Turnê Andarilho Parador, de Djalma Chaves e Nosly, começa por Imperatriz/MA

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Show acontece sábado (14) no Imperial Shopping. Além do município maranhense, músicos percorrerão cinco capitais brasileiras: Teresina, São Luís, Belém, Brasília e Fortaleza

Foto: Fafá Lago
Foto: Fafá Lago

 

A expressão Andarilho Parador carrega em si aparente contradição. Trata-se da junção dos títulos dos mais recentes discos de Djalma Chaves e Nosly, Andarilho e Parador, respectivamente. Com o show, os músicos percorrerão seis cidades brasileiras em novembro e dezembro, lançando os trabalhos.

A turnê começa por Imperatriz/MA, no próximo sábado (14). Lá a apresentação acontece às 19h30, no Imperial Shopping (BR 010, s/n°., Jardim São Luís), com participações especiais de Karleyby Allanda e Lena Garcia, cantoras da cena local.

“Sou um andarilho por natureza, sempre o fui. Meu trabalho foi forjado nas andanças pelos palcos do mundo. Porém, todo andarilho tem sua parada para o descanso e nada melhor do que as harmonias e canções e a companhia de meu parceiro Nosly para tirar uma “siesta””, comentou Djalma Chaves sobre a apenas aparente contradição.

Como também atesta Nosly: “A contradição, se existe, é mesmo aparente [risos]. Andarilho, um ser que anda; parador, ser que viaja no trem Parador, que liga a estação Central do Brasil à Zona Norte do Rio [de Janeiro]. Ambos estão em movimento, moto contínuo [risos]. A gente achou muito legal essa coisa do antagonismo das palavras, daí deu a liga, os opostos se atraem, não é mesmo?”, revelou.

Recentemente os dois realizaram diversas apresentações em São Luís no projeto Djalma e Nosly Convidam, sempre com convidados especiais. A dupla já conta seis shows realizados no formato. “Esse convívio musical tem nos ajudado a alinhavar o repertório que apresentaremos em cinco capitais brasileiras, além da cidade de Imperatriz. Em São Luís investimos na formação de plateia para música de qualidade, sempre convidando algum nome de destaque da cena cultural local, o que continua fazendo parte desse encontro musical”, explicou Nosly. “Estes shows serviram como aprendizado e entrosamento com a banda que nos acompanhará na turnê”, concordou Djalma.

E que banda! Nosly (voz, violão e guitarra) e Djalma Chaves (voz e violão) serão acompanhados por Murilo Rego (teclados), Sued (guitarra), Mauro Travincas (contrabaixo) e Fleming (bateria).

O repertório de Andarilho Parador é baseado no dos dois discos que dão nome ao espetáculo. Além de composições de Nosly e Djalma Chaves, há espaço para reverências a artistas admirados por eles. No primeiro bloco estão músicas como Aldeia (Nosly e Celso Borges) e Santo milagreiro (Djalma Chaves e César Roberto); no segundo, I’ll be over you, sucesso da banda Toto, e Gata e leoa (Jorge Macau), já gravadas por Nosly e Djalma Chaves, respectivamente, entre outras.

A turnê tem patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Além de Imperatriz, o show Andarilho Parador será apresentado ainda em Teresina/PI, São Luís/MA, Belém/PA, Brasília/DF e Fortaleza/CE. Em todas as apresentações os ingressos serão trocados por um quilo de alimento não perecível, que serão doados a instituições de caridade locais.

Josias Sobrinho e Chico Saldanha em turnê

Apresentações têm início nesta quinta-feira (5), em Imperatriz e vão até o dia 13, em São Luís. Turnê passará ainda por Brasília, Belém e Teresina

Josias Sobrinho e Chico Saldanha estão de malas prontas. Na bagagem, seus talentos. Acompanhados de Fleming Bastos (bateria), Jeca Jekovsky (percussão), Marcão (violão e guitarra), Mauro Travincas (contrabaixo), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), Rui Mário (sanfona e direção musical), a dupla leva o Circuito Dobrado Ressonante de Música a cinco cidades: Imperatriz (quinta-feira, 5, às 21h, no Teatro Ferreira Gullar, com participações especiais de Gildomar Marinho e Zeca Tocantins), Brasília (sexta-feira, 6, às 20h, no Teatro Silvio Barbatto – Sesc, com participação especial de Nilson Lima), Belém (terça-feira, 10, às 21h, no Teatro Waldemar Henrique, com participação especial de Ronaldo Silva), Teresina (quarta-feira, 11, às 21h, no Tempero de Iracema, com participação especial de Roraima) e São Luís (sexta-feira, 13, às 21h, no Teatro Arthur Azevedo, com participação especial do duo Criolina).

Os ingressos para todas as apresentações devem ser trocados nas respectivas bilheterias por um quilo de alimento não perecível.

No repertório, além de clássicos de suas lavras, a exemplo de Engenho de Flores e Dente de Ouro, de Josias, e Itamirim e Linha Puída, de Saldanha, comparecem também temas de Cesar Teixeira (Botequim), Sérgio Habibe (Ponteira), Zeca Baleiro (Boi de Haxixe) e Chagas (Se não existisse o sol), entre outras, além de obras autorais dos convidados especiais.

Abaixo, um texto que escrevi a pedido de Josias (não sei onde foi e/ou será usado, mas partilho acá com os poucos mas fieis leitores).

DOIS BARDOS NA ESTRADA

Os lagos da Baixada se encontram com os rios do Munim e atravessam o Estreito dos Mosquitos, inundando a Ilha capital, e de lá transbordam do Maranhão para o mundo.

“Eu quero ver a serpente acordar!”, gritaria outro compositor, certamente influenciado pelo transbordar, que não assusta por se tratar de música e talento, de Josias Sobrinho e Chico Saldanha.

Os meninos de Cajari e Rosário, há muito ludovicenses, dois dos mais extraordinários compositores de nossa música popular, que ainda precisam ser mais e mais conhecidos por aqui e lá fora.

Seus talentos inundarão plateias em Imperatriz, Brasília/DF, Belém/PA, Teresina/PI e São Luís, durante a pequena e ligeira turnê de Dobrado Ressonante, espetáculo que apresentam juntos já há algum tempo. Espécie de desdobramento de São três léguas, outros bois e muito mais, mítico show em que iniciaram a parceria (no palco), há cerca de 15 anos.

As histórias são muitas e o cofo de música é fundo e pesado. A estrada é longa e os amantes da boa música devem embarcar com estes meninos, senhores artistas!

Marcia Castro e Siba fizeram a plateia ser feliz

Natura musical levou shows De pés no chão e Avante de graça à Estação das Docas, na capital paraense

TEXTO E FOTOS: ZEMA RIBEIRO*

Marcia Castro: “A plateia só deseja ser feliz”
Siba: “Pode acabar-se o mundo, vou brincar meu carnaval”

 

BELÉM/PAMarcia Castro e Siba lançaram, ano passado, dois dos melhores discos da música brasileira deste início de milênio – ainda se pode dizer isso?

Ela, De pés no chão, aprofundou os bons resultados já apresentados na estreia, Pecadinho (2007), em que mergulhava de cabeça, corpo, voz e alma, no que há de melhor na MPB – para usar uma sigla surrada – misturando gravações e regravações de artistas consagrados e de novos compositores.

Ele, Avante, disco autoral em que retoma a guitarra, seu instrumento de origem, embora a rabeca o tenha projetado para o Brasil. O trabalho tem um acento mais pop, mais rock, após as experiências com a Fuloresta do Samba que sucedeu o Mestre Ambrósio, grupos que integrou. Se a rabeca não aparece no disco, estão lá, no entanto, suas referências interioranas que ajudaram a sedimentar a cena pós-mangue em Pernambuco.

Ela, baiana, ele, pernambucano. Em dois shows – não se encontram no palco – ambos fizeram sua parte para fazer o público sorrir, cantar junto, aplaudir, dançar, se divertir. A Estação das Docas, onde o palco foi armado, ficou pequena para tanta gente, conhecedora ou não do trabalho de ambos os artistas – as apresentações foram gratuitas, pelo Natura Musical.

Ao vendedor de cervejas que indaguei através do gradil, fugindo das long necks a oito reais vendidas nos bares do espaço, “nunca tinha ouvido falar, mas estou gostando. Sempre tem shows bons aqui”, afirmou.

Marcia Castro passeou pelo repertório de seus dois discos e apresentou duas músicas que não estão neles: Menina mulher da pele preta (Jorge Ben) e Jorge Maravilha (Julinho da Adelaide, pseudônimo de Chico Buarque), do verso “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”, esta emendada a Você gosta (Tom Zé). Começou por Pois é, seu Zé (Gonzaguinha), cujos versos “a plateia ainda aplaude ainda pede bis/ a plateia só deseja ser feliz” podem perfeitamente traduzir a noite.

“A gente não vai sair para vocês pedirem o bis, se não vão desligar tudo aqui e a gente não volta”, anunciou brincalhona, avisando da impossibilidade de ouvir da plateia o tradicional “mais um”, já que o palco tinha que ser montado para Siba no intervalo. Mandou os hits Preta pretinha (Moraes Moreira e Galvão) e Frevo (Pecadinho) (Tom Zé), antes de deixar a plateia pedindo “mais um”.

“O que eu digo pra vocês uma hora dessas?”, Siba subiu ao palco desculpando-se pelo atraso, decorrente da reorganização do palco entre um show e outro. Logo estava desculpado por todos os presentes, mandando o repertório de Avante, show man que sabe hipnotizar a plateia mesclando o punk rock que corre em suas veias aos idem maracatu, frevo e ciranda, botando o público para dançar e cantar junto.

Poeta-trovador, as letras das músicas de Siba têm força e contam histórias, algo já notado desde que integrava o Mestre Ambrósio e a Fuloresta do Samba. Pontos altos do show, A bagaceira – história de um carnaval supostamente vivido pelo músico – e Canoa furada contam causos pra lá de engraçados, envoltas em ritmos que levam mesmo repórteres desengonçados a mexer o corpo e batucar nas próprias pernas tentando acompanhar os músicos no palco. Siba não recorreu ao repertório do Mestre Ambrósio mas lembrou o Toda vez que eu dou um passo/ o mundo sai do lugar (2007), faixa título de um disco seu com a Fuloresta.

Escoltados por ótimas bandas, ambos disseram da felicidade de tocar em Belém, cidade em que os dois baixavam pela primeira vez, o que por si só já garantiria às apresentações o status de “históricas”. Mas o par de artistas – de mútua admiração, confessada publicamente – não estava ali (apenas) para fazer turismo. Fizeram música da melhor qualidade, com turistas e belenenses tomando parte de um evento de magia e alto astral, aproveitando cada momento de diversão e deleite proporcionados por dois dos maiores artistas brasileiros de nossos tempos.

*O repórter viajou às próprias expensas.