Turnê Andarilho Parador, de Djalma Chaves e Nosly, começa por Imperatriz/MA

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Show acontece sábado (14) no Imperial Shopping. Além do município maranhense, músicos percorrerão cinco capitais brasileiras: Teresina, São Luís, Belém, Brasília e Fortaleza

Foto: Fafá Lago
Foto: Fafá Lago

 

A expressão Andarilho Parador carrega em si aparente contradição. Trata-se da junção dos títulos dos mais recentes discos de Djalma Chaves e Nosly, Andarilho e Parador, respectivamente. Com o show, os músicos percorrerão seis cidades brasileiras em novembro e dezembro, lançando os trabalhos.

A turnê começa por Imperatriz/MA, no próximo sábado (14). Lá a apresentação acontece às 19h30, no Imperial Shopping (BR 010, s/n°., Jardim São Luís), com participações especiais de Karleyby Allanda e Lena Garcia, cantoras da cena local.

“Sou um andarilho por natureza, sempre o fui. Meu trabalho foi forjado nas andanças pelos palcos do mundo. Porém, todo andarilho tem sua parada para o descanso e nada melhor do que as harmonias e canções e a companhia de meu parceiro Nosly para tirar uma “siesta””, comentou Djalma Chaves sobre a apenas aparente contradição.

Como também atesta Nosly: “A contradição, se existe, é mesmo aparente [risos]. Andarilho, um ser que anda; parador, ser que viaja no trem Parador, que liga a estação Central do Brasil à Zona Norte do Rio [de Janeiro]. Ambos estão em movimento, moto contínuo [risos]. A gente achou muito legal essa coisa do antagonismo das palavras, daí deu a liga, os opostos se atraem, não é mesmo?”, revelou.

Recentemente os dois realizaram diversas apresentações em São Luís no projeto Djalma e Nosly Convidam, sempre com convidados especiais. A dupla já conta seis shows realizados no formato. “Esse convívio musical tem nos ajudado a alinhavar o repertório que apresentaremos em cinco capitais brasileiras, além da cidade de Imperatriz. Em São Luís investimos na formação de plateia para música de qualidade, sempre convidando algum nome de destaque da cena cultural local, o que continua fazendo parte desse encontro musical”, explicou Nosly. “Estes shows serviram como aprendizado e entrosamento com a banda que nos acompanhará na turnê”, concordou Djalma.

E que banda! Nosly (voz, violão e guitarra) e Djalma Chaves (voz e violão) serão acompanhados por Murilo Rego (teclados), Sued (guitarra), Mauro Travincas (contrabaixo) e Fleming (bateria).

O repertório de Andarilho Parador é baseado no dos dois discos que dão nome ao espetáculo. Além de composições de Nosly e Djalma Chaves, há espaço para reverências a artistas admirados por eles. No primeiro bloco estão músicas como Aldeia (Nosly e Celso Borges) e Santo milagreiro (Djalma Chaves e César Roberto); no segundo, I’ll be over you, sucesso da banda Toto, e Gata e leoa (Jorge Macau), já gravadas por Nosly e Djalma Chaves, respectivamente, entre outras.

A turnê tem patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Além de Imperatriz, o show Andarilho Parador será apresentado ainda em Teresina/PI, São Luís/MA, Belém/PA, Brasília/DF e Fortaleza/CE. Em todas as apresentações os ingressos serão trocados por um quilo de alimento não perecível, que serão doados a instituições de caridade locais.

Saldanha conta histórias de canções

Radialista e compositor durante a gravação de "Então, foi assim?". Foto: divulgação
Radialista e compositor durante passagem do Circuito DoBrado ResSonante por Brasília. Foto: divulgação

Finalmente vai ao ar, neste sábado (19), sábado agora (12), o Então, foi assim? dedicado ao compositor maranhense Chico Saldanha.

Com produção, pesquisa e apresentação de Ruy Godinho, o programa vai ao ar às 18h, pela rádio Nacional FM (96,1MHz), de Brasília, sendo retransmitido para mais de 250 emissoras em todo o Brasil.

O radialista paraense já havia dedicado um programa a Josias Sobrinho, com quem Saldanha dividiu a turnê Circuito DoBrado ResSonante, ano passado. Ambos gravaram suas participações no Então, foi assim? aproveitando aquela passagem pela capital federal.

Chico Saldanha contará aos ouvintes de Ruy Godinho as histórias por trás da criação de Babalu, Linha puída, Fuzileiro apaixonado, Mara e Emaranhado, esta última parceria com o cunhado Jamil Damous, que dá título ao disco (2007) em que foram registradas.

Livro – Com o mesmo nome do programa, Ruy Godinho já lançou dois volumes dedicados às histórias das criações de importantes obras da música popular brasileira. A valorosa dupla formada por Sobrinho e Saldanha deve figurar num volume futuro, em breve. A conferir.

Então, foi assim? Programa de rádio apresenta histórias de criações de Josias Sobrinho

Radialista entrevistou o maranhense quando de sua passagem por Brasília com o circuito Dobrado Ressonante

Josias Sobrinho e Chico Saldanha durante apresentação de Dobrado Ressonante no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís

Pesquisador incansável do choro e da música brasileira, o radialista paraense Ruy Godinho capitaneia há tempos dois importantes programas que muito têm colaborado com a difusão de obras de qualidade: Na Roda de Choro vai ao ar aos sábados, meio dia, pela Rádio Câmara e tem retransmissão de 162 emissoras espalhadas pelo Brasil; Então, foi assim? é transmitido aos sábados às 18h pela Rádio Nacional e é repetido ao longo da semana por mais de 200 rádios do país.

O primeiro, como entrega o título, dedica-se ao mais brasileiro dos gêneros musicais; o segundo conta histórias de canções, de como foram feitas determinadas obras primas da música brasileira. Já há dois volumes do trabalho reunidos em livro.

Aproveitando a passagem do Circuito Dobrado Ressonante pela capital federal, o radialista aproveitou para entrevistar Josias Sobrinho e Chico Saldanha. O programa com o primeiro vai ao ar neste sábado (21, frisando: às 18h, na Rádio Nacional FM, para ouvir ao vivo basta clicar neste link da rádio). As histórias contadas por Chico Saldanha irão ao ar em breve (este blogue avisará).

Na conversa com Ruy Godinho, Josias Sobrinho conta as histórias de um punhado de clássicos de sua autoria: As ‘perigosa’, Engenho de flores, Rosa Maria e Nosso neném.

Josias Sobrinho e Chico Saldanha em turnê

Apresentações têm início nesta quinta-feira (5), em Imperatriz e vão até o dia 13, em São Luís. Turnê passará ainda por Brasília, Belém e Teresina

Josias Sobrinho e Chico Saldanha estão de malas prontas. Na bagagem, seus talentos. Acompanhados de Fleming Bastos (bateria), Jeca Jekovsky (percussão), Marcão (violão e guitarra), Mauro Travincas (contrabaixo), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), Rui Mário (sanfona e direção musical), a dupla leva o Circuito Dobrado Ressonante de Música a cinco cidades: Imperatriz (quinta-feira, 5, às 21h, no Teatro Ferreira Gullar, com participações especiais de Gildomar Marinho e Zeca Tocantins), Brasília (sexta-feira, 6, às 20h, no Teatro Silvio Barbatto – Sesc, com participação especial de Nilson Lima), Belém (terça-feira, 10, às 21h, no Teatro Waldemar Henrique, com participação especial de Ronaldo Silva), Teresina (quarta-feira, 11, às 21h, no Tempero de Iracema, com participação especial de Roraima) e São Luís (sexta-feira, 13, às 21h, no Teatro Arthur Azevedo, com participação especial do duo Criolina).

Os ingressos para todas as apresentações devem ser trocados nas respectivas bilheterias por um quilo de alimento não perecível.

No repertório, além de clássicos de suas lavras, a exemplo de Engenho de Flores e Dente de Ouro, de Josias, e Itamirim e Linha Puída, de Saldanha, comparecem também temas de Cesar Teixeira (Botequim), Sérgio Habibe (Ponteira), Zeca Baleiro (Boi de Haxixe) e Chagas (Se não existisse o sol), entre outras, além de obras autorais dos convidados especiais.

Abaixo, um texto que escrevi a pedido de Josias (não sei onde foi e/ou será usado, mas partilho acá com os poucos mas fieis leitores).

DOIS BARDOS NA ESTRADA

Os lagos da Baixada se encontram com os rios do Munim e atravessam o Estreito dos Mosquitos, inundando a Ilha capital, e de lá transbordam do Maranhão para o mundo.

“Eu quero ver a serpente acordar!”, gritaria outro compositor, certamente influenciado pelo transbordar, que não assusta por se tratar de música e talento, de Josias Sobrinho e Chico Saldanha.

Os meninos de Cajari e Rosário, há muito ludovicenses, dois dos mais extraordinários compositores de nossa música popular, que ainda precisam ser mais e mais conhecidos por aqui e lá fora.

Seus talentos inundarão plateias em Imperatriz, Brasília/DF, Belém/PA, Teresina/PI e São Luís, durante a pequena e ligeira turnê de Dobrado Ressonante, espetáculo que apresentam juntos já há algum tempo. Espécie de desdobramento de São três léguas, outros bois e muito mais, mítico show em que iniciaram a parceria (no palco), há cerca de 15 anos.

As histórias são muitas e o cofo de música é fundo e pesado. A estrada é longa e os amantes da boa música devem embarcar com estes meninos, senhores artistas!

Choro & Companhia relê repertório pouco conhecido de Ernesto Nazareth

Disco Nazareth: fora dos eixos é bela homenagem ao pianista, por seus 150 anos de nascimento

ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O ESTADO

Não passa em brancas nuvens este 2013, ano do sesquicentenário de nascimento de Ernesto Júlio de Nazareth (1863-1934), um dos pais do choro. A efeméride tem gerado justas e belas homenagens, a exemplo de um site inteiramente dedicado à vida e à obra do pianista, criado e mantido pelo Instituto Moreira Salles.

Completados no dia 20 de março, os 150 anos de Nazareth também são lembrados pelo grupo Choro & Companhia, de Brasília/DF, que lançou Nazareth: fora dos eixos (Brasilianos, 2013), disco inteiramente dedicado à obra do músico que lhe batiza, de maneira nada convencional.

Amoy Ribas (percussão), Fernando César (violão sete cordas), Pedro Vasconcellos (cavaquinho) e Ariadne Paixão (flauta), ela responsável também pelos textos do encarte, (re)visitam um repertório de Nazareth praticamente desconhecido do grande público – e por vezes mesmo de aficionados pelo músico ou pelo gênero musical cujas bases ajudou a definir.

“Nazareth deixou uma extensa gama de composições diversas […]. Esse legado recebeu nossa atenção quando vimos que muitas dessas obras ainda continuavam raras ou muito pouco conhecidas do público em geral”, afirma um dos textos do encarte.

Músicas – Nas 11 faixas predominam tangos (e suas classificações brasileiro e carnavalesco), sambas, valsa, polca e polonesa, sob direção geral de Marcos Portinari e Hamilton de Holanda. O bandolinista participa do disco em Jangadeiro (tango brasileiro de 1922). Outros convidados especiais são Alexandre Dias (piano em Cataprus, tango brasileiro de 1914), Juninho Alvarenga (banjo na faixa-título, tango carnavalesco de 1922), Ricardo Dourado Freire (clarineta e clarone em Polonesa, polonesa anterior a 1922 – o encarte não traz a data precisa de algumas faixas) e Roberto Corrêa (viola caipira em Matuto, tango de 1917).

Como a obra do autor de clássicos como Brejeiro, Odeon e Apanhei-te, cavaquinho, Nazareth: fora dos eixos é disco plural em que o quarteto desfila por diversos climas. O banjo na faixa título lhe dá ares festivos, lembrando em determinados momentos o bumba meu boi e o cacuriá maranhenses (o azulejar selo do disco também nos faz pensar em São Luís); a viola caipira em Matuto dá à música ares rurais; e o uso de vibrafone (pelo percussionista Amoy Ribas) confere ar de música infantil (da rara, não a que se vê e ouve em programas para o público na tevê aberta) à Segredos de infância (valsa de data desconhecida) – título mais que apropriado.

“Queremos acrescentar nosso grão na interpretação da grande obra de Nazareth”, afirma ainda aquele texto no encarte, pura modéstia. O belo resultado certamente ficou à altura do homenageado. Na contracapa do disco, além do conteúdo, uma inscrição mostra que o grupo está à frente: em vez do “disco é cultura” de outrora, um “moderno é tradição” de agora.

[Reseninha no AlternativoO Estado do Maranhão de ontem]

CB em BSB

Depois de Fabreu, amanhã (11) é a vez de outro poeta maranhense dos bons invadir o Sebinho, na capital federal: Celso Borges participa de leitura e debate com mediação do ator Adeilton Lima.

Divulgação

Maiores informações aqui.

 

Subiu Oscar Niemeyer, artista e comunista

O jovem Niemeyer e a maquete da catedral de Brasília

Oscar Niemeyer (1907-2012) era comunista. Morreu sendo, convicto como um José Saramago, idem. Niemeyer era comunista em gestos como comprar uma casa – ou era um apartamento? – para o também comunista Luis Carlos Prestes. Ou ao projetar a casa de seu motorista, cravada nalguma favela carioca. Ou ainda ao dizer que dinheiro só servia para duas coisas: gastar e emprestar aos amigos e não cobrar.

Não sei se a grande mídia fica feliz ou triste com a morte de Niemeyer. A big old media poderia ter certo prazer pela morte de um comunista, num tempo em que isso está tão fora de moda – ou desvirtuado, para dizer o mínimo, embora não fosse este o caso de Niemeyer, um comunista autêntico e absoluto. O partido da imprensa golpista poderia, por outro lado, entristecer-se pela morte de um gênio, que há coisas que ninguém pode negar.

Não lembro a primeira vez que ouvi falar ou vi uma obra do arquiteto. Mas não canso de elogiá-lo como gênio por sua arte: a arquitetura que nos legou Brasília, a capital federal inaugurada por Juscelino Kubitschek em que, a cada vez que passo por lá, não canso de me sentir dentro de uma imensa obra de arte a céu aberto, com os versos de Caetano e Djavan ecoando na cabeça, o “céu de Brasília/ traço do arquiteto”, certamente o céu mais bonito que já vi, coisa de deuses, – que pouco importa que digam que comunistas são ou devem ser ateus – Niemeyer e o que ele foi encontrar agora.

São Luís tem uma obra de Niemeyer, a Praça Maria Aragão em que sempre dá prazer e orgulho pisar. Pelo pássaro arquitetado pelo gênio, pela visão linda que se tem 360 graus, pela homenagem à companheira de comunismo, a médica e militante maranhense. Não tivesse sido Jackson Lago apeado do Palácio dos Leões, capaz de à praça já ter sido anexado o Museu de Arte Contemporânea, cujo projeto foi a Niemeyer encomendado pelo então governador.

Início dos anos 2000 lembro-me de ter usado em um antigo computador de trabalho – época em que eu sequer tinha um em casa – uma proteção de tela, baixada no site da revista Trip. Era uma animação com rabiscos alçados ao status de grande arte que deixavam-nos pensando nas mais básicas ideias da concepção de Brasília, como se o arquiteto estivesse ali, invisível, desenhando para nós.

Dava até vontade de evitar as possíveis lesões por esforço repetitivo e, de hora em hora, parar um pouco o trabalho, só para ficar revendo seus desenhos, que ele, agora invisível, já não fará mais por aqui.

Uma coisa é certa: se Deus deixá-lo trabalhar, o céu estará ainda mais bonito quando a gente chegar por lá.

Kate Moss: "Esse é seu escritório? Você ainda trabalha?" Oscar Niemeyer: "Todos os dias!" (Vogue Brasil, maio de 2011)
Kate Moss: “Esse é seu escritório? Você ainda trabalha?” Oscar Niemeyer: “Todos os dias!” (Vogue Brasil, maio de 2011)

As fotos que ilustram este post, roubei-as, aquela, do blogue da Cynara Menezes, a Socialista Morena, e esta, do Facebook da jornalistamiga Gilda Lamita, agradecendo e abraçando a ambas.

A maior miniturnê de lançamento do mundo

O Fabreu é um cara sábio, já ouvi não sei quantas vezes o mano Reuben dizer isso, com o que concordo.

Ele tem um jeito de monge, seja pelos óculos ou pelo pouco cabelo que conserva, num corte militar, à falta de outro adjetivo, que de militar o poeta tem nada e, nunca ouvi a opinião dele, mas aposto meu reino que ele é até contra o serviço militar obrigatório (como este blogueiro também é, e a favor da desmilitarização das polícias, mas isso é outro assunto). Além do quê, tirando o deslocamento cotidiano para o trabalho, Fabreu quase nunca sai de casa, a não ser que a coisa valha muito a pena (estou devendo ajudá-lo a devorar uma peixada em seu apartamento, dívida que, não duvidem, terei o maior prazer de pagar em breve).

Como é o caso de ele lançar em Brasília seu mais recente livro, aliado involuntário, como anuncia a imagem que ilustra este post.

Fabreu, aliás, é como nós, íntimos, chamamos o jornalista e poeta Fernando Abreu, figura querida, parceiro de Zeca Baleiro em hits como Alma nova, Cachorro doido e Guru da galera. Autor de três livros de poesia, o que ele lança quarta-feira em Brasília mais O umbigo do mudo e Relatos do escambau.

À colônia maranhense em Brasília e/ou aos que gostam de poesia em geral, fica o recado. E digo mais: Fabreu tem o que dizer, um dos argumentos com que lhe convenci a abrir o blogue. E mais: acredito que um dos segredos da sabedoria do bardo Fabreu está na capacidade de zo(mb)ar de si mesmo. O título deste post, roubado daqui, prova isso.

Ora, se a gente não tira uma auto-onda, alguém vai fazê-lo, né? Como perguntaria o Tom Zé, “por que então essa mania de parecer tão sério” que acomete a tantos poetas por aí?

Hoje em Brasília/DF

O Café com Direitos Humanos, realização do Escritório Brasília da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, lembrará o aniversário do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, completado no último 25 de outubro. Detalhes na página da SMDH.

Iogurte com farinha e birita: revendo amigos

naquela noite
suzana estava
mais W3
do que nunca
toda eixosa
cheia de L2

suzana,
vai ser superquadra
assim lá na minha cama

&

Acima um poema erótico-brasiliense de Nicolas Behr. Tá em não sei qual de seus livros. Ele que começou a publicar poesia em 1977, quando lançou uma edição mimeografada de Iogurte com farinha.

Amanhã o poeta lança o livro de poemas eróticos Meio seio [Língua Geral, 2012].

 

Aproveitando agenda de trabalho na capital federal, irei prestigiar o lançamento do livro, que tem prefácio de Chico César, a exposição dos desenhos originais de Evandro Salles, conhecer Behr pessoalmente, rever amigos e tomar umas, que ninguém é de ferro! Bóra lá!

Um breve encontro com Carrapa do Cavaquinho

A trabalho em Brasília/DF dei de cara com um rosto familiar. A memória funcionou ligeiro e eu gritei, ainda de dentro do carro, “Carrapa!”. Suponho que assustei o senhor que dedilhava um cavaquinho dentro de um Uno Mille, num estacionamento, enquanto Fernando manobrava o carro em que estávamos. Meti a mão na maçaneta e avisei-o que continuasse a manobra, pois eu precisava falar com o músico. Desci antes dele terminar e encarei o sol quente e vento frio da capital federal enquanto me apresentava a Carrapa do Cavaquinho (ao instrumento que lhe dá sobrenome no vídeo que abre este post), músico brasiliense infelizmente ainda pouco conhecido fora dali. Pouco conhecido para alguns muitos; para mim, uma lenda viva.

Ao ouvir meu nome, ele disse não ser estranho, sabe-se lá se por gentileza ou qualquer outro motivo. O fato é que tenho seu em casa, um disco solo autografado, além de um do Liga-Tripa, ouçam o que lhes digo, o melhor grupo surgido em Brasília que já ouvi. Este disco, dividido com o Choro Livre, grupo de choro, como o nome entrega, está autografado a mim pelos membros do Liga-Tripa, de quem também tenho cópia do vinil Informal Ao Vivo, gravado por eles em 1988 em algum teatro da cidade.

Nunca tinha estado com nenhum deles: os autógrafos me foram conseguidos por amigos comuns, Glauco Barreto, também músico, de extremo bom gosto, talvez em articulação com o jornalista-músico Nelson Oliveira, a poeta Noélia Ribeiro e quiçá alguns outros.

Conversei uns poucos minutos com Carrapa do Cavaquinho e ao ser indagado por ele, “você tá no facebook?”, respondi passando todos os meus contatos. “Um dia chegando em São Luís te procuro”, prometeu.

Perguntei se o Liga-Tripa ainda tocava no Café da Rua Oito, onde eu sabia, há alguns anos, que eles se apresentavam mensalmente, se na primeira ou última quinta-feira do mês já não lembro. Ele disse que o café já nem existe mais.

Os três discos acima citados, difíceis de encontrar, recomendo procura e audição aos poucos mas fieis leitores deste blogue. Torço para que o Liga-Tripa volte a gravar, certamente têm coisas novas para mostrar, mas preferi não perguntar isso a Carrapa.

Despedi-me com outro aperto de mão e ainda pude ouvir umas notas do cavaquinho que ele empunhava, gastando o tempo da espera por alguém, o que também fazíamos eu e Fernando, ali, por perto de meio-dia. Do carro em que estava, ainda vi Carrapa guardar no quebra-sol o papel em que lhe dei anotados meus contatos, o blogueiro desleixado nunca carrega cartões de visita ou máquina fotográfica.

Jô e Pedrosa, a quem esperávamos, chegaram. Estacionado imediatamente atrás do de Carrapa, o carro conduzido por Fernando andou e eu ainda acenei para ele num último cumprimento, rumo ao almoço.

Arte pela arte

Longe do descompromisso: Chico Saldanha e Josias Sobrinho fazem show hoje, no Chico Discos, em prol da próxima empreitada do Papoético.

 

Chico Saldanha e Josias Sobrinho voltam a subir juntos em um palco hoje (7), acompanhados de Marcão (violão e cavaquinho), Mauro Travincas (contrabaixo) e Jeca Jecowisky (percussão). Depois de pouco mais de mês da estreia do show DoBrado ResSonante em Brasília/DF, o espetáculo poderá finalmente ser conferido pelos ludovicenses. Os artistas já haviam se apresentado juntos em São três léguas, outros bois e muito mais, de 1999, e Noel, Rosa secular, que teve edições em 2010 e 2011, ocasião em que homenagearam o Poeta da Vila ao lado de Cesar Teixeira e Joãozinho Ribeiro.

Na capital federal foram duas apresentações. Aqui não há anúncio, ao menos por enquanto, de um bis, embora o Chico Discos, bar que abrigará o show de hoje, comporte confortavelmente apenas cerca de 60 pessoas, plateia certamente menor do que merecem os autores de clássicos como Terra de Noel e Linha puída, Josias e Chico, respectivamente.

Mas a causa é boa: a ideia inicial era angariar fundos para o I Festival de Poesia do Papoético, que após muita ralação de Paulo Melo Sousa, o Paulão, seu idealizador, e do envolvimento de mais alguns teimosos e de doações de amigos e simpatizantes, conseguiu se pagar. DoBrado ResSonante, no entanto, continua sendo um show beneficente, em prol da arte: o valor arrecadado com os ingressos vendidos para a noite de hoje será revertido para a premiação do I Concurso de Fotopoesia do Papoético, cujo regulamento será publicado em breve (aqui neste blogue). A premiação deve acontecer em setembro, mês de comemoração dos controversos 400 anos de São Luís.

Sobrinho e Saldanha estão no cenário musical desde a década de 1970. O primeiro integrou a trupe do Laborarte, o segundo correu por fora, tendo ambos participado de festivais de música desde então. Ambos estrearam em disco na década seguinte, o primeiro no rastro do reconhecimento proporcionado pela gravação de Papete para quatro músicas suas no antológico Bandeira de aço [Discos Marcus Pereira, 1978] – De Cajari p’ra capital, Dente de ouro, Engenho de flores e Catirina –, o segundo fazendo de sua Itamirim clássico imediato e retumbante, na interpretação arrebatadora de Tião Carvalho em seu disco de estreia [Chico Saldanha, 1988].

Seus discos mais recentes são Dente de ouro (2005), de Josias, e Emaranhado (2007), de Saldanha. Ambos completamente autorais, o primeiro uma mescla de grandes sucessos e músicas inéditas, com participações especiais de César Nascimento, Papete, Lenita Pinheiro (sua esposa) e Zeca Baleiro; o segundo, quase completamente inédito, a exceção é Linha puída, gravada num arranjo diverso do bumba meu boi que é originalmente, com a participação de Lenita Pinheiro. Josias, ao lado de Gerude e Inaldo Bartolomeu, canta com Saldanha em É tudo verdade, onde este conta em versos a história de seu Mário Mentira, como era conhecido um morador da Rua de São Pantaleão de sua infância e adolescência. Zeca Baleiro, diretor musical em algumas faixas, canta na faixa-título, moderno boi de zabumba.

Algumas músicas de Dente de ouro e Emaranhado estão no repertório de DoBrado ResSonante, que se completa com músicas inéditas de Josias Sobrinho e Chico Saldanha, além de releituras de conterrâneos como Cesar Teixeira [Botequim] e Zeca Baleiro [Babylon], entre outros.

DoBrado ResSonante na Ilha

Chico Saldanha e Josias Sobrinho reapresentam, em São Luís, show que estrearam em Brasília mês passado. A causa é boa: um concurso de fotografia que em breve será anunciado pelos teimosos, graças a Deus!, organizadores do Papoético, os mesmos que realizaram seu I Festival de Poesia, cuja final acontece amanhã (31), no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), de graça, às 19h.

A renda do show será revertida para o citado concurso de fotografia. Faça parte dessa história e ajude a realizá-lo. O show acontece no Bar Chico Discos, onde cabem confortavelmente 60 pessoas. Garanta o seu antecipadamente, detalhes na imagem que ilustra este post.

De Cajari p’ra Capital Federal

(OU: EMARANHADO EM BRASÍLIA)

Ali pelo final dos anos noventa, início dos zero zero, eu ‘tava começando na boemia e perdi o antológico São três léguas, outros bois e muito mais, show que reunia, no mesmo palco, o do Circo da Cidade, os compositores Chico Saldanha e Josias Sobrinho, cuja obra eu já conhecia.

Do segundo, sobretudo as quatro músicas incluídas em Bandeira de Aço (1978), clássico absoluto de Papete – De Cajari p’ra capital, Engenho de flores, Dente de ouro e Catirina; do primeiro, principalmente Itamirim, imortalizada em seu disco de estreia, Chico Saldanha (1988), por Tião Carvalho. A música, que quase fica de fora, fez tanto sucesso que Saldanha colocou a mesma faixa, de bônus, em Celebração (1998) – é de Morena de Itamirim, uma das faixas do disco, aliás, o verso-título do show.

Tempos depois eu assistiria a vários, muitos shows dos dois, separados, juntos ou em bandos, caso do premiado Noel, Rosa Secular, homenagem ao centenário de Noel Rosa que arrebatou o troféu de melhor show no Prêmio Universidade FM do ano passado, que além deles levava ao palco ainda Cesar Teixeira e Joãozinho Ribeiro, mais as participações especiais de Célia Maria, Lena Machado, Lenita Pinheiro e Léo Spirro.

Com o título DoBrado ResSonante, Josias e Saldanha voltam a se encontrar, desta vez em Brasília/DF, acompanhados de Marcão (violão e cavaquinho), Mauro Travincas (contrabaixo) e Carlos Pial (percussão). O show acontece em dose dupla: amanhã (14), no Feitiço Mineiro (CLN 306, Bloco B, Lojas 45/51, (61) 3272-3032); quarta-feira (18), no Espaço Cultural Silvino Filho/ Nosso Mar (CLN 115 – Bloco B – lojas 3,77, (61) 3349-6556), sempre às 22h – no segundo show a dupla conta com a participação especial de Erasmo Dibell. A produção não informou o valor do ingresso, mas custe o que custar, vale a pena.

Dente de ouro (2005), de Josias, e Emaranhado (2007), de Saldanha, seus discos mais recentes, estarão à venda nos shows.

Fusão de Criolinas em Brasília

Hoje (12), em Brasília/DF, às 21h, no Bar do Calaf, os maranhenses do Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões) encontram os brasilienses do Criolina (um coletivo de djs formado por Barata, Oops e Pezão).

Abaixo, duas amostras do que os primeiros são capazes: Veneno (Alê Muniz e Luciana Simões), de seu primeiro disco, homônimo, e São Luís-Havana (Alê Muniz, Luciana Simões e Celso Borges), de seu segundo disco, Cine Tropical, melhor álbum no Prêmio da Música Brasileira; a faixa levou o troféu de melhor música na edição 2010 do Prêmio Universidade FM. Os vídeos foram feitos pela Adriana de Andrade durante a apresentação de sábado (10), no Balaio Café e enviados por e-mail pela queridamiga Micaela Vermelho.

A banda que os acompanhou sábado é a mesma que subirá ao palco hoje: Luciana Simões (voz), Alê Muniz (guitarra e voz), Vavá Afiouni (contrabaixo), Rodrigo Barata (bateria) e Assis Medeiros (guitarra).