Mais contradições da comissão do Feliciano

Na tarde de ontem (4), um pedido de vista do deputado Simplício Araújo (PPS/MA) barrou a votação do projeto de “cura gay” na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados.

O projeto de lei susta trecho de resolução de 1999 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe profissionais da área de “curar” a homossexualidade.

Em matéria de Eduardo Bresciani no site dO Estado de S. Paulo há depoimentos horrorosos de João Campos (PSDB/GO) e Anderson Ferreira (PR/PE), o primeiro repetindo bastante a palavra “competência” – algo que parece lhe faltar – para dizer que o CFP “usurpou a competência do legislativo”; o segundo para dizer que a alteração do texto da resolução do Conselho garantiria liberdade a psicólogos/as: ora, se a Organização Mundial de Saúde (OMS) removeu em 1990 a homossexualidade de sua lista de doenças mentais, teria o legislativo brasileiro “competência”, portanto, para garantir a psicólogos/as o “direito” de “curar” – ou não – gays?

Uma segunda contradição reside no depoimento de Liliam Sá (PSD/RJ): “Ninguém está falando que a partir desse momento pessoas vão sair correndo atrás dizendo: você é doente, você tem que se curar. É para quem procurar ajuda”.

Por que então o colegiado presidido pelo homofóbico Marco Feliciano (PSC/SC) – diz o texto que ele não gosta da expressão “cura gay” – pisa em ovos, ops, quando o assunto é a garantia de direitos de homossexuais? Garantir o casamento civil igualitário e a criminalização da homofobia não significa que agora todo heterossexual vá tornar-se gay, coisa de que, aliás, só os enrustidos têm medo.

A desgraça, o traço e o riso

Se há um povo que aprendeu a rir das próprias desgraças é, sem dúvida, o brasileiro. Especialista em nos fazer rir dessas e refletir sobre essas mesmas desgraças: Carlos Latuff, sempre referenciado como gênio por este modesto blogue.

Ao longo dos próximos 12 meses, a duração de seu mandato, o pastor Marco Feliciano (PSC/SC) têm apenas dois significados na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados: um retrocesso sem precedentes no histórico da citada comissão (uma jovem nascida em 1995) e um prato cheio para o trabalho de humoristas, cartunistas, chargistas e outros istas (não cabem aqui racistas e fundamentalistas: estes tomaram de assalto a CDHM).

Bolsonaro, o patético

Antes o ridículo se resumisse ao colunismo social maranhense, na tevê ou impresso. O vídeo abaixo não é um programa de televisão nem um filme sobre circo, com todo respeito a palhaços e outros profissionais do picadeiro. Pode parecer um freak show, como bem classificou a Maria Frô, donde catei-o. Mas pasmem, poucos mas fieis leitores, os pouco mais de dois minutos abaixo são pequena mostra da primeira sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados sob o comando do pastor Marco Feliciano (PSC/SC), declaradamente racista e homofóbico. As imagens captam um bate-boca entre manifestantes LGBT anti-Feliciano e o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ), outro reconhecido homofóbico, saudoso da ditadura militar, sempre em falta com o decoro parlamentar.

Bolsonaro poderia ser apenas mais um deputado folclórico, mais uma piada ambulante no cenário político brasileiro (fora dele há outros Bolsonaros, assumidos ou enrustidos). Mas o manifestante com quem o parlamentar bate boca usa adjetivos mais adequados para classificar o reaça (Bolsonaro é quase uma justaposição de boçal e reacionário).