Samba de Nosly

Sambas. Capa. Reprodução

 

As referências aludidas pelo pianista mineiro Kiko Continentino em texto no encarte de Sambas [2018], novo disco do maranhense Nosly, são todas cabidas. O aguardado sucessor de Parador [2011] se aproxima bastante da bossa nova – é lançado no ano em que a revolução musical de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e os Joões Gilberto e Donato completa 60 anos –, e consequentemente do jazz, tanto do ponto de vista temático quanto da arregimentação.

Autor de todo o repertório, em parcerias com Gerude, Carlos Berg, Nonato Buzar, Zeca Baleiro, João Nogueira e Luís Lobo, Nosly (violões e voz) é acompanhado por Kiko Continentino (piano), Rogério dy Castro (baixo), Victor Bertrami (bateria) e Wendel Silva (percussão), por 10 faixas que versam, como a maioria dos clássicos bossa-novistas, sobre praias, o amor e a própria música.

Ao refinado time de instrumentistas somam-se as participações especiais de Carlos Malta (sax soprano em Samba em sete, parceria com Luís Lobo), Marcelo Martins (flautas em Pedras do mar, que fecha o disco) e Jorge Continentino (saxes, clarinetes e flautas em Pagar pra ver, parceria com Gerude e Carlos Berg).

Quase todo o repertório é inédito, as exceções são Coração na voz (parceria com Gerude e Nonato Buzar) e Japi (com Zeca Baleiro). O João protagonista de Ladeira (parceria com João Nogueira) evoca o Pedro Pedreiro buarqueano.

Nosly reverencia igualmente a Copacabana, paisagem-musa de bossa-novistas (em É bom viver, parceria com Gerude), e a Ponta d’Areia já louvada por tantos conterrâneos (em Segura o banzeiro, também parceria com Gerude, parceiro mais constante, que assina metade das faixas do disco).

O álbum é embalado pelo belo projeto gráfico de Andrea Pedro, que já assinou trabalhos dos parceiros Zeca Baleiro e Chico Saldanha. Nele, ganha destaque o colorido musical das telas de Betto Pereira, cantor, compositor e artista plástico maranhense radicado no Rio de Janeiro, onde Sambas foi gravado (no Castelo Studio, em Niterói).

Sambas reafirma o lugar de Nosly na música brasileira: um sofisticado compositor popular que merece a atenção de mais ouvidos.

A palavra acesa e celebrada de José Chagas

CAPA_CD

Em primeira mão, a capa de A palavra acesa de José Chagas, disco em que a poesia do mais maranhense de todos os paraibanos é tornada música. A maioria é inédita, mas estão lá Palavra acesa e Palafita, já gravadas pelo Quinteto Violado, a primeira, tema da novela Renascer, da Rede Globo. Um de nossos maiores versejadores, José Chagas completa 90 anos em 2014.

Participam do disco este timaço de feras listado na capa. A produção é de Celso Borges e Zeca Baleiro. Os desenhos são de Paullo César e o projeto gráfico é de Andréa Pedro.

O lançamento acontece na próxima quinta-feira (5), às 21h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Haverá uma sessão de audição do disco e a exibição de um vídeo, realizado especialmente para o projeto.

O blogue voltará ao assunto.

Em tempo (já falei sobre, mas não custa repetir): a foto do cabeçalho deste blogue, clicada por Murilo Santos, mostra Josias Sobrinho e Cesar Teixeira fazendo um par de violeiros na peça Marémemória, baseada no livro-poema homônimo de José Chagas. O livro é de 1973, a peça, do ano seguinte.