Dois anos do Vias de Fato: um jornal necessário

Antes de mais nada: necessário, sim. Um jornal cujas “multinacionais” que o apoiam – Cáritas Brasileira Regional Maranhão, Chico Discos, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Poeme-se – não interferem no conteúdo; cujo departamento comercial não se sobrepõe à redação; em que o compromisso com a verdade e a paixão pelo ofício – com seus ossos e “a dor e a delícia de ser o que é” – estão acima de quaisquer etc. Um jornal de esquerda, elogiado e criticado por esquerda, centro e direita, não necessariamente nessa ordem, a depender da edição, do assunto, da matéria…

Ainda lembro o primeiro panfleto do Vias de Fato: um boneco gorducho e baixinho gritava, nas mãos um exemplar do jornal que ainda ia sair. Dois anos se passaram. Mais de dois, na verdade, que as coisas naquele jornal mensal não são assim tão certinhas: o aniversário de dois anos é comemorado quando a criança já conta 25 meses, caminhando para 26.

Antes disso, lembro do cortejo de catirinas famintas em uma peça de teatro de rua, O batizado do boi de taipa, salvo engano era esse o nome, catirinas e boi e músicos e interessados em geral, artistas e espectadores misturavam-se, percorrendo a Praia Grande – numa época em que o bairro ainda não havia caído no estado de total abandono e putrefação a que ora se encontra relegado.

Lembro também a feijoada em comemoração ao primeiro aniversário do jornal, uma tarde descontraída na beira da praia: aquele dia era aniversário de Jonas Borges, que recentemente defendeu sua monografia e venceu uma doce aposta que tinha comigo.

Recentemente os editores Cesar Teixeira e Emílio Azevedo e os coordenadores Alice Pires e Altemar Moraes resolveram “acabar” com o expediente do jornal: havia se chegado à conclusão de que ali ninguém dá expediente. É verdade! Não há redação fixa, mas as coisas funcionam.

Tem sido um prazer muito grande e é uma honra enorme integrar essa família – sei lá há quantas edições venho colaborando com as páginas de cultura. Outra alegria são as reuniões do “conselho”: este blogueiro, Emílio Azevedo e Flávio Reis, desde sempre um entusiasta do mensal que “não foge da raia”.

Hoje (9), logo mais às 18h30min, no Auditório Che Guevara do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413/417, Centro), acontece o debate “Mídia alternativa, sociedade civil e luta social”, marcando o segundo aniversário do Vias de Fato.

Participam o jornalista Igor Felippe Santos, editor do site do MST e integrante do Centro de Estudos Barão de Itararé e da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária, o professor Flávio Reis, do curso de Ciências Sociais da UFMA, autor dos livros Cenas marginaisGrupos políticos e estrutura oligárquica no Maranhão, além do inédito Guerrilhas (a sair em breve com os selos Pitomba! e Vias de Fato), e a jornalista, socióloga e professora Helciane Araújo, da UEMA, autora do livro Memória, mediação e campesinato: as representações de uma liderança sobre as lutas camponesas na pré-Amazônia maranhense.

Como anuncia o panfleto: “o evento faz parte da comemoração pelos dois anos de fundação do jornal Vias de Fato. A entrada é franca. Ao final do debate teremos música, cachaça e camarão seco”.