Músico maranhense, Tião Carvalho está internado no Hospital das Clínicas

O cantor e compositor Tião Carvalho está internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, acometido de malária. O quadro do artista ainda inspira cuidados, mas ele já deixou a UTI.

Segundo Cacau Amaral, percussionista que acompanhou o músico na banda Mafuá, Tião Carvalho estava em Maputo, Moçambique, onde fez shows e ministrou oficinas de danças populares brasileiras entre o fim de setembro e início de outubro.

Maranhense de Cururupu, Tião Carvalho vive em São Paulo há cerca de 30 anos. Na capital paulista é responsável pela difusão da cultura popular maranhense no Morro do Querosene, o que lhe rendeu o título de cidadão paulistano, honraria concedida pela Câmara de Vereadores. Gravou com os grupos Mafuá e Boi de Cupuaçu, além de discos solo, o mais recente Tião canta João (2006), em que interpreta a obra do conterrâneo João do Vale. É autor de Nós, sucesso de Cássia Eller.

Tião Carvalho faz show no Papoético

Depois do sucesso de Chico Saldanha e Josias Sobrinho, que se apresentaram quando o Papoético ainda tinha como palco o Chico Discos, o projeto idealizado pelo poeta e jornalista Paulo Melo Sousa leva ao palco do Restaurante Cantinho da Estrela (Rua do Giz, 175, Praia Grande), o compositor Tião Carvalho.

É uma segunda empreitada mais arrojada de produção de um acontecimento semanal que já soma mais de 70 encontros, desde sua primeira edição, em novembro de 2010. Maranhense de Cururupu, o cidadão paulistano – vive em SP há mais de 25 anos – Tião Carvalho mostrará em Tiãozinho e sua gente, título do espetáculo, músicas autorais e sucessos de nomes do Maranhão, a exemplo de João do Vale, cujo repertório gravou em seu mais recente disco, Tião canta João, inteiramente dedicado à obra do mestre pedreirense.

O show acontece dia 5 de julho (quinta-feira), às 21h. Os ingressos custam apenas R$ 15,00. O evento tem apoio cultural da Livraria Poeme-se e da Banca de Revistas da Praia Grande. Na ocasião Tião Carvalho (voz) será acompanhado de Ana Flor (voz), Noel Carvalho (percussão), Ariel Coelho (percussão), Netinho (violão e guitarra), Tiago Lindoso (bateria) e Renata Amaral (contrabaixo, do grupo A Barca).

A abertura fica por conta da discotecagem de Victor Hugo, tocando música maranhense direto do vinil, num primoroso trabalho de pesquisa.

Trapixixita

É certeira a afirmação do músico Chico Nô em e-mail recebido pelo blogue, ao classificar a Tribo do Pixixita, que completa nove edições hoje, como “uma mostra da música maranhense contemporânea”, ele um dos discípulos do homenageado, o evento já cravado no calendário musicultural da Ilha.

Tribo é corruptela de tributo a este “artista quase sem obra”, conforme me confidenciou Nelsinho Martins, filho de José Carlos Martins, o Pixixita. “Ele era sobretudo um cara que gostava de brincar, de música e de ser amigo. Gostava de tocar sem compromisso, tipo, no teu quintal, numa farra; se tu chamasse ele pro palco, pra tocar no teu show, aí ele já ficava envergonhado, era muito tímido”, lembra o professor de capoeira do Laborarte.

Um time de bambas de primeira linha da música produzida hoje no Maranhão ocupará o Trapiche Bar, na Ponta d’Areia, mesmo em caso de chuva, a partir das 21h: Ângela Gullar, Célia Leite, Chico Maranhão, Criolina, Dicy Rocha, Erivaldo Gomes, Gerude, Instrumental Pixinguinha, João Madson, Nosly, Rosa Reis, Tutuca e Zé Maria Medeiros, além do citado Chico Nô e dos poetas Celso Borges, Moisés Nobre e Paulo Melo Sousa. Direto de São Paulo, o maranhense de Cururupu Tião Carvalho fará o show de encerramento da noite. Mas certamente muitos artistas não anunciados devem dar o ar da graça e arte nesta noite que promete.

Engenheiro civil de formação, Pixixita teve na música sua grande paixão: figura querida por quantos o conheceram, foi professor da Escola de Música do Maranhão. Falecido em 2002, tem sido lembrado anualmente por esta festa que cresce a cada edição. Os ingressos custam apenas R$ 20,00 e podem ser adquiridos no local. Abaixo, alguns momentos da edição de 2009, pra você entrar no clima, sacar qual é e ter desperto o desejo de pintar por lá mais tarde:

Mané Rabo

Há alguns dias convidei os poucos mas fieis leitores deste blogue para os lançamentos dos documentários Mané Rabo, de Beto Matuck, e Reisado Careta Encanto da Terra, de Paloma Sá.

Suas exibições aconteceram na Casa de Nhozinho (Rua Portugal, Praia Grande) para uma grande plateia. O fundo daquele museu de cultura popular fica na Rua de Nazaré, onde imaginei que aconteceria a sessão. Ao chegar e me deparar com as cadeiras dispostas para a banda da Rua Portugal, suspeitei que algo não seria bacana. Não pelos filmes, obviamente. Explico: o pré-carnaval comia solto do lado de fora e, por vezes, o desfile de blocos atrapalhou (impediu) os presentes de ouvir determinadas passagens. Uma luz refletia na tela, o que prejudicava mesmo as imagens.

Estávamos eu e meu professor-amigo-irmão Francisco Colombo e resistimos até coisa de 10, quinze minutos do segundo filme. Saímos pela metade por conta desses atrapalhos, não sei se falhas da produção ou da Secretaria de Estado da Cultura, a quem pertence o prédio-palco dos lançamentos, que organiza o (pré-)carnaval de rua na área e de quem o primeiro doc recebeu recursos através de edital.

O lance é o seguinte: a quem não (alô, Fabreu!), e a quem como eu, estava na plateia prejudicada pelo barulho, o Papoético oferece nova chance, ao menos em se tratando do primeiro curta-metragem (tomara que Paulão organize numa outra quinta a re-exibição do filme de Paloma, que joga luzes sobre uma manifestação cultural de Caxias, município do interior do Maranhão).

Mané Rabo ganha nova sessão amanhã (2), às 19h, no Chico Discos, charmosíssimo misto de bar e sebo nos altos das esquinas de Treze de Maio e Afogados, no centro da capital maranhense.

Após a exibição haverá debate-papo com o cineasta Beto Matuck.

“Mané Rabo era amo do bumba boi de Costa de Mão de Cururupu. Beto Matuck conviveu com o brincante dede a infância, tornando-se amigo do mestre, recentemente falecido. O filme é tocante, em razão da amizade que envolvia o cineasta e Mané Rabo, uma personalidade fascinante, homem simples e dotado de grande talento poético, como fica evidenciado através de suas emocionantes toadas, que permeiam o filme. Trabalho sensível e profundo, com nuances de grande sensibilidade estética”, afirma Paulo Melo Sousa, o Paulão, no e-mail de divulgação da tertúlia.

Com o prejuízo do barulho externo que marcou a sessão inaugural do belo trabalho, é o que posso dizer em relação a Mané Rabo: belas imagens em um belo trabalho de edição. Vale ver e rever.

Em tempo: no Papoético do dia 16 de fevereiro Flávio Reis lança Guerrilhas, seu novo livro, coletânea de artigos publicados ao longo dos últimos 10 anos na imprensa maranhense com uns inéditos de bônus, antologia de bombons venenosos por que passeia por diversos temas, o que merece um post só para tratar do assunto, vocês não perdem por esperar. Anotem nas agendas!

Docs lançam olhares sobre cultura popular do Maranhão

Serão lançados hoje, na Casa de Nhozinho, os documentários Mané Rabo, de Beto Matuck, e Reisado Careta Encanto da Terra, de Paloma Sá

Com 25 minutos de duração, o documentário Mané Rabo, do produtor e cineasta Beto Matuck, mostra passagens da vida do mestre de Boi de Costa de Mão, já falecido, que viveu em Cururupu, no litoral norte do Maranhão. O trabalho tem o patrocínio de Microprojetos da Amazônia Legal (Fundação Nacional de Arte – Funarte) e da Secretaria de Estado de Cultura (Secma).

Matuck viveu parte da sua carreira profissional em São Paulo e atualmente mora em São Luís desenvolvendo projetos de documentários artísticos e educacionais. Lá, fez trabalhos como produtor e diretor na área educacional, juntamente com o cineasta Joel Yamaji, e criou os Núcleos de Produção Cinematográfica do SENAC-SP e as Oficinas Culturais do Governo de São Paulo.

Dirigido por Paloma Sá, Reisado Careta Encanto da Terra registra saberes tradicionais de uma comunidade localizada no bairro Campos de Belém, em Caxias/MA, em especial o Reisado Careta. O documentário tem apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Caxias.

A diretora é mestre em Antropologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), professora da rede pública estadual e pesquisadora das culturas populares brasileiras.

Durante o lançamento dos docs, que tem início às 19h30min, haverá uma apresentação do Grupo Reisado Encanto da Terra, de Caxias. A entrada é gratuita.

As informações são da assessoria do evento.