Imagem é tudo. Tudo é imagem

Uma das "imagens descartáveis" que compõem a exposição
Uma das “imagens descartáveis” que compõem a exposição. Foto: Layo Bulhão

 

Já há algum tempo este blogue usa a categoria “fotosca” para se referir a retratos que faço – jamais usaria um trocadilho desses para me referir a imagens alheias –, em geral com o celular.

Às vezes as “fotoscas” são o único recurso de que posso me valer para ilustrar um texto meu sobre um show, por exemplo. Do ponto de vista estético, a grande maioria delas deveria ter sido apagada. Algumas nem deveriam ter sido clicadas.

É mais ou menos esta discussão, sobre o que merece a publicação ou o lixo como destino, o que provoca a exposição Imagens descartáveis (ou: Um diálogo com o erro), da fotógrafa, pesquisadora, videoasta e professora Carolina Libério e do artista e estudante de artes Layo Bulhão, em cartaz na Galeria de Artes do Sesc Deodoro (Praça Deodoro), das 9h às 17h, até 30 de outubro, com entrada franca.

A exposição conta com cerca de 800 imagens, a metade de cada autor. É um mergulho em “um universo de imagens que permanece sempre não-visto: aquele das imagens descartadas. Imagens imprestáveis, que sobram e inundam pastas, cartões de memória, cds, pen-drives e hds”, conforme o texto distribuído pela Assessoria de Comunicação do Sesc/MA.

O debate proposto é bastante pertinente, num mundo em que a imagem ganha cada vez mais força, contrariando a propaganda do refrigerante, dominado por selfies – o autorretrato que conta até com um “pau” próprio para isso – e plateias em que parte do público já não assiste a espetáculos com os próprios olhos, mas pelas lentes por onde registram a experiência.

Arte e política em festa coletiva

O Coletivo Gororoba. Foto: divulgação
Show marca ingresso de Áurea Maranhão no Coletivo Gororoba. Foto: divulgação

 

Um acontecimento artístico plural e com componentes políticos. É o que promete ser a ManiFesta, cujo título já traduz suas pretensões. Realização do Coletivo Gororoba e Conexão Espaço Habitação, o evento acontece neste sábado (25), a partir das 20h, na Guest House (Rua da Palma, 142, Centro). Os ingressos custam R$ 20,00 (R$ 10,00 antecipado, meia entrada e na lista amiga, pelo e-mail coletivo.0.gororoba@gmail.com

A programação junta cinema, instalação, teatro, fotografia e música. Membro do Coletivo Gororoba, Ramusyo Brasil exibirá, na abertura da ManiFesta, o filme Maranhão 669 – Jogos de Phoder. “Nessa exibição será realizada uma tríplice projeção, com inclusão de imagens que ficaram fora da montagem final, além de jogos de percepção e atenção a partir das imagens projetadas nas diferentes telas”, anuncia o material de divulgação distribuído aos meios de comunicação.

Com Nayra Albuquerque e Luciano Linhares, Ramusyo Brasil também é autor da vídeo-performance Massa estanque, baseada na intervenção urbana Cegos, do grupo paulista Desvio Coletivo, apresentada pelas ruas de São Luís na 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes do ano passado. Às 21h a vídeo-performance será trilhada ao vivo pelo trio de autores.

A partir das 21h30, de meia em meia hora, Áurea Maranhão, Luciano Teixeira, Tieta Macau e Ruan Paz apresentam, respectivamente, Tá tudo à venda, Não é vício, A loira no banheiro, O’Culto. A primeira performance de corpo, um work in progress, terá escolha de três cenas pelo público, a serem interpretadas pela atriz.

Fotografia de Adnon Soares foi amplamente repercutida em redes sociais denunciando o exagero do aparato policial para conter manifestações de estudantes contra o aumento das passagens de ônibus em São Luís
Fotografia de Adson Carvalho foi amplamente repercutida em redes sociais denunciando o exagero do aparato policial para conter manifestações de estudantes contra o aumento das passagens de ônibus em São Luís

 

Desde as 20h, a fotografia também ocupará a Guest House. Diones Caldas exibirá a fotomontagem Fotos preto e branco de um banho de chuva, com fotografias realizadas e editadas com um telefone celular. No ensaio fotográfico R$ 2,80 é um roubo, Adson Carvalho explora as tensões das manifestações contra o aumento das passagens de ônibus na capital maranhense e os conflitos entre a Polícia Militar e estudantes nas ruas de São Luís. A foto-instalação Atlas #ProtestoBR, projeto de Bruno Barata, Carolina Libério e Jane Maciel, do Laboratório Experimental de Pesquisa em Redes, Visualidades, Tecnopolíticas e Subjetividades (MediaLab), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coleciona, através de uma plataforma online imagens dos protestos ocorridos no Brasil a partir de 2013.

Haverá ainda discotecagem de Dani P e Fernanda Preta. Às 23h30 acontece o show Coração Cordel Canção, do Coletivo Gororoba, com participações especiais de Madian, Criolina e Walberth Guimarães. O espetáculo tem “inspiração visual e sonora na música e no estar-no-mundo nordestinos”.

Insight Photo recebe trabalhos até 15 de agosto

Contemplada em edital da Funarte, primeira revista maranhense de artes visuais será publicada em setembro

Dinho Araujo/ Risco Coletivo. Divulgação
Dinho Araujo/ Risco Coletivo. Divulgação

 

Um dos significados de insight, gringa palavra já absorvida por nosso português, é “revelação repentina”. É o estalo, aquela lampadazinha que acende sobre a cabeça de quem tem uma ideia, como nos desenhos animados. “Eureca”, exclamaria Arquimedes.

Daí que uma turma da pesada está armando uma revista chamada Insight Photo, com previsão de lançamento para setembro do corrente, aberta ao recebimento de trabalhos até 15 de agosto.

Contemplada pelo XII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia (Funarte, 2013), a revista terá distribuição gratuita em versões impressa e on-line.

“A revista abre um espaço para que tanto fotógrafos consagrados quanto aqueles em formação possam mostrar seu trabalho, além de estimular no público o debate, a visão e a reflexão sobre o campo da fotografia”, afirma Carolina Libério, professora da UFMA e uma das curadoras da revista, em time que tem também o consagrado Márcio Vasconcelos.

A revista é maranhense, mas recebe trabalhos de fotógrafos de qualquer lugar do país, nas categorias artigos e trabalhos fotográficos. O regulamento completo pode ser acessado no site da revista.

Cliques de craques

Documentos da Cultura: a Festa, a Dança, a Fé é o título da exposição de Carolina Libério, Jane Maciel e Ramúsyo Brasil, fotógrafos que integram o Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem (NUPPI), associado ao Instituto Federal do Maranhão (IFMA), cujo vernissage acontece nesta quinta-feira (11), às 18h30min, na Galeria de Artes do SESC Deodoro (Av. Gomes de Castro, 132, Centro). As 21 imagens que compõem a exposição foram realizadas entre 2009 e ano passado.

“Quem sabe o segredo de São Cosme é São Damião” (Baden Powell)

Os cliques do trio valorizam a importância do corpo e do movimento e não garantem distanciamento do objeto estudadobservado: câmeras em punho, olho mirando através das lentes, são também, ele & elas, partes integrantes da festa, da dança, da fé, da paisagem.

“Dança a nossa tribo/ dança o povo inteiro” (Lenine): o Bambaê de Caixa em Penalva

Movimento, vibração e pulsação são palavras fundamentais para compreender a opção estética da tríade: determinada imagem não está borrada ou tremida, mas quer eternizar em si, instantes além do clique em si (ou qualquer outra nota musical): um exercício de (quase) cinema (mudo). Engajamento é outra palavra que vale destacar: o do corpo que anda, dança, reza, corre atrás dos bombons de Cosme e Damião, e goza o divino & o mundano, o dos três fotógrafos com a cultura popular do Maranhão e com a fotografia, o do seu corpo ao ver os registros: impossível não se sentir lá (na festa, na dança, na fé clicada): engajamento é compromisso e você já tem, nesta quinta, um de primeira.

“Andar com fé eu vou” (Gilberto Gil): São Raimundo dos Mulundus

Estão registrados em Documentos da Cultura (amostras grátis as três imagens que ilustram este post) clubes de reggae, a festa de São Cosme e São Damião, a malhação de Judas, a dança do cacuriá, através de sua eterna rainha Dona Teté, a festa do Bambaê de Caixa (da comunidade do Pouso, em Penalva/MA) e a procissão e São Raimundo dos Mulundus (Vargem Grande/MA).

O progresso não precisa arrancar mais esta flor

A professoramiga Carolina Libério postou um vídeo no youtube e teceu alguns comentários em sua conta no facebook sobre a pressão que antigos moradores do novo trecho da avenida Litorânea estão recebendo para abandonar suas casas.

“Segundo a administração pública, a área é de preservação ambiental e por isto eles não poderiam morar ali”, pontua Libério, que questiona algumas contradições do discurso oficial: “se ali é área de preservação ambiental, porque a prefeitura derrubou a duna e construiu uma avenida? Por que ali é área de preservação ambiental e 200 metros depois não é mais? O que muda? O que a prefeitura e a federação esperam fazer com a área quando ela for desocupada?”

Moradora da área há décadas, Flor de Maria responde a última pergunta, apontando interesses privados e especulação imobiliária como sendo os principais motivos para a não permanência dos antigos moradores no que muito em breve se tornará mais um “point” para gente “bonita”, “de fora” e “cheia da grana”.

À denúncia artística de Carolina Libério é preciso que se somem mais vozes indignadas. Progresso não precisa ser sinônimo de violação de direitos.

Meus 20 melhores amigos no Papoético

A exibição do curta-metragem Meus 20 melhores amigos, hoje (28), às 19h, no Restaurante Cantinho da Estrela (Rua do Giz, 175, Praia Grande), marca o retorno do Papoético, após brevíssima interrupção em suas atividades entre o deixar o Chico Discos, seu antigo palco, e encontrar um novo.

O filme tem produção e roteiro feito por estudantes da disciplina Vídeo Experimental do curso de Artes Visuais do IFMA. Entre os atores, Lauande Aires, Cris Campos e Letícia Lima. A direção é de Ramúsyo Brasil, montagem de Carolina Libério e fotografia de Beto Piu e Edu Cordeiro. A trilha sonora original, 4 reais, de Sérgio Capirango, será interpretada ao vivo hoje, por Glenda Raphaela e Raposão dos Teclados, como anuncia o cartaz que abre o post.

Meus 20 melhores amigos é uma realização do Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem e Mídia Dois (NUPPI) do IFMA. Após a exibição haverá debate-papo com os envolvidos em sua feitura.