Correndo o chapéu

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Campanha de financiamento coletivo lançada no último dia 1º. pretende garantir parte do orçamento para viabilizar a publicação; a outra parte do recurso está garantida através de edital da Fapema

Os chororrepórteres Ricarte, Rivanio e este que vos perturba, no Bar do Léo, um dos cenários da Chorografia do Maranhão. Foto: Murilo Santos
Os chororrepórteres Ricarte, Rivanio e este que vos perturba, no Bar do Léo, um dos cenários da Chorografia do Maranhão. Foto: Murilo Santos

O sociólogo e radialista Ricarte Almeida Santos, o jornalista Zema Ribeiro e o fotógrafo Rivanio Almeida Santos aprovaram, em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico do Maranhão (Fapema), projeto que pretende publicar em livro as 52 entrevistas da Chorografia do Maranhão, realizadas pelo trio com instrumentistas de choro naturais de/e/ou radicados no Maranhão.

Porém, o recurso aprovado pela Fundação é insuficiente para as pretensões dos “chororrepórteres”, como eles se autodenominaram. “Foram mais de dois anos de trabalho árduo, publicando quinzenalmente as entrevistas em parceria com um jornal de São Luís, e o registro destas entrevistas em livro, além de uma vontade nossa, é também um desejo de pesquisadores, estudantes de música e interessados em música em geral, e em choro em particular, além dos próprios personagens da série”, revela Ricarte.

Para conseguir o que falta dos recursos para realizar seu intento, o grupo lançou uma campanha virtual de financiamento coletivo. “O crowdfunding é uma tendência mundial para a realização de projetos nas mais diversas áreas, hoje. É claro que estamos abertos a patrocinadores, a empresários eventualmente sensíveis à cultura, alguns dos quais têm colaborado para a realização dos projetos realizados por Ricarte nos últimos anos; mas se eles não se aliarem ao projeto, já estamos, literalmente, com o bloco na rua e o chapéu na mão”, comenta Zema.

A campanha, que pretende arrecadar 30 mil reais e tem dois meses de duração, foi lançada no último dia 1º. de fevereiro. “Realizamos um trabalho que buscou primar pela excelência na apuração dos depoimentos, revelando além das próprias histórias pessoais dos chorões, um pouco da própria história do choro e da música em geral produzidos no Maranhão, as dificuldades e avanços vividos pelo gênero no estado, além de a Chorografia ser também um mapeamento afetivo e sentimental de lugares que, de algum modo, têm relação com a música imortalizada por gênios como Pixinguinha e Ernesto Nazareth, entre outros. Pode parecer que estamos querendo dinheiro demais, mas queremos um livro com um padrão de qualidade, como a memória deste pedaço da história e da cultura do Maranhão merece”, defende Rivanio.

Lançamentos além da Ilha – Outra pretensão do trio – e para isso, outro projeto já está em fase de elaboração, para captação de recursos através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura – é lançar o livro em praças de choro pelo país. “O Clube do Choro do Maranhão sempre buscou proporcionar o diálogo entre músicos do cenário local e do cenário nacional, e os projetos que produzimos ultimamente, movimentando a cena chorística da capital maranhense, não fizeram diferente. Nossa ideia é levar este livro à Brasília, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, garantindo a ida de um grupo de choro maranhense até cada uma destas cidades, para as noites de autógrafos”, antecipa Ricarte.

Capricho editorialChorografia do Maranhão, o livro, tem prefácio de Luciana Rabello e produção editorial da Pitomba! Livros e Discos, que tem investido na produção de obras sobre a cena musical do Maranhão. A editora de Bruno Azevêdo já publicou Onde o reggae é a lei, de Karla Freire, Em ritmo de seresta – Música brega e choperias no Maranhão, de seu proprietário, e O reggae no Caribe brasileiro, de Ramusyo Brasil, os dois primeiros em parceria com a Edufma.

Personagens e cenários – Para se ter uma ideia da diversidade dos entrevistados, citamos os personagens da galeria da Chorografia do Maranhão: Os Irmãos Gomes – filhos do capitão Nuna Gomes, compositor e multi-instrumentista rosariense, o violonista Bastico, Zequinha do Sax e Biné do Cavaco –; os bandolinistas César Jansen, Chiquinho França, Raimundo Luiz, Ronaldo Rodrigues, Wendell Cosme e Wendell de La Salles; o banjoísta Biné do Banjo; os cavaquinhistas Ignez Perdigão, Juca do Cavaco, Márcio Guimarães, Paulo Trabulsi, Rafael Guterres, Robertinho Chinês e Zeca do Cavaco; os flautistas Danuzio Lima, João Neto, Lee Fan, Paulinho Oliveira, Serra de Almeida, Zezé Alves; os percussionistas Arlindo Carvalho, Carbrasa, Léo Capiba [in memoriam], Luiz Cláudio, Nonatinho, Vandico, Wanderson e Zé Carlos; o pianista Adelino Valente; o sanfoneiro Rui Mário; os saxofonistas José Luís Santos e Osmarzinho; o trombonista Osmar do Trombone; o tecladista Maestro Nonato; os violonistas Agnaldo Sete Cordas [in memoriam], Celson Mendes, Domingos Santos, Francisco Solano, Giovani Cavalcanti, Gordo Elinaldo, Henrique Cardoso, Hermelino Souza, João Eudes, João Pedro Borges, João Soeiro, Joaquim Santos, Luiz Jr., Marcelo Moreira, Monteiro Jr., Turíbio Santos e Ubiratan Sousa – alguns dos listados assumem mais de um instrumento.

As entrevistas também revelam uma paisagem diversa, afetiva do choro em São Luís. A Chorografia do Maranhão visitou as residências de Adelino Valente, Arlindo Carvalho, César Jansen, dona Zelinda Lima (para entrevistar seu filho Danuzio), Gordo Elinaldo e João Pedro Borges (para entrevistar seu amigo e parceiro Turíbio Santos, que ensaiava lá, para uma apresentação em São Luís), além de Bar do Léo, Barraca Paradise, Barulhinho Bom, Brisamar Hotel, Chico Discos, ECI Museum, Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo, Estúdio de Júlio (Camboa), Feira da Praia Grande, Fonte do Ribeirão, Hotel Pestana, Kumidinha di Buteko, La Pizzeria, Praça da Saudade, Praça de Alimentação do São Luís Shopping, Quitanda de Seu João (esquina das ruas do Ribeirão e do Machado, Centro), Quitanda do Jósimo (esquina das ruas do Alecrim e Pespontão, Centro), Quitanda Rede Mandioca, Restaurante Chico Canhoto, Salomé Bar, Samba Sem Telhado e Sonora Studio.

Participações especiais – A série Chorografia do Maranhão contou ainda com chororrepórteres honorários: num encontro inusitado, em plena Feira da Praia Grande, o jornalista e compositor Cesar Teixeira – fundador do Regional Tira-Teima – ajudou a entrevistar Zeca do Cavaco, atualmente membro do grupamento de choro mais longevo do Maranhão; e Murilo Santos substituiu Rivanio, que não pode comparecer à entrevista com Os Irmãos Gomes no Bar do Léo.

Segunda etapa – Ricarte, Rivanio e Zema priorizam, agora, a publicação do trabalho em livro. Mas revelam uma vontade, para a qual já estão se preparando: revelar os chorões do interior do Maranhão. “Ao longo das entrevistas, diversas cidades maranhenses foram citadas como polos musicais importantes, embora praticamente desconhecidos. A Chorografia do Maranhão, por conta de todas as limitações, sobretudo pelo recurso zero que teve, ou melhor, não teve [risos], acabou se concentrando na capital e, quando entrevistou chorões radicados fora do Maranhão, foi aproveitando visitas suas à capital, por um ou outro motivo. Vamos trabalhar um projeto para garantir as viagens aos municípios do interior, as condições de trabalho, e continuar este mapeamento, do qual este livro encerra uma primeira etapa”, finaliza Ricarte.

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Chorografia do Maranhão: Chiquinho França

[O Imparcial, 24 de agosto de 2014]

O bandolinista e guitarrista Chiquinho França é o 38º. entrevistado da série Chorografia do Maranhão

TEXTO: RICARTE ALMEIDA SANTOS E ZEMA RIBEIRO
FOTOS: RIVANIO ALMEIDA SANTOS

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Francisco Lopes da Costa nasceu em 14 de fevereiro de 1964, num lugarejo, a Fazenda Catanha, entre Santa Inês e Bom Jardim. Filho do agricultor Antonio Costa de Sousa e da doméstica Maria Lopes da Costa, tem 10 irmãos – dois já falecidos –, entre os quais o cantor e compositor Luis Carlos Dias, que lhe ensinou os primeiros acordes.

O França de seu nome artístico é corruptela do nome de batismo: sua mãe o chamava “Franca” e os amigos “França”, sempre diminuindo o Francisco, que acabou virando Chiquinho, um de nossos mais requisitados instrumentistas. “Um guitarrista que toca bandolim”, define-se.

Seus discos estão impregnados de rock, choro e ritmos da cultura popular do Maranhão. O primeiro, descobriu assim que ouviu o clássico The Wall, do Pink Floyd. O choro e o Maranhão estão fundidos em Santa Morena, clássico de Jacob do Bandolim que incluiu um bumba meu boi no arranjo de sua gravação. Seu registro instrumental para Filhos da precisão, de Erasmo Dibell, virou prefixo de programa de rádio – Chiquinho França havia se tornado, ele próprio, uma paixão da infância, quando subia em um muro para captar o sinal de uma rádio brasiliense e ouvir as gravações dOs Incríveis para Czardas – que acabou regravando – e O milionário.

Reprovado na banda de Raimundo Soldado, ele não desistiu da música – sorte a nossa! Sobre estes e outros episódios, Chiquinho França deu seu depoimento à Chorografia do Maranhão, o 38º. da série, no Bar do Jósimo, na esquina das ruas do Alecrim e Pespontão, no Centro de São Luís – cidade pela qual se apaixonou, de onde nunca mais saiu.

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Seu primeiro trabalho foi vendendo bolo? Sim. Mamãe fazia bolos para a gente vender para conseguir a alimentação de casa. Eu comecei a trabalhar com 10 anos de idade. Inclusive nesses trabalhos que eu fazia na rodoviária foi aonde eu me encontrei com o choro. Foi na rodoviária de Santa Inês, ouvindo um ceguinho, chamado Francisco das Chagas, Chaguinhas, que chamavam. Um anão. Ele usava um megafone, esses megafones é que eram a rádio das pequenas cidades. Não tínhamos sinal de televisão nessa época, até os anos 1970. Só pegávamos o sinal da rádio Nacional de Brasília. Era o contato que a gente tinha assim com a música. Na época o choro era um sucesso. É até hoje, mas na época a gente ouvia na programação de rádio.

Como era o ambiente musical em tua casa? O que se ouvia de música lá? Quase nada. Nem rádio a gente tinha. Era tudo no do vizinho. Muita pobreza, pobreza mesmo! Eu me lembro de rádio na minha casa, já fui eu que comprei, um radinho de pilha sem antena, eu tinha que subir no muro do quintal para sintonizar a rádio Nacional para ouvir Czardas [música do violinista e compositor italiano Vittorio Monti] tocada pelos Incríveis [grupo musical da Jovem Guarda] e O milionário [título aportuguesado de The millionaire, música do guitarrista e compositor inglês Mike Maxfield] também pelos Incríveis, eu achava aquele instrumental a coisa mais linda do mundo. Ambas eram prefixo e sufixo de um programa que eu, infelizmente, não recordo mais o nome. Mas eu sabia exatamente o horário em que o programa começava e terminava e eu ia lá para o muro para ouvir. Eu já sabia que eu queria ser músico mesmo, que eu era músico. Eu já tinha certeza disso.

A partir de que momento você teve essa certeza? Desde que eu, criança, ouvia as músicas. Isso me chamava a atenção e me remetia a um êxtase, digamos assim, eu saía dessa vida aqui, me pegava imaginando eu tocando aquele instrumento. Me impressionava muito como eles imprimiam o áudio nos vinis, eu ficava olhando para aquele vinil, tudo isso me causava curiosidade com relação ao áudio, eu tinha muita curiosidade com relação a esse tipo de gravação. Ficava me imaginando ali, sabia comigo que eu tinha que aprender a tocar um instrumento. Até que com 12 anos de idade eu dedilhei um violão que meu irmão Luis Carlos Dias [cantor e compositor] conseguiu emprestado com um amigo e estava lá em cima da cama dele. Foi a primeira vez que eu tive contato com um instrumento. Mas eu já curtia o ceguinho lá na rodoviária.

Ele tocava algum instrumento ou só usava o megafone? Ele tocava cavaquinho numa afinação inventada por ele. Eu não consegui pegar um acorde dele. Ele usava um amplificador delta que era alimentado por umas baterias de carro e um arame amarrado no pescoço [segurando o megafone], que ele cantava, e a esposa dele tocava pandeiro. Não tinha acompanhamento, ele tocava só as melodias, era só ele esse pandeiro. E harmonizava, ele fazia a melodia e dava um acorde, era um som distorcido, a amplificação do som muito ruim. Na rodoviária antiga de Santa Inês, ali na Laranjeira. Quando eu não estava na escola ou vendendo eu estava ali ouvindo-o tocar. Eu jogava a moeda, ele ouvia, eu cansei de ouvi-lo tocar [os choros] Tico-tico no fubá [Zequinha de Abreu], Brasileirinho [Waldir Azevedo], Vê se gostas [Waldir Azevedo e Otaviano Pitanga], Delicado [Waldir Azevedo], enfim, essas músicas, Dilermando Reis [violonista], ele tocava algumas coisas, Waldir Azevedo [cavaquinista] e o próprio Jacob do Bandolim [Jacob Pick Bittencourt, bandolinista]. Esses choros todos ele tocava lá, eu já curtia.

Desse teu encontro com o violão emprestado de Luis Carlos Dias, dali já deslanchou? Não, não. Luis Carlos não deixava eu pegar, eu era muito criança, o violão era dum amigo dele. Ele apareceu tocando [cantarola] “hoje é o dia do Santo Reis” [trecho de A festa do Santo Reis, de Márcio Leonardo, sucesso na voz de Tim Maia], eu decorei esses acordes. Quando ele largou o violão eu percebi que tinha facilidade, ritmo, aptidão para a música. Eu comecei a economizar uns trocados, o violão foi o do Luis Carlos, meses depois ele comprou um violão e fui na sombra dele, aprendendo os primeiros acordes com ele.

Então o violão foi teu primeiro instrumento. Hoje você toca vários. A partir de que momento você passou para outros? O Luis Carlos já entrou numa banda, começou a tocar guitarra. Ele foi sempre me influenciando, eu fui seguindo os passos dele. Eu entrei numa banda de baile, a gente chamava de conjunto, era Chica Cão, ela tocava acordeom, tinha uma banda de forró. A gente passava a noite inteira tocando, eu aprendi os primeiros acordes, ela me ensinou aquela harmona [harmonia], e eu viajava com ela para tocar forró naqueles interiores ali, Alto Alegre, a gente andava de lancha, Rio Pindaré, tocando esses bailes a noite toda, começando de nove até cinco da manhã.

Tocando violão? Tocando já guitarra.

Além de você e Luis Carlos há algum outro músico na família? Meu avô tocava acordeom, mas era só para tomar as pinguinhas dele. Trabalhava na roça, chegava, fazia aquelas melodias de Luiz Gonzaga mais fáceis, só pra curtição mesmo, não foi profissional.

Como foi a reação de teus pais quando você e Luis Carlos começaram a enveredar pelo caminho da música? Foi surpreendente e até inusitada. A coisa que eu tinha mais medo era de falar isso para minha mãe. Eu trabalhava de manhã, vendia leite, bolo, doces na rodoviária, e à tarde eu estudava. E aí surgiu uma oportunidade de viajar para Imperatriz. Eu escutei num parque de diversões na cidade um cara requisitando músicos para formar uma banda em Imperatriz. Aí ele me encontrou: “rapaz, ouvi falar que você toca”, eu já tocava nessa bandazinha pequena de forró.

Você tinha que idade? 14 anos. Aí eu digo: “eu não vou, minha mãe não deixa, eu estudo, e aqui eu ajudo a trabalhar”. E ele: “não, eu falo com tua mãe”. E minha mãe deixou. “Meu filho, olha, se isso for bom pra ti, é isso que você quer, eu já percebi, pode ir. Mas lá arranje um jeito de estudar também”. Aí eu fui dessa forma, parti para Imperatriz, pra começar uma carreira musical mesmo, profissional nessa época.

E como foram as coisas em Imperatriz? Como foi sua inserção? Eu fiquei apenas três meses e voltei. O cara que me levou, me levou para tocar numa cidade do Pará, próximo à Marabá, eu não vou recordar o nome agora, para tocar num cabaré. E não falou pra mim. Eu não me adequei, fiquei com medo, e voltei pra Santa Inês. Fui trabalhar com Raimundo Soldado [cantor e compositor maranhense] em Caxias. Eu fui pro Raimundo Soldado substituir um guitarrista chamado Elias, um monstro de harmonia. E eu, fraco, estava começando. Eu só toquei um baile, fui reprovado. Um cara me chamou, “pô, Chiquinho, os músicos acharam que você tem que estudar mais” e não sei o quê. De lá eu fui tocar nos Jovens, uma banda mais pop. O Raimundo Soldado tocava muito forró, apesar de as músicas dele serem brega, as harmonias que o guitarrista fazia eram uma coisa absurda. Ele agradava muito, foi sucesso nacional. Raimundo Soldado ainda hoje toca em rádio em São Paulo. Ele estourou um disco todinho na [gravadora] Copacabana.

E o que te tirou do forró e do pop? Ainda ali pela rodoviária de Santa Inês tinha uma loja de instrumentos. Naquela época quem fazia sucesso era essa rapaziada aí, [os cantores] José Augusto, Fernando Mendes, Wanderley Cardoso, o próprio Roberto Carlos. A gente ouvia essa música, basicamente. E tinha dois álbuns duplos, empoeirados, mais de dois anos lá encalhados, e eu curioso, fui ouvir, tinha uma vitrola para você ouvir o vinil antes de comprar. Era o The Wall, do Pink Floyd, aquele branco, duplo, e o outro era Minha História, um álbum verde, uma coletânea, de Chico Buarque de Holanda. Eu achei aquilo muito diferente. Aí fui trabalhar para comprar, o cara me vendeu num valor barato, um custo assim, já queria se ver livre, me vendeu duas peças maravilhosas, e achando que estava me enrolando, que estava me vendendo um material de péssima qualidade [risos].

E estava mudando tua vida? Estava me dando caminhos, abrindo portas para eu tocar música de qualidade. Me apresentou o melhor do rock progressivo, que é Pink Floyd, e Chico Buarque de Holanda, que é referência de nossa música popular brasileira.

Se você tivesse que nominar quem você considera teus principais mestres, quem você citaria? São muitos. O ceguinho é o primeiro. Depois eu conheci Armandinho [Macedo, bandolinista] tocando bandolim. Antes de conhecer o trabalho de Jacob do Bandolim eu conheci o Armandinho tocando Jacob do Bandolim, aí foi impactante. A Cor do Som, eu comprava tudo dA Cor do Som, e o outro, Pepeu Gomes [guitarrista], que também toca bandolim. Eu lembro de um pot-pourri que ele começa, já fazia com banda, era tudo muito diferente. É o que eu faço hoje nos meus shows, eu gosto de tocar com banda, e não é inventando, é o que os baianos já faziam, Pepeu e Armandinho. Então, Pepeu Gomes, Armandinho, Robertinho de Recife [guitarrista]. Aí vêm os grandes mestres, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, gosto de George Benson [guitarrista], David Gilmour [guitarrista e cantor, vocalista do Pink Floyd]. São meus mestres que me inspiram, minha fonte para a música. Luis Carlos Dias me ensinou os primeiros acordes, mas ele já mudou para Imperatriz e eu fiquei em Santa Inês. Depois eu aprendi, mas ninguém me ensinou: eu aprendi olhando todo mundo tocar.

Depois que você assumiu a música, você trabalhou com outra coisa? É possível viver de música? Só música! Eu sou um operário da música, eu vivo de música. Não é fácil, não. Você tem que ser artista duas vezes. Eu sou produtor, ultimamente meu faturamento é muito mais como produtor que com meus próprios shows, eu faço muito pouco show, toco muito pouco, me apresento pouco por aí.

Mas não por falta de vontade. É por que você vai ficando mais exigente, cada vez mais. Eu dispenso show se não for para fazer com qualidade. Só pelo cachê eu não vou, mesmo às vezes precisando. Por esse respeito, eu tenho muito cuidado com a qualidade, de como eu vou me apresentar. E isso tem imprimido um respeito, eu sinto que eu tenho esse respeito no mercado por conta disso.

São quantos discos gravados até aqui? Cinco cds e um dvd. O primeiro foi um vinil, Novos tempos, o segundo foi o primeiro cd, Em cartaz, o terceiro foi Chiquinho França Instrumental, aquele da capa vermelha que tem os instrumentos na capa, o quarto foi Chiquinho França Instrumental, que eu estou vestido de azul, com uma guitarra branca. Na verdade são quatro cds, os outros dois foram coletâneas, o que tem o dedo assim [faz o gesto de legal, com o polegar erguido] foi o quinto, e o sexto foi o Solos, gravado ao vivo no Teatro [Arthur Azevedo], que é cd e dvd.

E agora saiu esse conjunto bonito. É, agora a gente fez uma nova coletânea [Som do Mará, em cd e dvd]. Eu estava sem disco e fiz aquela coletânea, ficou bem apresentado, gostei do material gráfico.

A partir de quando o bandolim entra na tua vida? Quando eu fui reprovado e dispensado e mandado embora da banda do Raimundo Soldado, quando eu estava saindo com minhas malas, o baterista, que era um cara que ficamos amigos, dormíamos no mesmo quarto, em duas redes, ele conversava comigo e dizia: “rapaz, não desiste, você tem talento, por mim você ficava”. Ele pegou e ligou para seu Cícero, da banda Os Jovens, de Codó, e o cara veio me buscar, eu nem voltei pra Santa Inês, fui direto pra Codó. Lá a recepção foi outra, era uma galera mais jovem, já tocava mais pop, eu já tocava algumas coisas dA Cor do Som. Lá eu me encaixei, fiquei tocando seis meses. E falei pra seu Cícero, que eu gostaria de comprar um bandolim. E ele foi em Teresina e trouxe um bandolim de presente pra mim, um bandolim Trovador. Aí eu não dormi mais, fui estudar bandolim.

Você nasceu em Santa Inês, foi para Imperatriz, depois Codó. Como é que foi até chegar em São Luís? Fui para Imperatriz e formamos a banda Bumbum de Bebê. Era eu, Luis Carlos, eu tocava na Bumbum de Bebê, na parte acústica, bandolim, Luis Carlos, violão, Alfredo Varela, bateria, e Zé Raimundo era o crooner, vocalista. Quando entrava a banda eu tocava contrabaixo e Luis Carlos era guitarrista, ele tinha mais nome, foi o melhor músico, guitarrista e vocalista daquela região na época. Quando nós trocamos o nome para Banda Quatro, aí eu assumi a guitarra e Luis Carlos o contrabaixo. Eu fiz meu primeiro show em Imperatriz, instrumental, e aí percebi a coisa de começar a tocar música instrumental. O primeiro disco, vinil, gravado em Imperatriz, que eu fiz de favor, no estúdio do Carlito Santos, na [rua] Coronel Manoel Bandeira, em Imperatriz, o disco chegou, eu coloquei nas lojas, e eu passava de 30 em 30 dias para pegar a grana, e estavam lá todos os discos [risos]. Rapaz, eu não consegui vender um exemplar nas lojas. Eu já tinha até vergonha, um cara ficava com pena de mim, um dono de loja, “pô, Chiquinho, não vendeu nenhum”. Eu gravei Filhos da precisão, do [cantor e compositor Erasmo] Dibell. Esse vinil veio pra cá pra São Luís e virou tema de abertura do programa MPM, que César Roberto apresenta, ele abria e fechava [o programa Mirante Popular Maranhense] e nas entrevistas tocava Filhos da precisão instrumental.

Foi a primeira gravação de Filhos da precisão? Antes do próprio Dibell? Foi. Foi antes do Dibell gravar. Destacou essa música instrumental, eu fiz um show instrumental, tentei fazer o lançamento desse disco em Imperatriz várias vezes, público nenhum. Eu tentei fazer um show instrumental no Teatro [Ferreira Gullar]. Chico Brasil era gerente do Armazém Paraíba, em Imperatriz. Eu falei “Chico, eu quero fazer um show instrumental no teatro. Tu patrocina?” Ele disse “na hora!”. Ninguém colocava gente naquele teatro, nem Neném Bragança [cantor]. Luís Brasília me deu a mídia na Mirante e aí nós fizemos uma mídia de um concerto instrumental no teatro. Na época a gente cobrava, tipo 10 reais hoje, como se fosse na moeda corrente de hoje, e os shows nacionais lá eram 60. Aí eu puto de raiva cobrei 60 reais, pra ninguém ir mesmo. Meu amigo, venderam todos os ingressos quatro horas da tarde, a 60 reais, e a gente teve que fazer duas sessões. Ganhei dinheiro e fiquei surpreso, uns 30 dias sem entender.

Que ano foi isso? 1983.

Uma coisa que se percebe em teu trabalho é o diálogo permanente entre rock, choro e ritmos da cultura popular do Maranhão. É intencional? Você se sente mais à vontade nesses gêneros? Há quem até me critique, “pô, teu disco não dá para ouvir, vem num estilo, de repente muda, não tem um estilo”. Mas são os estilos que eu gosto. Como é que eu vou fazer? Só se eu fizer discos diferentes. Eu fico com ciúme de fazer um disco só de guitarra e não colocar meu bandolim. É intencional mesmo, é meu estilo, é minha forma de fazer. Já tem pessoas que curtem isso, é interessante, é complicado você querer agradar todo mundo. É o que eu costumo dizer: eu nunca gravo o que eu não gosto. Agora, dentro do repertório que eu gosto, eu tento conciliar com o que meu público curte. Eu sempre escolho meu repertório no palco. Primeiro eu toco, se eu sentir que não houve empatia, eu fico “essa entra, essa não”, é dessa forma que eu monto meu repertório. Tem dado certo.

Além de bandolim, guitarra, baixo e violão, você toca algum outro instrumento? Na verdade eu toco guitarra e bandolim, são meus instrumentos. Nem violão, eu não acho que sou um violonista. Agora no estúdio eu toco até teclado, emendando, né? Mas eu não diria que eu toco. É guitarra e bandolim mesmo.

Algum projeto de disco pensado para breve? Eu sempre estou. Estou com um projeto agora, um trabalho novo, autoral, com ritmos maranhenses. Eu vou pegar, fazer uns dois sotaques de boi, cacuriá, tambor de crioula, pegar isso e transformar numa pegada universal. Pegar células desses ritmos, estou devendo há muito tempo. Era para esse ano, mas eu vou me ocupar, acabei aprovando um projeto na lei [estadual de incentivo à cultura] e consegui captar junto à Cemar [Companhia Energética do Maranhão] e estou trabalhando esse projeto, que é viajar com esse show Som do Mará, só que está indo com outro nome, não vai ser Som do Mará. Esse projeto foi criado para a Vale. O nome ficou Sons e Trilhos, a gente ia fazer o percurso até Parauapebas. Eu vou ficar ocupado com esse projeto até meados de outubro. Então eu não vou ter tempo de fazer esse meu trabalho esse ano, que seria Francisco 5.1, eu estou completando 51 anos de idade e é a sonoridade de dvd.

Fora os teus, que discos têm teus instrumentos na ficha técnica? São muitos, eu não vou lembrar [longa pausa, pensativo]. O Canta Imperatriz [disco com as finalistas de um festival de música da cidade] é um disco que ficou bom, que eu gosto, o projeto Viva 400 Anos [festival realizado em São Luís por ocasião dos 400 anos de sua fundação] tem o dedo da gente, eu assinei a produção daquele trabalho, aquele disco que Augusto [Bastos] produziu, Louvação a São Luís [disco comemorativo dos 390 anos da capital maranhense]. Aí tem os discos de Luiz Jr. [violonista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 4 de agosto de 2013], participei, toquei bandolim, [os cantores e compositores] Zeca Tocantins, Neném Bragança, Wilson Zara. São pequenas produções em disco.

Você tem quantas composições? Muito pouco. Acho que umas 40. Mas nenhum choro. É incrível, eu gosto de choro, mas não consigo fazer. Eu tento, mas nem guardo, não gosto. Eu componho na pressão, eu sou um “jingleiro”. Se tu deixar aqui, pode passar à tarde para pegar, mas sou meio preguiçoso para compor. Mas choro eu não consigo.

Com essa tua dificuldade em compor choro, você se considera um chorão? Não, não me considero. Eu sou meio desconfiado. Por que eu não toco choro, aquele choro tradicional, eu não consigo ficar ali, tocar do jeito que é. Eu pego, boto uma correia no bandolim, faço com batera [bateria], contrabaixo, uma coisa mais pop, e já fiquei sabendo que tem chorão que não gosta. Eu acho que eu sou um guitarrista que toca bandolim.

Pra você, o que é o choro? É a nossa música brasileira, é o nosso jazz. Se duvidar, é o jazz mais bonito, mais complicado, mais rico do mundo, se formos colocá-lo no patamar de jazz. O choro normalmente tem três partes. Tem choros que têm três tons diferentes. Se você realmente não for um músico que conheça o choro você não sai tocando choro. Só se já conhecer as melodias e tiver uma noção do que é choro. Pode ser o músico que for, ele se perde, não acompanha. É complicado! O choro é abrangente, é baião, é frevo, é xote.

Ele pode ser bumba meu boi? Pode ser cacuriá? Pode, desde que se tenha a pegada do choro.

Você fez isso bem em Santa Morena [Jacob do Bandolim]. É, coube ali, ficou legal, né?

Obituário: Neném Bragança

“Meu Deus, me deixe ficar mais uns dias/ dias que digo alguns anos/ anos assim não mais que uns 26”. As preces que Neném Bragança [Bragança/PA, 19 de março de 1960 – Imperatriz/MA, 15 de janeiro de 2015] cantou em Os milagres (Erasmo Dibell) não foram atendidas: vítima de um câncer de palato contra o qual lutava há cerca de um ano, o cantor faleceu nesta madrugada.

Os milagres abre o recém-lançado cd/dvd de Neném Bragança, segundo volume da série Som do Mará, produzido por Chiquinho França, que inaugurou-a. O câncer de Neném, aliás, foi descoberto quando o artista se preparava para entrar em estúdio e foi submetido a um tratamento dentário.

O trabalho é um apanhado de sucessos colecionados por Neném Bragança ao longo dos anos, composições autorais e clássicos da música do Maranhão, como Prisma (Carlinhos Veloz), Bela Mocidade (Donato), Agosto (Nando Cruz), Grades (Zeca Tocantins), Plenitude das palavras (Neném Bragança) e Ilha magnética (César Nascimento), entre outras. Ave de arribação (Javier dy Mar-y-abá) seu maior sucesso, encaixa-se nas três categorias – no fim das contas a música é também de Neném, será dele a interpretação para sempre lembrada.

Há poucos dias, em uma roda de amigos, comentávamos a situação da saúde de Neném e a torcida coletiva por sua pronta recuperação, enquanto ouvíamos um exemplar em vinil do festival Tribo (1989), que reunia nomes como Zeca Baleiro, Nosly, Renata Nascimento, Luis Carlos Dias, Neném Bragança e Tutuca, entre outros. Foi o último quem comentou: “Pra mim a música que ganhou é essa aqui [aponta para Ave de arribação na capa do vinil]: foi a única que tocou em rádio”, declarou. Na mesma ocasião, ganhei de presente, do amigo e fiel leitor Otávio Costa, o volume dedicado ao cantor da série Som do Mará.

Neném Bragança ficou conhecido como “papa festivais” entre os amigos, tantos os troféus acumulados em certames país afora, em especial no entorno da região que o acolheu. Artista iluminado, trazia a luz no sobrenome de batismo, Raimundo Nunes da Luz Ferreira. Tinha 54 anos. Sua Plenitude das palavras pode lhe servir de epitáfio: “quero a plenitude das palavras/ chegará a hora da verdade/ e aí? O que vai ser de mim e de você?”. Ou Ave de arribação: “o certo é que acaba, como todas as folias/ o certo é que passa, como passa uma euforia/ (…)/ não, não vou deixar meu coração perder a luz”.

Chiquinho França encerra turnê nesta quinta (30) em São Luís

 

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Uma viagem musical do moderno ao erudito. É o que promete o instrumentista Chiquinho França no encerramento de sua turnê Sons e Trilhos, que acontece nesta quinta-feira (30), às 20h30, na Praça de Alimentação (Parquinho) da Avenida Litorânea.

A apresentação encerra uma temporada de 10 shows com que ele percorreu, além de em São Luís, onde aconteceu a abertura e agora o encerramento, as cidades de Santa Inês, Imperatriz, Porto Franco, Grajaú, Bacabal, Pedreiras, Codó e Caxias. A produção é da Zarpa Produções e o patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Como nos outros shows da turnê, Chiquinho França (bandolim e guitarra) será acompanhado pelos músicos JBlues (teclados), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Oliveira Neto (bateria). A novidade para a apresentação deste show de encerramento é a participação especial do cantor Paulo Piratta.

Chiquinho, sua banda e convidado farão um passeio por ritmos como jazz, blues, rock, samba, choro, baião, frevo e a diversidade da cultura popular do Maranhão. A exemplo de todas as apresentações da turnê, o acesso ao show musical é gratuito.

Turnê de Chiquinho França chega a mais quatro cidades esta semana

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Foto: divulgação. Facebook do artista.
Foto: divulgação. Facebook do artista.

 

Bacabal, Pedreiras, Codó e Caxias. Estes são os próximos destinos do trem musical de Chiquinho França, que aporta acompanhado de sua banda nestas cidades, para shows do projeto Sons e Trilhos.

Guitarrista e bandolinista consagrado, Chiquinho França apresenta um repertório versátil, passeando do rock, jazz e blues ao choro, frevo e baião, um pé na modernidade, outro na tradição, as duas mãos na música de qualidade.

Acompanhado por JBlues (teclado), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Oliveira Neto (bateria), Chiquinho França, um dos mais requisitados instrumentistas maranhenses, promete emocionar as plateias. “Na verdade, quem se emociona sou eu, ao poder oferecer ao público a música que aprendi vendo um ceguinho tocar na rodoviária de Santa Inês, minha cidade natal”, afirma o músico, lembrando as origens musicais.

Nesta segunda metade da turnê, Chiquinho França se apresenta na Praça São José (Praça do Bolo, Centro), em Bacabal, dia 15 (quarta), às 20h30; no dia seguinte (16), no mesmo horário, na Maçonaria Renascença Pedreirense (Praça do Jardim, Centro), em Pedreiras.

Sexta-feira (17) é a vez de Codó: Chiquinho França e banda se apresentam na Praça Ferreira Bayma, às 20h30. Sábado (18), no mesmo horário, é a vez de Caxias. Na terra do poeta Gonçalves Dias a apresentação acontece no Centro de Cultura (Praça do Panteon, Centro).

Todas as apresentações são gratuitas e abertas ao público. A última apresentação da turnê acontecerá em São Luís, em data, horário e local a definir. Sons e Trilhos tem realização da Zarpa Produções e patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.

Sons e Trilhos: turnê leva Chiquinho França ao interior do Maranhão

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Músico se apresentará em nove cidades do interior. Shows de abertura e encerramento da turnê acontecem em São Luís. Gratuitas, apresentações acontecem em outubro.

Foto: divulgação. Facebook do artista.
Foto: divulgação. Facebook do artista.

 

Reconhecido como um dos mais talentosos e versáteis artistas da música produzida no Maranhão, o guitarrista e bandolinista Chiquinho França cai na estrada para 10 apresentações em nove cidades maranhenses.

Com patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o projeto Sons e Trilhos levará o músico a Santa Inês (cidade natal do artista), Imperatriz, Porto Franco, Grajaú, Bacabal, Pedreiras, Codó e Caxias.

Os shows de abertura e encerramento da turnê acontecem em São Luís, o primeiro dentro da programação dos festejos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, no Cohatrac, já neste sábado (4/10), às 22h. Todas as apresentações são gratuitas.

“É uma felicidade muito grande poder percorrer estas cidades, poder presentear o público com o que temos feito até aqui em nossa carreira musical. São mais de 30 anos de estrada, passeando por diversos gêneros. Quer dizer, bagagem não falta para esta viagem”, afirma, sorridente, o músico.

Transitando com desenvoltura entre diversos estilos musicais brasileiros – choro, baião e frevo, entre outros – e internacionais – jazz, blues, pop e erudito – Chiquinho França será acompanhado pelos músicos JBlues (teclados), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Oliveira Neto (bateria).

Sons e Trilhos é uma realização da Zarpa Produções. Veja a programação completa da turnê, que acontece durante o mês de outubro.

São Luís: 4 (sábado), 22h, Círio de Nazaré (Praça da Igreja do Cohatrac). | Santa Inês: 8 (quarta), 22h, Panela de Barro Restaurante e Eventos. | Imperatriz: 9 (quinta), 21h30, Festejo de Santa Tereza D’Ávila (Praça da Matriz). | Porto Franco: 10 (sexta), 20h30, Praça Demétrio Milhomem (Beira Rio). | Grajaú: 11 (sábado), 20h30, Praça Raimundo Simas (Centro). | Bacabal: 15 (quarta), 20h30, Praça São José (Praça do Bolo, Centro). | Pedreiras: 16 (quinta), 20h30, Maçonaria Renascença Pedreirense (Praça do Jardim, Centro). | Codó: 17 (sexta), 20h30, Praça Ferreira Bayma. | Caxias: 18 (sábado), 20h30, Centro de Cultura (Praça do Panteon, Centro). | São Luís: data, horário e local a confirmar.

Barulhinho Bom: palco de reencontros

Os músicos durante a turnê pelos CCBNBs

O guitarrista Chiquinho França esteve recentemente representando o Maranhão no VIII Festival da Música Instrumental, realizado nos Centros Culturais do Banco do Nordeste em Fortaleza e Juazeiro do Norte, no Ceará, e Sousa, na Paraíba.

Nas ocasiões, o músico tocou acompanhado de Luiz Jr. (violão) e Carlos Pial (percussão), este atualmente radicado em Brasília/DF.

O público ludovicense, que, se muito, só ficou sabendo das apresentações pelos jornais e redes sociais, terá a oportunidade de conferir uma única apresentação do trio, amanhã (16), às 21h, no Barulhinho Bom (Lagoa).

Sob o sugestivo título de Reencontro, o espetáculo terá, no repertório, clássicos do choro e da música brasileira e mundial, de compositores como Armandinho, Ernesto Nazareth, Vitorio Monte e Waldir Azevedo, para citar alguns.

Reencontro terá ainda participações especiais de Aquiles Andrade e Milla Camões. Os ingressos custam R$ 15,00 e podem ser adquiridos no local.

OUTRO REENCONTRO – Outro reencontro musical que acontece no palco do Barulhinho Bom é o do cantor e compositor Djalma Lúcio (que assina os desenhos deste e-flyer) com o DJ Franklin. Eles já tocaram juntos em 2010.

No show, que acontece sexta-feira (17), às 21h, Djalma Lúcio passeia pelo repertório de seu EP solo Conforme prometi no réveillon, mostra músicas inéditas e alguns covers afetivos, acompanhado de Rodrigo Smith (guitarra), Sandoval Filho (baixo) e Thierry Castelli (bateria).

DJ Franklin tira exclusivamente de vinis  samba, reggae, hip hop, drum’n bassmanguebeat e house: é a Radiola Muderna, que conquista mais e mais apreciadores a cada giro do vinil n’agulha. Os ingressos também custam R$ 15,00, à venda no local.