Uma Céu mais selvagem

O Festival BR-135 acontece entre os próximos dias 28 e 30 de novembro, nas Praças Maria Aragão e Gonçalves Dias, no Centro de São Luís. O evento é realizado desde 2012, com produção do duo Criolina – Alê Muniz e Luciana Simões –, que esteve ontem em São Paulo para a premiação do edital Natura Musical, que selecionou o Conecta Música (braço formativo do festival) como uma das iniciativas contempladas para o ano de 2020.

Mês passado, o festival, em sua versão instrumental, chegou a Imperatriz, com atrações como Bixiga 70, Guitarrada das Manas, Camarones Orquestra Guitarrística e Manoel Cordeiro, entre outros; em 2017 o BR-135 teve pela primeira vez uma versão instrumental e este ano foi a primeira vez que o festival saiu de São Luís.

Um dos destaques entre as atrações da edição deste ano é a cantora Céu, cuja última apresentação em São Luís aconteceu justamente em 2014, no Teatro Arthur Azevedo, na programação do Festival BR-135.

Apká!. Capa. Reprodução
Apká!. Capa. Reprodução

A paulista lançou recentemente seu mais novo disco, Apká! [Urban Jungle/ Slap, 2019] base do repertório do show que apresenta na ilha, dia 30/11, às 23h, na Praça Maria Aragão. No mesmo dia, às 14h30, ela participa da programação do Conecta Música, em bate-papo mediado pela jornalista Andréa Oliveira, sobre “Mulher, criação musical e maternidade”, na Sala Japiaçu (Grand São Luís Hotel, Praça Pedro II, Centro). Toda a programação é gratuita.

Por e-mail, Céu conversou com exclusividade com Homem de vícios antigos.

Retrato: Fábio Audi/ Divulgação
Retrato: Fábio Audi/ Divulgação

Homem de vícios antigos – Qual a expectativa em voltar ao BR-135 em São Luís? Quais as suas lembranças do show anterior e da cidade?
Céu – Muita alegria em voltar pra São Luís, em reviver o festival, em poder dividir com essa terra linda meu som novo. É um lugar de muitas belezas, muita história, muita musicalidade, e que infelizmente eu vou menos do que gostaria.

Apká é uma expressão de surpresa usada por seu filho, mas bem poderia ser um termo indígena. Seu disco foi apontado como político, ao lado dos lançamentos de Chico César [O amor é um ato revolucionário, 2019] e Siba [Coruja muda, 2019]. Parece impossível não ser político no Brasil de 2019, não é? Como você tem acompanhado esse cenário, de avanço da extrema direita e sucessivos golpes, não apenas no Brasil?
E parece que é mesmo, descobri depois de já ter decidido que seria esse o título do meu álbum. Apká foi também apontada como uma palavra tupi, algo como “cadeira sagrada”, mas essa informação não me veio de forma muito segura, não tenho como certificar… Mas achei muito bonito. De qualquer maneira, foi um ano muito intenso, na verdade desde um tempo já as coisas estão caminhando para esse caos. Mas acredito que para acontecer uma revolução profunda, pilares muito estruturais precisam ser rompidos. E portanto o estrondo será enorme. Assistiremos e seremos parte mesmo de uma guerra anunciada, fruto de anos de descaso, corrupção, poder, descuido com tudo, com nós mesmos, com o meio ambiente, enfim. É grave. Mas mesmo assim sou uma otimista, acredito numa geração mais consciente.

O show no festival será baseado no repertório de Apká! ou um passeio por sucessos? O que o público ludovicense pode esperar?
Será um show bem quente, passeando bastante pelo disco novo mas sem deixar de lado canções dos outros também… Devo cantar um reggaezinho a mais… Afinal, né?

Seu disco novo mantém a parceria com Herve Salters [tecladista, compositor, cantor e produtor francês do General Elektriks] e Pupilo [ex-Nação Zumbi, baterista, marido de Céu]. Quais as principais aproximações e distanciamentos você apontaria entre Apká! e Tropix, sendo que aquele não é uma continuação deste?
Aproximação pela equipe mesmo, maravilhosos alquimistas, produtores sagazes e capazes de entender e gerenciar as minhas loucurinhas musicais. Isso não é fácil de achar, essa química… Mas penso que Apká! é um disco menos cerimonioso do que o Tropix, acho que aqui eles já se conheciam bem e sabiam pra quem estavam tocando a bola, sabe? No Tropix eles estavam ainda com mais cerimônia, tem algo mais hi-fi, mais definido, que amo também… Acho o Apká! mais selvagem. E traz referencias de soul e punk ao mesmo tempo.

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Veja o clipe de Coreto:

Ouça Apká!:

A guinada tropixelada de Céu

Tropix. Capa. Reprodução
Tropix. Capa. Reprodução

 

Bastam algumas gotas, ou segundos, de seu Perfume do invisível, faixa de abertura de Tropix, novo disco da cantora Céu, para inebriar os ouvintes: “no dia em que eu me tornei invisível/ passei um café preto ao teu lado/ fumei desajustada um cigarro/ vesti a sua camiseta ao contrário”, revela-se, “para me despir/ e ser quem eu sou”, prossegue, provocativa, inaugurando seu quarto disco de estúdio, o quinto da carreira, com este incontestável hit.

Os tons de cinza do projeto gráfico revelam um disco orgânico, calcado em timbres eletrônicos, em boa parte graças ao tecladista Hervé Salters (General Elektriks), um dos produtores do disco – o outro é o baterista Pupillo (Nação Zumbi). A banda se completa com Pedro Sá (guitarra) e Lucas Martins (contrabaixo). Tropix tem ainda participações especiais de Tulipa Ruiz (vocais em Etílica/Interlúdio) e Rosa Morena (vocais em Varanda suspensa), filha da cantora, a quem Céu dedica A menina e o monstro e o disco.

Arrastarte-ei (sic) é uma espécie de Dorival Caymmi feminino em pleno século XXI, o mar como metáfora para um flerte, um caso de amor. Céu é autora solitária de quase todo o repertório, lírico, noturno, “anunciando a noite néon”, como diz um verso de Varanda suspensa (parceria com Salters). Em Amor pixelado promete: “saiba, meu amor/ cuidarei de nós/ mesmo quando eu for/ em busca de mim”.

Outros parceiros são Lira, na abolerada Sangria, e Fernando Almeida, em Camadas. De Jorge Du Peixe Céu registra A nave vai e recria, do repertório pouco revisitado da oitentista Fellini, Chico Buarque song (Ricardo Salvagni/ Cadão Volpato/ Jair Marcos Vieira/ Thomas Pappon), a única do disco cantada em inglês.

Com bonito videoclipe, disponibilizado na rede antes mesmo do lançamento do disco, a faixa de abertura parece ligar este aos discos anteriores de Céu. Mas a maior parte das 12 faixas de Tropix pode soar um pouco mais difícil a fãs menos acostumados a guinadas. Pois é justamente o que este novo disco representa: uma guinada na carreira da artista, cujo talento incontestável é reafirmado com este tipo de ousadia.

Assista o clipe de Perfume do invisível:

Céu para deleite e delírio

Céu: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro
Céu e banda: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro

 

O público lotou as dependências do Teatro Arthur Azevedo para a noite de abertura do Festival BR-135, ontem (18). Os ingressos foram trocados por um quilo de alimento não perecível.

Áurea Maranhão é a Tatá Werneck local: todo mundo acha graça, menos eu. A mestra de cerimônias carregou nas tintas ao encarnar uma “aborrecente”, forçando por demais a barra para parecer descolada.

Secretária de Estado da Cultura, Olga Simão era dispensável no púlpito. É tipo “jabuti trepado”, alguém sem nenhuma organicidade. Apesar de o órgão ser um dos patrocinadores do evento – ao lado de Cemar e Vivo –, ela não combinou com o resto da noite.

Acsa Serafim e Otília são talentosas. A primeira cantou uma música autoral e, juntando-se à segunda e ao guitarrista Márcio Glam, emendaram um repertório de covers de Beatles, Janis Joplin – Otília evocou-a nas vestes – e Queen. O Maratuque Upaon Açu acompanhou-os nos dois últimos números e foi interessante vê-los evocar a ciência do pernambucano Chico, mesmo sem citar seu nome ou tocar seu repertório.

O show de abertura era uma espécie de micropanorama da diversidade proposta pelo BR-135, projeto idealizado pelo casal Criolina – os músicos Alê Muniz e Luciana Simões –, que desde 2012 vem movimentando a cena autoral de São Luís.

A noite de ontem (18) era um cartão de visitas do Festival que eles realizam até amanhã (20), no Centro Histórico da capital maranhense. Além de shows estão previstas atividades formativas, através de debates, seminários, palestras, rodas de conversas e negócios, oficinas etc.

O BR-135 pode orgulhar-se de mais um feito, entre tantos mostrados em vídeo, ontem, na abertura do Festival: trouxe à São Luís, pela primeira vez, a cantora Céu, contando 10 anos de carreira, com cd e dvd Ao vivo [2014] recentemente lançados.

Calçando havaianas, o brilho de seu vestido curto reforçou seu brilho: é das mais talentosas cantoras em atividade neste país de cantoras. E é autora de quase todo o seu repertório. O do show de ontem tinha por base Caravana sereia bloom [2012], mais recente álbum de estúdio.

Mas não faltaram músicas de Céu [2006], Vagarosa [2009] e mesmo do Ao vivo. Deste último pinçou suas recriações para Piel Canela, bolero cinquentista de Bobby Capó, do repertório de Eydie Gormé com o trio Los Panchos, e Mil e uma noites de amor, sucesso oitentista de Pepeu Gomes, parceria dele com Baby Consuelo e Fausto Nilo.

Céu (voz, teclado e percussão) estava acompanhada de DJ Marco (scratches e MPC), Dustan Gallas (guitarra, teclado e vocais), Lucas Martins (contrabaixo e vocais) e Bruno Buarque (bateria e vocais), a mesma banda de Ao vivo. Ao cantar o bolero ela os apresentou como “quarteto Los Panchos”.

Ela ainda encarou outros covers: Mora na filosofia, de Monsueto de Menezes e Arnaldo Passos, aparece como incidental em Malemolência [Alec Haiat/ Céu] e Visgo de Jaca, de Rildo Hora e Sérgio Cabral, lançada por Martinho da Vila, ganhou uma interpretação característica desde que a gravou em Vagarosa.

O público delirou com a sequência de reggaes Concrete jungle, Slave driver e Kinky reggae, do antológico Catch a fire, de Bob Marley, disco que completou 40 anos em 2013 e que ela vem tributando em shows há algum tempo. De repente formou-se uma clareira na plateia e os corredores laterais viraram um clube de reggae, com muita gente dançando em pé.

À cantora não faltou simpatia. Elogiou a beleza do teatro e da cidade e revelou que espera voltar o quanto antes. “É muito bom tocar lá fora [no exterior], mas chegar aqui [no Brasil], é outra coisa. Nossa cultura é muito forte”, disse.

Para não deixar de citar, de sua lavra, ela foi de Falta de ar [Gui Amabis], Retrovisor [Céu], Sereia [Céu], Grains de beauté [Céu/ Beto Villares], Cangote [Céu], 10 contados [Alec Haiat/ Céu] e Lenda [Alec Haiat/ Céu/ Graziella Moretto], entre outras.

O bis, magro, trouxe Chegar em mim [Jorge du Peixe]. “Não dá para fazer outro, não há tempo”, justificou-se. Não sei se se referia a algum limite de horário do teatro ou a seu voo de volta ao Rio, onde ela tem show hoje (19), fazendo ao vivo justamente o repertório de Catch a fire.

A depender do público não haveria limite. Céu é o limite.

BR-135: mais que música

Nem só de música vive o BR-135. Um resumo da história poderia defini-lo assim: uma ideia gregária do duo Criolina – o casal Alê Muniz e Luciana Simões, que depois de temporadas fora resolveram voltar à Ilha e viver de música –, que mostrou a quem se interessou novos e velhos nomes da música autoral produzida no Maranhão. Foram vários shows com a presença de um sem número de artistas dessa cena.

Já é hora, por exemplo, do Criolina lançar o terceiro disco, mas estes trampos mais coletivos têm contribuído um bocado para este justificável atraso. Certamente valerá a pena quando sair.

Pela primeira vez em São Luís, a cantora Céu é uma das atrações do Festival BR-135. Foto: divulgação
Pela primeira vez em São Luís, a cantora Céu é uma das atrações do Festival BR-135. Foto: divulgação

Sua empreitada mais recente é o Festival BR-135, que já selecionou as bandas que dele participarão nos próximos dias 18, 19 e 20 de dezembro, na Praia Grande, ocasião em que cantarão por aqui também nomes como Céu (foto), Filipe Cordeiro, Dona Onete e Mombojó. Um disco, com as bandas e artistas selecionados, foi lançado.

Não é pouco. Mas tem mais. Atrelado ao BR-135, o Conecta Música, com inscrições gratuitas, discutirá diversos aspectos sobre a produção musical, mercado, novas tecnologias, jornalismo cultural, crítica musical, cultura digital, arte e cidadania, entre muitas outras pautas. Um prato cheio!

Confira maiores informações e programação completa no site do BR-135.

Festival BR 135 será lançado quinta-feira (20) no MHAM

Divulgação

 

Nesta quinta-feira (20), às 19h, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro), o duo Criolina, em evento para convidados, lança o Festival BR 135 e o Conecta Música, que ocorrerão em paralelo, em dezembro, na capital maranhense, e prometem sacudir a Ilha.

Já estão anunciados nomes como Céu, Dona Onete, Felipe Cordeiro e Mombojó, além dos selecionados pelo festival (lista completa na imagem acima).

Idealizador do Festival ao lado de Luciana Simões, Alê Muniz afirma que a intenção é mapear os vários Brasis existentes unindo-os através da música. Para ela é preciso “repensar o Centro Histórico, reconhecido patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, mas abandonado pelo poder público”. “Nosso maior patrimônio não é o conjunto arquitetônico, mas sua relação com as pessoas da cidade”, provoca Luciana.

Shows – Céu abre o Festival BR 135 dia 18 de dezembro, no Teatro Arthur Azevedo. Os demais shows acontecem na Praça Nauro Machado (Praia Grande), dias 19 e 20. A programação do Conecta Música inclui palestras, oficinas e workshops. O blogue voltará ao assunto.

Confiram Céu em Retrovisor:

Subiu Oscar Niemeyer, artista e comunista

O jovem Niemeyer e a maquete da catedral de Brasília

Oscar Niemeyer (1907-2012) era comunista. Morreu sendo, convicto como um José Saramago, idem. Niemeyer era comunista em gestos como comprar uma casa – ou era um apartamento? – para o também comunista Luis Carlos Prestes. Ou ao projetar a casa de seu motorista, cravada nalguma favela carioca. Ou ainda ao dizer que dinheiro só servia para duas coisas: gastar e emprestar aos amigos e não cobrar.

Não sei se a grande mídia fica feliz ou triste com a morte de Niemeyer. A big old media poderia ter certo prazer pela morte de um comunista, num tempo em que isso está tão fora de moda – ou desvirtuado, para dizer o mínimo, embora não fosse este o caso de Niemeyer, um comunista autêntico e absoluto. O partido da imprensa golpista poderia, por outro lado, entristecer-se pela morte de um gênio, que há coisas que ninguém pode negar.

Não lembro a primeira vez que ouvi falar ou vi uma obra do arquiteto. Mas não canso de elogiá-lo como gênio por sua arte: a arquitetura que nos legou Brasília, a capital federal inaugurada por Juscelino Kubitschek em que, a cada vez que passo por lá, não canso de me sentir dentro de uma imensa obra de arte a céu aberto, com os versos de Caetano e Djavan ecoando na cabeça, o “céu de Brasília/ traço do arquiteto”, certamente o céu mais bonito que já vi, coisa de deuses, – que pouco importa que digam que comunistas são ou devem ser ateus – Niemeyer e o que ele foi encontrar agora.

São Luís tem uma obra de Niemeyer, a Praça Maria Aragão em que sempre dá prazer e orgulho pisar. Pelo pássaro arquitetado pelo gênio, pela visão linda que se tem 360 graus, pela homenagem à companheira de comunismo, a médica e militante maranhense. Não tivesse sido Jackson Lago apeado do Palácio dos Leões, capaz de à praça já ter sido anexado o Museu de Arte Contemporânea, cujo projeto foi a Niemeyer encomendado pelo então governador.

Início dos anos 2000 lembro-me de ter usado em um antigo computador de trabalho – época em que eu sequer tinha um em casa – uma proteção de tela, baixada no site da revista Trip. Era uma animação com rabiscos alçados ao status de grande arte que deixavam-nos pensando nas mais básicas ideias da concepção de Brasília, como se o arquiteto estivesse ali, invisível, desenhando para nós.

Dava até vontade de evitar as possíveis lesões por esforço repetitivo e, de hora em hora, parar um pouco o trabalho, só para ficar revendo seus desenhos, que ele, agora invisível, já não fará mais por aqui.

Uma coisa é certa: se Deus deixá-lo trabalhar, o céu estará ainda mais bonito quando a gente chegar por lá.

Kate Moss: "Esse é seu escritório? Você ainda trabalha?" Oscar Niemeyer: "Todos os dias!" (Vogue Brasil, maio de 2011)
Kate Moss: “Esse é seu escritório? Você ainda trabalha?” Oscar Niemeyer: “Todos os dias!” (Vogue Brasil, maio de 2011)

As fotos que ilustram este post, roubei-as, aquela, do blogue da Cynara Menezes, a Socialista Morena, e esta, do Facebook da jornalistamiga Gilda Lamita, agradecendo e abraçando a ambas.

O engodo Paula Fernandes

(OU: A FALSA NINFETA)

“A marca registrada da mineira são os figurinos com cintura marcada, decotes e minissaias. Ela sabe o que isso provoca. “Paula sempre pede para encurtar a saia e apertar a cintura o máximo que puder”, conta Fabiola Senra, consultora de estilo da artista. Fora dos palcos, usa blusinha e calça jeans. “Ela já me disse que não gosta do visual ‘Barbie sertaneja’, mas são negócios”, diz o amigo e ex-assessor da cantora, Mauricio Santini. Gostando ou não, o fato é que Paula não está preocupada em ser cool. Ela representa o oposto das cantoras festejadas pelos críticos, como Tiê, Karina Buhr e que tais: usa de todo o seu arsenal para ser cada vez mais popular e ganhar dinheiro. Tem funcionado.”

Antes do vídeo, trecho da matéria Lady Paula, assinada por Ana Luiza Leal na revista Alfa [nº. 15, nov.2011, p. 78-79, Pelé na capa].

No vídeo, Paula Fernandes canta e dança um tema da novela global O Clone, recentemente reexibida [a ele chegamos, na busca do YouTube, através de dica em outro trecho da matéria, p. 80].

A confissão acerca do visual ‘Barbie sertaneja’, na modesta opinião deste blogueiro, traduz o que de fato é Paula Fernandes: um engodo. Antes, confesso: o er… an… crítico musical que aqui lhes escreve um dos que sempre que necessário elogia merecidamente estrelas como Tiê, Karina Buhr e não só, Céu, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, Juliana Kehl, Ceumar, Patrícia Ahmaral, Roberta Sá, Lena Machado, Tássia Campos e tantos outros nomes deste país de cantoras.

Quiçá não seja só o virual ‘Barbie sertaneja’ o que lhe desagrada: talvez Paula Fernandes sequer goste de música sertaneja, tendo caído de paraquedas no filão. Isto é, canta música sertaneja como poderia cantar qualquer outra coisa que esteja (ou estivesse) fazendo sucesso (forró, pagode, calipso etc.) e isso nada tem a ver com versatilidade. Se não, vejamos: ela estourou para o Brasil após um mise-en-scène em que era a ninfeta derramando-se para o “coroa” mais popular do país (em termos musicais, já que outro “coroa” superpopular estrela a capa de Alfa): Roberto Carlos. A partir daí tem sabido como ninguém explorar sua imagem, vide, novamente, as confissões da matéria (ou do trecho que recortamos para acá).

Ou seja, “a imagem sexy no palco e o vozeirão de mulher em contraste com o jeitinho virginal e meio moleca virou a cabeça dos homens” [Alfa 15, p. 76]. O que ela quer é capitalizar, discordo com o “vozeirão” (ela quase não abre a boca para cantar e isto está longe da naturalidade de, por exemplo, Marisa Monte). Paula Fernandes sabe que a beleza não dura para sempre, logo, o quanto puder ganhar em menos tempo, usando mais da beleza (fabricada?) que do canto (idem?), ganhará, para que, em poucos anos, passado seu boom, possa gozar uma confortável aposentadoria.

Em tempo: Paula Fernandes se apresenta hoje em São Luís, na Nova Batuque (Cohama), à caça de mais níqueis para atingir seu intento.