Jornalista Zema Ribeiro celebra 15 anos na blogosfera

[release]

Blogue Homem de vícios antigos tem a cultura como principal pauta. Mesa redonda e festa marcam comemoração.

Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazendo um par de violeiros em Marémemória, encenada pelo Laborarte em 1973, baseada no livro-poema homônimo de José Chagas. A foto de Murilo Santos tornou-se marca do blogue

O blogue Homem de vícios antigos, majoritariamente dedicado a pautas culturais, editado pelo jornalista Zema Ribeiro, completou 15 anos no ar em abril. Para celebrar a data estão programadas uma mesa-redonda e uma festa, que acontecerão no próximo dia 11 de maio (sábado, véspera do Dia das Mães).

“Iniciei o blogue como um exercício, assim que entrei na faculdade. Era um espaço de divulgar agendas de artistas amigos, depois evoluiu, se profissionalizou. Acabou virando literalmente um vício”, conta Zema Ribeiro, que tem 15 anos de profissão, tendo atuado principalmente em jornalismo cultural e assessorias de organizações de direitos humanos.

Além de editar o blogue, Zema Ribeiro atualmente apresenta, na Rádio Timbira AM, os programas Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, de meio-dia às 14h) e Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 22h), é colaborador do site de jornalismo musical Farofafá e diretor da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Emem). Sua trajetória profissional é marcada também por colaborações com todos os jornais de São Luís, além das revistas Top (São Luís), Overmundo (Rio de Janeiro) e Brazuca (França, bilíngue). O jornalista também foi colunista do site do Instituto Itaú Cultural.

Mesa redonda – O bate-papo terá como tema “Uma experiência de jornalismo cultural no Maranhão: 15 anos do blogue Homem de vícios antigos” e, além do editor do blogue, terá as presenças de Alberto Jr. (radialista, Mestre em Cultura e Sociedade/UFMA, apresentador do programa Quintal Cultural, na Rádio Timbira AM), Jotabê Medeiros (jornalista, editor de cultura da revista CartaCapital e do site Farofafá) e Polyana Amorim (radialista, Mestre em Cultura e Sociedade/UFMA, coordenadora do curso de Comunicação Social do Ceuma).

“Os escafandristas que virão explorar as ruínas da antiquada civilização na qual vivemos atualmente vão encontrar pouca coisa memorável. O blogue do Zema Ribeiro, Homem de vícios antigos, que professa paixão pela obsolescência tecnológica do ferramental que se alimenta do humano – os livros, os discos, o jornalismo –, certamente será um notável resgate. Porque se nutre daquilo que não envelhece jamais: o espírito. A boa música, a boa literatura, a fabulosa história em quadrinhos, a fantástica cultura popular. No presente, todos os microblogs serão famosos durante 15 segundos, mas o macroblogue do Zema já viveu mais do que 15 anos: viveu para sempre”, declarou Jotabê Medeiros.

A mesa redonda acontecerá no auditório do Centro Cultural do Ministério Público (Rua Oswaldo Cruz, 1396, Centro), dia 11 de maio (sábado), às 16h, com entrada franca. Com capacidade para 180 lugares, é necessário se inscrever pelo e-mail zemaribeiro@gmail.com

Baile de debutante – “Não existe 15 anos sem baile de debutante”, brinca Zema Ribeiro, ao anunciar a festa, que acontecerá no Chico Discos (Rua de São João, 289-A, Altos, Centro, esquina com Afogados), na mesma data, às 19h, e terá como atrações a dj Vanessa Serra e o Regional Choro da Tralha. O grupo é formado por Gabriela Flor (pandeiro), Gustavo Belan (cavaquinho), João Eudes (violão sete cordas), Chico Neis (violão), João Neto (flauta) e Ronaldo Rodrigues (bandolim).

Ao saber do aniversário, completado no último dia 28 de abril (data, em 2004, da primeira postagem), Vanessa Serra se manifestou em uma rede social: “Parabéns! E viva o Jornalismo feito com amor e seriedade! E umas doses de brilho!”.

“O [blogue] Homem de vícios antigos é, sem dúvida, um espaço onde é possível sentir algum alívio perante a desumanização dos tempos atuais. A começar pelo nome, que logo desperta curiosidade naqueles/as que ainda insistem em manter hábitos quase esquecidos, o blogue desempenha um papel que vai além de trazer informação sobre fatos, produções e atividades culturais e artísticas. Informa, mas também forma, mexe com nossas memórias, provoca, diverte, emociona”, elogia Gabriela Flor.

Chico Neis completa: “Além do visível compromisso com a arte e a cultura, vemos também uma forte presença maranhense, em textos apurados, coerentes e bastante acessíveis, o que não é tarefa fácil – o mais difícil é fazer o simples bem feito. Para resumir: um blogue necessário”.

“Desde que o blogue completou 10 anos a gente vinha pensando em realizar algo, mas nunca dava certo, eu mesmo não dava importância e a coisa não andava. Agora alguns amigos somaram, se doaram e a ideia deixou a cabeça e ganhou o Centro Cultural, o Chico Discos, e vai acontecer. Agradeço a todo mundo que embarcou nessa viagem maluca, com destaque para o amigo Otávio Costa, um leitor fiel do Homem de vícios antigos”, agradece Zema Ribeiro.

“Vanessa Serra é uma das djs mais requisitadas do cenário ludovicense e das rodas dominicais do Choro da Tralha, no sebo Feira da Tralha, que acabou por emprestar nome ao grupo, virei habitué. É uma enorme honra contar com suas presenças na festa, além dos amigos que, à tarde, estarão na mesa, meu professor Jotabê, um ídolo que virou amigo, e os amigos Alberto e Polyana, certamente teremos dois momentos com um nível excelente, sem falsa modéstia”, continua. “Todos eles, de algum modo, fazem parte da história do blogue, desses 15 anos de trajetória”, arremata.

SERVIÇO

15 ANOS DO BLOGUE HOMEM DE VÍCIOS ANTIGOS

Mesa redonda

Uma experiência de jornalismo cultural no Maranhão: 15 anos do blogue Homem de vícios antigos. Com Zema Ribeiro, Alberto Jr. (Rádio Timbira AM), Jotabê Medeiros (CartaCapital, Farofafá) e Polyana Amorim (Ceuma).

Quando: dia 11 de maio (sábado), às 16h.

Onde: Centro Cultural do Ministério Público (Rua Oswaldo Cruz, 1396, Centro).

Quanto: grátis. Inscrições pelo e-mail zemaribeiro@gmail.com (capacidade do auditório: 180 lugares).

Festa

Baile de debutante: 15 anos do blogue Homem de vícios antigos. Com Regional Choro da Tralha e dj Vanessa Serra.

Quando: dia 11 de maio (sábado), às 19h.

Onde: Chico Discos (Rua de São João, 289-A, Altos, Centro, esquina com Afogados).

Quanto: R$ 20,00 (capacidade do bar: 50 pessoas).

Socialista insurgente

Fenômeno das redes sociais, referência de um jornalismo que se assume de esquerda, a jornalista Cynara Menezes, editora do blogue Socialista Morena, estará em São Luís terça-feira que vem (19) para um debate sobre “Mídia, poder e democracia”, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop).

O evento “Diálogos insurgentes” acontece na Galeria do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande), às 17h, gratuito e aberto ao público. Ela dividirá a mesa com Francisco Gonçalves, titular da Sedihpop, professor doutor do departamento de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e Ricarte Almeida Santos, sociólogo e radialista, secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional Maranhão, produtor e apresentador do dominical Chorinhos e Chorões, na Rádio Universidade FM (106,9MHz).

Formada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Cynara já passou por grandes redações, como Folha e O Estado de S. Paulo, Veja, Isto É/Senhor, Vip e CartaCapital. Atualmente é colunista da revista Caros Amigos, onde assina o Boteco Bolivariano.

Zen Socialismo. Capa. Reprodução
Zen Socialismo. Capa. Reprodução

Inaugurou o Socialista Morena em 2012, assumidamente esquerdista. Em sua casa na internet, prega um socialismo à brasileira, mestiço, moreno, como defendiam Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, a quem ela homenageia em seu espaço, o primeiro veículo de comunicação brasileiro a ter uma editoria de “maconha” – ousadia imperdoável para os reacionários que não perdem tempo em agredi-la por… pensar.

No blogue, ao contrário da regra geral da internet – sim, há exceções –, busca escrever textos que sobrevivam à pressa e instantaneidade típicas da rede. Ano passado reuniu os melhores em Zen Socialismo (os melhores posts do blog Socialista Morena) [Geração Editorial, 2015, 240 p.; leia o primeiro capítulo], que ela autografará após o debate.

Por e-mail, Cynara Menezes conversou com exclusividade com o Homem de vícios antigos.

A Socialista Morena Cynara Menezes. Foto: João Fontoura
Cynara Menezes, a Socialista Morena, em clique de João Fontoura

Você tem feito a defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, com as devidas críticas a seus governos e aos de Lula. Na sua opinião, o PT é vítima de uma armadilha que criou para si, ao não democratizar a comunicação e as verbas de publicidade governamental?
Acho que o PT cometeu um erro de estratégia ao repetir a aliança com o PMDB em 2014. Não lhe acrescentou nada, pelo contrário. Estaria muito melhor hoje se Dilma tivesse sido eleita numa chapa puro sangue. Quanto à democratização da mídia, ainda que ela não tivesse se concretizado, seria possível ao partido (não ao governo) investir em mídias próprias, em vez de gastar tanto dinheiro em marketing político durante a campanha eleitoral. Para mim, a existência da internet é, em si, uma democratização da mídia. O PT e as esquerdas em geral poderiam ter avançado mais nos últimos anos em busca de meios de comunicação próprios.

O Socialista Morena é, hoje, um fenômeno nas redes sociais, algo raro para um site assumidamente de esquerda. Sua iniciativa é sustentada por seu público leitor. A que você credita essa preferência?
Acho que toquei num ponto que muitos órgãos da grande mídia parecem não perceber: a carência do leitor por textos bacanas, curiosos, sobre fatos atuais ou históricos. Invisto no meu blog em posts atemporais justamente por isso; os posts noticiosos acabam ficando “datados” rapidamente, de certa forma repetem o impresso, que no dia seguinte já estará embrulhando o peixe. Também me situei num nicho existente: a demanda por leituras de esquerda, que os jornalões não contemplam de forma alguma. Pode-se dizer que ninguém de esquerda hoje se sente representado pela mídia hegemônica. E somos metade da população, pelo menos.

O blogue surgiu em paralelo à sua atividade na imprensa, como repórter de CartaCapital. O hobby virou um compromisso mais sério? Você é adepta do pensamento de que “quem trabalha com o que gosta vive eternamente de férias”?
Nunca foi hobby, sempre foi um plano B para mim. Quando comecei o blog, já tinha em mente que estava iniciando meu veículo de comunicação. Quem trabalha com o que gosta é mais feliz, sem dúvida. Eu trabalho pacas, jamais podia dizer que estou eternamente de férias.

A transparência entre quem escreve e quem lê deveria ser um pressuposto da prática jornalística, não é? Raramente se vê um veículo ou profissional assumir de forma explícita posição político-ideológica, escondendo-se sob o falso manto da imparcialidade. O cenário está mudando?
Sim, depende do veículo. Alguns jornais e revistas proíbem que seus jornalistas se posicionem politicamente nas redes sociais, caso da Folha. Mas vejo, por exemplo, que os profissionais do jornal O Globo são mais liberados para falar o que pensam, assim como os repórteres dos canais esportivos, mesmo os da Globo. Recentemente vi também jornalistas da TV Globo e GloboNews assumirem posturas ideológicas, tanto mais progressistas quanto mais à direita. Acho isso bom, fica mais transparente.

De uns tempos para cá, muita gente tem migrado de veículos para profissionais, isto é, deixado de acompanhar jornal A ou B para acompanhar jornalista X ou Y. A seu ver, quais as vantagens e desvantagens deste modelo?
A vantagem é que os jornalistas se firmam sem a necessidade de estar vinculados a grandes veículos. Para o leitor, facilita na orientação do que ler: quando você confia em alguém como guia de leitura, evita perder tempo com conteúdos desinteressantes ou com os quais a pessoa não se identifica. A desvantagem é que ainda somos poucos, isso reduz o espectro da informação. Quando formos muitos informadores autônomos, haverá um leque mais amplo de escolha para o leitor.

Quais as suas melhores e piores lembranças de seus tempos de grande mídia?
Trabalhei muito bem na Folha de S. Paulo, tive grandes oportunidades lá. Pude entrevistar alguns dos escritores mais importantes do país e fiz muitas matérias divertidas. O chato para mim na Folha era o veto ao pensamento político próprio. Isso, depois de certa idade, se torna insuportável. Minha pior lembrança é, sem dúvida, minha passagem de oito meses pela revista Veja, uma escola de como não fazer bom jornalismo.

Seu claro posicionamento ideológico tem um preço: ataques, grosserias e toda sorte de péssimos comportamentos de quem não consegue tolerar sua postura. A veiculação de mentiras sobre sua pessoa é uma constante. De vez em quando você anuncia processos na justiça contra a perpetuação dessa prática. É possível fazer um balanço das causas? Dá para comprovar, como parte, a lentidão e seletividade da justiça brasileira?
É muito difícil penalizar alguém. O máximo que a gente consegue é dar um tranco, enviando interpelações judiciais a caluniadores. No caso do senador Ronaldo Caiado, pedi direito de resposta em seu twitter por ter me caluniado. A ação está correndo na Justiça.

Uma trincheira de sua luta é a defesa de um modelo alternativo de socialismo, mais à brasileira, mestiço, moreno, evocando figuras como Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, a quem o nome de seu blogue homenageia. Mais que possível, é um socialismo necessário?
Eu vejo a existência do socialismo como uma condição sine qua non para o equilíbrio do planeta. Imaginem se no mundo só houvesse capitalistas! Acho que as teorias em torno do socialismo estão mudando. Não sou nenhuma teórica, mas percebo que talvez o socialismo não seja, como se pensava, um modelo de sociedade, e sim um sistema de governo. Talvez sejam possíveis governos socialistas e não uma sociedade socialista.

Você visita o Maranhão governado por Flávio Dino, primeiro governador eleito pelo PCdoB na história do Brasil, após décadas de dominação da oligarquia Sarney. É possível, à distância, fazer uma avaliação do mandato do comunista?
Não me chegam muitas informações, mas o que conheço, gosto. Sobretudo por ele ter sido capaz de desmontar a oligarquia Sarney. Acompanhei recentemente a abertura de concurso para professores com salário inicial de 5 mil reais na rede estadual. Valorizar os professores é sempre um bom sinal. Darcy Ribeiro aprovaria.

O processo de impeachment de Dilma Rousseff lembra, guardadas as devidas proporções, a cassação do governador maranhense Jackson Lago, em abril de 2009, através de um golpe judiciário. Após pouco mais de dois anos de governo, o pedetista tinha certo desgaste com alguns setores e contou com pouco apoio popular. Que conselhos você daria a Flávio Dino para um mandato realmente popular, democrático e progressista?
Governar com a participação dos movimentos sociais. Dilma se afastou deles nos dois mandatos, foi um de seus principais equívocos. Saber ouvir as pessoas, principalmente os jovens, que estão muito interessados em participar das gestões e das decisões. Acho que toda secretaria deveria ter um conselho de jovens. Temos que ouvir os jovens, eles estão na rua o dia todo, estão na escola, na universidade, têm contato com a insegurança, com a polícia. Um governo de esquerda também tem que ser criativo, buscar sempre novas soluções para os problemas, e deve estar atento para a mobilidade urbana, uma questão fundamental do século 21.

A menina vinda do interior da Bahia que venceu na vida: passou por grandes redações, morou na Espanha e hoje tem um dos blogues mais respeitados do país. Num tempo em que o jornalismo parece se esfarelar em sua mesquinhez movida por interesses outros que não a notícia e a verdade em si, o que você diria a jovens estudantes que serão jornalistas num futuro breve?
Que procurem investir em sua formação intelectual. Aprender idiomas, ler boa literatura, bons ensaios e bons conteúdos na rede. Fuçar, não perder a curiosidade, sempre. Procurar conhecer os mestres também é importante. Tudo isso vai ajudá-los a se tornarem profissionais diferenciados no meio. Gente despreparada não terá lugar no jornalismo, ou fará mais do mesmo.

Ser Bolívia é preciso!

Em foto roubada do blogue Futebol Maranhense, a formação do Sampaio de 74. Em pé: Benazi, Moraes, Gilson, Lourival, Raimundo e Santos. Agachados: Buião, Djalma Campos, Dionísio, Sérgio Lopes e Airton
Em foto roubada do blogue Futebol Maranhense Antigo, a formação do Sampaio de 1974. Em pé: Benazi, Moraes, Gilson, Lourival, Raimundo e Santos. Agachados: Buião, Djalma Campos, Dionísio, Sérgio Lopes e Airton

Roubo de Xico Sá o título que ele deu, na Folha de S. Paulo, à coluna que comemorava o título do Vasco da Gama na Copa do Brasil em 2011. Troco o nome do heroico português pelo apelido do Sampaio Correa, que logo mais entra em campo, no Albertão, em Teresina/PI, para enfrentar a equipe carioca pela série B do Campeonato Brasileiro.

As equipes enfrentaram-se seis vezes, com quatro vitórias do Vasco, uma do Sampaio e um empate. Já disse, há algum tempo, no éter das redes sociais, que mais importante que o hexa brasileiro na Copa do Mundo é o título brasileiro do Sampaio na série B deste 2014.

Ao que o boliviano roxo e torcedor realista (pode?) Susalvino Viana, meu tio, advertiu-me: devemos torcer pela permanência do tricolor na série B. Para não cair. O Sampaio tem time para isso. Para ser campeão ou subir, não. O mesmo Susalvino havia me dito que seria praticamente impossível o Sampaio passar pelo Palmeiras na Copa do Brasil, do que discordei e a história mais uma vez revelou-me um péssimo comentarista/analista do ludopédio.

Se com prudência ou roxura cabe aos poucos mas fiéis leitores, amigos torcedores e amigos secadores – gracias, again, Xico Sá –, decidir: o importante é empurrar a Bolívia querida à recuperação.

Mas logo um cruzmaltino escrever isso?, decerto alguns me perguntarão. A explicação é simples: quem tem mais chances de voltar à série A (o verbo cabe a ambos os times, já que o Sampaio já figurou na elite do futebol nacional, como veremos adiante)? Certamente o time de São Januário. O que torna cada ponto para a Bolívia querida ainda mais importante e valorizado.

A julgar pelas estatísticas, cruzmaltinos e bolivianos devem sair satisfeitos com uma vitória dos visitantes – o mando de campo é da equipe carioca, punida por aquela briga de torcidas em jogo contra o Atlético/PR –, hoje, em terras piauienses: a única vitória do Sampaio contra o Vasco se deu justamente em 1974, quando a equipe liderada por Roberto Dinamite sagrou-se campeã brasileira pela primeira vez.

Bater, revidar, ignorar: pra tudo tem hora

Este ano este blogue completa 10 anos, somados os outros endereços por que passou antes de se instalar neste em definitivo, o que torna mais correto dizer que em abril próximo eu completo 10 anos blogando.

10 anos movidos por pura vontade e necessidade de dizer. Uma década sem um centavo de patrocínio público ou privado. Tempo de aprendizado, de cabeçadas, de arrependimentos, de textos ruins, mas também de evolução. Quase um terço da vida dedicados a indicar aos poucos mas fiéis leitores livros, discos e filmes de que gostei. Mas também de meter o bedelho onde não sou chamado. 10 anos entre agradar e desagradar, que nem Jesus Cristo foi unanimidade, não é, Nelson Rodrigues?

Mais que tudo, em abril próximo – se eu não desistir até lá – completo 10 anos de resistência e independência, num Maranhão em que quase tudo parece depender de apadrinhamentos políticos, cooptações, benesses, panelinhas e que tais.

São 10 anos dedicando meu tempo livre, ou roubando-o do trabalho ou da esposa, para fazer algo em que acredito. Não digo isso para jactar-me, mas não abro mão de minhas convicções e ideais.

Neste tempo, ganhei leitores, amigos e inimigos, ainda bem que não em igual proporção. Estive envolvido em debates importantes e necessários, mas em muita polêmica desnecessária e desgastante, sobretudo nas chamadas redes “sociais”. Coisa que não vale a pena.

Amadureci. Hoje prefiro canalizar esforços e energias mais concentradamente. Quem me conhece sabe que continuo sem fugir de uma boa briga. Mas ela tem que valer a pena. Gratuita ou não, não vou revidar uma agressão só pra demonstrar valentia. Assim sigo meu caminho.

O filho eterno no Palco Giratório

Às vezes deixo de noticiar umas coisas aqui no blogue para deixar para dizer algo mais perto, sobretudo em se tratando de agenda cultural. É o tempo que eu tenho de, às vezes, falar com alguém envolvido com a produção, levantar uma informação a mais, enfim, preparar algo digno dos poucos mas fieis leitores deste modesto espaço.

Vez em quando acontece de eu não conseguir levantar maiores ou melhores informações. Ou de, por motivos de viagem ou da correria cotidiana, já que este é um blogue feito às próprias custas s. a., do jeito e na hora que dá e eu e Deus queremos, eu não conseguir sentar e escrever ou mesmo colar uma imagem/anúncio por aqui (evitamos releases, embora eu vá fazer uso dele neste post). Aí o evento passa e já era, fica pra próxima.

Para não correr esse risco com a encenação de O filho eterno, baseada no romance homônimo de Cristóvão Tezza, antecipo seu anúncio por aqui. A peça, conforme o release, “mostra a luta diária de um homem (…) que precisa lidar com as decepções que um filho pode trazer, focando no desafio de nossas limitações, sem perder o olhar elegante. Frases de impacto e inesperadas dão o tom poético dessa trama, em que vem à tona muitas questões que pensamos, mas que jamais teríamos coragem de dizer em voz alta. A chegada do primeiro filho com síndrome de down é apenas uma das diversas reflexões que envolvem a paternidade e são abordadas nessa já premiada história”.

Ficha técnica: adaptação: Bruno Lara Resende > direção: Daniel Herz > elenco: Charles Fricks > duração: 80 minutos > classificação indicativa: 12 anos.

Os ingressos serão trocados por um quilo de alimento não perecível, na bilheteria do teatro, uma hora antes do início do espetáculo, que integra o projeto Palco Giratório, do SESC, que está acontecendo em todo o Brasil.

Não é mentira!: bang-bang hoje a noite

A quem conhece a obra de Ademir Assunção, preciso dizer nada. Aos que conhecem (apenas) seu primeiro disco, o excelente Rebelião na Zona Fantasma, talvez deva dizer umas palavrinhas: conheçam o blogue, os livros, o disco, o trabalho nas imprensas, alternativa e “grande”, donde se auto-exilou, para não se mediocrizar & mercantilizar, como vem ocorrendo.

A boa notícia do dia da mentira é que um de nossos mais talentosos poetas e jornalistas lança hoje a noite videoclipe de poemúsica do próximo disco, que já começou a gravar e deve lançar ainda este ano. Por aqui já ficamos na torcida.

As idas e vindas deste blogue

Blogo há oito anos e meio, o que faz de mim um dos mais antigos blogueiros em atividade ininterrupta no Maranhão. De abril de 2004 para cá, praticamente não parei. Outros blogueiros que ou me influenciaram ou foram por mim influenciados, modéstia à parte, ou ambas as coisas, deram paradas, foram fazer coisas mais importantes. Uns voltaram a blogar, outros não. Poderia citar rapidamente nomes como Bruno Barata, Carolina Libério, Gisele Brasil, Jane Maciel, José Patrício Neto, Márcio Jerry, Reuben da Cunha Rocha e Rogério Tomaz Jr., entre outros, correndo o óbvio risco de esquecer o de alguém.

São mais de oito anos sem ganhar um centavo, blogando pelo prazer de blogar e vez em quando ganhar algum estresse, alguma dor nos braços (a tendinite que combato com dorflex e teimosia) etc. Algumas passagens por jornais, na condição de colunista ou eventual colaborador, quase sempre sem ganhar um centavo, alguns até hoje me devendo (destes prefiro nem citar nomes), outros sequer falam comigo e quer saber? Não faço questão!

Uma vez ganhei dinheiro com meu blogue. Um dinheiro pífio, ridículo, quase nada. Um site de vendas me solicitou a inclusão de um link e me pagaria cem reais por ano. O link pago ficou no ar exatamente por um ano e eu faturei estes menos de dez reais por mês. Não tive trabalho nenhum além de linkar o endereço que me foi passado (hoje nem lembro qual) e deixá-lo ali por um ano (o dinheiro saiu logo que pendurei o link), isto é, nunca influíram no que publiquei ou deixei de publicar, um dinheiro, portanto, honesto.

Faço tudo no blogue: escrevo, edito, reviso, mexo no layout (com as limitações que me impõe a plataforma que utilizo). Não há equipe. É o bloco do eu sozinho mesmo. Por isso às vezes critico tanto certos blogueiros que sequer aprenderam a escrever, que ganham tubos de dinheiro para publicar apenas o que os patrocinadores determinam.

Mas não quero ser ranzinza. Deixa isso para a hora de criticá-los, uns certamente acusando-me de “invejoso”, outros de “otário” e eu pouco me importando com isso, nem uma coisa nem outra. Se quero ganhar dinheiro com o blogue? Gostaria, mas desde que quem me pagasse, pessoa física ou jurídica, não interferisse em meu ritmo (publicar quando quiser), conteúdo (o que quiser) e estilo (como quiser), ou seja: para este blogueiro aqui é quase impossível ganhar dinheiro, numa terra/blogosfera em que dinheiro e honestidade são, infelizmente, quase antagônicos.

Uns já devem estar se perguntando o que tem a ver tudo isso que digo com o título deste post. Quem andou por aqui desde o post Blogue em manutenção, aí por baixo, viu-o de cara diferente. Era minha ideia para colocar o anúncio de uma rede de livrarias, uma forma simples, prática e honesta de ganhar algum dinheiro com o blogue: o leitor acessa o site da rede através de um banner pendurado neste blogue e a cada compra finalizada eu receberia 5% do valor vendido. Não hesitei em comprar um modelo pago, pensando que ia poder incluir o banner; comprado o layout, descobri que teria que comprar mais umas ferramentas. Já tinha gasto mais de cem reais no tal layout e as ferramentas me custariam mais coisa de 99 dólares ao ano.

O conteúdo do citado post, em que eu afirmava estar “pensando (sempre) em melhor atender seus poucos mas fieis leitores” é verdadeiro. Por isso resolvi amargar o prejuízo decorrente da aquisição de um novo layout, inútil para minhas pretensões, e desistir de ganhar dinheiro com blogue. A não ser que você tenha alguma proposta interessante – e honesta, nunca é demais repetir – para me fazer.

Um blogueiro na biblioteca

Há quase um ano, salvo melhor juízo, tomei conhecimento do Cândido, jornal que a Biblioteca Pública do Paraná estava lançando à época. Fã confesso de Paulo Leminski, não resisti, ao ver uma caricatura sua na capa de estreia, a ligar para a BPP e ser simpaticamente atendido por um homem cujo nome não lembro agora.

Disse-lhe que era de São Luís, Maranhão, e que gostaria de receber o jornal. Ele anotou meu endereço e disse que meu nome não era estranho, que já havia lido meu blogue. Li o primeiro número do Cândido pela internet e este cuja capa é estampada pelo Leminski é o único que não tenho em minha coleção. O 2 demoraria a chegar e cheguei mesmo a pensar que aquela simpatia toda ao telefone havia sido apenas educação. O que não seria pouco.

Enganei-me, ainda bem. Mês após mês tenho recebido em minha casa um dos 5.000 exemplares de sua tiragem. Pode parecer bobagem, mas sinto-me honrado. Um jornal bonito, de capas coloridas e miolo em p&b, com conteúdo de primeira. Dedicado quase exclusivamente à literatura, já passaram por suas páginas nomes como Marçal Aquino, João Paulo Cuenca, Cadão Volpato, Sérgio Sant’Anna, Fernando Morais, André Dahmer, Joca Reiners Terron, Luiz Vilela, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Reinaldo Moraes, entre muitos outros, para citar apenas alguns que me vêm à cabeça imediatamente, sem eu correr ali à bagunça das estantes para relembrar.

Cândido, o nome do jornal, é homenagem a “Cândido Lopes, que hoje dá nome à rua em que está localizada a Biblioteca Pública do Paraná. Lopes fundou o jornal Dezenove de Dezembro, em 1854, o primeiro impresso paranaense”, aspas extraídas de Pelas calçadas da literatura, texto assinado por Guilherme Magalhães no nº. 10 (maio de 2012, p. 13) do citado jornal literário.

19 de dezembro é a data em que nasci, quase século e meio depois, coincidência que eu só viria a descobrir ao ter em mãos aquele número do jornal. Mas não seria a primeira: em maio passado minha esposa viajou à capital paranaense para apresentar um trabalho em um seminário de Direitos Humanos. Dois dias depois, às próprias custas s/a, juntei-me a ela para um turismo na cidade em que, para meu confesso espanto, Leminski é pouco lembrado. Antes da outra coincidência, volto a Guilherme Magalhães, no citado texto: “Por outro lado, figuras de proa da literatura paranaense dos últimos 50 anos também ainda não tiveram a honra de virar logradouro, o que pode denotar o distanciamento do tempo como um critério para as homenagens. Jamil Snege, Paulo Leminski (que virou nome de pedreira e de escola, mas não de rua) e Manoel Carlos Karam (que dá nome a uma casa de leitura) ainda não foram lembrados pelos políticos curitibanos, responsáveis por propor nomes a logradouros” (p. 13). Visitei a belíssima Pedreira Paulo Leminski e sua Ópera de Arame, além de ter comido e bebido na Manoel Carlos Karam, praça de alimentação do encantador Mercado Público Municipal, passeio que recomendo a qualquer turista, com pouca grana como eu ou não.

A outra coincidência conto agora. Chegando em Curitiba, calhou de o ônibus que me levou até o hotel parar justo em frente à BPP – hospedei-me bastante perto dela –; uma visita ao órgão público já estava planejada, ao menos em minha cabeça. Num sábado de maio pela manhã – sim, em Curitiba a Biblioteca Pública funciona aos sábados de manhã – apareci por lá e pedi para falar com alguém responsável pelo Cândido. A recepção me encaminhou a Tatijane Albach, que me dispensou enorme atenção e simpatia, levou-me para conhecer parte das dependências da BPP, que passava por reforma e tinha alguns setores fechados, e ainda me deu alguns presentinhos, além de apresentar-me alguns projetos.

O Um escritor na biblioteca, a plateia conversa com um escritor, com moderação de um jornalista, é uma reedição de projeto da década de 1980; os melhores momentos dos debate-papos têm sido reproduzidos Cândido após Cândido, devendo virar livro em breve; assim como deve ganhar reedição um livro já publicado com os participantes de há 20 e poucos, 30 anos.

Tatijane brindou-me ainda com um exemplar de Helena (ano 1, número zero, junho de 2012), revistão colorido de 114 páginas, anunciada na contracapa como “um pouco de muito da nossa cultura”, o nome, uma homenagem à poeta Helena Kolody. “A gente tem uma tradição de publicações com nome de homens, o Cândido, a Joaquim [revista editada há tempos por Dalton Trevisan]”, ela deve ter citado outros, “agora a Helena, uma mulher”, explicou anunciando a publicação trimestral da BPP.

Voltei ao hotel para guardar o pacote com Helena e alguns exemplares do Cândido antes de prosseguir o passeio com a esposa; Tatijane desceu as escadas e foi comprar pão de queijo para um café com que ajudaria a espantar o frio nem tão rigoroso assim que fazia aquela manhã em Curitiba.

Tatijane e o blogueiro, quando este visitou a BPP

Relendo Tião Carvalho

Curtindo uma praia, Tião Carvalho conversou com o blogueiro há quase seis anos

Memória – Há quase seis anos Tião Carvalho baixou na Ilha para lançar Tião canta João. Na ocasião, após o show no Teatro Arthur Azevedo, marquei uma entrevista com ele. Para um domingo. Sem mais compromissos, o artista curtia uma praia e me mandei para lá. Não lembro ao certo quanto tempo durou a conversa, mas foram quase duas horas, pois lembro que gravei duas fitas k7.

Transcrevi-a inteira e a vontade era publicá-la com nada de edição. Ou o mínimo. O resultado final acabou extrapolando o limite de caracteres para artigos no Overmundo, onde publiquei a primeira parte da entrevista, deixando as “sobras”, chamemos assim, para o blogue.

A entrevista vai além do lançamento do disco na ocasião, vai além da música. Vale relê-la. Tião faz show amanhã no Papoético.

E o mundo não se acabou

Nem vai se acabar antes de Rosa Secular II. Abaixo, palhinha da composição de Assis Valente, interpretada por Chico Saldanha, durante ensaio para o show de amanhã (10) no Daquele Jeito (Vinhais).

Os pouco mais de dois minutos foram gravados na manhã de hoje, na casa de Arlindo Carvalho por Lena Machado (sim, este é o link pro blogue da moça, que, como se cantasse, estreia na blogosfera em grande estilo).

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E hoje é aniversário de Ricarte Almeida Santos, a quem o blogue deseja tudo de bom e muita música!