Cáritas inaugura Centro de Referência

[Release para a Cáritas]

Centro de Referência em Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar será inaugurado dia 6 de setembro. Instalações incluem ainda o Auditório Mané da Conceição

O primeiro embrião da Rede Mandioca foi plantado há quase 10 anos, durante a execução do projeto Trilhas de Liberdade, executado pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão nas comunidades Vila Ribeiro e Riacho do Mel, em Vargem Grande.

“Vargem Grande era, como muitas cidades pobres do interior do Maranhão, um grande centro exportador de mão de obra escrava para outras regiões do país. Aquele projeto inicial tinha a intenção justamente de evitar aquele êxodo, de garantir trabalho e renda através da produção de derivados de mandioca”, explica Lucineth Machado, assessora de Desenvolvimento Solidário Sustentável Territorial da Cáritas no Maranhão.

Hoje são mais de 80 comunidades e grupos filiados, totalizando cerca de 2.500 famílias, de 22 de municípios: Araioses, Balsas, Barra do Corda, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Cajapió, Centro Novo, Codó, Imperatriz, Itapecuru-Mirim, Lago da Pedra, Magalhães de Almeida, Monção, Pedreiras, Penalva, Riachão, São Bernardo, São Mateus, São Raimundo das Mangabeiras, Trizidela do Vale, Vargem Grande e Viana. Produtores de derivados de mandioca – farinha, mesocarpo, tapioca –, agroextrativistas – azeite e mel –, criadores de pequenos animais e artesãos. Toda a produção é orientada por princípios agroecológicos e da economia popular solidária.

Produção de grupos e comunidades filiadas à Rede Mandioca agora tem endereço certo

Estes produtos agora têm endereço certo para aquisição em São Luís: a Quitanda da Rede Mandioca, parte do Centro de Referência em Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar do Maranhão, instalado na sede da Cáritas, na Rua do Alecrim, 343, Centro (próximo ao Palácio dos Esportes).

A reforma do prédio para abrigar o centro durou pouco mais de um ano e contou com apoio da Fundação Banco do Brasil. “A primeira etapa garantiu a reforma da casa, que terá modernas instalações para receber os consumidores. Com a segunda foi possível pensar a própria dinâmica do centro, com estoque, atendimento, seu funcionamento, enfim”, explica Ricarte Almeida Santos, secretário executivo da Cáritas no Maranhão.

A inauguração do Centro, incluindo a Quitanda e o auditório Mané da Conceição, acontecerá dia 6 de setembro (sexta-feira), às 9h. Na ocasião serão servidas iguarias produzidas por filiados à rede. Entre as delícias, bolo de macaxeira, beiju, mingau de mesocarpo, ovos de galinha caipira fritos no azeite de coco babaçu e até mesmo a tão maranhense tiquira.

Homenagem – “Manoel da Conceição é um líder camponês pioneiro na organização de trabalhadores no interior de nosso estado. Tem uma contribuição ímpar às suas lutas e suas causas”, explica Ricarte sobre o escolhido para emprestar o nome ao novo auditório da Cáritas, um espaço que será usado pela própria entidade, para atividades de formação, bem como por entidades parceiras.

Sua inauguração acontecerá também na sexta-feira, ocasião em que será exibido um documentário curta-metragem sobre intercâmbio realizado em 2012, com a presença de representantes de várias Cáritas do Brasil, que conheceram a experiência da Rede Mandioca no interior do Maranhão.

Em sequência, performance do ator Domingos Tourinho, apresentação musical do cantor e compositor de Chico Nô e degustação de um café da manhã típico pelos presentes.

“Essa degustação inicial certamente fidelizará os consumidores”, ri Lucineth. Interessados poderão participar de uma cooperativa e adquirir cestas de produtos periodicamente, de acordo com a chegada do interior. “É uma alternativa viável de consumir alimentos mais saudáveis a um preço mais justo”, propagandeia.

SERVIÇO

O quê: café de inauguração do Centro de Referência em Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar.
Onde: Centro de Referência em Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar (Quitanda da Rede Mandioca e Auditório Mané da Conceição), sede da Cáritas Brasileira Regional Maranhão (Rua do Alecrim, 343, Centro).
Quando: 6 de setembro (sexta-feira), às 9h.
Quanto: entrada franca.
Maiores informações: caritas@elo.com.br, (98) 3221-2216.

A rainha Rosa Reis

Rosa Reis é rainha. Negra da música de todas as cores. O título de seu mais novo disco, Brincos, entrega o som que a moça faz: música para pendurar nos ouvidos.

Rosa Reis é Maranhão, a beleza e a pluralidade de nossa música, um passeio por nossa diversidade rítmica, muita coisa só se vê e ouve por aqui.

“Minha terra tem tambor de crioula, a tua não tem”, dizia, orgulhoso de nossa terra, o saudoso Antonio Vieira. Tem tambor de crioula, tem bumba meu boi, tem lelê, tem cacuriá, tem samba, tem choro, tem baião. Depois do passeio gastronômico, vamos ao passeio musical.

Ao mesmo tempo em que Rosa Reis é guia, é também o prato principal no menu da música, que temos o prazer de servir agora. Apreciem sem moderação. Com vocês, Rosa Reis!

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Textinho que escrevi, às pressas, minutos antes de degustar a cerveja gelada e a deliciosa comida preparada para a comunidade e membros das Cáritas do Nordeste, enquanto esperava o show em que Rosa Reis aprontou tudo o que anunciei, para deleite dos presentes.

As Cáritas visitavam o Vinhais Velho para conhecer uma experiência de resistência, programação que integrou o Encontro Inter-regional Nordeste da Cáritas Brasileira, realizado em São Luís entre os últimos dias 15 e 17 de agosto (a visita e o show de Rosa Reis aconteceram dia 16).

A cantora Lena Machado, com quem trabalho no Secretariado Regional da Cáritas no Maranhão, a quem dei o texto para uma primeira lida após terminá-lo, gostou tanto que se dispôs a lê-lo no palco, apresentando Rosa Reis. Ela guardou o manuscrito e eu resolvi publicar aqui.

Viva Vinhais Velho!

Um desenho do blogueiro

Acontece até o próximo dia 17 o Encontro Inter-regional Nordeste da Cáritas Brasileira, na Casa das Irmãs de São José de São Jacinto, Filipinho, São Luís. O tema do evento é “Estiagem, grandes projetos e políticas públicas”. Este que vos bafeja fez o desenho utilizado pela Cáritas em adesivos (colados nas pastas distribuídas aos presentes) e nas faixas. Vejam abaixo.

Dom Xavier Gilles celebra 50 anos de ordenação sacerdotal

Dom Xavier recebeu de Dona Teté um presente por seu aniversário de ordenação

Missa celebrada na manhã de ontem (30/6), na Igreja do Bonfim, na Vila Nova, em São Luís, marcou o início das comemorações de 50 anos de ordenação sacerdotal de Dom Xavier Gilles, 77, bispo emérito de Viana, bispo referencial da Cáritas no Maranhão e presidente da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).

A celebração contou com as presenças de Dom José Belisário, arcebispo de São Luís, Dom José Carlos Chacorowski, seu auxiliar, além de diversos padres, seminaristas e ex-seminaristas.

Com a igreja lotada, o bom humor dominou o ato que durou uma hora e 15 minutos, com diversas histórias e lições de Dom Xavier sendo relembradas. A missa no Bonfim, onde ele reside atualmente, marca o início de uma maratona pela efeméride: as celebrações continuarão dia 2 de julho em Viana, 5 em Buriticupu, 7 em São Benedito do Rio Preto e 8 em Urbano Santos.

Na foto que abre o post, ao reencontrar Dona Teté, 80, liderança católica da Vila Passos, Dom Xavier, ex-pároco do bairro, imediatamente lembrou um quase acidente há muitos anos: “Quase a gente morre abraçados”, brincou, relembrando a história já ouvida de ambos, uma ultrapassagem mal calculada por um frei que conduzia o veículo que lhes levava a algum município na região de Balsas. Ambos estão vivos e animados, professando a fé católica, graças a Deus, amém!

Neiva Moreira, a voz do povo

Impossível não lembrar imediatamente da queridamiga Micaela, filha do velho Neiva, uma das flores que brotou de seus galhos. A ela o abraço carinhoso com aquelas palavras, sinceras e surradas, sempre ditas em ocasiões como esta.

Ainda pela manhã, ao saber do falecimento de Neiva Moreira, lembrei também de mamãe, sempre sua eleitora. À procura de algo para publicar aqui à guisa de obituário, folheei, na biblioteca da Cáritas, uns exemplares dos Cadernos do Terceiro Mundo, publicação editada por ele há muito tempo. Nada achei que me servisse, apesar de muito conteúdo bom ali, nada era exatamente o que eu procurava.

De Ricarte Almeida Santos roubo a foto. De Wagner Cabral, a história, que eu não conhecia:

Neiva Moreira (1917-2012)

A VOZ DO POVO

Quando o meu amigo Neiva saiu para o exílio, fui ao aeroporto para despedi-lo, mas apenas o vi embarcando, cercado de agentes. Voltei muito triste e indignado. Fiquei com aquilo na cabeça e escrevi o “Meu samba é a voz do povo”, dedicado ao amigo e companheiro exilado. Escrevi a Neiva uma carta, já não me lembro em que país ele andava, enviando-lhe a letra do samba. Nela eu digo assim:

Eu sou a flor que o vento jogou no chão
Mas ficou um galho que outra flor brotou
As minhas folhas o vento pode levar
Mas o meu perfume fica boiando no ar.

Era uma linguagem figurada. Mas eu sei o que queria dizer. E muita gente, comigo, também sabia.

João do Vale

Acampados decretam greve de fome

18 lideranças quilombolas e simpatizantes iniciaram greve de fome na manhã de hoje (9) no Acampamento Negro Flaviano.

De costas para a plenária e de frente para as autoridades e lideranças que compunham a mesa de trabalhos, 18 lideranças quilombolas revezavam-se entre o sentar e o deitar, tendo decretado greve de fome na manhã de hoje (9). O gesto extremo foi o meio de chamar a atenção dos governos para os graves problemas enfrentados por diversas áreas em conflito no Maranhão.

Com a presença fixa de cerca de cem quilombolas de 40 comunidades, o Acampamento Negro Flaviano, que ora ocupa as instalações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária no Maranhão, teve início no último dia 1º. de junho, quando realizou diversas atividades e manifestações pacíficas em frente às sedes do judiciário e executivo estadual, ambos na Praça D. Pedro II, no centro da capital maranhense.

“Estivemos lá, na porta do Palácio [dos Leões], na porta do Tribunal de Justiça, mas precisamos vir e ficar aqui por dez dias”, contabilizou um dos manifestantes ao fazer uso da palavra nesta tarde. Representantes das secretarias estaduais de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Justiça e Administração Penitenciária estiveram no auditório do Incra, fazendo promessas sem data para cumpri-las, após a passagem de representantes da Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial da Presidência da República no dia anterior (8). Há inclusive a de que seja publicado um decreto para orientar os procedimentos a serem tomados pelo Iterma para a regularização fundiária – previsto com base sabe-se lá em quê para ser assinado em 15 de julho.

“Estão sendo feitas diversas promessas, mas que estrutura se criará para isso? Com que recursos? Como garantir o registro de boletins de ocorrência em delegacias onde não há delegados? Quem sofre ameaça no interior não virá à capital fazer denúncias. A ouvidoria agrária está criada desde 2009, mas nunca saiu do papel. Se será de fato criada, que estrutura e recursos terá? As coisas não acontecem, apesar do repasse de recursos do governo federal. Promessas acontecem agora a partir da pressão. O governo parece querer apenas se justificar perante a imprensa e ao governo federal. O governo estadual tem responsabilidades a cumprir”, questionava Pe. Inaldo Serejo, coordenador da Comissão Pastoral da Terra no Maranhão.

O Maranhão tem 59 quilombolas ameaçados de morte nas cerca de 170 áreas em conflito no estado, de acordo com dados do caderno Conflitos no Campo 2010, publicação da CPT/MA. O estado ocupa o primeiro lugar em mais esta trágica estatística.

Lideranças do acampamento afirmaram que “não sairão daqui de mãos abanando”. A ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário deve vir à São Luís para uma rodada de negociações – ela encontra-se no Pará, onde se reunirá com representantes da CPT no estado para tratar dos recentes assassinatos de lideranças camponesas.

O estabelecimento de prazos urgentes para a inclusão dos ameaçados de morte no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, a realização de audiências públicas para discutir as áreas quilombolas em conflito no estado, o estabelecimento de grupo de trabalho para propor os procedimentos de titulação das áreas quilombolas e a instalação de escritório da Fundação Cultural Palmares em São Luís estão entre as diversas reivindicações dos acampados.

Entre as lideranças em greve de fome estão o Pe. Clemir Batista, da CPT de Pinheiro/MA, e Almirandir Costa, do quilombo Charco, em São Vicente de Férrer, palco do brutal e covarde assassinato de Flaviano Pinto Neto, que batiza o acampamento, em outubro do ano passado. Indagado se notava alguma evolução nas negociações ao longo dos dias, o segundo não hesitou em afirmar que tudo não passava de “enrolação do governo”.

 [Materinha escrita na condição de assessor de comunicação da Cáritas Brasileira Regional Maranhão e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, já publicada anteriormente no site da segunda e no blogue do Tribunal Popular do Judiciário; antes, a SMDH já havia publicado também uma nota de apoio ao Acampamento Negro Flaviano]