Uma zúñiga se abateu sobre o Brasil

Foto: Eitan Abramovich/ AFP
Foto: Eitan Abramovich/ AFP

 

Neymar está fora da Copa. É a notícia mais triste da Copa, até agora. E permanecerá a mais triste, mesmo que a próxima notícia triste seja a de que a seleção brasileira disputará o terceiro lugar.

O Brasil fez ontem, talvez, sua pior partida no mundial. Se não a pior partida, ao menos o pior segundo tempo. Ainda assim demonstrou sua superioridade e bateu a Colômbia por 2×1.

Bater talvez não seja melhor verbo que vencer, afinal de contas, Zúñiga bateu Neymar e terminou com seus sonhos – e o de milhões de brasileiros, ao menos meus, em particular – de terminar artilheiro do torneio e seu melhor jogador.

Bater, no caso, é eufemismo. A joelhada do colombiano nas costas do brasileiro, que terminou por fraturar-lhe a coluna uma vértebra e eliminá-lo da competição, foi, no mínimo, criminosa.

Logo Neymar, o craque do Barça – mas eternamente santista –, que vinha enfeitando a competição com seu talento e suas belas jogadas, devolvendo ao futebol o status de arte de que já parecíamos ter nos desacostumado.

Li e ouvi muitas opiniões acerca da mordida do uruguaio Suárez no italiano Chiellini e sua severa punição. Minha opinião sobre o episódio está dada: a punição é necessária, mas a Fifa pesou a mão (e isto eu já dizia antes do ocorrido ontem).

Brasil e Colômbia fizeram talvez o jogo mais violento da Copa e infelizmente o dado não se traduziu na distribuição de cartões amarelos e vermelhos – Zúñiga sequer recebeu punição. Em determinado momento do segundo tempo a seleção colombiana admitiu ter carimbado o passaporte de volta para casa e, em vez de tentar reverter a situação e garantir ao menos a prorrogação da partida, aprimorou seu arsenal contraditor de qualquer vestígio de “fair play”.

A Fifa precisa punir exemplarmente o jogador colombiano. Se é para comparar, certamente a marca deixada por Suárez em Chiellini já sumiu. Neymar ficará ao menos um mês fora dos gramados. Lamentável não só para a seleção e torcida brasileiras e a Copa do Mundo: lamentável para o Futebol, com F maiúsculo.

Zúñiga, para este que vos perturba, vira, a partir de ontem, sinônimo de tragédia, qual ziquizira, urucubaca, caiporismo e que tais.

7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul: confira a programação desta terça-feira (27)

13hVirou o Jogo: A História das Pintadas (Marcelo Villanova, Brasil, 15 min., 2012, documentário). > Chocó (Johnny Hendrix Hinestroza, Colômbia, 80 min., 2012, ficção; o trailer do filme, abaixo, está em espanhol, mas todas as exibições da mostra têm legendas, para garantir o acesso de pessoas com deficiência auditiva às sessões).

15hO Garoto que Mente (Marité Ugás, Venezuela, 99 min., 2011, ficção).

17hMenino do Cinco (Marcelo Matos de Oliveira/ Wallace Nogueira, Brasil, 20 min., 2012, ficção) > Maria da Penha: um Caso de Litígio Internacional (Felipe Diniz, Brasil, 13 min., 2011, documentário).

19hCom o Meu Coração em Yambo (María Fernanda Restrepo, Equador, 137 min., 2011, documentário).

Para ler as sinopses, fichas técnicas e classificações indicativas, clique nos títulos dos filmes.

Toda a programação da Mostra é gratuita e acontece no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro). Recomenda-se chegar entre meia hora e 15 minutos antes de cada sessão para a retirada dos ingressos na bilheteria.