Show de Tião Carvalho reinaugurou o Papoético ontem

Momento histórico: Tião Carvalho e Chico Saldanha soltam a voz em Itamirim. Foto: Zema Ribeiro

 

O poeta Paulo Melo Sousa reinaugurou ontem o Papoético, cerca de sete anos depois de o projeto ter agitado a ilha. A reestreia aconteceu no Bar Latino (Rua do Giz, Praia Grande).

Ao menos na edição de ontem, o Papoético assumiu outras feições: em vez do debate-papo, bonitos espetáculos: de passagem pela ilha o poeta Dyl Pires leu um belo trecho de Éguas! (Pitomba, 2017), seu livro-poema mais recente, antes de se mandar para o sarau No Olho da Rua, evento mensal que acontece no novo Poeme-se (Rua de São João, 246A, Centro). Até o momento em que Paulo Melo Sousa anunciou a apresentação de Tião Carvalho, colocou o microfone à disposição dos presentes, mas ninguém se atreveu a recitar um poema.

Em ambiente aconchegante, apesar do preço proibitivo da cerveja (13 reais uma Eisenbahn), Tião Carvalho fez show inspirado, apesar do “em cima da hora” das articulações: maranhense radicado há décadas em São Paulo, o artista torna ao estado natal para shows na temporada carnavalesca e, já tendo se apresentado no Papoético àquela época, aceitou o convite do idealizador para regressar ao palco.

Subiu a ele acompanhado por João Simas (guitarra), Davi Oliveira (contrabaixo) e Thierry Castelo Branco (bateria), para um desfile de clássicos, entre composições de João do Vale (Uricuri), a quem tributou em disco [Tião canta João, Por do Som, 2006], da irmã Ana Maria Carvalho (Até a lua) e autorais (Quando dorme Alcântara, título de seu primeiro disco solo, de 2003). O próprio Tião revezava-se entre triângulo, maracá, apito e cavaquinho.

Num intervalo no meio do show, Paulo Melo Sousa sorteou exemplares de livros e cds entre os presentes. Erivaldo Gomes foi chamado a participar de Cajapió, composição de sua autoria gravada por Tião Carvalho em Quando dorme Alcântara e acabou recrutado pelo cantor a continuar ao triângulo durante quase toda a apresentação. Antes, da plateia e também na base do improviso, o convidado foi Chico Saldanha, que dividiu o palco com o amo do Boi de Cupuaçu em Itamirim.

A toada de Saldanha foi registrada em seu disco de estreia, o homônimo Chico Saldanha (1988), com a voz de Tião Carvalho – o disco, gravado em São Paulo, tem Erivaldo Gomes na percussão. Caminhos que se cruzam, momento histórico.

O show terminou com a Sapaiada (Xavier Negreiros e Marquinhos Mendonça) e Nós, clássico de Tião Carvalho imortalizado por Cássia Eller.

A intenção do idealizador é realizar o projeto Papoético quinzenalmente.