O barato pesado de Siba

Não mexe comigo que eu não ando só. Foto: José de Holanda

O Bloco Bota Pra Moer, capitaneado pelo duo Criolina, formado por Alê Muniz e Luciana Simões, percorrerá o Circuito Beira-Mar, oficial do Governo do Estado do Maranhão, dia 4 de março (segunda-feira de carnaval), às 16h. O convidado do bloco, em seu segundo ano, é o cantor e compositor eterno novo baiano Moraes Moreira, que ganhou uma homenagem da dupla, Demorô Moraes, composta em parceria com o poeta Celso Borges.

O Bota Pra Moer realiza amanhã (23), às 17h, ensaio aberto na Praça dos Catraieiros (Praia Grande). O Criolina terá como convidados o grupo Divina Batucada, o dj Jorge Choairy e o pernambucano Siba.

Embarcando para o Maranhão o convidado ilustre conversou com exclusividade com Homem de vícios antigos sobre sua participação na temporada pré-carnavalesca de São Luís, política e seu disco novo, que lança em maio ou junho. Siba disponibilizou hoje nas plataformas digitais um single do novo trabalho, a faixa Barato pesado.

Barato pesado. Capa do single. Foto: José de Holanda

Siba, como se deu o convite e qual a sua sensação em voltar ao Maranhão para uma apresentação na temporada de pré-carnaval?
Quem me conhece sabe que eu tenho uma longa história de amor com o Maranhão. Cada vez que eu tenho uma oportunidade de ir aí é sempre um momento especial pra mim. O convite se deu através de minha relação de admiração e amizade com o Alê e a Luciana do Criolina. Foi um convite de surpresa, agora, muito próximo do carnaval, a possibilidade de ir aí cantar com eles, viver um pouco dessa [temporada] pré-carnavalesca de São Luís, que eu nunca tive a oportunidade de ver. Vai ser duplamente especial para mim dessa vez.

Como será sua participação e qual o set list previsto?
Eu vou cantar coisas minhas que têm relação com o carnaval, especialmente frevos, A bagaceira, Canoa furada, A velha da capa preta, Bicharada, esse repertório que dialoga diretamente com o carnaval, não poderia ser diferente.

O folião Siba é representado na letra de A bagaceira? “Pode acabar-se o mundo/ vou brincar meu carnaval”?
A bagaceira é meio autobiográfica, do meu carnaval de juventude, muito novo, brincando como folião mesmo, sem nenhum vínculo mais direto com a tradição do carnaval que eu fui depois elaborando. Então, quando eu era um garoto de subúrbio em Olinda eu brincava de mela-mela e depois, mais pra frente, tomar uns goles, e sair na sexta e voltar na quarta-feira, esse foi o meu carnaval folião por alguns anos. Depois eu me envolvi com o carnaval, primeiro com o maracatu, e depois profissionalmente como cantor e compositor, e aí deixei esse lado folião para outros momentos, por que já não dava mais para ser no carnaval. Embora eu não sinta falta por que eu gosto muito de fazer carnaval, de atuar e construir o carnaval, de cima do palco. É um momento muito especial, de muita intensidade pra mim.

Em seu disco mais recente [O ouro do pó da estrada, Deck, 2018] Elba Ramalho gravou José, faixa inaugural do Mestre Ambrósio. O que você achou do registro e o que ele significa para você, enquanto compositor?
José é uma música muito importante pra mim, do repertório do Mestre Ambrósio, do primeiro disco [1997], uma música que eu cantei, sei lá, mais de 12 anos a fio, que foi a história da banda. Na voz de Elba ficou incrível, especial, ela é uma intérprete fabulosa, segue sendo uma intérprete única, de voz imediatamente reconhecível, uma marca muito forte na música nordestina e brasileira. Pra mim foi uma honra também de ter essa versão na voz dela. Me deu até vontade de cantar a música novamente no repertório, quem sabe agora eu bote ela de volta na minha lista.

Mais do que nunca o carnaval será uma espécie de escape da realidade. Como você tem acompanhado o cenário político e o que espera do Brasil sob a égide dos militares eleitos em outubro?
Olha, eu não gosto de dizer que o carnaval é escape da realidade, eu acho que o carnaval é a realidade intensificada. É onde a gente coloca pra fora o que há de melhor e pior da nossa realidade, concentrado em comportamento, em fantasia, em música, em expressão. Eu acho o carnaval muito importante para a saúde de nosso país, por que ele é central de nossa cultura e de nossa dinâmica de vida em sociedade. Você me pergunta o que eu espero do Brasil militarizado como ele está: eu sou bastante pessimista, acho que o governo atual é um desastre, um desastre caótico, uma família envolvida com milícia, um trato caótico do governo, cada um diz uma coisa uma hora, um vereador diz o que o presidente tem que fazer, é uma coisa realmente muito complicada. Parece vir dos próprios militares as vozes às vezes mais balanceadas, o que pra mim não é uma vantagem. Na verdade, a gente lutou muito para ter uma democracia de direito, e agora vê a volta dos militares, eu não vejo com bons olhos. Eu espero estar errado, mas eu acho que a gente tem aí um longo período de incertezas pela frente.

O que o fã clube pode esperar de Siba em 2019? Vem disco novo por aí?
Tem sim um disco novo, agora, estou preparando ele. Hoje nós lançamos nas plataformas digitais, um single desse disco, se chama Barato pesado, é uma música que tem muito a ver com o carnaval, por isso que a gente se apressou em lançá-la logo, podem procurar e ouvir. É uma música muito especial para mim, ela é talvez prima-irmã dA bagaceira e está aí pra todo mundo ouvir. O disco sai em maio ou junho, não quero adiantar muito sobre ele. O que eu tenho de melhor pra adiantar está na música que eu lancei hoje, dá para ouvir e ver qual é a pegada do disco. Até já! Estou indo para o Maranhão agora.