Denis Carlos lança documentário em sessão gratuita hoje (27)

 

Penetrar o desconhecido e mágico território do sagrado. É o que faz o documentarista Denis Carlos em Iemanjá pela última vez [Brasil, 2016, 31 min.], que conta a história de Allana Karoline, que durante alguns anos vestiu-se para celebrar Iemanjá, nas festas devotadas à divindade no Terreiro da Fé em Deus, conduzido por Mãe Elzita – fotografada por Márcio Vasconcelos em Zeladores de voduns.

A pequena e febril Karol teve uma visão. Era um chamado e logo o mal-estar foi embora. A partir de então, uma demonstração prática e bonita de sincretismo cultural e religioso: a procissão de Nossa Senhora da Conceição, além de anjos, tinha agora a rainha do mar.

Denis Carlos faz valer a máxima que se tornou um clichê – e seu filme passa longe de qualquer clichê –, uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, para acompanhar o último ano de Karol como Iemanjá, como entrega o título. Não é um salto no escuro, o documentarista tem domínio da situação, deixa suas personagens à vontade – inclusive um gato que encara a câmera para depois se afastar como se nada tivesse acontecido –, num filme bonito em sua simplicidade, como o terreno pelo qual se aventura.

O toque de mina, o cântico católico, o samba “profano”, a banjo, saxofone e trombone, e a prova de que é possível o convívio harmônico entre os diferentes, num tempo em que o ódio é uma espécie de vírus propagado pelo ar e pelas ondas.

Há solenidade e emoção quando outra garota assume o papel de Iemanjá. Onde às vezes tudo o que se exige é respeito, Denis Carlos vai além e dá uma importante contribuição para o cinema do Maranhão, as religiões de matriz africana e a superação de preconceitos, sem ser panfletário, com a beleza e leveza que queremos ver quando vamos ao cinema.

Serviço

Iemanjá pela última vez será lançado em sessão hoje (27), às 19h, no Cine Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro), com entrada gratuita.

Cinemuseu

Entre os próximos dias 16 a 20 de maio acontece simultaneamente em todo o Brasil a 10ª. Semana Nacional de Museus. Em todo o Brasil é modo de falar: só acontece, obviamente, onde tem museu. E museu, a exemplo de biblioteca, teatro e cinema, tem em pouco lugar.

Esta 10ª. edição da semana tem como tema Museus em um mundo em transformação: novos desafios, novas inspirações. Na capital maranhense tem como subtema São Luís 400 anos: História, memória e cultura.

Por aqui a programação é de responsabilidade do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Rua do Sol, 302, Centro), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão, acéfala há algum tempo, desde a saída de Bulcão, chefe da pasta. Quer dizer…

A programação completa tá aqui. Completa é modo de dizer. Francisco Colombo assina a curadoria da mostra de curtas e médias metragens maranhenses. Como pela programação disponibilizada no site do MHAM não se sabe que filmes o diretor de No fiel da balança irá exibir, este blogue avisa:

dia 18 > A solidão de Dom Quixote (direção: Vinícius Vasconcelos e Márcio Vasconcelos, 15 min.), Athenas Brasileira (direção: João Paulo Furtado, 18 min.), O destruidor de ilhas (direção: Denis Carlos, 15 min.) e Infernos (direção: Frederico Machado, 13 min.).

19 > Fronteiras de imagens (direção: Murilo Santos, 22 min.) e Aperreio (direção: Doty Luz e Humberto Capucci, 20 min.).

20 > Tambor de crioula (direção: Murilo Santos, 16 min.) e Em busca da imagem perdida (direção: Beto Matuck, 26 min.).

Toda a programação da semana é gratuita.