse resume: “Um homem em seus últimos dias de vida relembra o passado. Entre as memórias pessoais da infância e adolescência, da mãe, da Segunda Guerra Mundial e de um doloroso divórcio, estão também momentos que contam a história da Rússia numa mistura de flashbacks, tomadas históricas e poesia original”. O diretor usa poemas de seu pai, Arseni Tarkovski, no fechamento das cenas.

Autor do documentário Mané Rabo, que retrata a vida de um cantador do boi de costa de mão de Cururupu, Beto Matuck respondeu as perguntas abaixo, que lhe foram enviadas por e-mail.

O cineasta Beto Matuck em ação
ZEMA RIBEIRO – De onde surgiu a ideia do Encontro com Cinema? Podemos dizer que se trata de um cineclube?
BETO MATUCK
– Não se trata de um cineclube. A ideia surgiu da necessidade de podermos assistir e discutir cinema e outras artes de maneira descontraída. Além de realizar filmes, eu sempre tive muito interesse pela exibição. Chico, o proprietário do espaço, como todos os amigos sabem, é um apaixonado por cinema e abriu o seu espaço para as nossas ideias.

A seleção dos filmes é tua? Está aberta a sugestões? A programação dos filmes é de minha responsabilidade, foi feita uma lista para o ano todo, mas nada impede de exibirmos contribuições de amigos, considerando a importância estética dos filmes.

Quem assume as pick-ups e faz rolar a música do mundo após as sessões? O som é responsabilidade do [poeta e jornalista] Eduardo Júlio, que faz uma pesquisa e apresenta música fora do circuito comercial – música do mundo. Não queremos personificar o encontro, queremos juntar forças para que muito mais aconteça em São Luís, tão carente de cultura mundial.

A coisa acontece nos moldes do Papoético, isto é, há debates sobre os filmes exibidos, ou a proposta é outra? Não há debates após as exibições, é filme e muita conversa enriquecedora.